A tecnologia tem sido uma forte aliada para pacientes com problemas auditivos (que já são entre 15 e 20% da população brasileira, segundo dados da Sociedade Brasileira de Otologia, sendo que o zumbido é um dos principais deles). Ela tem proporcionado o desenvolvimento de programas como o Hearing Guardian V1, recém-lançado no mercado brasileiro pela Biosom, empresa representante da gigante coreana Earlogic.
Desenvolvido pelo Centro de Fisiologia Auditiva da UCLA, o software funciona emitindo sinais sonoros que diagnosticam a frequência auditiva do usuário e conseguem identificar onde há células danificadas.
– Ao utilizar este software, você pode facilmente descobrir quais regiões de frequência em sua audição têm desvantagens reais nesse momento – afirma Sang Yeop Kwak, CEO da Earlogic.
Após esse reconhecimento, novas ondas são emitidas para estimular essas células, evitando que o dano aumente. O programa, disponível para download no site da Biosom (www.biosom.com.br), tem como proposta ser um freeware para que o público em geral teste a eficiência da tecnologia, protegendo-as dos sons percebidos sem fonte externa que os estejam gerando, os ‘tinnitus’, também conhecidos como ‘zumbidos’ e para restaurar a perda de audição relacionada à idade e/ou a ruído excessivo. A tecnologia Earlogic já foi difundida por centenas de hospitais na Alemanha e alguns de seus produtos aprovados pelo FDA – Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, onde estão sendo comercializados e recentemente o governo do Japão adquiriu o seu uso de licença.
O software atua primeiramente testando e gerenciando a audição do usuário por meio da emissão de sinais acústicos personalizados formados por tons de frequência e amplitude moduladas. A partir do diagnóstico, no qual são verificadas quais as reais condições de ameaça sofridas pelo aparelho auditivo, o programa divide a gama de freqüências audíveis em nove faixas. Cada grupo de freqüência tem a sua sensibilidade auditiva analisada pelo programa que identifica possíveis danos para, então, iniciar o tratamento adequado.
Identificada a freqüência auditiva problemática, o tratamento se dá por meio do estímulo correto dos terminais nervosos danificados responsáveis pela audição localizados na cóclea. A cóclea é a parte fundamental do sistema auditivo humano que tem como função transformar um sinal acústico em um sinal elétrico. As células ciliadas auditivas da cóclea têm sua distribuição similar a um teclado de piano. Se houver um problema em qualquer tecla, é necessário um ajuste do teclado. O software então atua como um ‘afinador de piano’. Caso ocorra um problema em uma tecla específica, o software detecta o problema apenas ativando a tecla danificada, a estimulando e a protegendo de maiores danos.
Testes feitos com a tecnologia Earlogic demonstraram que se em uma faixa de freqüência específica houver um dano sutil, continuar ouvindo o som de sinais dessa faixa em um volume apenas audível faz com que a audição seja protegida de maiores danos. Além de evitar o agravamento da perda da sensibilidade auditiva, seis a sete de cada dez pessoas que utilizaram produtos com a tecnologia Earlogic ao menos por duas semanas (duas vezes ao dia por 30 minutos), apresentaram melhora de mais de 10dB em sua capacidade auditiva.
Os efeitos positivos da estimulação sonora sobre a audição têm sido estudados há várias décadas. Em 1999, os pesquisadores do Laboratório de Eaton-Peabody de Harvard Medical School relataram que o condicionamento do som aumenta a sensibilidade da cóclea. Desde 1988 os pesquisadores do instituto Karolinska, na Suécia, revelaram que a estimulação sonora moderada reduz a perda auditiva causada por ruídos traumáticos. Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Earlogic Auditivo comprovaram que o nível de som da estimulação sonora melhora a audição em mais de 10 decibéis.
Algumas universidades, como a norteamericana Stanford, estão pesquisando sobre o produto a fim de descobrir mais sobre seus efeitos.



