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Posts de setembro 2011

Tecnologia a favor da boa audição

20 de setembro de 2011 0


A tecnologia tem sido uma forte aliada para pacientes com problemas auditivos (que já são entre 15 e 20% da população brasileira, segundo dados da Sociedade Brasileira de Otologia, sendo que o zumbido é um dos principais deles). Ela tem proporcionado o desenvolvimento de programas como o Hearing Guardian V1, recém-lançado no mercado brasileiro pela Biosom, empresa representante da gigante coreana Earlogic. 

Desenvolvido pelo Centro de Fisiologia Auditiva da UCLA, o software funciona emitindo sinais sonoros que diagnosticam a frequência auditiva do usuário e conseguem identificar onde há células danificadas.

– Ao utilizar este software, você pode facilmente descobrir quais regiões de frequência em sua audição têm desvantagens reais nesse momento – afirma Sang Yeop Kwak, CEO da Earlogic.

Após esse reconhecimento, novas ondas são emitidas para estimular essas células, evitando que o dano aumente. O programa, disponível para download no site da Biosom (www.biosom.com.br), tem como proposta ser um freeware para que o público em geral teste a eficiência da tecnologia, protegendo-as dos sons percebidos sem fonte externa que os estejam gerando, os ‘tinnitus’, também conhecidos como ‘zumbidos’ e para restaurar a perda de audição relacionada à idade e/ou a ruído excessivo. A tecnologia Earlogic já foi difundida por centenas de hospitais na Alemanha e alguns de seus produtos aprovados pelo FDA – Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, onde estão sendo comercializados e recentemente o governo do Japão adquiriu o seu uso de licença.

O software atua primeiramente testando e gerenciando a audição do usuário por meio da emissão de sinais acústicos personalizados formados por tons de frequência e amplitude moduladas. A partir do diagnóstico, no qual são verificadas quais as reais condições de ameaça sofridas pelo aparelho auditivo, o programa divide a gama de freqüências audíveis em nove faixas. Cada grupo de freqüência tem a sua sensibilidade auditiva analisada pelo programa que identifica possíveis danos para, então, iniciar o tratamento adequado.

Identificada a freqüência auditiva problemática, o tratamento se dá por meio do estímulo correto dos terminais nervosos danificados responsáveis pela audição localizados na cóclea. A cóclea é a parte fundamental do sistema auditivo humano que tem como função transformar um sinal acústico em um sinal elétrico. As células ciliadas auditivas da cóclea têm sua distribuição similar a um teclado de piano. Se houver um problema em qualquer tecla, é necessário um ajuste do teclado. O software então atua como um ‘afinador de piano’. Caso ocorra um problema em uma tecla específica, o software detecta o problema apenas ativando a tecla danificada, a estimulando e a protegendo de maiores danos.

Testes feitos com a tecnologia Earlogic demonstraram que se em uma faixa de freqüência específica houver um dano sutil, continuar ouvindo o som de sinais dessa faixa em um volume apenas audível faz com que a audição seja protegida de maiores danos. Além de evitar o agravamento da perda da sensibilidade auditiva, seis a sete de cada dez pessoas que utilizaram produtos com a tecnologia Earlogic ao menos por duas semanas (duas vezes ao dia por 30 minutos), apresentaram melhora de mais de 10dB em sua capacidade auditiva.

Os efeitos positivos da estimulação sonora sobre a audição têm sido estudados há várias décadas. Em 1999, os pesquisadores do Laboratório de Eaton-Peabody de Harvard Medical School relataram que o condicionamento do som aumenta a sensibilidade da cóclea. Desde 1988 os pesquisadores do instituto Karolinska, na Suécia, revelaram que a estimulação sonora moderada reduz a perda auditiva causada por ruídos traumáticos. Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Earlogic Auditivo comprovaram que o nível de som da estimulação sonora melhora a audição em mais de 10 decibéis.

Algumas universidades, como a norteamericana Stanford, estão pesquisando sobre o produto a fim de descobrir mais sobre seus efeitos.





Coqueluche de volta à cena

20 de setembro de 2011 0

A coqueluche está de volta à cena.  A Organização Mundial da Saúde estima um impacto anual de 50 milhões de casos e 300 mil mortes causadas pela doença na população mundial. O fenômeno é global. Em 2010, o CDC – Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos – registrou 27.550 casos de coqueluche, sendo 9.774 na Califórnia, onde foi registrada a morte de 10 bebês de dois meses de idade. Na Europa, foram 15.749 casos, dos quais 46% na Noruega e na Holanda. A Austrália contabilizou 35 mil casos, entre julho de 2010 e julho de 2011, dos quais 40% precisaram ser internados ― a maioria crianças menores de um ano.

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), os casos de coqueluche na América Latina cresceram quase cinco vezes entre 2003 e 2008, passando de 3.213 para 15.310 casos. No Brasil, a coqueluche é subnotificada em razão do desconhecimento sobre a doença e da dificuldade de diagnóstico em adolescentes e adultos. Em 2010, o DATASUS registrou 427 casos de coqueluche, dos quais 40% em São Paulo, sendo 80% em bebês com menos de um ano. Na cidade de Santana do Mundaú (Alagoas) houve um surto com 53 casos suspeitos, dos quais 38% confirmados4. Entre janeiro e agosto de 2011, o Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN) confirmou 593 casos da doença, com 15 mortes – sete em São Paulo, duas no Rio de Janeiro, uma em Roraima, uma em Pernambuco, uma na Bahia, uma em Santa Catarina, uma no Rio Grande do Sul e uma em Minas Gerais. Do total de casos, 451 ocorreram em menores de um ano. Depois de seis anos livre da coqueluche, a Bahia registrou 51 casos suspeitos, dos quais 14 confirmados. Dos casos com diagnóstico positivo, nove ocorreram em menores de um ano, três em crianças entre um e quatro anos, e dois em adultos entre 20 e 42 anos.

Controlada até os anos 80 e 90, a popular “tosse comprida” ressurge em vários países do mundo. Ao contrário do sarampo e da varicela, a doença pode ocorrer mais de uma vez na vida porque a proteção conferida pela vacina diminui após dez anos. Estudos científicos mostram que os adultos em contato com a criança são os principais responsáveis pela transmissão da doença aos pequenos, principalmente aos bebês menores de um ano, fase em que o esquema vacinal está incompleto.

Para proteger esses bebês, os países desenvolvidos têm usado a estratégia “cocoon” (casulo, em inglês), que prevê a vacinação de reforço contra a coqueluche nas pessoas que têm contato com os bebês – pais, irmãos, avós, demais familiares, profissionais de saúde e cuidadores. Imunizadas, as pessoas próximas à criança formam um casulo protetor ao seu redor.

Tosse é um dos primeiros sinais

Geralmente, a coqueluche começa com tosse e coriza. Com o passar do tempo, a tosse fica mais intensa, com acessos seguidos de guinchos e vômitos. Nos adultos, os sintomas são mais brandos e, na maioria das vezes, a doença não é detectada. Já nas crianças, as consequências da doença podem ser graves. Os bebês, que não completaram o esquema de vacinação ou não foram vacinados, têm mais chances de desenvolver complicações, como pneumonia e insuficiência respiratória, responsáveis por internações e que podem provocar paradas respiratórias, capazes de deixar sequelas mentais e motoras por causa da falta de oxigenação no cérebro.

A partir deste mês, a Sanofi Pasteur, a divisão de vacinas da Sanofi, lança no Brasil a vacina internacionalmente conhecida por Adacel Quadra, que, com apenas uma dose, oferece o reforço contra coqueluche, tétano, difteria e poliomielite, para adolescentes, adultos e crianças a partir de 3 anos de idade. A nova vacina estará disponível em clínicas particulares. No caso da coqueluche, a vacina Adacel Quadra vai evitar que adolescentes e adultos transmitam a doença a bebês.

Desenvolvida com tecnologia de ponta, Adacel Quadra já vem pronta para uso – 100% líquida na seringa, o que facilita sua administração. Graças a uma sofisticada técnica de purificação, o componente contra coqueluche é acelular, contendo apenas fragmentos da Bordetella pertussis ― bactéria responsável pela doença ―, que estimulam a produção de anticorpos.