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Posts de dezembro 2011

Para ler antes de beber

28 de dezembro de 2011 0

A comemoração da virada do ano sempre vem regada a muita champanhe, cerveja, destilados e outras variações de bebidas alcoólicas. Antes de "encher o caneco", vale a pena prestar atenção para o alerta sobre os malefícios do álcool à saúde e sobre os riscos de acidentes de trânsito que uma pessoa alcoolizada pode causar.

Os efeitos do álcool variam de intensidade de acordo com as características pessoais: cada um reage de um jeito à bebida. Tudo depende do peso do indivíduo (uma estrutura física de grande porte terá uma maior resistência aos efeitos do álcool) e da capacidade de processá-lo. No entanto, a seguradora enfatiza que, independente destes fatores, a ingestão de bebida alcoólica deve ser feita com moderação e responsabilidade.

– Acreditamos que nunca é demais colocar esse assunto em discussão já que o consumo abusivo do álcool é responsável por diversas doenças como esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), cirrose hepática (fibrose e formação de nódulos) e pancreatite (inflamação no pâncreas), além de ser o responsável por grande parte dos atos de violência e dos acidentes dos mais variados, desde trânsito até de trabalho – afirma médico do trabalho e atuante no Programa Saúde Ativa na SulAmérica,  Paulo Nadal.

Atenta ao bem estar de seus segurados e da população em geral, a SulAmérica realiza há oito anos o programa Saúde Ativa, que disponibiliza às empresas clientes um conjunto de ações com foco em promoção à saúde e prevenção de doenças ou suas complicações. O Saúde Ativa inicia com o levantamento do perfil de risco para o desenvolvimento de doenças específicas, por meio de questionário, exames de colesterol total e glicemia e medição de pressão arterial, peso e altura. Com estes dados é feita a análise de risco e o participante recebe seu relatório com orientações específicas de acordo com o resultado encontrado. A empresa recebe os dados estatísticos do grupo auxiliando no desenvolvimento de ações em promoção da saúde no ambiente de trabalho (alimentação saudável, estresse, atividade física, consumo de álcool e cessação do tabagismo).

De acordo com os dados do Saúde Ativa,  o número de indivíduos com consumo elevado de bebida alcoólica é de 3%.

– Mesmo sendo uma análise feita em um cenário diferente e em épocas do ano cujo foco não é a comemoração, este é um dado que deve ser considerado principalmente em um universo corporativo – destaca Nadal.

Afinal, o que significa beber com moderação?

National Institute of Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA), utiliza o termo "beber moderado" para se referir ao consumo com limites onde não há prejuízos ao indivíduo e sociedade.

O impacto do consumo de álcool sobre a doença e lesões é determinado por duas dimensões: a primeira é o volume total de álcool consumido, cujos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) adotados como referências de beber seguro são de uma dose ao dia para as mulheres e duas doses por dia para os homens, sendo considerada uma dose 350 ml de cerveja, 90 ml de vinho ou 40 ml de destilados; a segunda é o padrão de beber, cuja uma das principais características é o consumo excessivo episódico, também conhecido como “binge”, particularmente danoso à saúde física e mental.  É considerado “binge” a ingestão de 60g de álcool num curto espaço de tempo (aproximadamente 5 doses para homens e 4 doses para mulheres).


A OMS recomenda não ingerir bebidas alcoólicas pessoas nas seguintes condições:

-          Se estiver grávida ou a amamentando.

-          Se for dirigir ou trabalhar com uma máquina.

-          Pessoas em uso de medicamentos.

-          Portadoras de doença do fígado ou pressão alta.

-          Dependência alcoólica.

-          Presença de tremores pela manhã durante os períodos de ingestão excessiva de álcool.

-          Menores de 18 anos de idade.

-          História de dependência de álcool ou outras drogas no passado.


Alguns números reforçam esta preocupação. Dados apresentados no I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira, desenvolvido pelo Governo Federal, apontam que cerca de 45% dos brasileiros adultos que bebem tiveram pelo menos um problema relacionado ao álcool, mais prevalente entre homens (58% homens; 26% mulheres) e mais comuns na região Centro-Oeste.

O mesmo levantamento aponta que, dentre os indivíduos que consumiram álcool nos últimos 12 meses, 1.152 pessoas, sendo 599 homens e 553 mulheres, dirigiram em seguida.

– A ingestão de álcool, mesmo em pequenas quantidades, diminui a coordenação motora e os reflexos, comprometendo a capacidade de dirigir veículos, ou operar outras máquinas – conclui.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), no início de 2011, divulgou as informações em um relatório global sobre saúde e consumo de álcool, com dados referentes até o ano de 2005 e adverte que o uso abusivo de álcool provoca 2,5 milhões de mortes todos os anos e, aproximadamente 320 mil jovens entre 15 e 29 anos de idade morrem de causas relacionadas ao consumo de álcool, representando 9% da mortalidade nessa faixa etária.

Mesmo sem ser dependente do álcool, uma pessoa que o utiliza sem moderação pode ter complicações tão ou mais sérias que os alcoólatras.


Um placebo para os mais necessitados

22 de dezembro de 2011 0

Pedro Piccaro de Oliveira*
Matias Kronfeld**




O governo tem feito uma grande divulgação de sua mais nova iniciativa para solucionar a assistência à saúde em áreas remotas do país. Em bem elaboradas peças publicitárias expostas em jornais, revistas, internet e canais de televisão, se faz referência de como esse novo programa, intitulado Provab (Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica), irá trazer médicos para perto de todos os brasileiros.

A ideia é muito bonita e ninguém se opõe a ela. Porém, infelizmente, esse programa não passa de um arremedo demagógico planejado às pressas dentro do Ministério da Saúde, com pouca preocupação na sua real efetividade, a não ser para o programa eleitoral das próximas eleições. O grande “incentivo” para o médico que vai para os municípios participantes do programa seria um “bônus” (de até 20%) na prova de residência médica.

Para quem não sabe, residência médica, nos dias de hoje, é uma etapa obrigatória na formação completa do médico. São mais de duas mil e seiscentas horas de treinamento, sob supervisão, por ano durante um período entre 2 e 5 anos, após os 6 anos da faculdade, que transformam o recém formando em um ginecologista, cardiologista, cirurgião e outras seis dezenas de especialidades, entre elas a medicina de família. Sim, após seis anos de faculdade, ainda são necessários mais de cinco mil horas de treinamento para proporcionar o melhor atendimento em um posto de saúde. A residência médica em medicina de família envolve o treinamento dentro da unidade básica de saúde, mas também dentro de unidades de emergência e de internação pediátricas e gerais, centros obstétricos, atendimento psiquiátrico inicial e pequenos procedimentos. Tudo isso ao longo de dois anos e sempre com orientação de médicos com experiência em cada uma das áreas.

Para o governo, todo esse treinamento é desnecessário para atender os brasileiros mais desassistidos pelo estado. Para eles um recém formado, que há um mês não poderia nem prescrever um simples analgésico, é a grande promessa de saúde. Além disso, será um recém formado coagido a prestar um atendimento para o qual ele não tem o devido preparo, visto que esse “bônus” desequilibra de tal forma a tão disputada vaga de residência médica, que a participação no programa se torna quase obrigatória. Para se ter uma idéia, no concurso para as vagas de residência médica para o ano de 2011 no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, a diferença entre os 100 primeiros colocados foi de 10% do total de pontos. Centésimos fazem a diferença. Portanto, qualquer que seja o bônus, a participação no PROVAB será uma pausa obrigatória no já tão longo tempo de formação do médico e, infelizmente, para prestar o atendimento sem o devido treinamento e suporte.

No edital do Provab, é prometida supervisão à distância e presencial duas vezes ao mês para os dois mil participantes nas mais remotas áreas do país. Para se ter uma idéia, no Rio Grande do Sul, existe pouco mais de duas mil vagas para residência médica. Demorou 40 anos para atingir esse número e dezenas de instituições e centenas de médicos experientes são responsáveis por supervisionar diariamente esses dois mil médicos em treinamento. Qual a possibilidade de ser criado um corpo de supervisão adequado, recebendo, cada um desses supervisores, um salário de R$1.500,00 por mês, e para estar em pleno funcionamento em um prazo de três meses conforme planeja o Ministério da Saúde?

O Provab não passa de mais um engodo, um placebo, para os brasileiros mais abandonados pelo Estado, que terão que se contentar com uma solução barata e imediatista, cuja pressa para implantação só é justificada pelas eleições municipais no próximo ano. A ilusão criada por esse programa da melhora dos números da distribuição demográfica de médicos no país irá atrasar a implementação de medidas que realmente possam melhorar a assistência à saúde para todos os brasileiros. Obviamente essas medidas envolvem necessariamente gestão pública de qualidade e combate à corrupção. Para o Ministério da Saúde, hoje em dia, é mais fácil explorar um recém formado do que fazer o dever de casa.


* Presidente AMEREHCPA (Associação dos Médicos Residentes do Hospital de Clínicas de Porto Alegre - HCPA)

** Professor adjunto da Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)


A nutrição do paciente com câncer

12 de dezembro de 2011 0

No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) 66,3% dos pacientes com câncer estão com o peso abaixo do ideal devido ao tratamento quimioterápico. Pessoas  diagnosticadas com câncer apresentam quase três vezes mais quadro de desnutrição do que aquelas que sofrem de doenças como a tuberculose e o HIV. Segundo o nutrólogo do Hospital São Luiz, Celso Cukier, além do comprometimento do estado nutricional causado pelo tumor, o tipo de tratamento também influenciará em seu estado de saúde.

– Qualquer paciente tende a ficar fraco durante o tratamento oncológico, por isso um especialista precisa formular uma alimentação balanceada e que seja aliada a este tratamento – afirma Cukier.

No momento do diagnóstico, aproximadamente 80% dos pacientes perdem peso substancialmente.  A ocorrência e a severidade da desnutrição são maiores em portadores de tumores gastrointestinais e pulmonares. Isso acontece porque as doenças ligadas à respiração e à digestão os deixam mais sensíveis aos alimentos que ingerem e causam alteração do paladar e dificuldade em sentir sabores, além de sensibilidade ou de insensibilidade ao doce e de intolerância ao amargo.

É comum que com o tratamento quimioterápico o paciente tenha uma diminuição no apetite, por outro lado, ele apresenta um aumento de suas necessidades de energia e de ingestão proteínas em virtude da doença. A somatória destes fatores pode contribuir com a desnutrição. Com a dificuldade na alimentação e a falta de alguns nutrientes, ele começa a perder peso, por isso o tratamento nutricional deve ser simultâneo ao do câncer, segundo o nutrólogo.

Quando existe um desequilíbrio entre as necessidades do organismo e a ingestão de nutrientes, o indivíduo pode entrar neste estado de desnutrição. Um de seus sinais mais simples é a perda de peso. Outros que podem ser citados são desânimo, cansaço, mal-estar, unhas quebradiças e pele ressecada. Mesmo as pessoas com um histórico saudável antes de ter o câncer podem ficar desnutridas após o diagnóstico, pois a doença afeta o metabolismo.

Se não houver o acompanhamento nutricional, o tratamento de câncer, apesar de combater o tumor, pode ter um impacto negativo sobre o organismo. Os pacientes diagnosticados com câncer podem se alimentar com que mais gostam, de forma balanceada e moderada, para que a perda de peso não aconteça.

Segundo a nutricionista Serviço de Nutrição do Instituto do Câncer do Hospital Mãe de Deus, Maíra Pereira Perez, é indispensável o auxílio da nutricionista para uma detalhada avaliação visando identificar mais precocemente as alterações nutricionais para a adoção de uma adequada terapia, objetivando não só manter ou recuperar o estado nutricional, como proporcionar melhor qualidade de vida ao paciente.


Dicas de alimentação no tratamento do paciente com câncer:

- Faça uma dieta fracionada, comendo pequenas quantidades e frequentemente.

- Evite a ingestão de líquidos durante as refeições, pois pode causar refluxo.

- Evite comer em locais abafados, quentes ou que tenham cheiros vindos da cozinha que podem causar náuseas.

- Não tente ingerir seus alimentos preferidos quando sentir náuseas. Isso pode criar repugnância permanente por esses alimentos.

- Descanse após refeições, pois a atividade pode retardar a digestão. É melhor descansar sentado durante cerca de uma hora após as refeições.

- Se a náusea costuma aparecer durante o tratamento, evite comer uma ou duas horas antes da quimioterapia ou da radioterapia.

- Tente descobrir quando a náusea ocorre e qual sua causa (determinados alimentos, situações, ambientes).

- Introduza mudanças no seu plano alimentar. Fale com seu médico e/ou nutricionista.

Fitoterápico é promessa contra varizes

09 de dezembro de 2011 0

A chegada do verão traz, além da preocupação estética com os vasinhos e varizes, os sintomas de aumento da sensação de peso e cansaço nas pernas, bem como inchaço e dor. Estes sintomas são indicativos  de um problema chamado Insuficiência Venosa Crônica, ou IVC, doença que  demonstrou atingir cerca de um terço da população estudada no país e que afeta, especialmente, mulheres e profissionais que trabalham muito tempo em pé ou sentados, mais propensos a esta condição.

Para ajudar a reduzir os sintomas de varizes, o laboratório alemão Boehringer Ingelheim acaba de lançar um fitoterápico produzido a partir das folhas da Vitis Vinifera. As pesquisas com a Vitis Vinifera para o tratamento da IVC começaram há alguns anos, quando médicos perceberam que os vinicultores franceses quase nunca tinham problemas nas veias, apesar de também trabalharem jornadas exaustivas em pé. Foi então que descobriram que os fazendeiros faziam infusões e emplastros com as folhas de parreira para tratar a sensação de peso, inchaço e dor nas pernas. O medicamento é produzido com as folhas da videira vermelha cuidadosamente selecionadas, lavadas e secas. Elas ainda passam por um processo especial desenvolvido pela Boehringer Ingelheim para obtenção e padronização do extrato seco de folhas de Vitis Vinifera.

Segundo pesquisas realizadas, as folhas da Vitis Vinifera possuem um flavonóide que tem ação antiinflamatória, ajudando a reduzir o edema, fortalecendo as veias e melhorando a circulação venosa2,3. O tratamento deve ser feito em conjunto com outros cuidados, como manutenção do peso, uso de roupas e sapatos confortáveis e atividades físicas além da utilização de meias compressivas elásticas, entre outros conforme recomendação médica.

A IVC afeta, especialmente, as pessoas que permanecem muito tempo sentadas ou em pé, em geral devido a sua atividade profissional, o que dificulta o retorno do sangue para o coração. Com o tempo, as válvulas venosas deixam de funcionar adequadamente e o sangue se acumula nas pernas, gerando dor e desconforto. Não tratada, a IVC pode resultar em úlceras nas pernas e flebite (inflamação nas veias), estágios bastante graves da doença.

O extrato padronizado de Vitis vinifera demonstrou eficácia para amenizar os sintomas das varizes em portadores de IVC leve a moderada. Um grande benefício é que basta um comprimido por dia, o que melhora a aderência ao tratamento. O fitoterápico está à disposição de médicos e pacientes em mais de 20 países 5 e agora chega ao Brasil, em apresentações com 18 ou 30 comprimidos.


O que são as varizes?

Varizes, ou veias varicosas, são veias dilatadas, alongadas e tortuosas. Aparecendo geralmente nas pernas por motivos crônicos e/ou hereditários, são o pesadelo de muitas pessoas, principalmente das mulheres, pelo caráter prejudicial à estética. Entre os fatores que contribuem para o surgimento de varizes estão o uso de pílulas anticoncepcionais e a reposição hormonal, o envelhecimento, a obesidade, o sedentarismo e o tabagismo.

Para prevenir o surgimento do problema, especialistas recomendam o uso de meias elásticas, a manutenção de peso ideal e prática de exercícios aeróbicos

As meias irão agir desviando o sangue das veias superficiais, onde as varizes se formam, para as veias mais profundas, onde as varizes não existem. As pessoas com tendência hereditária e as que ficam muito tempo em pé ou sentadas devem usar este tipo de meia.

Exercícios como a caminhada, o ciclismo, a natação e a hidroginástica são recomendáveis. Eles ajudam a melhorar a circulação sanguínea facilitando o retorno venoso e fortalecendo a panturrilha. Ao praticar atividades físicas, os músculos das pernas realizam o mecanismo de contração e relaxamento ativando a circulação e consequentemente prevenindo o surgimento de varizes.

Evite também o uso contínuo de sapatos com de salto alto, pois estes forçam as pernas em posição desconfortante e dificultam o fluxo de sangue nas veias. Não sente com as pernas cruzadas e evite o consumo excessivo de sal, que favorece a retenção de líquidos e o inchaço nas pernas.

Sol, sauna, banhos muito quentes e demorados provocam o aquecimento da pele e a passagem de uma maior quantidade de sangue pelos vasos da pele, por isso também precisam ser evitados.


Para mais informações, visite www.boehringer-ingelheim.com

e www.ajudareomelhorremedio.com.br.

Todos os benefícios da cirurgia bariátrica

06 de dezembro de 2011 0

Os resultados da cirugia bariátrica, popularmente conhecida como redução do estômago, vão muito além do controle da obesidade mórbida. A cirurgia, que é indicada no tratamento da obesidade mórbida também é eficaz no controle de outras comorbidades, como diabetes tipo 2, apnéia do sono, hipertensão arterial, infertilidade e o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como o de útero e no pâncreas. A eficácia do procedimento para o controle geral de doenças metabólicas foi o grande destaque do 13° Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (realizado no início de novembro em Gramado), que contou com a presença dos mais renomados especialistas nacionais e internacionais.

– Nos últimos anos a cirurgia bariátrica teve um grande crescimento em todo o mundo e o Brasil é um país de destaque nesse procedimento. Hoje é de conhecimento público que a cirurgia bariátrica não é eficaz somente no controle da obesidade, mas de diversas doenças relacionadas e, por isso, ela está sendo tratada como cirurgia metabólica, devido às mudanças hormonais e os diversos benefícios que traz para o paciente – explica Roberto Rizzi, cirurgião bariátrico, certificado pela Surgical Review Corporation (SRC), que comandou um painel com vários especialistas internacionais sobre o tema.

Estudo da Sociedade Britânica de Cirurgia Bariátrica avaliou 8.710 pacientes, sendo que 7.045 foram operados entre abril de 2008 e março de 2010. Antes da cirurgia bariátrica, cerca de dois terços dos pacientes apresentavam três ou mais doenças associadas à obesidade. A hipertensão arterial afetava 32% dos pacientes, o colesterol 17% e a apnéia do sono 15%. Um ano após a cirugia, o número de pacientes com hipertensão caiu para 20%, com colesterol caiu para 8% e de apnéia de sono para 6%.Diabetes - Outro grande benefício da cirurgia bariátrica está no controle do diabetes tipo 2. O Brasil figura entre os 10 países com maior percentual de diabéticos. A doença atinge 6,4% da população geral e esse número não para de crescer. A estimativa é que a doença avance 65% nos próximos 20 anos, atingindo 438 milhões de diabéticos em todo mundo.

Maior problema de saúde pública é o diabetes e a obesidade

No mês de abril, a Federação Internacional do Diabetes apresentou durante o 2° Congresso Mundial do Tratamento do Diabetes uma nova diretriz para a aplicação da cirurgia bariátrica no tratamento do diabetes tipo 2. Anteriormente indicada apenas para pacientes obesos com IMC acima de 35, com comorbidades, o documento apresentado defende que a técnica seja liberada para pacientes com IMC entre 30 e 35 nos casos que os pacientes não tiveram respostas com o tratamento medicamentoso. A entidade reconhece a associação entre o diabetes e a obesidade como o maior problema de saúde pública da atualidade.

Três tipos de cirurgia se mostram eficientes no controle do diabetes e, por isso, são conhecidas como Cirurgia do Diabetes: o by-pass gastrojejunal e as derivações bilio-pancreáticas (scopinaro e "duodenal switch"). Com a cirurgia há a estimulação do hormônio GLP1, responsável pela produção da insulina. O hormônio é gerado no íleo (parte final do intestino delgado) quando este entra em contato com os alimentos.

– As três técnicas criam um atalho para o alimento, que é desviado do duodeno e chega antes à parte final do intestino. Esse desvio altera a secreção de alguns hormônios intestinais, como o GLP-1, cujo aumento estimula a produção de insulina, resultando na melhora ou até mesmo no controle do diabetes tipo 2 – diz Rizzi.


Um terço das mortes por câncer  tem relação com obesidade

Levantamento divulgado pela Sociedade Americana do Câncer diz que um terço das mortes por câncer são relacionadas à obesidade. Considerada uma epidemia mundial, a obesidade é o segundo maior fator de risco evitável para o câncer, ficando atrás apenas do tabagismo.
A obesidade está ligada ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer. Publicação do Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, diz que a redução dos níveis de obesidade no país pode evitar 19% dos casos da doença. O controle da obesidade pode fazer com que o câncer de mama tenha sua incidência reduzida em 30%.

– Temos que repensar nossa alimentação, pois ela pode ser fator de proteção ou aumentar os riscos de desenvolvimento do câncer. Precisamos aumentar o consumo de frutas, fibras, verduras, legumes e peixes e deixar de lado alimentos ricos em açúcares e gorduras saturadas, como refrigerantes e alimentos industrializados – afirma Rizzi.

Obesidade x Infertilidade

Existe, ainda, uma relação entre a obesidade e a infertilidade. Ela causa na mulher alteração da produção de insulina, liberada pelo pâncreas, que pode levar a uma condição de infertilidade, conhecida como Síndrome do Ovário Policístico (SOP). Esse problema está associado a ciclos menstruais irregulares, anovulação (diminuição ou parada da ovulação) e níveis elevados de hormônios, diminuindo, dessa forma, as chances de gestação.

O excesso de gordura corporal influencia, ainda, a produção do hormônio liberador de gonadotropina (GnRH), essencial para regular a ovulação nas mulheres. Esse hormônio é responsável pela liberação do hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo estimulante (FSH), ambos fundamentais para o desenvolvimento de óvulos.

– Mulheres obesas que pensam em ser mãe precisam de um acompanhamento médico prévio, pois, além da dificuldade para conseguir engravidar, o risco de uma gestação complicada é muito alto. Quanto maior o grau de obesidade, maior o problema para a mulher e para o feto – destaca Rizzi.

Um estudo realizado nos Estados Unidos, na Brown University School of Medicine, avaliou 54 mulheres em idade sexualmente ativa com obesidade mórbida antes e depois de serem submetidas à cirurgia bariátrica, conhecida popularmente como cirurgia de redução de estômago. As mulheres tiveram um índice de massa corporal (IMC) de 45 antes da cirurgia, que significa que estavam com cerca de 100 quilos a mais que o peso recomendado.

Antes do procedimento cirúrgico, 63% das mulheres apresentaram algum problema de disfunção sexual. As pacientes que foram submetidas à cirurgia perderam em média 60% do peso em seis meses e, em uma nova avaliação, apenas 32% das mulheres ainda apresentavam alguma disfunção sexual. A cirurgia bariátrica é muito benéfica para mulheres com obesidade extrema, é uma ajuda rápida na função sexual. Há uma melhora hormonal e na auto-estima da mulher, que se sente mais bonita e atraente. A grande maioria das mulheres do estudo relatou melhoras em todos os aspectos da função sexual, incluindo o desejo, excitação e satisfação.