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Posts de fevereiro 2012

Hipertensão afeta mais mulheres

29 de fevereiro de 2012 0

Com maior incidência em mulheres de 20 a 40 anos de idade, a hipertensão arterial pulmonar (HAP) costuma ter seus sintomas confundidos com outros problemas de saúde, o que torna mais difícil o diagnóstico, demorando cerca de sete anos. Se não tratada, a doença pode levar a morte em dois ou três anos.

A HAP caracteriza-se pelo aumento da resistência vascular pulmonar levando à sobrecarga do ventrículo direito, e consequentemente, o sangue não consegue circular corretamente e se acumula, levando a falência do ventrículo e até a morte.

Havendo evolução da doença o paciente apresenta limitação até para a realização de atividades diárias comuns como caminhar, se vestir e pentear os cabelos, em virtude do quadro clínico que gera falta de ar, cansaço e nos casos mais graves desmaio, podendo evoluir para a morte.

A partir de agora, os portadores da hipertensão arterial pulmonar (HAP) tem nova opção para o tratamento. Acaba de chegar ao Brasil, a ambrisentana,  um medicamento que tem como diferenciais a administração em dose única diária, de rápida absorção por via oral e que apresenta menor custo que outro da mesma classe terapêutica (antagonistas dos inibidores da endotelina).

O medicamento age também na redução significativa de alterações no fígado e ainda permite a sua associação ao uso de outros fármacos sem que haja qualquer interação medicamentosa, como por exemplo, a ação dos contraceptivos.


Veja o exemplo de alguns pacientes que convivem com a doença:  http://www.youtube.com/watch?v=4e-OgFkMxVU

Saiba mais sobre a artrite reumatoide

20 de fevereiro de 2012 1


Mãos, punhos, joelhos e pés. A artrite reumatoide (AR) atinge várias partes do corpo, impactando a vida do paciente de maneira bastante generalizada: pode prejudicar desde atividades simples como levantar-se da cama pela manhã, segurar um copo de água e até mesmo trabalhar. Estudos mostram que cerca de 66% dos pacientes perdem uma média de 39 dias por ano de trabalho devido a esta enfermidade. Outros estudos indicam que de 20% a 30% dos que sofrem com AR tornam-se incapacitados profissionalmente em até três anos desde o início da doença.

– Apesar de poder atingir articulações diferentes, é importante lembrar que a AR é uma doença sistêmica e, por isso, a inflamação acomete o corpo de maneira generalizada – enfatiza Boris Cruz, médico do Serviço de Reumatologia do Biocor Instituto, em Minas Gerais.

Assim, além de limitação funcional, quando não controlada, a enfermidade provoca com frequência fadiga e pode ainda causar o aumento de risco de problemas cardiovasculares, como infarto ou acidente vascular cerebral, o AVC. Não à toa, a perda de produtividade no trabalho, redução da qualidade de vida e convívio social são consequências importantes da AR. Quando se avalia as articulações do paciente, percebe-se que as das mãos e punhos são comumente acometidas, limitando atividades rotineiras, como se vestir, se alimentar ou cuidar da higiene pessoal.

– Quando atinge articulações das pernas, como joelhos, tornozelos ou pés, a doença pode prejudicar significativamente a locomoção – complementa Cruz. Na tabela abaixo, há detalhes que permitem entender melhor como a doença afeta cada parte do corpo e como isso impacta no cotidiano do paciente. Vale destacar que, independentemente de qual parte for acometida e da diferença nos sintomas, o processo inflamatório da doença é generalizado.

Impacto da artrite reumatoide

Ombro: É a articulação de maior amplitude de movimento do corpo humano. Composto por três ossos, precisa ser flexível, pois dele depende a movimentação do braço e da mão. Além de ser flexível, o ombro deve ser forte o bastante para executar movimentos como puxar e empurrar, que não são possíveis para alguém que tem AR.

Cotovelo: Também formado por três ossos, é ele que controla os movimentos de alongar e contrair dos braços. Tarefas simples, como escovar os dentes ou comer com talheres podem se tornar muito dolorosas se essa articulação for atingida pela AR.

Mão: A mão é uma ferramenta valiosa: é por meio dela que o ser humano se expressa e executa atividades simples, porém de grande importância, como segurar objetos, digitar ou dirigir. Se a mão for atingida pela AR, o paciente terá grandes dificuldades em executar tarefas manuais, tornando-se dependente até mesmo para cuidar da higiene pessoal.

Joelho: Essa é a maior articulação do corpo humano, formada por quatro ossos: fêmur, paleta, tíbia e fíbula. A dor e o inchaço, causados pela AR, dificultam o movimento de flexão e extensão. Sentar e levantar pode se tornar uma tarefa possível apenas com ajuda.

: Composto por uma complexa estrutura que equilibra, estabiliza, absorve impactos, suporta o peso e movimenta o corpo, o pé permite movimentos como a caminhada ou a corrida. Caso o pé seja atingido pela AR, movimentos relacionados à locomoção podem ser extremamente prejudicados ou até impossibilitados.

Sobre a artrite reumatoide

A artrite reumatoide é uma doença inflamatória crônica e progressiva que atinge articulações, resultado de uma disfunção do sistema imunológico. Normalmente, o surgimento dos sintomas é lento: uma ou várias articulações podem ser acometidas desde o início. Geralmente, a AR começa nas articulações das mãos e dos punhos, de forma simétrica, podendo atingir outras partes do corpo.

A doença gera dor persistente, inchaço e perda da mobilidade das articulações Outros sintomas que podemos destacar são a fadiga e rigidez matinal, ou seja, dificuldade para se movimentar pela manhã.

Diagnóstico

O diagnóstico da AR é baseado na avaliação dos sintomas pelo médico. É possível ainda que o especialista solicite exames complementares como de sangue, radiografias, ultrassom ou ressonância. A análise em conjunto dos exames clínico e complementares confirmam o diagnóstico. A doença pode ser classificada como leve, moderada, ou grave, de acordo com o grau de severidade que atinge o paciente:

Classificação:

Leve: pelo menos três articulações com sinais de inflamação

Moderada: paciente com seis a 20 articulações acometidas

Grave: Mais de 20 articulações persistentemente acometidas, perda de cartilagem e erosão óssea

Vale ressaltar que somente um médico pode fazer o diagnóstico correto e indicar o tratamento adequado, que geralmente inclui mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos e até cirurgia para os casos mais graves. Não existe cura para a doença, mas hoje podemos controlá-la, acabando com a dor e limitação decorrentes da inflamação, além de impedir que complicações como deformidades ocorram. Quando a AR é controlada, há ainda um aumento na expectativa de vida – inclusive pela redução do risco de infarto do miocárdio e derrame cerebral.

Em relação aos medicamentos, existem diferentes abordagens farmacológicas, como analgésicos, anti-inflamatórios, corticoides e modificadores do curso da doença (DMCD). Um grande avanço no tratamento da artrite foi o desenvolvimento dos agentes biológicos. A primeira classe destes medicamentos foi a dos anti-TNF – que bloqueiam o Fator de Necrose Tumoral (ou TNF), uma molécula que estimula e perpetua a inflamação na artrite reumatoide. Outras formas de terapia biológica também estão disponíveis no nosso meio e incluem medicamentos que atuam em outros pontos da inflamação da artrite reumatoide como o linfócito B, o linfócito T e a interleucina 6. Com a variedade de opções, o médico reumatologista pode, hoje, controlar a doença e garantir a manutenção da qualidade de vida dos pacientes com artrite reumatoide.

Impacto

- A doença atinge mais mulheres do que homens e pode surgir em qualquer idade.

- A doença afeta aproximadamente 1% da população mundial.

- Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que a prevalência e a incidência da artrite reumatoide são maiores nas mulheres do que nos homens.

- A doença pode surgir em qualquer idade, sendo mais comum entre os 40 e 70 anos.


Os mitos da dieta

14 de fevereiro de 2012 0

Existem muitas crenças em torno dos alimentos, mas nem todas são verdadeiras. Embora algumas acabem até sendo úteis –como a do refrigerante que dá mais celulite do que qualquer outra coisa, sendo o  açúcar do refrigerante que dá celulite e não o gás – é preciso que estejamos sempre bem informados sobre o que colocar no prato e quais as opções mais saudáveis.Confira alguns mitos, desmantelados com a ajuda do Centro de Recuperação e Estudo da Obesidade (CREEO).


Mito 1: Manteiga engorda mais que azeite de oliva

O azeite pode ser até mais saudável, pois trata-se de gordura vegetal, e possui diversos componentes que fazem bem para a saúde. Mas o número de calorias é o mesmo, cerca de 40kcal em uma colher de chá. Achou muito?Então, se você está de dieta, é preciso ter cuidado não só com a manteiga, mas também com a quantidade de azeite.

Mito 2: Vitaminas são energéticas

A função das vitaminas é a de oferecer ao corpo substâncias que ajudam em suas defesas. O que dá energia ao organismo são as calorias presentes nas gorduras, nas proteínas e nos carboidratos. Não adianta, portanto, tomar suplementos vitamínicos com esse objetivo. O mito de que as vitaminas são energéticas provém da ação das vitaminas do complexo B, que desempenham um papel importante nas reações químicas fazem com que os alimentos liberem energia.

Mito 3: O jejum elimina impurezas e toxinas

Não existe evidência que justifique esta ideia. O corpo humano está desenhado para processar os alimentos, e isto inclui a remoção de toxinas naturais, através dos rins, como a amônia, que é gerada a partir da ruptura das proteínas. Para a maioria das pessoas, um dia de jejum não é perigoso, mas também não representa um hábito saudável. Mas jejuns prolongados são muito perigosos: produzem desidratação, diminuição da pressão arterial, desintegração dos músculos e órgãos, irregularidade nos batimentos cardíacos. Aliás, pessoas com doenças cardíacas, diabéticas ou com problemas renais jamais devem fazer jejum.

Mito 4: Só se emagrece comendo menos

O emagrecimento é um balanço energético negativo, ou seja, comer menos calorias do que se gasta no dia. Mas não necessariamente comer menos quantidade de comida ou passar fome. Muitas vezes uma grande restrição, sem orientação, acaba fazendo o efeito contrário. O metabolismo basal baixa muito sua carga e a pessoa acaba retendo energia, e não emagrecendo.Mito 5: Algumas pessoas nasceram para ser gordasÉ verdade que a herança genética influencia o tamanho e a forma do nosso corpo. Mas isto não significa que a pessoa que herda o gene da obesidade deva ser, necessariamente, gorda. A obesidade não é definitiva como a cor dos olhos ou da pele. Afinal, para aumentar de peso, você tem que ingerir mais calorias do que queima.

Sal: importante, mas perigoso

08 de fevereiro de 2012 0

Justo Antero Leivas*


O sal, substância essencial a todos os organismos animais por suas propriedades específicas, tem seu registro através da história da humanidade, onde ilustrações e escritos evidenciaram sua importância desde o início da civilização. Contam os documentos que após a descoberta do fogo e, conseqüente, utilização para o cozimento da carne, o sabor da mesma mudou devido à perda do sal natural, tendo começado aí, a busca pelo chamado sal adicional. Os povos costeiros é que podiam desfrutar desse condimento, pois o mar o ofertava de acordo com os humores das condições climáticas, sendo sua única fonte, muito antes da descoberta da tecnologia de mineração. Seu valor inestimável é confirmado por percepções como a do senador romano Cassiodoro, que ao comercializar o grama desse ingrediente, equivalendo-o ao peso do ouro, concluiu: Alguns não precisam de ouro, mas qual é o homem que não precisa de sal?  Nessa época da Roma antiga, a principal estrada que viabilizava o transporte dos grandes carregamentos de tal produto chamava-se “Via Salaria” e, ao final de suas jornadas, os soldados recebiam esse tempero como parte de sua remuneração, originando a palavra salarium. Mas esse pó foi motivo de discórdia entre os homens, pois o controle e o abuso nos impostos pelos governos durante séculos precipitaram movimentos históricos, sendo uma das causas da revolução Francesa em 1789 e, mais recente, liderado por Ghandi na década de 30 do século passado, a Índia começou uma ação contra os ingleses devido às taxas escorchantes praticadas.

Até o século 18, o saleiro de prata, colocado numa mesa de banquete, balizava a importância dos comensais, estando acima, o anfitrião, juntamente com os convidados mais nobres, e abaixo, os menos ilustres, mas a genialidade de Leonardo de Vinci, demonstrada em sua tela sobre A Última Ceia, em que o sal também simboliza cenários preocupantes, na medida em que colocou Judas frente a um saleiro tombado, prenunciando desfechos sombrios. Por sua capacidade em aumentar o sabor dos alimentos, contribuindo até mesmo na confecção dos doces, sua participação tem crescido através dos tempos, mas também tem aumentado muito a preocupação quanto a sua contribuição em doenças tão prevalentes, como a Hipertensão Arterial Sistêmica e em suas consequências, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e o Infarto do Miocárdio, em especial no nosso estado, onde temos por hábito, abusar nesse tempero em iguarias tão presentes em nossas confraternizações. Temos a informação sobre o efeito prejudicial dessa substância; começamos timidamente um movimento para mudar a concentração desse ingrediente no nosso pãozinho (pão francês), mas alerto: é pouco! Os argentinos já transformaram em lei a proibição dos saleiros nas mesas dos restaurantes, numa política acertada de diminuição da oferta. O que estamos esperando para modificarmos nossa relação com esse pó branco, que, apesar de ser legalizado, mata mais que outros, usados em lugares recônditos? Pense sobre isso, ou poderá perder essa capacidade ao ter um AVC!


* Presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS)

Combatendo as doenças negligenciadas

02 de fevereiro de 2012 0


Uma parceria entre a DNDi (sigla em inglês para Iniciativa para Medicamentos para Doenças Negligenciadas) e a indústria farmacêutica Abbott representa um grande avanço no combate a tais enfermidades.O acordo, assinado em 30 de janeiro, é válido por quatro anos e incentivará a pesquisa conjunta e o licenciamento não exclusivo para o desenvolvimento de novos tratamentos para várias das doenças tropicais mais negligenciadas do mundo, incluindo doença de Chagas, verminoses, leishmaniose e doença do sono.

Por este acordo de colaboração, os cientistas da DNDi e da Abbott irão concentrar seus esforços iniciais na descoberta e desenvolvimento de novos agentes antimicrobianos, que agem nessas doenças negligenciadas.

Desde 2009, a Abbott fornece compostos para a DNDi analisar sua ação contra doenças negligenciadas. Este novo acordo amplia este relacionamento e oferece acesso para a DNDi a determinadas classes de moléculas e acompanhamento de dados levantados pela Abbott, que são fundamentais para o desenvolvimento e acesso a novos tratamentos para as doenças negligenciadas.

– As parcerias para o desenvolvimento de produtos inovadores possibilitam suprir as necessidades das doenças negligenciadas – disse John Leonard, vice-presidente sênior da divisão de Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos Farmacêuticos da Abbott.

Segundo ele, com a combinação inédita da expertise cientifica e dos recursos da DNDi e da Abbott, "esperamos avançar a pesquisa para descoberta de novas opções de tratamentos úteis para as pessoas afetadas por essas doenças”.

– Não apenas compartilharemos seus compostos, mas também sua perícia científica e recursos. Para a DNDi, esta parceria significa uma nova massa crítica de conhecimento que nos permitirá sair em busca de atender as necessidades ainda não supridas de pacientes negligenciados nas áreas mais pobres do mundo – afirmou Bernard Pécoul, Diretor Executivo da DNDi.

O acesso adequado a tratamentos para doenças negligenciadas em todos os países endêmicos, não somente nos países menos desenvolvidos, é a parte central do acordo; como resultado do acordo, a DNDi tem o compromisso de garantir o menor preço sustentável para quaisquer produtos desenvolvidos e distribuídos. A propriedade intelectual relacionada a este acordo, sobre patentes já existentes e sobre futuras patentes resultantes deste acordo, estará sujeita ao principio de licenciamento não exclusivo para atender as necessidades de tratamento das doenças negligenciadas nos países endêmicos. Pelo acordo, a Abbott tem o direito à primeira negociação para se tornar parceiro no desenvolvimento da DNDi e na distribuição dos medicamentos. A DNDi é livre para incluir outros parceiros caso a Abbott não atue como um parceiro de desenvolvimento e de distribuição. Em resumo, o acordo inclui:

- Compartilhamento da DNDi e da Abbott da expertise e dos recursos para desenvolver medicamentos adaptados às necessidades dos pacientes

- Acesso da DNDi aos compostos, dados e informações da Abbott para apressar o desenvolvimento de medicamentos.

- Estrutura de licenciamento não exclusiva para patentes importantes no campo de doenças negligenciadas, o que oferece flexibilidade e amplia também as possibilidades do desenvolvimento de medicamentos.

- Fornecimento de quaisquer produtos resultantes deste acordo aos países endêmicos pelos menores preços sustentáveis para aumentar o acesso dos pacientes

Os compromissos anunciados pela DNDi fazem parte de um novo acordo de parcerias público-privadas para combater 10 doenças tropicais negligenciadas até 2020. Todos os parceiros deste acordo também assinaram a Declaração de Londres para Doenças Tropicais Negligenciadas, no qual concordam com novos níveis de colaboração.

O grupo também concorda em manter ou expandir programas de doações de medicamentos conforme as demandas até 2020; em compartilhar conhecimento e compostos para agilizar as pesquisas e o desenvolvimento de novos medicamentos; e contribuir com mais de US$ 785 milhões em apoio aos esforços de P&D, além de fortalecer os programas de implantação e distribuição de medicamentos. Os novos acordos de investimento irão apoiar totalmente o trabalho de erradicação de verminoses, assim como cumprir as metas estabelecidas para até 2020: eliminação da filariose, da cegueira causada por tracoma, da doença do sono e da lepra; controle de vermes transmitidos pelo solo, esquitosomasiose, oncocercose (“cegueira dos rios”), Chagas e leishmaniose visceral.

Doenças negligenciadas

As doenças negligenciadas forma um grupo de doenças tropicais infecciosas que afetam as populações pobres e marginalizadas do mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 1 bilhão de pessoas, ou um sexto da população global, sofre de uma ou mais doenças tropicais infecciosas. O acordo entre a DNDi e a Abbott se concentra na descoberta de novos tratamentos para as seguintes doenças:

Doença de Chagas, endêmica em 21 países da America Latina, que mata mais pessoas na região do que qualquer outra doença parasitária, incluindo malária. No total são mais de 100 milhões de pessoas em risco no mundo todo e o número de pacientes cresce também em países não endêmicos, EUA, Austrália e países da Europa. A doença é transmitida pelo inseto “barbeiro” e, quando não tratada, pode ser fatal. Os tratamentos disponíveis não apresentam uma taxa de cura satisfatória e podem apresentar efeitos tóxicos.

Doenças causadas por vermes, incluindo-se filarioses, oncocercioses (cegueira de rio) e filariose linfática (elefantíase), causadas por vermes parasitários, e que representam o maior impacto socioeconômico entre todas as doenças tropicais negligenciadas e afetam milhões de pessoas em áreas devastadas pela pobreza. Os tratamentos atuais para estas doenças não podem ser usados por pacientes que são infectados por um verme nematódeo, o Loa loa, por causa dos graves efeitos adversos causados pela exterminação rápida de vermes loa loa juvenis. Há urgência para novos tratamentos para oncocerciose e filariose linfática nas regiões infestadas pelo loa loa.

A leishmaniose ocorre em 98 países, colocando cerca de 350 milhões de pessoas em risco em todo o mundo. O parasita que causa a infecção é chamado de leishamania e é transmitido por um tipo de mosquito. A leishmaniose é uma doença associada à pobreza e se manifesta de diferentes formas. A leishmaniose visceral, que é fatal se não tratada, e a leishmaniose cutânea são as mais comuns. Os tratamentos existentes são difíceis de serem administrados, tóxicos e caros. A resistência ao medicamento também é um problema crescente.

A doença do sono, ou tripanossomose Africana humana é endêmica em 36 países africanos e cerca de 60 milhões de pessoas estão em risco de serem infectadas. Esta doença é transmitida pela mosca tse-tse e é fatal, quando não tratada. Até 2009, os tratamentos existentes para o estágio 2 da doença eram tóxicos e difíceis de serem administradas. Nesse ano de 2009, a DNDi e seus parceiros lançaram o primeiro tratamento para a doença em 25 anos.

Sobre a DNDi - A “Iniciativa para Medicamentos para Doenças Negligenciadas” (DNDi) é uma organização de pesquisa e desenvolvimento sem fins lucrativos, cuja missão é oferecer novos tratamentos para doenças negligenciadas, especialmente para doença do sono, doença de Chagas, leishmaniose, infecções intestinais por vermes, HIV pediátrico e malária. A DNDi foi criada em 2003 pelas entidades Médicos sem Fronteira, Fundação Oswaldo Cruz (Brasil), Conselho Indiano para Pesquisa Médica (Índia), Instituto de Pesquisa Médica do Quênia, Ministério da Saúde da Malásia e Instituto Pasteur, da França. O programa especial para Pesquisa em Doença tropical atua como um observatório permanente. Desde sua criação, a DNDi já lançou seis novos tratamentos para pacientes negligenciados: medicamento antimalária de 2 doses fixas (ASAQ e ASMQ), terapia combinada de nurtimox-eflornitina para o último estagio da doença do sono, terapia combinada de estibogluconato de sódio e paromomicina para leishmaniose visceral na África; e um conjunto de terapias combinadas para leishmaniose na Ásia e benzimidazol para doença de Chagas em dosagem infantil. Mas informação em www.dndi.org