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Posts de maio 2012

Dia de lembrar a esclerose múltipla

29 de maio de 2012 0

De acordo com a Federação Internacional de Esclerose Múltipla, existem cerca de 2,5 milhões de pacientes diagnosticados em todo o mundo. No Brasil, conforme a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), são mais de 30 mil portadores, sendo que desse total apenas cinco mil recebem tratamento adequado devido à demora no diagnóstico.

Para mudar este cenário e oferecer uma qualidade de vida melhor aos pacientes, é importante que a sociedade esteja atenta aos sintomas da doença, assim como às opções de tratamento. “A esclerose múltipla é uma doença autoimune e degenerativa de caráter crônico. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico e iniciado o tratamento, menor o efeito da doença e a carga de lesão ao longo do tempo”, informa o Roberto M. Carneiro de Oliveira, médico neurologista.

Novo estudo - Em linha com o Dia Mundial da Esclerose Múltipla, a Bayer HeathCare Pharmaceuticals anuncia os dados publicados pela revista Neurology sobre estudo de acompanhamento de longo prazo, com duração de 21 anos, realizado com pacientes tratados com interferon beta-1b (Betaferon). A partir dos dados, é possível observar que pacientes com esclerose múltipla tratados anteriormente com interferon beta-1b tiveram uma redução de 46,8% no risco de morte (p = 0,0173), comparado com pacientes recebendo placebo até os primeiros cinco anos de tratamento. Os dados reafirmam o risco-benefício favorável do tratamento ao longo de duas décadas, além de apoiar a prática de iniciar precocemente a terapia.

O estudo também avaliou a relação da doença com a causa de morte. Dos pacientes para os quais as informações sobre a relação de morte com a EM se encontravam disponíveis, 78,3% foram determinados como sendo relacionados com a doença.  Em geral, as pessoas com EM têm uma expectativa de vida mais curta (cerca de 7 a 14 anos a menos) em comparação com a população em geral.

Uma enfermidade de causas desconhecidas, a esclerose múltipla pode provocar dificuldades motoras e sensitivas, além de comprometer a qualidade de vida dos pacientes. O Dr. Oliveira explica que os sintomas da EM variam muito, não havendo um sinal típico da doença. “Os sintomas mais frequentes são formigamentos em algum segmento do corpo, perda de força, alteração ou turvação da visão, perda de controle dos esfíncteres e faixa de dormência no tronco. Normalmente os sintomas aparecem insidiosamente e vão se agravando ao longo dos dias seguintes”, reforça o especialista.

Os desafios são muitos para os pacientes e seus familiares, que devem encarar a doença e não temer as consequências. Enfrentar a EM com disposição é um dos primeiros passos. Continuar a rotina, com boa alimentação, atividades físicas diárias e saudáveis são passos importantes para o início da luta. O neurologista ressalta que hábitos de vida saudáveis e condições psicológicas favoráveis podem ter interferência no sucesso do tratamento. “Os exercícios físicos podem reduzir a espasticidade –rigidez muscular –, por exemplo”, diz o médico.

Tratamento

Os imunomoduladores são a primeira opção de tratamento da EM. Estes medicamentos também são conhecidos como agentes modificadores da doença por terem interferência direta e favorável na evolução da esclerose múltipla. Eles realmente modificam a história natural da doença. O interferon beta-1b (Betaferon) foi o primeiro imunomodulador e muitos pacientes se beneficiaram do uso desta droga, com menos surtos e menos sequelas nestes anos. Os imunomoduladores são chamados de drogas de primeira linha, somente na falha destes é que se faz uso de outras drogas de efeito mais intenso, só que mais agressivas ao organismo.


Baixas calorias, vida longa

28 de maio de 2012 0

A redução de 30% na quantidade de calorias ingeridas pode aumentar a sobrevida de animais de laboratório em até duas vezes. Estudos, como os que foram publicados pela revista Science e pela Sociedade Americana de Diabetes, mostram que a restrição calórica em macacos-rhesus, acompanhados por mais de 20 anos, aumenta a taxa de vida e reduz o aparecimento de doenças associadas à idade, como as cardiovasculares, a diabetes e a atrofia do cérebro.

“O maior desafio é conseguirmos estabelecer uma conduta terapêutica para humanos que possibilite reduzir drasticamente as calorias, de forma prática, sem causar prejuízos para a saúde”, analisa Efrain Olszewer, clínico geral e um dos precursores da prática ortomolecular no Brasil. Ele falará sobre o tema durante o 25º Congresso Internacional de Prática Ortomolecular O evento, aberto a médicos, farmacêuticos, nutricionistas e outros profissionais da área da saúde, ocorrerá de 7 a 9 de junho no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.

Na pesquisa realizada no Wisconsin National Primate Research Center (EUA), apenas metade dos macacos que tinham dieta liberada sobreviveram, enquanto 80% dos animais que receberam a mesma dieta, mas com 30% menos calorias, ainda estão vivos. “A ciência não tem dúvida de que ingerimos mais calorias do que nosso organismo é capaz de processar. O excesso, herança de condicionamentos ancestrais incompatíveis com a chamada vida moderna, é sabidamente uma das principais causas de doenças degenerativas”, analisa Olszewer.

O estudo de Wisconsin teve início em 1989 com 30 primatas. Em 1994, foram incluídos mais 46 mais macacos-rhesus. Todos, animais adultos em idades que variam de 7 a 14 anos. Hoje, 33 animais permanecem no estudo. Destes, 13 alimentam-se livremente e 20 estão em uma dieta com restrição calórica. Macacos-rhesus vivem em média 27 anos em cativeiro. O animal mais antigo tem 29 anos.

Mitocôndrias: nas “usinas” das células está a chave para regular o excesso

As mitocôndrias são responsáveis por abastecer as células de energia, sobretudo as células nervosas e do coração. Para isso, usam principalmente glicose e oxigênio. A função deste é oxidar elementos orgânicos para liberar a energia necessária. Até aqui, tudo bem. Sem esse processo, não haveria divisão celular, por exemplo, e seríamos muito diferentes da forma como somos hoje.

O problema começa exatamente com o excesso de calorias. Ele sobrecarrega as mitocôndrias, o que aumenta o volume de oxigênio necessário e, consequentemente, os radicais livres – elétrons instáveis relacionados com os processos degenerativos –, que resultam na oxidação.

“As pesquisas caminham na busca de substâncias capazes de equilibrar esse processo nas mitocôndrias. Sabemos que resveratrol – molécula encontrada na uva, por exemplo - é um deles. Ele atua modulando as sirtuinas, enzimas que protegem as células de danos, mas ainda não há consenso de ser este o melhor caminho”, informa Efrain Olszewer.

Os estudos que serão apresentados durante o 25º Congresso Internacional de Prática Ortomolecular apontam para um receptor natural chamado mTOR (mammalian target of rapamycin), responsável pela promoção do crescimento dos neurônio.

“O mTOR é capaz de aumentar o consumo de detritos celulares – elementos que seriam eliminados do organismo. Isso gera um efeito duplo: acaba com o “lixo” e faz com que as mitocôndrias se valham desse processo como fonte de energia. Isso gera menos demanda de oxigênio, logo, menos radicais livres”, explica o médico. Para Olszewer, este é um dos campos que mais vai possibilitar conquistas relacionadas com a promoção da qualidade de vida.

O 25º Congresso Internacional de Prática Ortomolecular vai reunir mais de 600 especialistas do Brasil e exterior e ocorrerá junto com o VII Congresso Internacional de Antienvelhecimento, o I Fórum Médico de Dermocosmecêutica e o I Fórum de Nutrição Funcional, Nutrigenômica e Ortomolecular. Mais informações sobre os eventos podem ser obtidas pelo telefone 21 2490-6341, pelo e-mail lindacamposeventos@yahoo.com.br ou pelo site www.fapes.net


SERVIÇO


25º Congresso Internacional de Prática Ortomolecular

VII Congresso Internacional de Antienvelhecimento

I Fórum Médico de Dermocosmecêutica

I Fórum de Nutrição Funcional, Nutrigenômica e Ortomolecular


Data: 7 a 9 de Junho

Local: Centro de Convenções Frei Caneca – R. Frei Caneca, 569, Consolação – São Paulo/SP


Tecnologia a favor da Medicina

28 de maio de 2012 0

Eliane Kihara*

O Instituto de Pesquisas em Saúde da PwC realizou recentemente uma pesquisa sobre o uso de tecnologias móveis na área de saúde. O resultado mostrou que os médicos estão mais receptivos ao uso de novas tecnologias. Esses profissionais admitem, porém, que a ausência de privacidade e os riscos de segurança, além de custos, são obstáculos a serem superados.

Um fato positivo constatado pela pesquisa é que 56% dos pacientes são favoráveis ao monitoramento remoto e 41% gostariam de usar mais tecnologias móveis. Médicos e pacientes se mostram dispostos, portanto, a aplicar modelos de consulta não tradicionais, como conversas telefônicas e visitas on-line. Essa nova realidade indica que a tecnologia móvel está mudando a natureza do cuidado com a saúde e a relação entre médicos e pacientes. Um exemplo que já vem sendo explorado é o mercado de aplicativos para celulares e tablets ligados a saúde e bem-estar.

A tecnologia também pode contribuir para o aperfeiçoamento de processos e de ganhos de eficiência dos prestadores de serviços na área de saúde. O sucesso na adoção de plataformas tecnológicas, no entanto, depende da integração dos elementos-chave da cadeia: médicos, empresas de planos de saúde, prestadores de serviços e pacientes. O uso de ferramentas como os Sistemas Integrados de Gestão Empresarial (ERPs), desde o registro eletrônico do paciente, passando pela prescrição médica e até a sua saída, já se tornou realidade em hospitais privados. No entanto, é preciso ter claro que um hospital necessita explorar a tecnologia de informação tanto quanto qualquer negócio.

Com essas plataformas, ganha tanto o paciente, com o acesso imediato por parte do médico às informações clínicas e exames já realizados, quanto a instituição, que conta com dados mais precisos para a tomada de decisões.

Um sistema de saúde sustentável vai requerer mais do que um controle adequado de custos. Exige repensar como investir o dinheiro na área e, principalmente, nos cuidados preventivos. Nesse sentido, aos poucos, o foco da saúde migra do tratamento de doenças para a prevenção e manutenção da saúde.

* Sócia da PwC Brasil  especialista em consultoria em gestão no setor de Saúde

As controvérsias da imunização

24 de maio de 2012 0

Com o objetivo de discutir e buscar consenso para a indicação de vacinas em situações especiais, conferencistas do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais estarão reunidos no próximo dia 2 de junho, para a realização do evento Controvérsias em Imunizações na cidade do Rio de Janeiro. Entre os temas estão: recomendação alternativa da vacina contra o HPV (recomendação para pessoas fora da faixa etária prescrita em bula, sua eficácia ou não); a vacinação de gestantes e lactentes contra coqueluche; como proceder com os pacientes alérgicos à proteína do ovo ou qual é a melhor idade para aplicação da segunda dose da vacina contra varicela serão debatidos no evento. Também está na pauta a indicação da vacina inativada contra a pólio (VIP) para adolescentes brasileiros. Os médicos aceitaram participar do debate a convite da Sociedade Brasileira de Imunizações – SBIm.

– Esse é um evento anual que representa uma grande oportunidade de discutir questões extraordinárias, que implicam em tomadas de decisão visando à proteção do paciente, mas que estão além do que é determinado como padrão. A partir das conclusões dos especialistas, poderemos sugerir orientações para médicos de todo o país – afirma Renato Kfouri, presidente da SBIm Nacional.

HPV para maiores de 26 anos

A indicação da vacina contra HPV para mulheres com mais de 26 anos está sendo considerada mediante os estudos que verificaram ser alto o índice daquelas que apresentam sorologia negativa para os tipos de HPV 16 e 18, causadores de câncer.

–Estudos mostram que 68% das mulheres com idade entre 26 a 35 anos estão suscetíveis – destaca Guido Carlos Levi, vice-presidente da SBIm Nacional. Entre as que têm de 46 a 50 anos, o percentual de suscetíveis é de 65,6%.

– Esses dados reforçam a importância da vacinação mesmo que a mulher esteja acima da faixa etária recomendada na bula. Embora a vacina não vá tratar infecções pré- existentes, ela ainda será útil para a prevenção da infecção por outros sorotipos – acrescenta Levi, que vai apresentar esses dados durante o evento.

Outros estudos mostram que o risco da infecção por HPV aumenta com a idade, devido ao maior número de parceiros sexuais ao longo do tempo. Países como Austrália, México, Turquia, Índia, Equador, Filipinas e Macau já autorizam formalmente a vacina do HPV para maiores de 26 anos.

– É importante lembrar que não há uma contraindicação específica para o uso da vacina nesses grupos. O que vamos discutir é o benefício da indicação – afirma Levi.

Coqueluche: a vacinação não deve esperar o bebê nascer

Com o aumento dos casos de coqueluche entre bebês, tendo os pais como os principais transmissores da bactéria Bordetella pertussis, causadora da doença, a indicação da vacina para grávidas e lactentes é um dos principais tópicos a ser debatido no evento. O tema, que será tratado pela médica Isabella Ballalai, presidente da SBIm - RJ, vem merecendo atenção mundial, principalmente pelo fato de os adultos estarem transmitindo a doença para as crianças pequenas. Esta situação motivou a criação da “Estratégia Cocoon", que é a imunização de todas as pessoas que estão em contato direto com a criança (familiares, profissionais de saúde, educadores etc.).

De acordo com Ballalai, a vacinação pré-natal representa melhor custo-efetividade, já que previne mortes em 51% dos casos (na vacinação pós-parto, esse índice cai para 21%).

– Vacinar a mulher durante a gestação significa aumentar a proteção nos primeiros meses de vida da criança – afirma. Durante o evento Isabella Ballalai irá enfatizar que a Estratégia Cocoon continua sendo importante  e que essa vacinação de pai, irmãos, babás e avós, por exemplo, também deve ocorrer, preferencialmente, antes do nascimento do bebê.

Prevenção da febre amarela em idosos

A validade da indicação para idosos da vacina que previne a febre amarela será discutida pelo médico José Geraldo Leite, da SBIm – MG. O tema está em pauta devido ao maior risco de reações adversas em pessoas com mais de 60 anos. José Geraldo alerta para a importância de se considerar cada caso isoladamente.

– É preciso analisar a realidade epidemiológica na qual o paciente está inserido. Sempre que o risco de contrair a doença por meio da picada do mosquito for maior do que o risco de reações adversas possíveis de ocorrer em idosos, a escolha deve ser pela imunização – defende. O parâmetro é considerar a realidade epidemiológica na qual reside o paciente ou para onde ele pretende se destinar, em caso de viagens.

Antecipação da vacina contra varicela

A antecipação da primeira dose da vacina contra varicela (catapora) é outro ponto polêmico e será discutido no Controvérsias em Imunizações pelo médico Juarez Cunha, da SBIm- RS. A indicação atual é que a vacinação tenha início aos 12-15 meses de vida, para evitar a interferência de anticorpos maternos na resposta vacinal da criança. Contudo, já é conhecida a eficácia da aplicação de "dose de emergência" com o objetivo de prevenir a doença em bebês que tiveram contato com pessoas infectadas pelo vírus da varicela.

– Diante dessa constatação, vamos discutir as indicações e a proteção conferida aplicando a primeira dose antes de um ano e após os nove meses de idade e, nessa situação, como proceder posteriormente: serão necessárias mais uma ou duas doses da vacina? Quando aplicá-las? – questiona Cunha.

Outra discussão envolvendo a mesma vacina é se os especialistas irão recomendar a antecipação da segunda dose. No uso rotineiro da vacina, a indicação é que a primeira dose seja aplicada entre 12-15 meses e a segunda entre os 4-6 anos de idade. Em caso de exposição/contato com a doença é recomendada a antecipação da segunda dose. “Se já está definida a importância da dose de reforço e se há recomendações de antecipar caso seja necessário, por que não recomendá-la mais precocemente?”, questiona o médico. O que motiva o debate é a possibilidade da ocorrência da doença em crianças já vacinadas com uma única dose e a comprovação de que a dose de reforço pode conferir proteção de até 100%.

Adolescentes e a Vacina Inativada contra Poliomielite (IPV - sigla em inglês)

Atualmente existe o risco de queda da imunidade contra a poliomielite no adolescente brasileiro, embora a imensa maioria tenha sido vacinada na infância. Esta afirmação é da médica Luiza Helena Arlant, vice- presidente da Sociedade Latinoamericana de Infectologia Pediátrica, que defende o reforço na imunização de jovens e adultos contra a doença.

–É mais seguro manter esse adolescente protegido e é esse o debate que iremos levar ao Controvérsias este ano – disse. O vírus da pólio ainda circula mesmo em países que já erradicaram a doença, como é o caso do Brasil. Isso ocorre também porque o vírus presente na vacina oral, usada nas campanhas e na vacinação de rotina, é eliminado nas fezes das crianças vacinadas.

–Essa vacina oral de vírus atenuado foi estratégica para conseguirmos reduzir o número de casos de poliomielite a zero no Brasil. Contudo, hoje, a realidade é diferente do que em anos passados quando tínhamos um número muito grande de casos de poliomielite no Brasil e no mundo, especialmente em crianças. Com a redução atual expressiva dos casos, o número de adolescentes e adultos mais velhos susceptíveis tende a aumentar porque a imunidade tende a diminuir. Daí a importância da dose de reforço com a vacina inativada – defende Luiza.

A vacina VIP não é indicada somente para adolescentes. Ela pode ser também aplicada em pessoas de todas as idades.

–Também indicamos a VIP para o viajante que se dirige a países nos quais ainda existe a doença, como é o caso de adolescentes que fazem intercâmbio fora do país, especialmente países onde a pólio ainda existe em níveis endêmicos – explica Luiza.

De acordo com a médica, a vacina inativada VIP tem uma resposta imunogênica excelente.

–A doença em adultos é tão grave como em crianças, com uma letalidade bastante alta. Antes nós não tínhamos a vacina VIP produzida e fornecida em larga escala para indicar nas faixas etárias maiores e em grande número de pessoas, agora é o momento de garantir a proteção de nossos adolescentes e adultos contra poliomielite – ressalta.

Como proceder com os casos de alergia à proteína do ovo?

As vacinas estão entre os medicamentos mais seguros e eficazes para a prevenção de doenças infectocontagiosas. Algumas, no entanto, são produzidas a partir do cultivo de vírus em ovos, o que pode representar limitação de uso por pessoas com alergia a esse alimento. A possível alergia a vacinas nestas pessoas leva alguns médicos a deixar de prescrevê-las.

–Apenas pessoas com reações extremas à ingestão de ovos (anafilaxia, isto é, choque, falta de ar, edema de lábios, urticária generalizada), devem se precaver – orienta Gabriel Oselka, pediatra e presidente da Comissão de Imunizações da Secretaria de Saúde de São Paulo. Segundo o médico, que vai tratar do tema durante o Controvérsias, tais casos são muito raros e excepcionais. De acordo com ele, das vacinas disponíveis hoje no Brasil, apenas as da gripe e febre amarela são produzidas em ovos.

–Nesses casos, a orientação médica aos alérgicos é fundamental – orienta.

Inscrições pelo site www.sbim.org.br

Ginecologista diz ter encontrado o ponto G

05 de maio de 2012 0

Um ginecologista americano afirma ter encontrado o famoso ponto G, um suposto centro de extremo prazer feminino localizado na parede inferior frontal da vagina e cuja existência é alvo de controvérsia há décadas.
Adam Ostrzenski, do Instituto de Ginecologia de St. Petersburg, Flórida, diz ter confirmado a existência do ponto G depois de realizar uma dissecação na parede interna da vagina do cadáver de uma mulher de 83 anos, indica o estudo publicado nesta quarta-feira pelo Journal of Sexual Medicine.
O ponto G identificado se apresenta como uma pequena cavidade bem definida na parte posterior da membrana perineal, de 16,5 milímetros da parte superior do orifício da uretra, criando um ângulo de 35 graus na parte lateral da uretra, de acordo com Ostrzenski, principal autor do estudo.
De acordo com o estudo, formado por três regiões distintas, o ponto G no cadáver analisado media 8,1 mm de comprimento e uma largura variável entre 3,6 mm e 1,5 mm e uma altura de 0,4 mm.
Uma vez extraído do cadáver, o ponto G e todos os tecidos adjacentes variaram entre 8,1 a 33 mm.
– Este estudo confirma a existência anatômica do ponto G, o que pode levar a uma melhor compreensão e melhoria da função sexual feminina – afirmou Ostrzenski.
O editor-chefe da revista, Irwin Goldstein, destacou a descoberta por contribuir para o conhecimento da anatomia sexual da mulher e sua fisiologia.
O ponto G, chamado assim pelo ginecologista alemão Ernst Graefenberg, o primeiro a mencionar sua existência em 1950, é um lugar muito sensível na vagina que, estimulado, concede à mulher grande excitação e um potente orgasmo. No entanto, a existência do ponto G foi questionada por quem afirma que é subjetivo, e alguns especialistas afirmam, inclusive, que não existe. Os críticos questionam também as descobertas mais recentes, destacando que o ponto G só parece excitar algumas mulheres e que sua importância pode ser exagerada pelos vendedores de produtos sexuais.
– É um estudo de caso relativo à dissecação do corpo de uma mulher cujas experiências sexuais desconhecemos – escreveu a pesquisadora sexual Debby Herbenick na revista digital Daily Beast.
– Ela desfrutava de penetração vaginal? Achava prazerosa ou erótica estimulação do ponto G? Não sabemos – assinalou.
Em 2008, a mesma revista publicou um artigo de um pesquisador italiano que fez uma ecografia da área da vagina de nove mulheres que diziam experimentar orgasmos vaginais e 11 que diziam que não. Este estudo concluiu que a característica anatômica existe, mas só algumas mulheres a têm.
Os críticos replicaram que não estava claro se o suposto ponto G é uma estrutura nova ou, simplesmente, uma extensão do clitóris. Debby insistiu que a última descoberta acrescenta pouco à pesquisa.
– Não sabemos quantas mulheres (caso haja alguma) têm estruturas similares. E certamente não sabemos se a estrutura tem algo a ver com a estimulação do Ponto G, o prazer sexual, as sensações eróticas ou o orgasmo. Não é que as partes do corpo venham com etiquetas que indicam o que são, e chamar essa estrutura de “ponto G” não faz com que seja – escreveu.