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Posts de junho 2012

Vacina contra nicotina é testada

28 de junho de 2012 0

Uma nova vacina desenvolvida por pesquisadores dos Estados Unidos e que foi testada em camundongos promete combater a dependência da nicotina, de acordo com artigo científico publicado no dia 27 de junho na revista Science Translational Medicine.
O estudo, feito por cientistas da Weill Cornell Medical College, de Nova York, explica que a vacina concebida atua no fígado do animal como uma “fábrica de anticorpos”, que engolem a nicotina que entra pela corrente sanguínea, evitando que a substância chegue ao cérebro – e até mesmo ao coração.
Ronald Crystal, um dos responsáveis pela pesquisa, descreve a ação dos anticorpos como o personagem de vídeo-game “Pac-Man”, também chamado de “come-come”. Segundo ele, o anticorpo injetado pela vacina purifica o sangue e “é a melhor maneira de tratar a dependência crônica do fumo".
Cerca de 20% dos americanos adultos fumam, segundo o estudo. Embora os 4 mil produtos químicos presentes no cigarro causem outros problemas de saúde -- responsáveis por uma em cada cinco mortes nos EUA, a nicotina dentro do tabaco é que mantém o fumante viciado.

Nicotina desacelera atividade do corpo

A vacina foi desenvolvida com a ajuda do sequenciamento genético de um anticorpo de nicotina criado artificialmente. Os pesquisadores testaram a vacina em camundongos experimentais: alguns foram tratados apenas com essa substância do tabaco, outros receberam o produto químico junto com a vacina.
Foi constatado que os animais que não receberam a dose experimental tiveram a pressão sanguínea e atividade do coração reduzidas – sinais de que a nicotina alcançou o cérebro e o sistema cardiovascular. Já os roedores que receberam a vacina não sofreram alterações em suas atividades.

Em breve, a vacina será aplicada também em primatas. Ainda não há previsão de quando humanos começarão a receber doses dos anticorpos.

A saga dos pacientes com mieloma

27 de junho de 2012 0

Cada vez mais aumenta a importância da internet, especialmente das redes sociais, na mobilização de massa para provocar mudanças políticas. Em solo nacional, o poder da internet também é o ponto de apoio do grupo Direito de Viver _ A Saga dos Pacientes com Mieloma Múltiplo, liderado pelo aposentado Raimundo Bruzzi. Só que, desta vez, a luta é para garantir o direito à vida e suas armas são a página do Facebook Pacientes de Mieloma Múltiplo bem como o blog da entidade.

O mieloma múltiplo, câncer da medula óssea ainda incurável, é passível de controle graças à lenalidomida, droga que confere aos doentes sobrevida e qualidade vida. Apesar de aprovada em mais de 75 países, dos inúmeros estudos clínicos ao redor do mundo e de contar com o aval do Food and Drug Administration (FDA), nos EUA, e da European Medicines Agency (EMA), o registro do medicamento está emperrado na Anvisa há mais de quatro anos.

O grupo chegou a escrever uma carta aberta à presidente Dilma Roussef (ainda sem resposta), publicada na página da entidade, relatando a luta para a conquista de maior tempo e melhor qualidade de vida com o uso da lenalidomida, bem como pleiteando a aprovação do medicamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária _ Anvisa. Bruzzi critica a morosidade da agência e chama a atenção para um problema grave de saúde pública.

– A droga só tem sido adquirida por vias judiciais. Os pacientes estão morrendo por falta de diagnóstico, por falta de médicos e pela mais abjeta omissão de socorro. Morrem por falta de medicamento – afirma Bruzzi.

Especialistas criticam lentidão

O mieloma múltiplo (MM) é a 2ª doença oncohematológica em incidência no mundo. Segundo a Fundação Internacional do Mieloma (IMF, em inglês), há mais de 700 mil novos casos por ano. Só nos Estados Unidos surgem 21 mil casos por ano. No Brasil, não há estatísticas exatas, mas segundo Angelo Maiolino, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)_ presidente da Associação Ítalo-Brasileira de Hematologia e diretor da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) _ surgem 10 mil novos casos/ano. São cerca de 30 mil pacientes em tratamento no Brasil, sendo que 80% deles têm mais de 60 anos de idade. Com o envelhecimento da população dentro e fora do País o número deve aumentar.

– Mesmo que novas drogas estejam sendo testadas no mundo todo, os pacientes brasileiros não têm acesso àquelas já consagradas para o tratamento deste câncer no resto do mundo – _afirma Maiolino.

Um dos hematologistas mais respeitados do país, Rafael Fonseca _ professor associado e chefe do Departamento de Medicina Interna da Escola de Medicina da Clinica Mayo (Arizona/EUA) – também lamentou e contestou a lentidão da Anvisa:

– Enquanto o transplante de medula óssea continua a ser um elemento chave no tratamento da doença, novas drogas como a lenalidomida e o bortezomibe permitem cuidar do paciente de uma forma muito mais eficaz. A lenalidomida é a segunda na classe dos agentes que são chamados IMiDs, medicamentos imunomoduladores _ afirma.

Um caminho para a cura


Rosane é especialista no tema


A médica gaúcha Rosane Bittencourt, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, participou do Congresso da Sociedade Europeia de Hematologia, em Amsterdã (Holanda), que se encerrou no dia 17 de junho. Como especialista em mieloma múltiplo e síndromes mielodisplásicas, ela observou que houve uma consolidação de vários estudos sobre o melhor tratamento para os pacientes.

– Esses estudos mostraram que não há nenhuma dúvida de que o tratamento dos pacientes com mieloma deve incluir fármacos como bortezomibe e lenalidomida. As terapias com tais agentes aumentam a sobrevida e melhoram a qualidade de vida dos pacientes. Por isso, faço parte de uma corrente de médicos que acreditam na cura do mieloma dentro de uma década ou mais. O importante é que estamos a caminho da cura – afirma a especialista.

Quando perguntada como se sente ao tratar pacientes que não têm acesso aos novos medicamentos – o ortezomide, ainda não fornecido pelo Sistema Único de Saúde, além da lenalidomida – Rosane diz que "se sente frustrada e de mãos atadas". Apesar das restrições, ela fez questão de frisar que "essa situação encoraja os médicos a levar o conhecimento científico sobre as novas drogas a todas as autoridades para que um dia os pacientes possam ter acesso ao melhor tratamento oferecido pela medicina".


Coração Alerta

21 de junho de 2012 0

Não basta levar uma vida saudável; é preciso procurar um cardiologista. Infartos fora do grupo de risco são cada vez mais comuns.

Todos os anos, mais de 80 mil pessoas morrem no Brasil em decorrência de um infarto de miocárdio. Uma alarmante média de uma morte a cada 5 minutos. E o pior: 66% dos brasileiros dizem se preocupar com a saúde (segundo pesquisa Target Index Group), mas a maioria não faz um acompanhamento médico adequado, apesar de conhecer os riscos e as formas de prevenção do infarto.

Para conscientizar a população de que o infarto pode atingir qualquer pessoa e em qualquer idade e que todos devem consultar um cardiologista, será lançada a Campanha Coração Alerta. O lançamento oficial ocorre no 34° Congresso da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), que acontece de 20 a 22 de junho, no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador.

“A Campanha Coração Alerta pretende invadir a mídia com a mensagem da redução do risco de mortes no infarto. A exemplo de campanhas como a do Câncer de Mama no Alvo da Moda é vital que a sociedade civil se engaje nessa grande corrente. Necessitamos de recursos materiais para massificar as informações sobre o infarto e modificar os indicadores desfavoráveis de saúde pública. Grandes empresas que têm responsabilidade social podem e devem se juntar a nós. Essa é uma tarefa para todos!”, defende o presidente da SBHCI,  Marcelo Queiroga.

De acordo com o Dr. Jadelson Andrade, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), é muito importante que toda a população esteja engajada na causa. “Estamos falando sobre a principal causa de mortalidade no Brasil. Para mudarmos esse cenário precisamos do apoio da população, das sociedades específicas como a SBHCI e SBC, dos órgãos governamentais e, também, das empresas privadas. O infarto não tem identidade, pode ocorrer a qualquer um. A partir de agora, que cada um faça a sua parte”.

Realizada em conjunto pela SBHCI e pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a Campanha Coração Alerta pretende ajudar a reverter essa estatística no Brasil reduzindo a mortalidade por infarto no país.

Ações de comunicação e eventos nas principais capitais brasileiras estão previstas para divulgação da Campanha Coração Alerta. A população pode consultar informações sobre doenças cardiovasculares no Portal Coração Alerta: www.coracaoalerta.com.br . Além disso, serão cinco fases de conscientização com os seguintes objetivos: mostrar que o infarto pode vitimar qualquer pessoa e estimular o público a procurar um cardiologista para realizar os exames que deveriam ser rotina (pressão arterial, colesterol, glicemia, etc.); manter o acompanhamento médico para averiguar eventuais riscos; orientar como agir em caso de emergência; engajar as pessoas na prática da vida saudável e fazer com que elas influenciem seus círculos de parentes e conhecidos a adotar os mesmos cuidados.

Infarto cresce entre as mulheres

Outros dados comprovam que os infartos são cada vez mais comuns fora dos conhecidos grupos de risco: 30% dos ataques de coração têm as mulheres como vítimas, matando cerca de 70 delas todos os dias. Esse número já é sete vezes maior do que as mortes em decorrência do câncer de mama, contra o qual as mulheres se previnem com maior eficácia. Segundo pesquisas, 40% das brasileiras apresentam aumento da cintura abdominal, mais de 20% fumam, 18% são ex-fumantes, 23% têm seus níveis de pressão arterial acima do normal e 21% possuem alteração dos níveis de colesterol. Esses fatores têm aumentado o risco de infarto em mulheres.

Mas o principal risco de infarto é a desinformação. “Muitas vezes as manifestações clínicas da doença confundem os pacientes, fazendo com que busquem outros especialistas. A Campanha Coração Alerta orienta a população sobre os sintomas da doença e deixa claro que o infarto pode acontecer mesmo em subgrupos de pacientes fora das faixas de risco”, diz  Marcelo Queiroga, presidente da SBHCI.

Segundo ele, garantir o diagnóstico correto do infarto e encaminhar o paciente para a melhor estratégia de tratamento (reperfusão do miocárdio) é o que fará a diferença na redução da mortalidade. “Lamentavelmente, hoje ainda perdemos muito tempo no diagnóstico e referenciamento dos pacientes. Por isso ainda temos uma mortalidade muito elevada por infarto do miocárdio no Brasil. Por isso, é necessária uma política de Estado para combater a epidemia de doenças cardiovasculares. Temos que informar a população e até mesmo aos médicos que é fundamental agir rápido no atendimento aos pacientes infartados”, adverte o Dr. Queiroga.



Qual a diferença?

12 de junho de 2012 0

Para saber mais sobre os medicamentos vendidos nas farmácias – bem como saber como descartá-los em casa –, o Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul elucidou duas das dúvidas mais comuns. Confira!

Qual a diferença entre remédio genérico e similar?
Medicamento genérico é aquele que contém o mesmo princípio ativo, na mesma dose e forma farmacêutica, administrado pela mesma via e tem indicação idêntica ao medicamento de referência, passou por testes de bioequivalência, apresentando a mesma biodisponibilidade, o que assegura que o medicamento genérico é equivalente terapêutico do medicamento de referência, ou seja, que apresenta a mesma eficácia clínica e a mesma segurança. Existe visualmente uma diferença na embalagem. Apenas os medicamentos genéricos contêm, em sua embalagem, logo abaixo do nome do princípio ativo que os identifica, a frase "Medicamento genérico - Lei 9.787/99".Os similares e demais medicamentos  não possuem esta frase na embalagem. Os medicamentos similares apresentam o mesmo princípio ativo, mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica do medicamento de referência, mas não são bioequivalentes e não podem substituir os medicamentos de marca. Os similares também têm qualidade assegurada pelo Ministério da Saúde/Anvisa, mas não realizaram testes que garantam a mesma quantidade absorvida e velocidade de absorção dos medicamentos de referência.

Como descartar os remédios que sobram em casa?
Em primeiro lugar, devemos comprar medicamentos apenas quando for realmente necessário e não interromper o tratamento por conta própria. Comprar a quantidade exata ou a mais próxima do tratamento prescrito. Antes de ir ao médico verificar os medicamentos que já possui em casa. Não utilizar medicamentos por conselho de parentes, vizinhos ou amigos. Para as sobras em casa, guardar em local separado, mas seguro, fora do alcance de crianças e animais. Calor e umidade afetam a qualidade e validade dos medicamentos, não guarde no banheiro ou na cozinha. Procurar informar-se onde está sendo feito o recolhimento na sua cidade.Em Porto Alegre, algumas iniciativas de coleta de medicamentos vencidos são oferecidas, como a Farmácia Popular da UFRGS e em algumas redes de farmácia. Em outros municípios, contate a vigilância sanitária ou secretaria de saúde, verifique se alguma farmácia ou rede de farmácias faz o recolhimento. Algumas recomendações básicas são aconselhadas, como não jogar na pia ou no vaso ou no lixo seco ou orgânico, não guardar medicamentos fora da embalagem original, aberto, sem tampa, e, claro, manter longe do alcance das crianças e dos animais.


Medicina antiaging em debate

12 de junho de 2012 0

Especialistas alertam: as terapias que prometem combater os efeitos do envelhecimento, usando vitaminas, antioxidantes e hormônios, não têm comprovação científica de sua eficácia e podem aumentar os riscos de diabetes e câncer. O alerta foi feito no final do mês de maio por especialistas brasileiros e estrangeiros na abertura do Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, no Rio.Eles querem elaborar um documento que subsidie o CFM (Conselho Federal de Medicina) e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na formulação de novas regras que coíbam a prática da chamada "medicina antiaging" no país.Segundo o Conselho Regional de Farmácia (CRF) do Rio Grande do Sul, os usuários devem observar os registros desses produtos junto ao órgão competente, que é Anvisa.

Segundo o coordenador-executivo da entidade, Everton Borges, "os consumidores devem ficar atentos pois há um assédio publicitário em relação a produtos que prometem tais benefícios. Porém, muitos apresentam apenas estudos iniciais, mas ainda sem comprovação científica, o que confunde o consumidor. Há, ainda, que se separar produtos cosméticos e medicamentos, esses últimos possuem a bula com indicação aprovada pela Anvisa".Segundo ele, todo produto (medicação ou cosmético) deve ser avaliado e indicado por um profissional de saúde.


Álcool e anorexia: uma combinação explosiva

12 de junho de 2012 0

Amy Winehouse é uma das celebridades que teriam desenvolvido o distúrbio

*Breno Rosostolato

Drunkorexia, termo em inglês, refere-se à associação entre álcool e a anorexia e é o mais novo agravante associado ao distúrbio alimentar. Também conhecido como ebriorexia, o distúrbio consiste em inibir o apetite devido à ingestão excessiva de bebida alcóolica, embora o contrário também possa acontecer: o dependente químico desenvolver um distúrbio alimentar.  A esse quadro acrescente vômitos, restrição alimentar, compulsão, angústia e características típicas da anorexia. É comum as pessoas acometidas desse distúrbio passarem fome para compensar as calorias adquiridas com o álcool ou provocarem o vômito por causa do excesso de bebida e de comida ingerida.

O álcool adquire a característica de diminuir a ansiedade e a dor gerada pela comida, além do efeito embriagante que serviria como uma fuga da realidade angustiante, falta de crítica, enfraquece a exigência da alimentação e, poroutro lado, sustenta a dependência em manter um corpo extremamente magro. Apropósito, pessoas com distúrbios ou traumas de infância têm uma probabilidade maior de utilizar o álcool como recurso para lidar com frustrações e conflitos emocionais.

Estudos do Centro de Informações sobre saúde e álcool (CISA) indicam que os anoréxicos estariam mais propensos à dependência de álcool, principalmente no que diz respeito a mulheres. No caso da drunkorexia, o uso de substâncias como cocaína, crack e anfetaminas também são comuns, pois ajudam a suprir a sensação de fome.

De acordo com o Programa da Mulher Dependente Química (Promud/IPq), 56% das usuárias de álcool ou de drogas que estavam em tratamento tinham algum tipo de transtorno alimentar. Desse percentual, 41% tinham transtorno do comer de modo compulsivo; 30%, bulimia; e 8% eram anoréxicas. Percebe-se que a compulsão é o ponto de intersecção entre os distúrbios alimentares, nos quais um dos alicerces que reforçam o problema é uma imagem distorcida do próprio corpo e, portanto, uma exagerada necessidade de se enquadrar a modelos de beleza e estereótipos estéticos. Talvez esse seja o principal motivo de mulheres sofrerem mais com os distúrbios alimentares: a vaidade. Porém, enganam-se aqueles que pensam ser a anorexia seja uma doença de gênero. Homens estão sujeitos às mesmas influências sociais e dificuldades semelhantes.

Em uma sociedade individualista, na qual o vínculo social está cada vez mais deteriorado, o culto ao corpo só evidencia o desamparo e o estado de abandono entre as pessoas. A falta de limites e os excessos são, portanto, formas destrutivas de preencher essas lacunas. Daí também a compulsão por jogos e compras.

A cantora britânica Amy Winehouse, que faleceu dia 23 de julho de 2011, é um exemplo de tudo isso. Bebia constantemente em seus shows, já havia sido presa por dirigir bêbada e por agressões, internada inúmeras vezes em clínicas e hospitais e usava crack. Nos últimos meses que antecederam sua morte, estava extremamente magra. É o retrato, possivelmente, do distúrbio.

Fato é que o ser humano reinventa-se todos os dias, transgride seus princípios e abdica das responsabilidades. A escassez de referências vem aniquilando as pessoas, que, por sua vez, recriam suas doenças. A drunkorexia é um mal contemporâneo, sinal do fracasso de expectativas e idealizações.

*Breno Rosostolato é professor de Psicologia da Faculdade Santa Marcelina (FASM)

Adiar a maternidade: até quando?

11 de junho de 2012 0

* Marcelo Oliveira Ferreira

Engravidar mais tarde é uma forte tendência, e parece ser irreversível. Os casamentos ficaram para mais tarde e os filhos, para mais tarde ainda. Na Suécia, a média de idade das mulheres no primeiro filho subiu de 24 para 31 anos entre 1970 e 2008. No Brasil, os dados refletem a mesma tendência, a proporção de mães com idade de 30 a 39 anos em 1999 era de 21%, em 2009 subiu para 25%. Mas, como todos sabem, a fertilidade feminina diminui com o tempo. O início deste declínio se dá por volta dos 30 anos, de uma maneira mais significativa após os 35 e mais acelerado a partir dos 40. Consequentemente, há uma demanda crescente para tratamentos de infertilidade. Enquanto que entre 2003 e 2009 houve um aumento de somente 9% na procura de tratamentos de fertilização in vitro com 35 anos, com 41 anos este aumento foi de 42% (CDC, EUA).

Devido à divulgação dos grandes pregressos, existe a idéia de que com reprodução assistida, a fertilidade feminina pode ser manipulada em qualquer idade, porém esta é uma idéia equivocada. Houve sim grandes avanços, mas as mais beneficiadas foram as mais jovens. As taxas de gestação com a fertilização in vitro com óvulos próprios também declinam com a idade: aos 30 anos são de 48%, mas aos 42, são somente de 14%.

Entre as causas apontadas para a esta postergação, a capacitação profissional, a busca de estabilidade financeira e a procura do parceiro ideal são comumente referidas, mas há outras razões. Muitas mulheres não têm a exata percepção sobre as limitações da sua capacidade reprodutiva. Afora isso, há uma errônea avaliação do potencial dos tratamentos de reprodução assistida. Hoje é bastante comum a divulgação de gestações com 45, 50 anos, e os especialistas são confrontados com estas informações. No entanto, estas gestações são predominantemente resultantes de óvulos doados. Tratamentos com doação de óvulos têm as melhores taxas, mas é preciso aceitar gerar um filho sem a sua carga genética. Além disso, devido às limitações existentes no Brasil para a obtenção de óvulos doados, há uma longa fila de espera para esse tipo de tratamento. Uma alternativa concreta é o congelamento de óvulos, pois os resultados atuais são comparáveis aos tratamentos com óvulos frescos. A mulher, congelando os óvulos enquanto é jovem e fértil, pode resgatar a chance de gestar no futuro, quando já estiver estabilizada profissional e afetivamente.

A mulher que adia a maternidade não deve ser rotulada de egoísta ou que, irresponsavelmente, não esteja preocupada em formar uma família. A pressão social a leva nesta direção. No entanto, esta deve ser uma escolha livre, baseada no adequado conhecimento dos seus limites naturais e do real potencial da medicina reprodutiva. É chegada a hora de refletir sobre este tema porque muitas mulheres estão ficando sem filhos involuntariamente. No intuito de preservar a fertilidade feminina, médicos, outros profissionais da saúde e até a mídia devem iniciar uma ampla discussão, com a divulgação de dados e fatos reais sobre a postergação da maternidade e suas conseqüências.

* Médico, especialista em reprodução humana

Alquimia da modernidade

06 de junho de 2012 0



Entrar em uma farmácia e solicitar um remédio a partir da receita médica é algo corriqueiro em nossas vidas. Assim como também é comum o médico indicar determinada dosagem de um medicamento inexistente nas drogarias. Então, partimos o comprimido no olho e tomamos o remédio. Esta ação, por si só, não é recomendada, uma vez que partir o remédio pode fazer com que a dose certa não seja a especificada pelo médico. O alerta é da Ação Magistral, entidade que congrega cerca de 60 farmácias manipulação no Brasil, sendo 35 delas no Rio Grande do Sul. A atitude correta é procurar uma farmácia especializada e solicitar a manipulação do medicamento com a dosagem correta, o mesmo só pode ser produzido a partir de uma receita médica e com a devida manipulação do farmacêutico magistral.


Atendem as necessidades particulares

A importância da manipulação é uma constante quando se trata de partição de comprimidos. Alguns pacientes demandam doses diferenciadas de um remédio, e em se tratando de comprimidos a partição feita de forma manual é a mais comum. No entanto, tal prática pode prejudicar o tratamento, uma vez que não é possível precisar a divisão correta dos princípios ativos entre as partes divididas, mesmo usando equipamento específico para isso. O farmacêutico magistral é capaz de fracionar o remédio de maneira exata, garantindo assim a segurança de estar tomando a dose indicada.

“A produção de medicamentos manipulados existe para atender as necessidades da população, sendo que a maioria das substâncias pode ser encontrada nas farmácias magistrais, inclusive aqueles descontinuados pela indústria, e em qualquer dosagem que se faça necessária”, ressalta o farmacêutico Eduardo Aranovich de Abreu, presidente da Anfarmag – RS.

Além de transformar a forma física de um medicamento e garantir a partição exata, as associações entre ativos distintos, feitas nas farmácias de manipulação, também atendem necessidades particulares e beneficiam pacientes que precisam associar vários fármacos numa só cápsula, o que ajuda na preservação da saúde gastrointestinal, minimizando irritações ou outras complicações relacionadas à ingestão de medicamentos.


Tratamento em série

Diante a industrialização do setor farmacêutico a produção de medicamentos é massificada e feita em série, direcionada para um grande número de pessoas. Dessa maneira, acaba por não atender as características específicas de indivíduos que precisam de personalização medicamentosa. A atividade de manipulação atende essas demandas, prestando assim um serviço capaz de cooperar com o tratamento médico indicado.

Segundo Laura Rosenblat Nestrovski, farmacêutica associada da Ação Magistral, se por um lado o mundo globalizado padroniza comportamento e necessidades nas pessoas, por outro o respeito à individualização se consolida, ganha espaço e conquista gerações. “Para atender o mundo globalizado, as novas tecnologias, os novos hábitos das pessoas, as novas técnicas no desenvolvimento das fórmulas, é imperativo uma atualização, estudos constantes para atender à demanda individual.”


Tradição Gaúcha

O Rio Grande do Sul é considerado, por especialistas da área, um dos redutos mais conceituados em manipulação de medicamentos.  Nesse sentido, alguns profissionais decidiram se unir e manter a busca constante pela qualidade. E sob a perspectiva de um conceito ético rigoroso, o grupo que constitui o segmento magistral empenha-se, por meio de testes laboratoriais, no comprometimento com a manipulação confiável de remédios.

Para garantir a validade dos medicamentos produzidos cada farmácia magistral deve dispor de um laboratório de controle de qualidade, onde é possível realizar testes simples capazes de aferir identificar cada matéria-prima recebida. Faz parte do compromisso ético-profissional do farmacêutico o cuidado com todas as etapas da produção de qualquer fármaco.


Nanotecnologia e os medicamentos do futuro

A nanotecnologia trata-se de um novo paradigma na ciência, no qual as dimensões e as propriedades dos materiais são tratadas na escala nanométrica. Ou seja, 50 mil vezes menor do que um fio de cabelo.

Tal tecnologia produz compostos constituídos por partículas capazes de penetrar nas camadas mais internas da epiderme e controlar a distribuição do princípio ativo que será liberado no organismo. Dessa maneira, é possível aumentar a eficácia de certas substâncias, podendo ser usadas doses menores para se atingir o objetivo do tratamento.

Em sincronia com os adventos das pesquisas modernas, o setor magistral absorve e introduz em seu modo de produção essas novas descobertas, promovendo melhores resultados.

A dermatologia é uma das especialidades mais contempladas com produtos à base de nanotecnologia e também uma das que mais se comunica com os farmacêuticos magistrais. Por isso a manipulação segura acrescenta credibilidade aos medicamentos fabricados e segurança aos pacientes que deles farão uso.