Água e isotônicos são bebidas já conhecidas como opção para reidratação após as atividades físicas. Mas a cerveja também pode exercer com eficácia esse objetivo, por conta dos ingredientes que possui em sua composição.
Os benefícios da cerveja na recuperação física dos atletas já foram comprovados em pesquisas por ajudar na recuperação do metabolismo hormonal e imunológico depois da prática desportiva de alto rendimento. Além disso, os flavonóides presentes na bebida têm efeitos antioxidantes, ajudando a inibir a agregação de plaquetas e a prevenir inflamações.
Um exemplo é a pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Granada, na Espanha. O estudo concluiu que a cerveja ajuda na recuperação das perdas hídricas e normaliza as alterações do metabolismo tão bem quanto a água. Também possui substratos metabólicos que auxiliam a reposição de substâncias perdidas durante a atividade física como aminoácidos, minerais, vitaminas e antioxidantes.
– O estudo mostra que a cerveja é composta por aproximadamente 95% de água e contém 4g de carboidratos a cada 100 ml. Também possui minerais como sódio e potássio, que são nutrientes considerados de grande importância no processo de reidratação, indispensáveis na recuperação pós-treino, consenso na literatura científica. Além disso, tem substratos metabólicos que ajudam na recuperação das perdas ocasionadas pelo exercício físico, como as vitaminas do complexo B e antioxidantes – explica Andréa Pessa Fonseca Torres, nutricionista especialista em Fisiologia do Exercício, pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Intitulado “Idoneidade da cerveja na dieta equilibrada dos esportistas“, o trabalho, publicado em 2009, é resultado de dois anos de observações feitas pelos pesquisadores com atletas com idade entre 20 e 30 anos, que se hidratavam alternadamente com água e cerveja após a atividade física. O estudo foi baseado em relatórios e pesquisas de médicos, fisiologistas e nutricionistas. As doses moderadas consumidas de álcool não exerceram efeito negativo sobre o efeito de hidratação.
Os cientistas realizaram testes com 16 atletas universitários com idades entre 20 e 30 anos, em boa forma física e que alcançavam uma velocidade aeróbica máxima (VAM) de 14 km/h.
Os testes foram realizados em duas etapas, com um intervalo de três semanas entre si. Os atletas foram submetidos a três baterias de corrida, com uma hora de duração cada uma e pausas de duas horas para a hidratação. As condições de 35°C e 60% de umidade relativa do ar procuraram simular condições ambientais de temperatura elevada em que o desgaste físico é maior. Durante os intervalos, os atletas bebiam água ou cerveja (máximo de 660 ml, equivalente a duas cervejas), alternando as bebidas em cada pausa de hidratação para comparar resultados.
Os cientistas analisaram uma série de parâmetros indicativos como imuno-inflamatórios, endócrino-metabólicos, psico-cognitivos (coordenação, atenção, campo visual, tempos de percepção-reação), além da composição corporal e níveis de hidratação.
– É importante ressaltar que o estudo deixa bem claro que esses benefícios só são alcançados com o consumo responsável e moderado da cerveja. Não se trata, portanto, de uma defesa do consumo exagerado da bebida – lembra Andrea.
Uma enquete feita com 5 mil pessoas pela Runnersworld.com, apontou que a cerveja já está entre as bebidas mais consumidas após as corridas. A loura gelada tem 15% de preferência, logo atrás das bebidas esportivas (20%). A água ficou em primeiro, com 31% dos votos.



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