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Posts na categoria "Coração"

Hipertensão afeta jovens brasileiros

27 de abril de 2013 0

Ontem, 26 de abril, foi o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, doença que vem crescendo no país. A proporção de brasileiros diagnosticados passou de 21,6%, em 2006, para 23,3%, em 2010, de acordo com o Ministério da Saúde.

Segundo dados da Associação Brasileira de Hipertensão, o problema já afeta também os jovens. Cerca de 5% das crianças e dos adolescentes brasileiros sofrem de hipertensão.

A causa, explica o nefrologista Sérgio Veloso, professor do Departamento de Pediatria, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), está relacionada, na maior parte das vezes, a um estilo de vida que reúne sedentarismo e alto consumo de alimentos industrializados.

— O aumento da violência é outro motivo que impede que as crianças saíam na rua para brincarem. Assim, elas se exercitam menos. Isso tem contribuído para o aumento de crianças sedentárias e, consequentemente, para o surgimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, cada vez mais cedo — justifica.

Segundo a cardiologista Rosália Morais Torres, professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o que é mais grave é que se trata de uma doença silenciosa.

— As pessoas não percebem que têm hipertensão, e a primeira manifestação pode ser grave, como um derrame, um infarto ou outro problema que pode afetar a qualidade e reduzir a expectativa de vida do indivíduo — alerta Rosália.

Além do coração e do cérebro, a hipertensão arterial também pode afetar os olhos, diminuindo a visão, os rins e as artérias.

— É importante frisar que o risco cresce à medida que a pressão arterial aumenta — lembra a professora.

As crianças normalmente seguem os hábitos alimentares dos pais. O professor Sérgio Veloso alerta ainda para o fato de que algumas escolas servem refeições ricas em carboidratos, o que pode contribuir para o desenvolvimento da hipertensão.

— Há alguns anos, as escolas públicas serviam no intervalo pratos como macarrão. O objetivo era prevenir a desnutrição. Contudo, algumas escolas ainda continuam a servir essas refeições — completa.

Em bebês, a maioria dos casos de hipertensão vem de fatores secundários decorrentes de outros males, como estreitamento da aorta, inflamação dos rins ou tumores suprarrenais. Bebês que nascem abaixo do peso, prematuros, além dos recém-nascidos que não amamentaram, também podem apresentar hipertensão no futuro.

Segundo os médicos, prevenir é a saída mais eficaz. Filhos de pai ou mãe com hipertensão têm 30% de chances de também se tornar hipertenso. Se os dois pais tiverem a doença, o risco da hipertensão e de cerca de 50%.

Atentos ao assunto, pais e médicos devem se preocupar em manter a pressão dos pequenos sob controle desde cedo. A medição precisa ser parte do exame de rotina anual para todas as crianças acima de três anos de idade. Abaixo dessa idade, a pressão deve ser aferida pelo menos uma vez, com um aparelho de medir pressão (esfigmomanômetro) do tamanho que se ajusta adequadamente ao braço dos pequenos.

Incluir atividade física no dia a dia e alimentos saudáveis, além de retirar o excesso de sal nas refeições, são outros passos importantes para manter a pressão arterial no nível adequado, de crianças e adultos.


Saiba mais

Confira 10 dicas para evitar a pressão alta:

  • 1. Caminhe no parque!
  • 2. Dê risadas. Muitas!
  • 3. Tire aquelas férias que você já adiou tantas vezes
  • 4. Ame mais!
  • 5. E aquele plano de largar o cigarro, como está?
  • 6. Durma bem e alongue-se antes de sair da cama.
  • 7. Troque o doce da sobremesa por uma fruta.
  • 8. Optar por comidas leves e frescas melhora sua disposição!
  • 9. Diminua o sal! Incha e retém líquidos!
  • 10. Deixe a cervejinha só para os fins de semana e beba com moderação.

Estudo mostra impacto do tabagismo indireto entre adolescentes americanos

15 de abril de 2013 0

A exposição à fumaça do cigarro pode provocar um impacto negativo no fígado dos adolescentes. A associação foi feita por cientistas da Escola Bloomberg de Saúde Pública e do Centro Infantil da Universidade Johns Hopkins (EUA), que estudaram o impacto da exposição de jovens à fumaça do tabaco. Os resultados foram publicados na edição de abril da revista científica Pediatrics.

— O tabagismo e a exposição indireta à fumaça do cigarro são grandes problemas de saúde entre os adolescentes, e pode trazer efeitos a curto e longo prazo — diz Ana Navas-Acien, principal autora do estudo.

Especificamente entre os adolescentes americanos, a exposição ao tabaco, incluindo os fumantes ativos e aqueles que inalam a fumaça indiretamente, está associada à redução do filtrado glomerular, nome dado ao líquido que é transformado em urina.

Além disso, foi descoberta uma modesta, mas positiva associação entre as concentrações de soro de cotinina, um biomarcador para a exposição ao tabaco. Essas descobertas levaram à conclusão de que a fumaça do cigarro danifica os rins.

Usando um estudo com 7.516 adolescentes com idades entre 12 e 17 anos, os autores avaliaram os participantes usuários de tabaco e a exposição indireta à fumaça pelas respostas a um questionário e a testes de soro de cotinina.

Os participantes relataram ter fumado "pelo menos" um cigarro por dia no últimos mês e aqueles que tiveram concentração de soro de cotinina acima de 10 ng/ml (nanogramas por mililitro) foram classificados com fumantes ativos.

Como fumantes não ativos foram definidos aqueles que tinham exposição secundária à fumaça do cigarro por morar com pelo menos uma pessoa fumante, ou que tinham níveis de cotinina acima ou igual a 0,05 ng/ml, mas inferior a 10 ng/ml se relataram não morar com um fumante. Os participantes com níveis de soro de cotinina abaixo de 0,05 ng/ml, que não moravam com um fumante ou não fumaram no último mês, foram classificados como não expostos ao tabaco.

Estudos anteriores sobre a exposição ao tabaco indicaram mais de 600 mil estudantes primários e mais de 3 milhões estudantes secundários e mais de 15% de adolescentes não fumantes expostos indiretamente à fumaça de cigarro em suas casas. Entre os adolescentes americanos, a fumaça do cigarro já havia sido associada ao aumento de risco de asma, ao mau funcionamento dos pulmões e à aterosclerose precoce, além de mortes prematuras na idade adulta.

De acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças, fumar também é um fator de risco para doenças autoimunes severas, incluindo a doença de Crohn e o artrite reumatoide.

— Pequenas mudanças na distribuição no níveis da filtração glomerular estimada pode ter um impacto substancial na saúde dos rins, assim como são bem conhecidas as alterações na pressão sanguínea e doenças relacionadas à hipertensão. Avaliar o potencial da exposição indireta à fumaça do tabaco e oferecer recomendações para minimizar essa exposição deve continuar sendo parte da rotina de cuidados médicos para as crianças — observa Jeffrey Fadrowski, coautor do estudo e professor assistente de pediatria nefrológica da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins.

— O tabaco como fator de risco para doenças crônicas dos rins é uma grande preocupação dada à alta prevalência. Proteger os jovens da fumaça do cigarro é essencial já que 80% dos adultos que fumam começaram o hábito antes dos 18 anos de idade — Ana Navas-Acien.

Vegetarianos têm 32% menos risco de sofrer do coração

23 de fevereiro de 2013 0

Tirar a carne do cardápio, inclusive peixe, pode ter um efeito dramático sobre a saúde do coração. Segundo um estudo da Universidade Oxford, da Grã-Bretanha, feito com 44,5 mil pessoas na Inglaterra e na Escócia, os vegetarianos têm uma propensão 32% menor de morrer ou precisar de tratamento hospitalar em decorrência de doenças cardíacas.

Os cientistas acreditam que as diferenças nos níveis de colesterol, na pressão arterial e no peso corporal explicam a melhor saúde dos corações vegetarianos.

Alimentos gordurosos e com alto teor de colesterol, como as carnes, podem formar depósitos de gordura nas artérias coronarianas que alimentam o músculo cardíaco. Isso pode causa angina ou levar a um ataque cardíaco se os vasos sanguíneos ficarem completamente bloqueados.

Publicada no American Journal of Clinical Nutrition, a pesquisa analisou dados de 15,1 mil vegetarianos e 29,4 mil pessoas que comem carne e peixe. Ao longo de 11 anos, 169 delas morreram de doenças cardíacas e 1.066 necessitaram de tratamento hospitalar — a maior parte delas consumidoras de carne e peixe.

— A mensagem principal é que a dieta é um fator determinante para a saúde do coração — disse Francesca Crowe, coordenadora do estudo.

Segundo ela, as dietas são bastante diferentes.

— Os vegetarianos provavelmente têm uma menor ingestão de gordura saturada, por isso faz sentido que eles tenham um menor risco de doença cardíaca — afirmou.

Os resultados mostraram que os vegetarianos têm pressão arterial mais baixa, menor nível de colesterol "ruim" e são mais propensos a ter um peso saudável.

São Lucas é certificado para realizar tratamento menos invasivo da estenose aórtica

18 de dezembro de 2012 0

Uma das doenças cardíacas que têm atingido cada vez mais idosos acima de 75 anos é a estenose aórtica, que causa a calcificação da válvula aórtica e dificulta a circulação sanguínea, gerando sintomas como dor no peito, falta de ar e desmaios. Estima-se que, em 2020, cerca de 330 mil brasileiros sofram de estenose aórtica severa, problema que pode levar à morte se não tratado. Para os pacientes que apresentam os sintomas da doença, a indicação é a troca da válvula, o que pode ser feito por meio de cirurgia convencional ou por meio do Implante Transcateter de Valva Aórtica (Tavi). A segunda opção, ainda pouco difundida no país, tem como vantagens ser menos invasiva e proporcionar recuperação mais rápida, atendendo àqueles pacientes que não têm condições de se submeterem à cirurgia convencional.

O Hospital São Lucas da PUCRS é uma das três instituições do Estado a contar com médico certificado para realizar o Tavi, o cardiologista Paulo Caramori, chefe do Centro de Diagnóstico e Terapia Intervencionista do HSL. Ele destaca que há uma demanda reprimida para a realização desse tipo de procedimento, pois, com o aumento da expectativa de vida e a melhora das condições socioeconômicas, a estimativa é que mais pessoas sejam afetadas pela estenose aórtica. Ela atinge principalmente os idosos e é identificada com exame clínico, que é complementado com exames de cateterismo e ecocardiografia para verificar a severidade da doença.

Na opinião do cardiologista,  o principal problema atualmente é a falta de divulgação do novo procedimento, o que permitiria ampliar o número de pacientes atendidos, disponibilizando esse avanço tecnológico para uma parcela maior da população, especialmente em idosos e pacientes com alto risco para a cirurgia convencional. Nesses casos, o Tavi tem potencial para reduzir acentuadamente a mortalidade.

– Temos equipes treinadas e centros de excelência, agora precisamos aprimorar o acesso ao tratamento –  afirma Caramori.

Recentemente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reconheceu a técnica como um procedimento seguro e, com isso, ele deixa de ser considerado experimental no país. De acordo com o registro da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), mais de 350 pessoas no Brasil foram submetidas à troca de válvula por cateter, ou seja, sem a necessidade de abrir o tórax do paciente, pois o implante é feito por meio de um tubo longo e flexível (cateter) inserido através da artéria femoral (na virilha) ou por uma pequena incisão no peito.

No HSL, os procedimentos são realizados de forma rotineira desde março de 2009, quando a técnica foi realizada pela primeira vez na Instituição. Como ainda não foi incluída no Sistema Único de Saúde, é disponibilizada a pacientes via convênios ou particulares. Para divulgar o tratamento e alertar a população sobre a doença, a SBHCI lançou a campanha Jovens Corações, que pode ser conferida no site http://sbhci.org.br/tavi.

O Centro de Diagnóstico e Terapia Intervencionista do HSL localiza-se no 3º andar do hospital (Avenida Ipiranga, 6.690 – Porto Alegre) e pode ser contatado pelos telefones (51) 3320-3494 e 3320-3379.


Inovação para o tratamento da doença arterial coronariana

12 de novembro de 2012 0

O  primeiro suporte vascular farmacológico do mundo ABSORB, ou BSV (da sigla em inglês Bioresorbable Vascular Scaffold), está agora disponível na Europa, partes da Ásia e da América Latina.  Este é o primeiro dispositivo de sua categoria para o tratamento de doença arterial coronariana.  Age, restaurando o fluxo sanguíneo para o coração, similar a um stent metálico, mas que se dissolve no organismo, deixando a artéria tratada, com suas funções e movimentos naturais e livres de um dispositivo metálico permanente.  O Absorb  é produzido com ácido poliláctico, um material naturalmente bioabsorvível, geralmente usado em implantes médicos, como suturas.  O Absorb foi desenvolvido pela Abbott Vascular.

Alguns dos benefícios de longo prazo do suporte cardiovascular que se dissolve no organismo depois de tratar a artéria:

-  A artéria pode se expandir e contrair quando é necessário aumentar o fluxo sanguíneo para o coração em resposta a atividades rotineiras como exercitar-se;

-  Permite redução de medicação antiobstrutiva

-  Permite a realização de novas intervenções, se necessárias, numa artéria livre de implantes permanentes.

“Esta inovação representa um verdadeiro paradigma que muda a forma como nós tratamos doença arterial coronariana.  Com o lançamento de Absorb, um suporte que desaparece depois de cumprir sua tarefa é uma realidade; não mais um sonho”, afirma o médico Patrick W Serruys, Professor de Cardiologia Intervencionista do Thoraxcentre, do Hospital Universitário Erasmus, de Rotterdam, na Holanda.  “Os pacientes estão bastante entusiasmados com Absorb,  que permite que os vasos sanguíneos retornem a um estado mais natural e aumentem as opções de diagnóstico e tratamento por longo prazo”.

O lançamento internacional do Absorb está fundamentado num programa robusto de testes clínicos que abrange cinco estudos em mais de 20 países ao redor do mundo. Os dados dos estudos indicam que o Absorb tem desempenho similar ao melhor stent farmacológico em todos os critérios de avaliação, como eventos cardiológicos adversos e revascularização das lesões-alvo, ao mesmo tempo em que proporciona aos pacientes benefícios adicionais de um dispositivo que se dissolve com o passar do tempo.

O Brasil faz parte de uma expansão do estudo inicial, com a participação de três centros nacionais de pesquisa, o Instituto Dante Pazzanese, Hospital Israelita Albert Einstein (ambos em São Paulo) e Instituto de Cardiologia do Triângulo Mineiro (Uberlândia, MG). Esta etapa do estudo internacional é coordenada pelo médico brasileiro Alexandre Abizaid, do Instituto Dante Pazzanese.

“O Absorb é um exemplo importante da dedicação da Abbott em aprimorar os resultados para os pacientes por meio de tecnologia inovadora.  A Abbott mantém seu compromisso em atender à crescente demanda de médicos e pacientes por um suporte cardiovascular bioabsorvível – desde o início do desenvolvimento do suporte há mais de 10 anos à expansão de nossa capacidade de produção para apoiar este lançamento internacional”, afirmou John M Capeck, vice-presidente executivo de Dispositivos Médicos da Abbott.  “Estamos orgulhosos de sermos a primeira companhia a comercializar um suporte cardiovascular farmacológico, que pode vir a revolucionar a forma como os médicos tratam seus pacientes com doença arterial coronariana”.

As doenças cardíacas são a principal causa de morte de homens e mulheres ao redor do mundo e a doença arterial coronariana é o tipo mais comum de doença cardíaca. As doenças arteriais coronarianas ocorrem quando as artérias que suprem o coração de sangue se tornam estreitas ou bloqueadas, causando dor no peito, ou dificuldade de respiração, e maior risco de ataque cardíaco.

Como Age o Suporte Vascular Bioabsorvível Absorb

Absorb ainda não está disponível no Brasil para comercialização. O suporte vascular bioabsorvível Absorb, similar a um pequeno tubo com ramificações, foi projetado para abrir uma artéria cardíaca bloqueada e restaurar o fluxo cardíaco.  O Absorb é comparado a um ”andaime” (scaffold) que sugere uma estrutura temporária, diferente dos tradicionais stents, que são implantes permanentes.  O suporte cardiovascular oferece apoio ao vaso até que a artéria possa permanecer aberta por sua própria conta e então se dissolve naturalmente.  O Absorb deixa os pacientes com um vaso livre de um implante metálico permanente, possibilitando que o vaso reassuma sua função e seu movimento naturais, permitindo benefícios por longo prazo.

O suporte cardiovascular libera o medicamento antiproliferativo everolimus, desenvolvido pela Novartis Pharma AG e licenciado para Abbott para uso em seus dispositivos médicos. O medicamento everolimus  tem demonstrado inibir a formação de coágulos após o implante de stents, pelas suas características antiproliferativas.

Absorb tem aprovação na Europa e países que respeitam ou seguem a aprovação das autoridades europeias, sendo atualmente disponível também (além da Europa) em países do Oriente Médio, partes da Ásia, incluindo Hong Kong, Cingapura, Malásia e Nova Zelândia e parte da América Latina.

Liberdade para praticar esportes com marca-passo

06 de agosto de 2012 0

Uma boa notícia foi dada durante o Heart Rhythm Society (HRS), congresso internacional sobre arritmias cardíacas. No evento, foi apresentado um estudo sobre a segurança da prática esportiva para atletas portadores de Cardioversor-Desfibrilador Implantável (CDI), cuja finalidade é converter todos os episódios de fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular (VT) através de um choque de desfibrilação para o coração.

Um grupo de médicos, liderados por Rachel Lampert, professora de medicina da Universidade de Yale, anunciou o estudo prospectivo na sessão "Segurança do Esporte para pacientes com CDIs: Resultados de um registro prospectivo multinacional".

Em 2006, o Journal of Cardiovascular Electrophysiology publicou uma pesquisa com cerca de 1.600 membros da Heart Rhythm Society (Sociedade Internacional de Arritmias Cardíacas). Dentre os 600 médicos que responderam sobre os pacientes que eram por eles acompanhados, foram observados menos de 5% de lesões do sistema (a maioria relacionadas à lesão de eletrodo por atividade de movimentação repetitiva, como golfe e levantamento de peso) e menos de 1% de falência em reversão da arritmia.

Desde 2008, após o Consenso da 36ª Conferência de Bethesda (Cardiovascular abnormalities in the athletes: recommendations regarding eligibility for competition), as recomendações sobre atividades esportivas em pacientes cardiopatas indicavam que atletas portadores de CDIs deveriam ser afastados de todas as atividades esportivas. Esta postura ainda leva em conta que talvez o CDI possa não agir corretamente no pico da atividade física e, assim, causar choque inapropriado ou mesmo apropriado durante atividade física, incorrendo no risco de lesão ao paciente ou a outros participantes. O consenso também indicava que pacientes com marca-passos não deveriam participar de atividades que possam gerar trauma corporal.

Os dados apresentados até então inspiraram a professora da Universidade de Yale e colaboradores a buscar pacientes ativos para uma nova análise multinacional. Este novo estudo teve como foco o registro com atletas submetidos a implantes de CDI pelas mais diversas causas que, mesmo tendo sido orientados de acordo com as diretrizes a abandonar o esporte que praticavam, decidiram continuar.

O objetivo primário do registro era a morte durante a prática esportiva ou o trauma relacionado a arritmias cardíacas ou a choques. Os objetivos secundários foram o mau funcionamento do dispositivo ou a necessidade de múltiplas terapias para interrupção da arritmia.

Dados do Estudo

Do total de 372 pacientes, 328 praticavam atividades competitivas, em sua maioria, corrida, basquete e futebol, enquanto outros 44 realizavam esportes de maior risco e 138 participavam de torneios em diversos níveis. Durante 31 meses não houve morte ou trauma relacionado a choque ou arritmia. Deste total, 97%, no final do quinto ano de implante, e 90 %, no final do décimo ano, permaneceram com eletrodos íntegros (com funcionamento normal), ou seja, uma taxa semelhante a não atletas portadores de CDI. Apenas 7 atletas apresentaram parada cardiorrespiratória, revertida com sucesso pelos choques do CDI, enquanto 9% dos pacientes apresentaram choques. A maioria manteve a prática das atividades mesmo após a terapia.

– Este registro abre novos horizontes para a melhor compreensão da história natural das doenças desses pacientes, bem como novas perspectivas no tratamento de atletas não só prolongado a sobrevida, mas também preservando a qualidade de vida – avalia do Bruno Valdigem, especialista em Eletrofisiologia Clínica e Invasiva pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas/SOBRAC e pela Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina.

Para os cardiologistas e ritmologistas Adalberto Lorga Filho, Presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), e Bruno Valdigem, também membro da SOBRAC, que participaram da sessão científica do HRS2012, “o estudo mostra que é possível a realização de práticas esportivas por portadores de CDI, sem que haja maiores prejuízos ou riscos ao paciente. Entretanto, cada caso deve ser avaliado individualmente, e discutido os prós e contras com o paciente”.


Coração Alerta

21 de junho de 2012 0

Não basta levar uma vida saudável; é preciso procurar um cardiologista. Infartos fora do grupo de risco são cada vez mais comuns.

Todos os anos, mais de 80 mil pessoas morrem no Brasil em decorrência de um infarto de miocárdio. Uma alarmante média de uma morte a cada 5 minutos. E o pior: 66% dos brasileiros dizem se preocupar com a saúde (segundo pesquisa Target Index Group), mas a maioria não faz um acompanhamento médico adequado, apesar de conhecer os riscos e as formas de prevenção do infarto.

Para conscientizar a população de que o infarto pode atingir qualquer pessoa e em qualquer idade e que todos devem consultar um cardiologista, será lançada a Campanha Coração Alerta. O lançamento oficial ocorre no 34° Congresso da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), que acontece de 20 a 22 de junho, no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador.

“A Campanha Coração Alerta pretende invadir a mídia com a mensagem da redução do risco de mortes no infarto. A exemplo de campanhas como a do Câncer de Mama no Alvo da Moda é vital que a sociedade civil se engaje nessa grande corrente. Necessitamos de recursos materiais para massificar as informações sobre o infarto e modificar os indicadores desfavoráveis de saúde pública. Grandes empresas que têm responsabilidade social podem e devem se juntar a nós. Essa é uma tarefa para todos!”, defende o presidente da SBHCI,  Marcelo Queiroga.

De acordo com o Dr. Jadelson Andrade, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), é muito importante que toda a população esteja engajada na causa. “Estamos falando sobre a principal causa de mortalidade no Brasil. Para mudarmos esse cenário precisamos do apoio da população, das sociedades específicas como a SBHCI e SBC, dos órgãos governamentais e, também, das empresas privadas. O infarto não tem identidade, pode ocorrer a qualquer um. A partir de agora, que cada um faça a sua parte”.

Realizada em conjunto pela SBHCI e pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a Campanha Coração Alerta pretende ajudar a reverter essa estatística no Brasil reduzindo a mortalidade por infarto no país.

Ações de comunicação e eventos nas principais capitais brasileiras estão previstas para divulgação da Campanha Coração Alerta. A população pode consultar informações sobre doenças cardiovasculares no Portal Coração Alerta: www.coracaoalerta.com.br . Além disso, serão cinco fases de conscientização com os seguintes objetivos: mostrar que o infarto pode vitimar qualquer pessoa e estimular o público a procurar um cardiologista para realizar os exames que deveriam ser rotina (pressão arterial, colesterol, glicemia, etc.); manter o acompanhamento médico para averiguar eventuais riscos; orientar como agir em caso de emergência; engajar as pessoas na prática da vida saudável e fazer com que elas influenciem seus círculos de parentes e conhecidos a adotar os mesmos cuidados.

Infarto cresce entre as mulheres

Outros dados comprovam que os infartos são cada vez mais comuns fora dos conhecidos grupos de risco: 30% dos ataques de coração têm as mulheres como vítimas, matando cerca de 70 delas todos os dias. Esse número já é sete vezes maior do que as mortes em decorrência do câncer de mama, contra o qual as mulheres se previnem com maior eficácia. Segundo pesquisas, 40% das brasileiras apresentam aumento da cintura abdominal, mais de 20% fumam, 18% são ex-fumantes, 23% têm seus níveis de pressão arterial acima do normal e 21% possuem alteração dos níveis de colesterol. Esses fatores têm aumentado o risco de infarto em mulheres.

Mas o principal risco de infarto é a desinformação. “Muitas vezes as manifestações clínicas da doença confundem os pacientes, fazendo com que busquem outros especialistas. A Campanha Coração Alerta orienta a população sobre os sintomas da doença e deixa claro que o infarto pode acontecer mesmo em subgrupos de pacientes fora das faixas de risco”, diz  Marcelo Queiroga, presidente da SBHCI.

Segundo ele, garantir o diagnóstico correto do infarto e encaminhar o paciente para a melhor estratégia de tratamento (reperfusão do miocárdio) é o que fará a diferença na redução da mortalidade. “Lamentavelmente, hoje ainda perdemos muito tempo no diagnóstico e referenciamento dos pacientes. Por isso ainda temos uma mortalidade muito elevada por infarto do miocárdio no Brasil. Por isso, é necessária uma política de Estado para combater a epidemia de doenças cardiovasculares. Temos que informar a população e até mesmo aos médicos que é fundamental agir rápido no atendimento aos pacientes infartados”, adverte o Dr. Queiroga.



Alerta vermelho para o coração

27 de abril de 2011 0

No dia 26 de abril, foi comemorado o Dia Nacional de Combate à Hipertensão. Uma recente pesquisa do Ministério da Saúde identificou que os porto-alegrenses ocupam quase o topo de um ranking indesejável: é a segunda capital do país com o maior percentual de doentes com hipertensão arterial.

Com 25,5% de hipertensos (número idêntico a Belo Horizonte), Porto Alegre perde apenas para o Rio de Janeiro, que tem preocupantes 29,2% de doentes. A enfermidade tem tudo a ver com o acúmulo de gordura na região do abdômen e ao sobrepeso. E uma triste notícia para as mulheres gaúchas é que elas são as que mais contribuem para os elevados índices de obesidade no Rio Grande do Sul. Provavelmente, seja devido a este fato que ocorra a maior prevalência de hipertensão no sexo feminino.

O alerta vermelho é, sobretudo, para as mulheres acima dos 45 anos, época em que começam os sinais da menopausa. Isto porque, sem proteção hormonal, a pressão alta tende a ser diagnosticada com mais frequência. 

Um estudo feito com mais de 9 mil pacientes em 11 países, recentemente publicado no Hypertension: Journal of the American Heart Association, revelou que a redução da pressão arterial em mulheres pode ter um impacto significativo na prevenção de eventos cardiovasculares. De acordo com o estudo, a diminuição da pressão sistólica em 15 mm Hg causaria um benefício maior em termos de qualidade de vida e prevenção de eventos de cerca de 40% entre as mulheres em comparação com 20% entre os homens. Isso significa que existiria um potencial importante de prevenção de problemas como infarto e acidente vascular cerebral a partir do tratamento correto dessas mulheres.

Estima-se que até os 45 anos a hipertensão seja mais frequente em homens do que em mulheres. Entre 45 e 64 anos, a incidência é similar em ambos os sexos. No entanto, após os 65 anos, a porcentagem de mulheres hipertensas ultrapassa a dos homens. Apesar disso, grande parte delas não é diagnosticada ou tratada corretamente. Um levantamento  feito pelo governo dos Estados Unidos, revelou que apenas 29% das mulheres hipertensas com idade entre 70 e 79 anos estavam sendo tratadas para controlar o problema.

Menopausa agrava problema

“Após entrar na menopausa, a mulher fica mais propensa a ter pressão alta, pois perde as proteções hormonais. Sem estrógeno e progesterona o risco para doenças cardiovasculares aumenta”, explica o médico nefrologista da Unifesp e especialista no tratamento da hipertensão, Osvaldo Kohlmann Júnior.

A pressão descontrolada causa uma série de consequências no organismo, entre elas o maior risco de infarto ou acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e renal, impotência sexual, além de outras complicações que alteram significantemente a qualidade de vida.

Sedentarismo, hábitos alimentares inadequados, consumo de sal em excesso, consumo exagerado de bebidas alcoólicas, diabetes ou histórico de hipertensão na família são fatores que elevam os riscos de desenvolver a doença. 

Adotar um estilo de vida mais saudável desde cedo – combinando a fórmula básica mas eficiente alimentação + exercícios físicos –, segue sendo a única maneira de ficar longe deste problema. E, claro, consultar um médico regularmente para medir os níveis de pressão arterial.

Trabalhar demais é ruim para o coração

15 de maio de 2010 0

Trabalhar três horas a mais que a média normal (sete a oito horas diárias) expõe a pessoa a um risco 60% maior de desenvolver problemas cardíacos, segundo um estudo publicado pelo European Heart Journal.
Um total de 6.014 trabalhadores londrinos com idades entre 39 e 61 anos (4.262 homens e 1.752 mulheres) e sem patologia cardíaca foram acompanhados durante 11 anos em média, até 2002-2004, como parte de um amplo estudo batizado de Whitehall II.
Durante os 11,2 anos de acompanhamento, 369 dos voluntários morreram de problemas cardíacos ou tiveram um acidente cardíaco não fatal ou uma angina de peito.
— As relações entre as longas horas de trabalho e as enfermidades cardiovasculares são independentes de um conjunto de fatores de risco medidos no início do estudo, como o tabaco, o excesso de peso ou uma taxa elevada de colesterol — precisou Marianna Virtanen, que dirigiu o estudo do Finnish Institute of Occupational Health (Helsinque) e da University College of London, em um comunicado.
Quem trabalha mais do que a norma geralmente são homens, mais jovens que a média do grupo e que ocupam postos de maior responsabilidade.
Se a relação entre as horas adicionais de trabalho e as enfermidades cardiovasculares parece clara, a causa nem tanto, segundo os autores. Uma pista pode ser que o trabalho adicional afetaria o metabolismo ou encobriria os estados depressivos, de ansiedade ou de falta de sono.
O "presentismo doentio" através do qual, ao contrário do ausentismo, os empregados vão trabalhar inclusive doentes, ignorando os sintomas e sem consultar um médico, pode igualmente estar entre as causas do problema. No entanto, as pessoas que gostam de seu trabalho e têm tendência a trabalhar mais simplesmente pelo prazer poderão sofrer um risco menor de enfermidade cardíaca.
Marianna Virtanen avalia várias pistas, como costumes pouco saudáveis e fatores de risco mais extensos entre as pessoas que trabalham em excesso.
— Outra possibilidade é que o estresse crônico (geralmente associado às longas horas de trabalho) afete o organismo — acrescenta, explicando que ainda são necessárias pesquisas adicionais.

O risco das cardiopatias em crianças e adolescentes

03 de abril de 2010 0

Ao contrário do que se possa imaginar, crianças e adolescentes também podem apresentar problemas cardíacos. Entretanto, na maioria das vezes, são as cardiopatias congênitas, ou seja, que estão presentes desde o nascimento. Estima-se que, de cada mil crianças brasileiras, de cinco a oito nascem com doenças no coração. Dessa forma, quanto mais precocemente é feito o diagnóstico, maiores serão as possibilidades de se oferecer o tratamento mais indicado e melhorar os resultados e a qualidade de vida futura. 
— Essa estatística não aumentou nos últimos anos, porém mais casos foram identificados por conta da facilidade de detecção. Embora sejam complexas, há tecnologias avançadas e elevadas chances de cura ou mesmo de tratamentos paliativos que permitem a convivência pacífica com a doença — explica a cardiologista Ieda Jatene, chefe do serviço de Cardiopediatria do Hospital do Coração, em São Paulo.
Divididas em dois tipos, congênitas e adquiridas, essas enfermidades podem aparecer ainda na gestação. As cardiopatias congênitas são malformações ocorridas ainda no embrião, fazendo com que a criança já nasça com a doença. Já as adquiridas se manifestam em algum momento da vida da criança.
Segundo a cardiologista fetal Simone Pedra, 2% de todos os bebês nascidos são portadores de malformações congênitas, sendo as cardiopatias congênitas as mais frequentes e mais graves. 
Cerca de 50% das cardiopatias congênitas são tão graves que podem trazer sintomas ainda dentro do útero ou imediatamente após o nascimento, com a necessidade de tratamento específico nas primeiras horas ou dias de vida. O conhecimento pré-natal dessas anomalias favorece imensamente a evolução clínica desses bebês, pois permite uma programação do local ideal, da idade gestacional e da via de parto apropriada — explica Simone.
Herança genética
Um dos fatores de risco para o desenvolvimento da cardiopatia congênita é a herança genética. Pais e mães portadores de cardiopatias congênitas apresentam uma chance duas vezes maior de gerar um bebê cardiopata.
— O mesmo ocorre quando o casal já gerou um bebê com malformação cardíaca. Alguns cardiopatas, em particular, têm uma chance de recorrência ainda maior, chegando até 10% em gestações subsequentes — destaca Simone.
Não há formas de prevenir a doença, porém, algumas mudanças comportamentais podem ajudar para o bom desenvolvimento do bebê. Antes de engravidar, a mulher deve procurar um médico para ver se seu estado de saúde é bom e iniciar a ingestão diária de ácido fólico, que deve ser receitado pelo especialista.
— A deficiência dessa vitamina pode ser um fator desencadeador de malformações cardíacas e do sistema nervoso central do feto — ressalta Simone.
Além do acompanhamento médico, a grávida deve adotar uma alimentação saudável, abolir o fumo, as bebidas alcoólicas e o consumo de medicamentos sem o conhecimento do seu especialista.