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Hipertensão afeta jovens brasileiros

27 de abril de 2013 0

Ontem, 26 de abril, foi o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, doença que vem crescendo no país. A proporção de brasileiros diagnosticados passou de 21,6%, em 2006, para 23,3%, em 2010, de acordo com o Ministério da Saúde.

Segundo dados da Associação Brasileira de Hipertensão, o problema já afeta também os jovens. Cerca de 5% das crianças e dos adolescentes brasileiros sofrem de hipertensão.

A causa, explica o nefrologista Sérgio Veloso, professor do Departamento de Pediatria, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), está relacionada, na maior parte das vezes, a um estilo de vida que reúne sedentarismo e alto consumo de alimentos industrializados.

— O aumento da violência é outro motivo que impede que as crianças saíam na rua para brincarem. Assim, elas se exercitam menos. Isso tem contribuído para o aumento de crianças sedentárias e, consequentemente, para o surgimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, cada vez mais cedo — justifica.

Segundo a cardiologista Rosália Morais Torres, professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o que é mais grave é que se trata de uma doença silenciosa.

— As pessoas não percebem que têm hipertensão, e a primeira manifestação pode ser grave, como um derrame, um infarto ou outro problema que pode afetar a qualidade e reduzir a expectativa de vida do indivíduo — alerta Rosália.

Além do coração e do cérebro, a hipertensão arterial também pode afetar os olhos, diminuindo a visão, os rins e as artérias.

— É importante frisar que o risco cresce à medida que a pressão arterial aumenta — lembra a professora.

As crianças normalmente seguem os hábitos alimentares dos pais. O professor Sérgio Veloso alerta ainda para o fato de que algumas escolas servem refeições ricas em carboidratos, o que pode contribuir para o desenvolvimento da hipertensão.

— Há alguns anos, as escolas públicas serviam no intervalo pratos como macarrão. O objetivo era prevenir a desnutrição. Contudo, algumas escolas ainda continuam a servir essas refeições — completa.

Em bebês, a maioria dos casos de hipertensão vem de fatores secundários decorrentes de outros males, como estreitamento da aorta, inflamação dos rins ou tumores suprarrenais. Bebês que nascem abaixo do peso, prematuros, além dos recém-nascidos que não amamentaram, também podem apresentar hipertensão no futuro.

Segundo os médicos, prevenir é a saída mais eficaz. Filhos de pai ou mãe com hipertensão têm 30% de chances de também se tornar hipertenso. Se os dois pais tiverem a doença, o risco da hipertensão e de cerca de 50%.

Atentos ao assunto, pais e médicos devem se preocupar em manter a pressão dos pequenos sob controle desde cedo. A medição precisa ser parte do exame de rotina anual para todas as crianças acima de três anos de idade. Abaixo dessa idade, a pressão deve ser aferida pelo menos uma vez, com um aparelho de medir pressão (esfigmomanômetro) do tamanho que se ajusta adequadamente ao braço dos pequenos.

Incluir atividade física no dia a dia e alimentos saudáveis, além de retirar o excesso de sal nas refeições, são outros passos importantes para manter a pressão arterial no nível adequado, de crianças e adultos.


Saiba mais

Confira 10 dicas para evitar a pressão alta:

  • 1. Caminhe no parque!
  • 2. Dê risadas. Muitas!
  • 3. Tire aquelas férias que você já adiou tantas vezes
  • 4. Ame mais!
  • 5. E aquele plano de largar o cigarro, como está?
  • 6. Durma bem e alongue-se antes de sair da cama.
  • 7. Troque o doce da sobremesa por uma fruta.
  • 8. Optar por comidas leves e frescas melhora sua disposição!
  • 9. Diminua o sal! Incha e retém líquidos!
  • 10. Deixe a cervejinha só para os fins de semana e beba com moderação.

Falta de equilíbrio derruba idosos

19 de abril de 2013 0

As quedas são uma das principais causas de lesões e internações na terceira idade. Em todo o mundo, são responsáveis por 90% das fraturas de quadril e de punho em pessoas com 65 anos de idade ou mais.

Um novo estudo descobriu a causa mais frequente das quedas não são os tropeços. Surpreendentemente, na maioria das vezes, é a falta de equilíbrio que levam os velhinhos ao chão.

Durante três anos, entre 2007 e 20010, pesquisadores canadenses buscaram entender melhor as causas das quedas na terceira idade, a fim de projetar melhores intervenções no ambiente em que o idoso vive.

Foram analisados 227 vídeos de quedas de 130 indivíduos (média de 78 anos de idade), filmados em áreas públicas (salas de jantar, corredores e salões) de duas instituições de cuidados de idosos no Canadá. Os resultados do estudo acabam de ser publicados na revista The Lancet.

Ao analisar as imagens, os pesquisadores descobriram que, em 41% dos episódios de queda, os idosos não foram capazes de reequilibrar o corpo depois de dar um passo em falso. Outra descoberta surpreendente é que as quedas tinham a mesma probabilidade de ocorrer quando a pessoa estava se abaixando em uma posição sentada ou em pé, contradizendo estudos anteriores que sugeriam que a maioria das quedas ocorre enquanto as pessoas estão caminhando.

Pesquisas prévias também haviam sugerido que as principais causas de quedas em idosos seriam escorregões e tropeções durante a caminhada. Segundo o novo estudo, escorregões raramente provocam quedas dos velhinhos. Os tropeços são a segunda causa mais comum de queda, e ainda são um fator importante a considerar _ eles foram responsáveis por quase um quarto das quedas registradas no estudo.

Muitas vezes, as pessoas observadas nos vídeos simplesmente tropeçaram ou um pé colidiu com o outro, especialmente ao girar. Em muitas das ocasiões, o obstáculo na frente do idoso era uma perna de cadeira ou da perna de mesa.

— Este dado é muito interessante, porque nos dá uma real oportunidade de intervenção efetiva no ambiente onde o idoso vive. É preciso selecionar móveis estáveis, mas que eliminem o risco de tropeço — afirma o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo).

Ainda segundo os pesquisadores, algumas quedas também ocorrem entre pessoas que deveriam estar utilizando dispositivos de assistência (talas ou chaves para osteoartrite ou cintas e palmilhas para artrite de joelho, por exemplo), mas, que no momento da queda, não estavam usando estes dispositivos.

— Essas descobertas são muito úteis. Pacientes que têm artrite nos membros inferiores podem ter uma marcha anormal, que pode alterar o equilíbrio e os deixa mais suscetíveis a quedas. É preciso também prestar muita atenção ao medicamentos que esses pacientes ingerem, pois algumas drogas para a artrite podem aumentar ainda mais o risco de quedas, especificamente os opióides — diz o médico.

Sergio Lanzotti destaca também que, se um paciente ou um membro de sua família já caiu algumas vezes ou chegou perto de cair muitas vezes, é muito importante procurar um médico.

— Existem muitas pequenas coisas que podem levar a quedas que são corrigíveis. Rever os medicamentos e o uso de dispositivos de assistência e de correção de alterações do pé (as órteses) também pode ajudar a reduzir o risco de quedas — alerta o diretor do Iredo.

Além de prestar atenção nos riscos ambientais, por exemplo, é preciso garantir que o idoso tenha iluminação adequada e corrimãos em pontos chave, como escadas.

A prática de exercícios físicos que fortaleçam os músculos e melhorem o equilíbrio, a flexibilidade e a força também são importantes, especialmente para os braços, que podem ajudar a impedir que uma queda aconteça.

_ Há três competências essenciais relacionadas às quedas que precisam estar presentes no idoso. Uma delas é a capacidade de se locomover com segurança, sem perder o equilíbrio. A segunda é a capacidade de recuperar o equilíbrio, dando um passo ou segurando um objeto próximo. E, por fim, se a queda não ocorrer, o idoso deve ter a capacidade de proteger a si mesmo e parar com segurança — diz o médico.

Cientistas desenvolvem rim de ratos em laboratório

19 de abril de 2013 0

Um rim criado em laboratório foi transplantado para animais e começou a produzir urina.

A técnica, desenvolvida pelo Hospital Geral de Massachusetts (EUA) e apresentada na publicação Nature Medicine, resulta em rins menos eficazes do que os naturais. Mesmo assim, os pesquisadores acreditam que ela pode representar uma enorme promessa para milhões de pacientes com sofrem com deficiência renal e que se submetem permanentemente a hemodiálises para filtrar o sangue.

Técnicas semelhantes para desenvolver partes do corpo mais simples já tinham sido utilizadas antes, mas o rim é um dos órgãos mais complexos de ser desenvolvido.

Os rins filtram o sangue para remover resíduos e excesso de água. Eles também são o órgão com o maior número de pacientes na fila de espera de transplantes.

A técnica dos cientistas americanos consiste em usar um rim velho, retirar todas as células antigas e deixar apenas uma espécie de esqueleto, uma estrutura básica para servir como um tipo de molde. A partir deste molde, o rim é reconstruído com células retiradas do paciente.

Isso traria duas grandes vantagens sobre os habituais transplantes de rim. Como o novo tecido será formado com células do próprio paciente, não será necessário o uso de drogas antirrejeição, que evitam que o sistema imunológico bloqueie o funcionamento do órgão "estranho" ao corpo.

Também seria possível aumentar consideravelmente o número de órgãos disponíveis para transplante.

A maioria dos órgãos usados atualmente em transplantes acaba rejeitada pelo organismo, apesar do uso de drogas que reduzem a ação do sistema imunológico — o que, por si só, é um fator de risco para o paciente transplantado. Ainda serão necessárias muitos estudos antes de que o procedimento seja aprovado para uso em pessoas.

A técnica também precisa ser mais eficiente, para a restauração de um maior nível de função renal. Os pesquisadores também precisam provar que o rim continuaria a funcionar por um longo tempo.

E há ainda os desafios impostos pelo tamanho de um rim humano. É mais difícil colocar as células novas no lugar certo em um órgão maior. Mas o mercado potencial para um rim artificial é enorme:

— Se você pensar que nos Estados Unidos há 100 mil pessoas aguardando por um transplante de rim e apenas cerca de 18 mil são realizados por ano perceberá que o impacto de um tratamento bem-sucedido seria enorme — diz Harald Ott, o principal autor do estudo.

Martin Birchall, cirurgião do University College London, que realizou transplantes de traqueia produzidas a partir de armações desenvolvidas em laboratório, considerou o rim artificial "realmente impressionante":

— Eles (os pesquisadores que desenvolveram o rim de rato) abordaram algumas das principais barreiras técnicas para tornar possível a utilização de medicina regenerativa para tratar de uma necessidade médica muito importante. Segundo Birchall, tornar o desenvolvimento de órgãos acessível a pessoas que necessitam de um transplante de órgão poderia revolucionar a medicina:

— Do ponto de vista cirúrgico, é quase o nirvana da medicina regenerativa você poder atender à maior necessidade de órgãos para transplante no mundo, o rim.


Saiba mais

  • No estudo, os pesquisadores usaram um rim de rato e aplicaram um detergente para retirar as células velhas.
  • A teia de células restante, formada por proteínas, tem a forma do rim, e inclui uma intrincada rede de vasos sanguíneos e tubos de drenagem.
  • Esta rede de tubos foi utilizada para bombear as células adequadas para a parte direita do rim, onde se juntaram com a "armação" para reconstruir o órgão.
  • O órgão reconstituído foi mantido em um forno especial por 12 dias para imitar as condições no corpo de um rato.
  • Quando os rins foram testadas em laboratório, a produção de urina chegou a 23% das estruturas naturais. A equipe, então, transplantou o órgão para um rato.
  • Bo corpo do rato, a eficácia do rim caiu para 5%. No entanto, os pesquisadores consideraram que a restauração de uma pequena fração da função normal já seria bem-sucedida.
  • Uma função renal de 10% a 15% já seria suficiente para livrar um paciente da hemodiálise, conforme os pesquisadores.

Nova lei estabelece prazo para SUS atender pacientes com câncer

14 de dezembro de 2012 0

A presidente Dilma Rousseff sancionou, no dia 22 de novembro, a Lei 12.732/12 que estabelece o prazo máximo de 60 dias para iniciar o primeiro tratamento dos pacientes com câncer. O prazo pode até ser menor, se comprovada a gravidade do caso. A nova lei entra em vigor em 180 dias da data de publicação na imprensa oficial.

De acordo com a advogada Paula Singame, especialista em Direito Civil da Godoy Teixeira Advogados Associados, anteriormente não existia lei para regulamentar o tempo de espera para o início do primeiro tratamento.

– A Lei 12.732/2012 dispõe acerca do primeiro tratamento, o que significa dizer que não importa o estágio da doença, mas, sim, a data do diagnóstico que comprova a patologia, portanto, não importa o estágio da neoplasia, tem importância a data do diagnóstico, a partir de quando começará a correr o prazo de 60 dias para início do primeiro tratamento, o qual poderá ser reduzido, a depender de cada caso, contudo, a lei é omissa com relação ao período mínimo de espera, entretanto, dispõe expressamente que o prazo menor dependerá da necessidade terapêutica do caso registrada em prontuário único ou seja, será o médico que diagnosticar a doença quem definirá o tempo que o paciente terá condições de esperar para iniciar o primeiro tratamento.”), afirma a advogada.

Segundo explica a especialista, cada região terá que se adequar à nova lei, sob pena dos gestores responsáveis por cada unidade de atendimento responderem diretamente, sofrendo as penalidades administrativas. Diante disto, a adequação não é opcional, mas, sim, obrigatória para todas as regiões.

– No entanto, a lei depende de regulamentação, pois não discrimina quais são tais penalidades e quais serão os responsáveis efetivamente – adverte a advogada.

Enquanto a lei não for regulamentada, pode ser que os prazos não sejam respeitados à risca, já que não se sabe quais serão as penas que deverão ser impostas.

– Aliás, a lei precisa de regulamentação também no que diz respeito à padronização de terapias do câncer, pois ela não disciplina especificamente a matéria – conclui a advogada Paula Singame.


Médico da Fórmula 1 explica como é feita transferência aérea

20 de julho de 2012 0

Pacientes em estado grave requerem aparato médico de tecnologia e equipe multidisciplinar apta a reverter qualquer quadro adverso. Contudo, em determinadas ocasiões, é necessária a transferência de um hospital a outro.

– O transporte de alguém em estado grave só deve ser realizado quando a outra instituição oferecer melhores recursos humanos e tecnológicos para o tratamento ou favorecer a proximidade geográfica da família – afirma Dino Altmann, cirurgião responsável pelo atendimento Rede D’Or São Luiz no GP Brasil de Fórmula 1.

Geralmente, acidentes automobilísticos resultam em traumas de grande magnitude, sejam nas ruas, rodovias ou nas pistas de corrida. Para se ter ideia, de acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), em 2011, ocorreram 188.925 acidentes graves nas estradas do Brasil, sendo 63.980 deles com feridos. Nesta situação, de acordo com Dr. Altmann, todas as funções vitais da vítima devem ser checadas e estabilizadas no local do acidente e durante o transporte para o hospital de trauma de referência. “Estabilizar um paciente significa corrigir as alterações clínicas que colocam sua vida em risco”, informa o médico.

– Caso haja uma parada cardiorrespiratória em vítimas de trauma fechado, ou seja, aqueles que não levaram tiro, facada ou que não tiveram algum ferimento penetrante, a situação é de extrema emergência. A menos que se chegue a um hospital de trauma em 20 minutos, ele não sobreviverá – complementa.

Num primeiro momento, entretanto, nem sempre a vítima de uma colisão é encaminhada a uma unidade de saúde próxima da família ou com infraestrutura adequada àquele caso, exigindo o transporte para outro local. Para tanto, algumas recomendações devem ser seguidas com rigor.

Medidas imprescindíveis:

· Paciente monitorado: monitoramento de funções vitais, como ritmo cardíaco, frequência cardíaca, pressão arterial, oximetria de pulso, capnografia (mede o CO2 expirado), frequência respiratória, além de ter um bom acesso venoso para infusão de volume e drogas. É importante manter a temperatura do corpo adequada e estável.

· Tempo de transporte: quanto mais rápido, melhor.

· Tipo de transporte: a escolha deve estar entre o transporte terrestre com ambulâncias ou aéreo, com helicópteros ou aeronaves, dependendo sempre da distância a ser percorrida. Quando o percurso pode ser realizado no mesmo tempo por dois meios diferentes, dar sempre preferência ao mais simples ou ao que tem mais recursos para monitoramento e tratamento. Para o transporte com helicópteros, é sempre importante lembrar que deve existir helipontos no hospital de origem e naquele que recebe o paciente.

· Planejamento prévio: ajustar a infraestrutura da ambulância, helicóptero ou avião para atender plenamente as necessidades do doente no tempo estipulado de transporte. Se há acesso a medicamentos, espaço para manipular o paciente caso necessário, equipamentos para monitoramento do ritmo cardíaco, da frequência cardíaca e pressão arterial, oximetria de pulso e, ainda, se existe a necessidade de um respirador com o capinógrafo (aparelho para medir gás carbônico) para controle da respiração. Outros equipamentos podem ainda ser necessários, como as bombas que controlam a infusão de drogas.

· Preparação do paciente: questões críticas precisam ter sido solucionadas, como permeabilidade das vias aéreas, boa condição de respiração e de circulação, bom acesso venoso e estancamento de hemorragias externas. Analisar estado neurológico e necessidade de sedação.

· Durante um transporte aéreo: médicos de emergência e de UTI devidamente treinados acompanham o paciente. Previamente, esses especialistas traçam uma espécie de plano de voo a fim de se antecipar à pressurização da aeronave. Por exemplo, atenção especial deve ser despendida caso inexista pressurização, como nos helicópteros, pois decolagem e pouso precisam ser lentos, principalmente, se houver algum sangramento.

· Recebimento do paciente: no hospital que o receber, médicos farão exatamente o mesmo procedimento de monitoramento realizado antes de deixar a unidade de saúde anterior.


Álcool e anorexia: uma combinação explosiva

12 de junho de 2012 0

Amy Winehouse é uma das celebridades que teriam desenvolvido o distúrbio

*Breno Rosostolato

Drunkorexia, termo em inglês, refere-se à associação entre álcool e a anorexia e é o mais novo agravante associado ao distúrbio alimentar. Também conhecido como ebriorexia, o distúrbio consiste em inibir o apetite devido à ingestão excessiva de bebida alcóolica, embora o contrário também possa acontecer: o dependente químico desenvolver um distúrbio alimentar.  A esse quadro acrescente vômitos, restrição alimentar, compulsão, angústia e características típicas da anorexia. É comum as pessoas acometidas desse distúrbio passarem fome para compensar as calorias adquiridas com o álcool ou provocarem o vômito por causa do excesso de bebida e de comida ingerida.

O álcool adquire a característica de diminuir a ansiedade e a dor gerada pela comida, além do efeito embriagante que serviria como uma fuga da realidade angustiante, falta de crítica, enfraquece a exigência da alimentação e, poroutro lado, sustenta a dependência em manter um corpo extremamente magro. Apropósito, pessoas com distúrbios ou traumas de infância têm uma probabilidade maior de utilizar o álcool como recurso para lidar com frustrações e conflitos emocionais.

Estudos do Centro de Informações sobre saúde e álcool (CISA) indicam que os anoréxicos estariam mais propensos à dependência de álcool, principalmente no que diz respeito a mulheres. No caso da drunkorexia, o uso de substâncias como cocaína, crack e anfetaminas também são comuns, pois ajudam a suprir a sensação de fome.

De acordo com o Programa da Mulher Dependente Química (Promud/IPq), 56% das usuárias de álcool ou de drogas que estavam em tratamento tinham algum tipo de transtorno alimentar. Desse percentual, 41% tinham transtorno do comer de modo compulsivo; 30%, bulimia; e 8% eram anoréxicas. Percebe-se que a compulsão é o ponto de intersecção entre os distúrbios alimentares, nos quais um dos alicerces que reforçam o problema é uma imagem distorcida do próprio corpo e, portanto, uma exagerada necessidade de se enquadrar a modelos de beleza e estereótipos estéticos. Talvez esse seja o principal motivo de mulheres sofrerem mais com os distúrbios alimentares: a vaidade. Porém, enganam-se aqueles que pensam ser a anorexia seja uma doença de gênero. Homens estão sujeitos às mesmas influências sociais e dificuldades semelhantes.

Em uma sociedade individualista, na qual o vínculo social está cada vez mais deteriorado, o culto ao corpo só evidencia o desamparo e o estado de abandono entre as pessoas. A falta de limites e os excessos são, portanto, formas destrutivas de preencher essas lacunas. Daí também a compulsão por jogos e compras.

A cantora britânica Amy Winehouse, que faleceu dia 23 de julho de 2011, é um exemplo de tudo isso. Bebia constantemente em seus shows, já havia sido presa por dirigir bêbada e por agressões, internada inúmeras vezes em clínicas e hospitais e usava crack. Nos últimos meses que antecederam sua morte, estava extremamente magra. É o retrato, possivelmente, do distúrbio.

Fato é que o ser humano reinventa-se todos os dias, transgride seus princípios e abdica das responsabilidades. A escassez de referências vem aniquilando as pessoas, que, por sua vez, recriam suas doenças. A drunkorexia é um mal contemporâneo, sinal do fracasso de expectativas e idealizações.

*Breno Rosostolato é professor de Psicologia da Faculdade Santa Marcelina (FASM)

Novo sistema agiliza cadastro de doadores de medula

10 de novembro de 2011 0

Boa notícia para pacientes que necessitam da doação de medula óssea. Os hemocentros públicos do Estado, assim como de todo o País, ingressaram agora em novembro em um novo sistema de cadastro de potenciais doadores de medula óssea, o Redome Net. Criado pelo setor de tecnologia da informação do Instituto Nacional do Câncer – Inca, o software tem por objetivo agilizar em todo o País a colocação de dados do candidato à doação no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea – Redome, bem como tornar mais fácil sua localização em caso de compatibilidade com um paciente receptor.

A ferramenta será usada no Rio Grande do Sul pelo Hemocentro do Estado (Porto Alegre) e hemocentros regionais e hemonúcleos localizados em Alegrete, Caxias do Sul, Cruz Alta, Palmeira das Missões, Passo Fundo, Pelotas, Santa Maria e Santa Rosa. Cada instituição recebeu login e senha para inserir diretamente os dados cadastrais no sistema Redome Net.

As campanhas de doação de medula óssea igualmente serão inseridas no sistema para que os doadores cadastrados nas mobilizações possam ser identificados. As solicitações de campanhas também serão enviadas pelos hemocentros públicos para autorização junto ao Inca. O sistema informatizado possibilita o acompanhamento do registro de voluntários e das coletas de sangue realizados pelos hemocentros, mostra o resultado do exame de antígenos leucócitos humanos e a compatibilidade entre doador e o receptor.

Os laboratórios que analisam a carga genética também vão abastecer o sistema com os resultados de compatiblidade (HLA). Aqui no Estado, os laboratórios que recebem as amostras e realizam essas análises funcionam no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e na Santa Casa de Porto Alegre.

Como ser doador

Para se tornar um candidato à doação de medula é preciso estar em boas condições de saúde e ter entre 18 e 55 anos incompletos. Após o preenchimento da ficha cadastral, são coletados 5ml de sangue para análise da carga genética (histocompatibilidade – HLA). Todos esses dados vão para o Redome Net. O doador será chamado caso haja um receptor compatível. O registro de doadores cresce a cada ano no Brasil, que hoje conta com 2,2 milhões de voluntários.

Atualmente, o Inca e a Central de Transplantes do Estado identificaram que o grupo genético que mais carece de candidatos a doadores de medula localiza-se na região da campanha do RS e fronteira com a Argentina e o Uruguai. Ocorre que a ampla divulgação de campanhas na região metropolitana, sul e nordeste do estado já contemplou o cadastro Redome com praticamente sua totalidade de potenciais doadores tipo caucasiano (que pertence a uma divisão da espécie humana originária da Europa, com características físicas e genéticas comuns, especialmentenotadamente pele clara).

O Hemocentro do Estado é um departamento técnico da Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde – Fepps, instituição vinculada à Secretaria Estadual da Saúde.

Coqueluche de volta à cena

20 de setembro de 2011 0

A coqueluche está de volta à cena.  A Organização Mundial da Saúde estima um impacto anual de 50 milhões de casos e 300 mil mortes causadas pela doença na população mundial. O fenômeno é global. Em 2010, o CDC – Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos – registrou 27.550 casos de coqueluche, sendo 9.774 na Califórnia, onde foi registrada a morte de 10 bebês de dois meses de idade. Na Europa, foram 15.749 casos, dos quais 46% na Noruega e na Holanda. A Austrália contabilizou 35 mil casos, entre julho de 2010 e julho de 2011, dos quais 40% precisaram ser internados ― a maioria crianças menores de um ano.

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), os casos de coqueluche na América Latina cresceram quase cinco vezes entre 2003 e 2008, passando de 3.213 para 15.310 casos. No Brasil, a coqueluche é subnotificada em razão do desconhecimento sobre a doença e da dificuldade de diagnóstico em adolescentes e adultos. Em 2010, o DATASUS registrou 427 casos de coqueluche, dos quais 40% em São Paulo, sendo 80% em bebês com menos de um ano. Na cidade de Santana do Mundaú (Alagoas) houve um surto com 53 casos suspeitos, dos quais 38% confirmados4. Entre janeiro e agosto de 2011, o Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN) confirmou 593 casos da doença, com 15 mortes – sete em São Paulo, duas no Rio de Janeiro, uma em Roraima, uma em Pernambuco, uma na Bahia, uma em Santa Catarina, uma no Rio Grande do Sul e uma em Minas Gerais. Do total de casos, 451 ocorreram em menores de um ano. Depois de seis anos livre da coqueluche, a Bahia registrou 51 casos suspeitos, dos quais 14 confirmados. Dos casos com diagnóstico positivo, nove ocorreram em menores de um ano, três em crianças entre um e quatro anos, e dois em adultos entre 20 e 42 anos.

Controlada até os anos 80 e 90, a popular “tosse comprida” ressurge em vários países do mundo. Ao contrário do sarampo e da varicela, a doença pode ocorrer mais de uma vez na vida porque a proteção conferida pela vacina diminui após dez anos. Estudos científicos mostram que os adultos em contato com a criança são os principais responsáveis pela transmissão da doença aos pequenos, principalmente aos bebês menores de um ano, fase em que o esquema vacinal está incompleto.

Para proteger esses bebês, os países desenvolvidos têm usado a estratégia “cocoon” (casulo, em inglês), que prevê a vacinação de reforço contra a coqueluche nas pessoas que têm contato com os bebês – pais, irmãos, avós, demais familiares, profissionais de saúde e cuidadores. Imunizadas, as pessoas próximas à criança formam um casulo protetor ao seu redor.

Tosse é um dos primeiros sinais

Geralmente, a coqueluche começa com tosse e coriza. Com o passar do tempo, a tosse fica mais intensa, com acessos seguidos de guinchos e vômitos. Nos adultos, os sintomas são mais brandos e, na maioria das vezes, a doença não é detectada. Já nas crianças, as consequências da doença podem ser graves. Os bebês, que não completaram o esquema de vacinação ou não foram vacinados, têm mais chances de desenvolver complicações, como pneumonia e insuficiência respiratória, responsáveis por internações e que podem provocar paradas respiratórias, capazes de deixar sequelas mentais e motoras por causa da falta de oxigenação no cérebro.

A partir deste mês, a Sanofi Pasteur, a divisão de vacinas da Sanofi, lança no Brasil a vacina internacionalmente conhecida por Adacel Quadra, que, com apenas uma dose, oferece o reforço contra coqueluche, tétano, difteria e poliomielite, para adolescentes, adultos e crianças a partir de 3 anos de idade. A nova vacina estará disponível em clínicas particulares. No caso da coqueluche, a vacina Adacel Quadra vai evitar que adolescentes e adultos transmitam a doença a bebês.

Desenvolvida com tecnologia de ponta, Adacel Quadra já vem pronta para uso – 100% líquida na seringa, o que facilita sua administração. Graças a uma sofisticada técnica de purificação, o componente contra coqueluche é acelular, contendo apenas fragmentos da Bordetella pertussis ― bactéria responsável pela doença ―, que estimulam a produção de anticorpos.

Quinoa: segredo que vem dos Andes

12 de março de 2011 0

Cultivado há mais de 2 mil anos pelos povos incas, que habitaram a Cordilheira dos Andes em uma latitude de mais de 3,6 mil metros, o grão de quinoa chamou a atenção de pesquisadores brasileiros. Um estudo desenvolvido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF/USP) descobriu formas de aumentar o valor nutricional de alimentos e criar novas misturas usando o cereal.
– O objetivo era encontrar uma forma de produzir novos alimentos sem fazer uso da farinha de trigo. Para isso, fizemos recheios para bombons, massa para bolos, biscoitos, todos misturados com o grão de quinoa. Dessa forma, colocamos um alimento saudável com produtos variados – explica a professora e pesquisadora da USP Suzana Lannes.
O grão era o principal alimento do império inca, mas quase desapareceu depois da conquista espanhola, no século 16. O colonizador, interessado apenas na exploração dos metais preciosos, queimou as plantações e subjugou os conhecimentos dos povos nativos. A quinoa quase desapareceu, mas foi guardada como um tesouro sagrado e plantada em pequenos sítios de agricultura familiar no Peru e na Bolívia. Nos últimos anos, o alimento foi redescoberto por cientistas e nutricionistas, e chama a atenção do mundo inteiro pelo seu potencial nutritivo.
A ideia para o experimento partiu da pesquisadora peruana Adelaida Geovanna Salas, quando observou que no Brasil o grão ainda era muito pouco conhecido. "No Peru, a quinoa é muito consumida. É um grão tradicional, chamado de 'grão de ouro' pelos mais velhos, por sua importância para a saúde. Aqui, poucas pessoas têm o hábito de consumi-lo, basicamente aqueles mais preocupados com uma dieta mais equilibrada e saudável. O objetivo era mudar esse quadro e trazer um novo produto para a mesa dos brasileiros", conta Adelaida.
O cereal é fonte de proteínas, fibras, cálcio, ferro e carboidratos, e considerado um dos alimentos mais completos que existem. Por isso, os cientistas se interessam tanto pelo alimento andino. Pesquisas com a quinoa também estão sendo realizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e como o solo brasileiro se mostrou apto para o seu cultivo, as pesquisadoras acreditam que em um futuro próximo o cereal será mais apreciado. "O interesse cresceu muito nos últimos anos, mas para que a indústria comece a investir nos produtos que usam a quinoa é preciso que o grão esteja disponível como matéria-prima, o que ainda não ocorre atualmente", afirma Suzana.
A nutricionista mineira Gabriela Goulart aponta várias formas de consumir a quinoa que podem ser incorporadas à alimentação. "Ela é muito parecida com a aveia, e também pode ser misturada em vários pratos. Em mingaus e biscoitos e até na almôndega a quinoa fica uma delícia. E o mais importante: é uma opção a mais na dieta das pessoas que tem intolerância ao glúten, os celíacos", diz Gabriela.

Capa de hoje: o experimento passo a passo

12 de março de 2011 0

Uma antiga crença popular acaba de ganhar comprovação científica.
Publicado em fevereiro na revista Science Translational Medicine, um estudo liderado pela Universidade de Oxford, da Grã-Bretanha, com a participação de outras três instituições europeias, mostrou que o pensamento negativo pode, sim, ter consequências nocivas. Pelo menos quando o assunto é saúde.
Decididos a desvendar os mistérios do cérebro e a testar se as convicções dos pacientes podem alterar o resultado de um tratamento, os cientistas reuniram 22 voluntários para uma bateria de exames. No laboratório, sem que os envolvidos soubessem, manipularam suas expectativas em relação à dor (veja o passo a passo). Os resultados foram surpreendentes.

Leia o resto da reportagem especial na capa e na central do caderno Vida de hoje


O passo a passo

A seguir, confira como foi o estudo desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com a Universidade de Cambridge, o Centro Médico Universitário Hamburg-Eppendorf e a Universidade Técnica de Munique:
1. Um de cada vez, os 22 voluntários foram acomodados em um scanner de ressonância magnética e receberam um tubo intravenoso
2. Depois, tiveram uma fonte de calor aplicada à perna, até que começassem a sentir dor _ de forma a que, em uma escala de 1 a 100, cada avaliado se enquadrasse no nível 70
3. Sem que os participantes soubessem, os médicos começaram a injetar um poderoso analgésico _ do tipo opióico _ para verificar que efeito teria nessas condições _ sem que os envolvidos tivessem qualquer expectativa do tratamento. A sensação de dor caiu, em média, para 55 na escala
4. Em seguida, os voluntários foram informados de que a droga começaria a ser injetada, embora continuasse sendo aplicada na mesma dosagem. A intensidade da dor caiu para 39
5. Finalmente, todos foram levados a crer que o medicamento seria cessado e que a dor poderia aumentar. A substância foi mantida, mas o incômodo, segundo os relatos, aumentou para 64. Ou seja, a dor ficou tão intensa quanto no início do experimento
6. Ao mesmo tempo em que analisavam essas reações, os estudiosos usaram imagens do cérebro dos participantes para confirmar os relatos
7. A ressonância mostrou que as redes cerebrais responderam em diferentes graus, de acordo com as expectativas e independentemente do analgésico. Ou seja: as expectativas foram determinantes para o resultado do tratamento.
8. Com o estímulo positivo, a efetividade do remédio aumentou. Com o negativo, foi anulada