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Opinião: crítica de "Perpetuum Mobile"

14 de agosto de 2010 0

Por Roger Lerina

A ótima seleção latina do 38º Festival de Gramado exibiu na quinta-feira à noite mais um destacado longa: o mexicano Perpetuum Mobile. Escrito e dirigido por Nicolás Pereda, o filme acompanha em um registro próximo ao do documentário o cotidiano de Gabino (Gabino Rodríguez), jovem que trabalha com um amigo em um caminhão de carretos na Cidade do México. O rapaz mora com a mãe e depara no trabalho com a agitada diversidade da vida urbana: gente que é despejada de casa, casais que se separam ou que se juntam, pessoas que se deslocam pela cidade sem muito propósito e de maneira errática. O mundo pulsa ao redor de Gabino – que, no entanto, não consegue sair do circuito medíocre de sua existência, sem conexão efetiva com a mãe, o irmão, o companheiro de trabalho ou a namorada, paralisado por uma espécie de inapetência existencial.

A grande ironia de Perpetuum Mobile é que seu protagonista imóvel trabalha com mudanças. O diretor Pereda coloca o personagem como observador da permanente inconstância do mundo contemporâneo – e a estagnação de Gabino em casa e no trabalho funciona tanto como denúncia da acomodação quanto crítica do frenesi moderno, que muitas vezes é apenas movimentação física carente de motivação, reflexão, sentimento. Perpetuum Mobile lança um olhar irônico e melancólico à cidade com a maior população do mundo, cujos moradores parecem só enxergar a si próprios e não conseguem ser tocados pelo outro de forma alguma – seja por carinho familiar, solidariedade, amizade, amor ou morte.

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