
Por Faniel Feix
Patrícia Moran e Ana Luíza Azevedo se cumprimentam entusiasmadas, enquanto Ana Carolina aproveita o reencontro com Suzana Amaral para pedir uma cópia de seu mais recente longa, Hotel Atlântico (2009).
– Não consegui ver o seu filme, Suzana – diz.
Foi em meio à muita correria, mas as quatro cineastas brasileiras se dispuseram a posar juntas para ZH e, logo depois, engatar um papo – até serem interrompidas por reuniões de júri ou, no caso de Patrícia e Ana Carolina, se preparar para subir ao palco do Palácio dos Festivais.
A primeira apresentaria seu longa Ponto Org na mostra competitiva. A segunda receberia o Troféu Eduardo Abelin – que havia definido, minutos antes, como um marco em sua extensa trajetória.
A rápida conversa teve início já sem a presença da homenageada da noite, com uma tentativa da reportagem de que se falasse sobre o ofício do ponto de vista feminino.
– Não, não. Isso é muito antigo – refutou Suzana, para em seguida fazer uma defesa do cinema de autor:
– Um problema grave do cinema brasileiro é que o mercado regula a nossa produção. As verbas estatais são destinadas sobretudo a quem consegue grandes bilheterias. Vivemos um massacre dos filmes mais autorais.
Ana Luiza ponderou que mesmo quem trabalha visando a se comunicar com públicos mais amplos enfrenta dificuldades para produzir. Suzana, a mais tagarela das quatro, ainda teve tempo para uma pequena confissão:
– Considero Hotel Atlântico o meu melhor filme, melhor ainda que A Hora da Estrela (1985). Só não entendo por que ele teve uma carreira tão efêmera nos cinemas. Sei que não é um trabalho para competir por espaço com Avatar, mas tinha potencial para fazer mais do que acabou fazendo.
Conheça
(da esquerda para a direita)
Ana Carolina Soares tem 66 anos e é conhecida por seus longas que abordam a alma feminina, sobretudo pela trilogia formada por “Mar de Rosas” (1977), “Das Tripas Coração” (1982) e ”Sonho de Valsa” (1987). Entre seus filmes mais recentes está o elogiado “Amélia” (2000). É a homenageada com o Troféu Eduardo Abelin
Suzana Amaral, 78 anos, dirigiu o multipremiado – em Brasília, Havana e até Berlim – “A Hora da Estrela” (1985), além de “Uma Vida em Segredo” (2001) e do recente “Hotel Atlântico” (2009), todos baseados em grandes obras da literatura brasileira. Integra o júri encarregado da distribuição de Kikitos aos longas brasileiros
Patrícia Moran, 49 anos, é mineira e tem carreira consolidada como curta-metragista – com títulos como “Clandestinos” (2001) e “Plano-Sequência” (2002), exibido no Festival de Berlim. Paulo César Pereio, o homenageado com o troféu Oscarito, está em seu primeiro longa, “Ponto Org” (2010), apresentado ontem à noite em Gramado
Ana Luíza Azevedo, 50 anos, é uma das fundadoras da Casa de Cinema de Porto Alegre. Foi assistente de direção de Jorge Furtado e assinou curtas como “Três Minutos” (1999), que integrou a seleção oficial do Festival de Cannes. Estreou na direção de longas com “Antes que o Mundo Acabe” (2009), premiado em Paulínia no ano passado
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