
O Inter venceu o vice-líder do Brasileirão (isso até o início do jogo) num jogo de desempenho irregular.
O primeiro tempo lembrou o do jogo com o Guarani. O time não mostrou bom futebol... Chutou pouco e demonstrou pouca inspiração na armação de jogadas. Mesmo assim, em uma das raras entradas na área do Ceará, descolou um penalti. Um a zero!!
Ainda falando da etapa inicial,e para não falar apenas dos defeitos - vi uma defesa mais sólida. Índio fez uma partida melhor do que em Campinas. D'Alessandro e Taison, se não estavam tão inspirados, pelo menos tiveram um bom desempenho em função da aplicação tática e da dedicação em campo.
É bom que se diga que o Ceará veio para praticar uma descarada retranca. O resultado inicial foi bom mas confesso que esperava mais da equipe, o que me deixou apreensivo para o segundo tempo.
Se Roth alterasse o posicionamento dos jogadores da mesma forma que fez na rodada anterior - levando-se em conta que jogava em casa e vencia - poderia se imaginar um resultado mais elástico.
Logo de início, na segunda etapa, o Inter veio para cima. Pressionou e numa jogada bem tramada chegou ao segundo gol. A partir daí, por estranho que possa parecer, é que as coisas se complicaram...
Quando Roth sacou Giuliano achei que ele havia feito uma boa modificação, pois o rendimento do jogador parecia abaixo do que ele costuma apresentar. O andamento do jogo mostrou que não era bem assim. Com a saída de Giuliano - e com as alterações do time do Ceará - o Inter perdeu completamente o domínio do meio-campo, coisa que até então não havia ocorrido na partida. O Ceará, que iniciara o jogo com a tal retranca, veio para cima do Inter e pressionou.
Num chute despretensioso que raspou em Wilson Mathias e fez com que Abbondanzieri se "atrapalhasse", o time cearense descontou e o jogo começou a ficar dramático para o Inter.
Quando vi Everton na beira do gramado pensei: Roth vai sacar um jogador que está inoperante no ataque e vai imprimir velocidade e voltar a pressionar com Taison e Everton... Então, mais uma vez o mistério que ronda o ataque colorado voltou a se manifestar. O Inter não alçava bolas na área. Não cruzava. O que seria mais lógico? Tirar o atacante que pouco havia feito durante todo o jogo: Alecsandro. Engano meu!
Saiu Taison, que havia sido o jogador que mais havia chutado!
Na boa, não é perseguição, mas uma jogada por volta dos 35 minutos foi emblemática. A bola caiu nos pés de Alecsandro no círculo central. A defesa cearense estava desarrumada. A frente dele, diretamente, apenas um defensor. O que faria qualquer atacante que se preze? Partiria para cima! Carregaria a bola, rumo ao ataque! Bem, Alecsandro recuou a bola. Ali mesmo, no círculo central, onde a recebeu. Não deu UM PASSO em direção ao ataque. A torcida demonstrou NA HORA o seu descontentamento. VAIA!
Sou contra a vaia durante o jogo, mas neste caso deu pra ver que foi uma reação à falta de... de... de ambição, para dizer o mínimo.
Está cada vez mais difícil explicar a permanência deste jogador na titularidade.
E querem saber o que é mais irônico? Na entrevista pós-jogo, Roth reclamou da falta de arremates...
Pergunto: DE QUEM É A FUNÇÃO DE ARREMATAR A GOL? Será que a deficiência que o treinador percebeu não está claramente recaindo sobre Alecsandro?
Relembro que Taison era, antes de sair de campo, o jogador que mais havia chutado. Então por que retirá-lo?
Ganhamos. Ótimo! Mas não podemos negar que fomos pressionados em pleno Gigante da Beira-Rio por um adversário que veio disposto a retrancar-se e foi quase que convidado pelo Inter a atacar.
Roth tem MUITO o que pensar e resolver... Mistérios a resolver...