Está complicado ter o que dizer...
O que restava de esperança - pouco mais do que um fio - de ainda conquistar uma vaga na seletiva da Libertadores caiu por terra numa vexatória derrota para outro postulante ao rebaixamento. O discurso da dignidade, que já era frágil e pouco convincente, passou como água embaixo da ponte.
A torcida vinha de uma semana onde a eleição acabou ocorrendo de forma indigesta.
Sobre isso, gostaria de deixar claro que NÃO SOU conselheiro. Não votei. Mesmo assim penso que a cláusula de barreira deveria ser reavaliada - quem sabe diminuída em percentual - de uma forma que eliminasse aqueles com pouca ou quase nenhuma representatividade. O que não é correto é mudar as regras do jogo para favorecer esse ou aquele grupo faltando uma semana para a eleição. Aí sim o CD se transformaria em uma bagunça.
A análise que cabe - frente a um resultado que impediu a votação do sócio - é que a situação UNIDA é que decidiu a eleição. Pela convicção de seus conselheiros no trabalho de Luigi e considerando que o futebol não poderia ser o único parâmetro de avaliação (ou pelo menos unicamente a campanha do Brasileirão), decidiram apoiar o candidato de sua chapa. Aliás, são 7 grupos de articulação política de apoio a Luigi.
Mas se alguém voltou sua raiva contra estes conselheiros, faço apenas uma referência ao ano de 2008 e proponho uma reflexão... Naquele ano, frente a possibilidade de não haver segundo turno, as oposições acharam por bem unirem-se e formar uma chapa de coalizão em torno de Cláudio Bier para confrontar as propostas da situação - Vitorio Píffero - à época.
O conselho estava - como hoje - bastante dividido e quando ocorreu a união das chapas de oposição, foi garantido o segundo turno. Em 2012, o conselho também estava dividido e em equilíbrio de forças. A prova está nos números. Luigi venceu com 166 votos dos 314 conselheiros presentes. A oposição teria garantido segundo turno com o número de votos somados - caso estivesse unida em torno de um candidatura. Ou seja, a oposição teve muita responsabilidade no fato de não haver segundo turno. Ninguém quis coalizão, união em torno de uma chapa ou composição de chapa. Foram 4 chapas de oposição. Cada uma fechada em sua proposta e todas absolutamente cientes de que dessa forma as chances de segundo turno seriam pequenas.
Antes que venham me criticar por "defender" a situação, pensem se não estava também nas mãos da oposição a possibilidade de forçar o segundo turno?
Com isso quero dizer APENAS que a responsabilidade nas decisões é do conselho e de TODAS as chapas. Ninguém abriu mão de suas convicções. E no frigir dos ovos, isso também faz parte da democracia...mesmo com a indesejável situação da ausência dos sócios no processo. Tivessem feito como 2008 e estaríamos debatendo propostas...
Mas voltando ao futebol, é imperioso que se anuncie uma repaginação nesse departamento. A tentativa de renovação, definitivamente, não funcionou. Ganhamos do Atlético Mineiro com um time semi-improvisado. Perdemos para a Ponte Preta com Damião, Forlan, Dale e Fred em campo... A lógica se esvai e a capacidade de compreensão do torcedor chega ao seu limite!
Se é que não existe problema de vestiário, pode-se dizer - no mínimo - que a química não rolou. Ou os jogadores não fazem o que Fernandão orienta ou o que ele orienta não funciona. Em ambos os casos, as peças já deram sinais de desgaste e mal funcionamento.
Luigi sabe que precisa de uma intervenção urgente no departamento de futebol, e numa direção oposta à renovação. Ou seja, a opção deve recair sobre uma comissão técnica experiente e vitoriosa. Um treinador que tenha empatia com a torcida e inspire confiança. Não existe outro caminho.
2012 foi um ano difícil para a torcida colorada. De pressão e mais pressão! Obras, luta para manter jogadores, mais obras, boataria de ídolos colorados debandando para o Grêmio, chineses levando D'ale, interdição do estádio...... e, por fim, um Brasileirão pra se esquecer. Espero que 2013 traga melhores ventos!!!
E espero, mais ainda, que todas as chapas - situação e oposição - se unam em torno do Inter! O clube conquistou seus maiores feitos UNIDO. A pior notícia do ano foi a irremediável perda dessa união.