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"Meu nome é Martin Bugreiro", por Letícia Weigert

19 de abril de 2013 1

“Meu nome, Martim Bugreiro, assim me chamam os da terra. Nascido de Bom Retiro, vivente de mar e serra. Ciência tenho de tiro e minha arma não emperra”.

Índios Xokleng ladeados por visitantes alemães.

Assim a literatura descreve Martim Bugreiro, o maior e mais famoso exterminador de índios da região. Na segunda metade do século XIX, matar índios era uma profissão de respeito, pois garantia a paz dos colonizadores. E foi assim que as comunidades de índios Xokleng (ou botocudos), que viviam em terras entre os municípios de Lages, Rio do Sul e Blumenau foram completamente dizimadas no mais sangrento e brutal processo de colonização.

São muitas as histórias de confrontos entre índios e brancos. Em Taquaras, viveu a índia Sophia. Conta a história que Martim Bugreiro teria matado seus pais, trazendo para a colônia a indiazinha e seu irmão mais velho. O menino, não se adaptara à vida entre os brancos e acabou sendo morto.

A menina, muito pequena, recebeu o nome de Sophia. Aprendeu a comer a comida dos brancos, tomava banho e até foi batizada. Ela sobreviveu ao massacre dos índios, mas acabou assistindo de longe o extermínio do último bando que se tem notícia na região. Sophia morreu há pouco mais de quarenta anos e está enterrada no cemitério da Igreja Evangélica Luterana em Taquaras.

Sou uma apaixonada pelas histórias dos índios contadas pelos mais velhos. Duas grutas onde os bandos passavam a noite para proteger-se da chuva e do frio ficam pertinho da minha casa.

De vez em quando, encontramos aqui no sítio mesmo ferramentas feitas de pedras. Meus filhos gostam de andar pelo cemitério (que criança não gosta disso?) e eu me emociono quando eles reconhecem o túmulo da índia Sophia e pedem para contar as histórias dos “bugres”.

Caverna da trilha ecológica do Lachares em Taquaras- Rancho Queimado: antigo paradeiro protegido dos bugres.

Hoje é dia do índio. Hoje é dia de reflexão. Não dá pra mudar a história e transformar o triste fim dos índios Xokleng. O que podemos fazer é mudar o começo da nova história.

Comentários (1)

  • Marcelo Santos diz: 24 de abril de 2013

    Em relação ao belíssimo artigo escrito por Letícia Weigert, se ela me permitisse, o blog me autorizasse e o Cantor e Compositor Belchior deixasse, eu gostar de fazer abaixo um adendo, com uma das tantas e maravilhosas composições dele que fala desse genocídio:

    Quinhentos Anos de Que?
    Belchior

    Eram três as caravelas
    que chegaram alem d`alem mar.
    e a terra chamou-se América
    por ventura? por azar?

    Não sabia o que fazia, não,
    D. Cristóvão, capitão.
    Trazia, em vão, Cristo em seu nome
    e, em nome d`Ele, o canhão.

    Pois vindo a mando do Senhor
    e de outros reis que, juntos,
    reinam mais…
    bombas, velas não são asas
    brancas da pomba da paz.

    Eram só três caravelas…
    e valeram mais que um mar
    Quanto aos índios que mataram…
    ah! ninguém pôde contar.

    Quando esses homem fizeram
    o mundo novo e bem maior
    por onde andavam nossos deuses
    com seus Andes, seu condor ?

    Que tal a civilização
    cristã e ocidental…
    Deploro essa herança na língua
    que me deram eles, afinal.

    Diz, América que es nossa.
    só porque hoje assim se crê
    Há motivos para festa?
    Quinhentos anos de que?

    Fonte: http://letras.mus.br/belchior/350410/

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