Autor do livro Goleiros, Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1 (Editora Alameda, 320 páginas, preço médio de R$ 48), Paulo Guilherme de Moraes Ramos de Oliveira conversou com o blog 90 Minutos.
Jornalista, 36 anos, trabalhando atualmente no jornal Jornal da Tarde, editado na capital paulista, Paulo Guilherme fala dos melhores goleiros do Brasil, escolhe o seu goleiro da Copa da Alemanha e, não satisfeito, escala até mesmo os dois reservas da Seleção Brasileira.
Leia e saiba um pouco mais sobre os goleiros, tão malditos que pisam num lugar onde a grama morre mais rapidamente, mas tão benditos que podem defender um pênalti na hora da decisão:
90 minutos – Por que escrever um livro sobre goleiros?
Paulo Guilherme – Fiquei muito surpreso quando descobri que não havia uma bibliografia específica sobre o tema, não um livro sobre fundamentos e treinamentos de goleiros, mas um livro sobre a história da posição, de como o futebol evoluiu em função do desenvolvimento do goleiros (regras, uniformes, tecnologia). Era para ser um livro sobre o Taffarel, mas resolvi ampliar o tema depois que percebi que não apenas o Taffa, apesar de tudo o que fez pela Seleção e pelo futebol brasileiro, não tinha o devido reconhecimento no país. Batatais, Lara, Barbosa, Oberdan, Gilmar, Félix, o próprio Dida é muito questionado, enfim, quem são esses grandes homens, e outros nem tão famosos - Borrachinha, Marolla, Tuffy, Jaguaré - que viveram aventuras incríveis dentro e fora de campo.
90 Minutos – Hoje a gente percebe que o goleiro é o grande líder de uma equipe.
Guilherme – Ele é o que passa mais tempo no clube (os jogadores de linha ficam um ano e já são negociados), acaba virando o elo de ligação entre a torcida e o time. Rogério Ceni/São Paulo, Marcos/Palmeiras, Fábio Costa/Santos, Júlio César/Flamengo, Clemer/Inter, Danrley/Grêmio, são alguns exemplos.
90 minutos – Quem foi o maior goleiro de todos os tempos no mundo?
Guilherme – Não procurei no livro falar quem foi o melhor, nem o pior... (risos). Dizem que o melhor do mundo foi o Yashin. E o próprio Yashin dizia que o melhor do mundo era o Gilmar dos Santos Neves. Por isso o capítulo que fala dos dois chama-se Os deuses da meta. Pelo que pude pesquisar, Planicka, da Checoslováquia, Copas 1934 e 1938; Grosics, Hungria, Copa de 1954; Maier, Alemanha, 1974; Zoff, Itália, 1982; Leão, Brasil, 1974 e 1982, e Taffarel, Brasil, 1990/94/98 estariam na seleção dos melhores.
90 minutos – Cite três grandes goleiros da história do Brasil.
Guilherme – Marcos Carneiro de Mendonça, goleiro da primeira formação da Seleção Brasileira, em 1914, foi também o primeiro ídolo do futebol brasileiro, antes mesmo que o Friedenreich.
90 Minutos – E os outros?
Guilherme – Waldir Peres, goleiro da Copa de 1982, perdeu apenas um jogo em sua carreira na Seleção. A única derrota em 30 jogos foi para a Itália de Paolo Rossi. Foi o único jogo que Waldir tomou mais de um gol. Taffarel... 18 jogos de Copa do Mundo, todos com ótima atuação. Goleiro que mais tempo ficou sem sofrer gols na Seleção Brasileira (830 minutos). Goleiro que acabou com o trauma do Brasil em não ter um goleiro de confiança e deu o devido respeito à posição lá fora. Hoje, os principais times do mundo tem um brasileiro como camisa 1.
90 minutos – Dá para citar outros?
Guilherme - Não dá para deixar de citar Gilmar, Castilho, Leão e Barbosa entre os melhores.
Postado por Luiz Zini Pires



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