O hooligan sumiu dos estádios ingleses. Nasceu nos anos 60, teve seu pico nos 70 e desapareceu na década de 80. Ele é tão britânico quanto à cerveja preta encorpada. Ninguém sabe de onde saiu o termo hooligan. Especula-se que seria o sobrenome de um irlandês de maus bofes que vivia complicando a vida dos londrinos do começo do século.
As brigas no futebol começaram junto com o futebol. Os hooligans se organizavam em firmas. As firmas brigavam em nome de um clube, praticavam pequenos assaltos, usavam armas brancas e se pareciam com delinqüentes de 30 anos para baixo. Eles mataram e morreram em nome da rainha em diferentes países da Europa. Ainda são odiados.
Na Inglaterra, seus inimigos podiam ser qualquer um, desde que vestissem a cor errada. Fora, o alvo preferencial eram os alemães. Não foram eles que bombardearem Londres? Assim, eles estavam prontos para começar a 3ª Guerra Mundial em qualquer lugar, a qualquer hora.
O Estado ainda luta contra eles e as firmas sobrevivem aprontando antes e depois dos jogos. Durante os 90 minutos, dentro do estádios, não há mais perigo. Eles foram banidos. Foram fichados pela polícia que, depois de unir inteligência e novas tecnologias, os tirou de circulação em dia de jogo – ou ele vê o jogo de casa, chutando parede, ou está detido numa delegacia, pintando uma cela, ou ainda fazendo serviços comunitários, capinando um jardim.
Hooligan não entra mais em estádio porque a polícia sabem quem é quem, onde vivem e o que fazem. A polícia fez o simples. Afastou os maus dos bons e os estádios locais voltaram a ser freqüentados por mulheres e crianças.
O futebol inglês renasceu nos anos 90. O estádio é um local de família.
Postado por Zini, POrto Alegre
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