
Gosto da idéia da imortalidade que envolve o Grêmio em determinados momentos da sua história. Quem tem futebol no sangue, ou já deixou sangue na grama, gotas ou mais, deve gostar também. Mostra que a torcida está abraçando forte os seus jogadores. Que confia, apoia e não vaia um jogador sequer, mesmo o do gol contra (caso aconteça).
A imortalidade não é propriedade de ninguém e envolve equipes de futebol em distintos momentos. O Inter da Libertadores foi imortal, o do jogo com o Barcelona foi mais. O São Paulo que superou o Liverpool no Japão, o Palmeiras de Felipão na Libertadores do final dos anos 90. Todos venceram jogo impossíveis.
O Liverpool, que joga hoje em Atenas, por exemplo, perdia de 3 a 0 para o Milan na decisão da Liga dos Campeões de 2005. Fez três gols no segundo tempo, ganhou nos pênaltis numa das jornadas mais espetaculares da história do futebol mundial. O Grêmio dos Aflitos é uma façanha.
O futebol envolve o sobrenatural, as orações, os terços, as medalhas, as imagens sacras, os despachos, as encruzilhadas e todas as mães e pais de santos. A mão invisível que afasta a bola do cantinho do gol, o montinho artilheiro que se transforma no 12º jogador. No futebol nada é impossível. O futebol, você já ouviu, leu, viu e comprovou mil vezes, é mágico.
No caso do Grêmio, a palavra %22imortalidade%22 está cravada em bronze no hino do clube e significa eterno, memorável, perpétuo, inolvidável. É um termo que vai e volta, dependendo do momento do Grêmio. É uma palavra cultivada, adubada, viva, brasa, nunca cinza. Quase apagou no fatídico ano pré-Segunda Divisão, renasceu no jogo em Recife, no dia 26 de novembro de 2005, inflou como benção no primeiro semestre de 2007.
A torcida tricolor escancara a palavra como estandarte, como chave da fortuna, como mantra, como escudo contra o mal. Mas nada pode ser especial, único, imortal, se, dentro de campo, os jogadores não fizerem a diferença. Eles precisa correr por dois, lutar por quatro e enfrentar o adversário como se fossem cem. A imortalidade pode começar no hino, iluminar os fãs e insuflar as arquibancadas. Mas morre ainda no fosso, antes de tocar na grama marcada a cal, se não encontrar, contagiar, alucinar, 11 guerreiros fardados.
Postado por Zini, Porto Alegre
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