O telefone toca na redação da ZH. Uma, duas, três vezes. Desligo o iPod, perco a música do bardo irlandês Van Morrison e a concentração no texto que estou escrevendo sobre a biografia de João Havelange. Levanto o fone e ouço
- Alô, aqui é o fulano do site tal, tudo bem, quero saber quem é o melhor, Nilmar e Pato. Qual a sua opinião?
Eu digo alô, penso cinco segundos e respondo sem respirar:
- É covardia avaliar os dois neste momento. Pato só treina. Nilmar fez domingo sua primeira partida em sete meses. O primeiro tem apenas 18 anos recém feitos. O outro já soma 23. Meia década de experiência separa um do outro. Em cinco anos, Nilmar mostrou que tem potencial para servir a Seleção. Pato precisou de apenas alguns meses.
Eu respiro, ouço um sim do outro lado e vou adiante:
- Os dois são jogadores terminais, matadores, goleadores. A diferença é que enquanto Pato é um jogador mais individualista, mais propenso ao lance genial, Nilmar é mais solidário na hora do passe, embora capaz de grandes jogadas também.
- Sim – ele atalha – que é o melhor?.
- Não há um melhor/pior. Pato ainda precisa de uma boa seqüência de jogos no Milan, a partir de janeiro, para saber como vai ser a sua performance no clube que tem uma das torcidas mais exigentes da Europa. Qualquer análise é prematura, superficial e injusta.
O homem do telefone não se mostrou muito satisfeito, murmurou algo, que eu não entendi bem, agradeceu e desligou. Perdi meu tempo. Ele o dele. Não sei qual a sua avaliação. Qual? A minha você já sabe.
PS: quarta-feira, 13h, em zerohora.com é dia do meu chat semanal. Apareça e pergunte. Você será bem-vindo.
Postado por Zini, Porto Alegre
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