O Grêmio foi nota 6 na estréia do Gauchão (3 a 0, 15 de Novembro). Ganhou um mísero 3 no empate com o Sapucaiense (1 a 1). No seu terceiro jogo, com o Santa Cruz (1 a 0), ficou no 4 sem louvor.
Os erros foram quase os mesmos do jogo do meio da semana, no Vale do Sinos, problemas no meio da zaga, nas alas, na articulação e no ataque. Os acertos foram raros, um deles a afirmação de William, o outro, o bom futebol de Eduardo Costa, a performance de VIctor. A vitória foi justa. O futebol foi decepcionante. O ataque ficou mudo outra vez.
Antes de tudo, falta talento ao Grêmio do sincero Vágner Mancini. Faltam qualidade, bons jogadores, seqüência de jogo ao time. Alguns poucos torcedores vaiaram o time. Bobagem! Não é hora. “São os torcedores profissionais”, como dizia Nelson Rodrigues. Torcedores de resultados, gente sem alma, sem a real compreensão do futebol. Muitos elegem como alvo errado jogadores recém saídos das categorias de base.
O Grêmio está construindo um novo time, a arquitetura leva tempo. O time de hoje não será o verdadeiro time de 2008. Mas com 270 minutos de futebol na nova temporada é possível observar:
1) Falta acabamento ofensivo aos dois laterais quando eles se transformam em alas. O cruzamento é ruim, o passe também, o lançamento pior ainda. Paulo Sérgio destoa. Jogo se ganha pelos lados do campo, especialmente com adversários fechados.
2) O meio-campo carece de um articulador, não o 10 cerebral, porém meio lento dos velhos tempos. Mas um jogador moderno, veloz e participativo, capaz de servir de garçom, mas, ao mesmo tempo, encorpar o setor de marcação.
3) A dupla Reinaldo/Tadeu não combina. São muito parecidos, não têm o drible, o dom da tabela e a jogada pessoal e qualificada. Em três jogos, apenas Tadeu fez gol, e de pênalti. Em três jogos, cinco gols, apenas um nasceu dos pés de um atacante. Será que um garoto da base não faria igual ou melhor?
4) Peter é atacante, no máximo segundo atacante. Não consegue completar o papel de organizador, de articulador. Não é, nem gosta. Suas três partidas não o recomendam.
5) Jonas tem mais de meio ano de clube. É segundo atacante, mas não faz gol, nem assiste. É baixo e só aparece nas jogadas laterais, com dribles laterais, quase sempre ineficientes. Não tem qualidades para ser titular.
6) William, o Magrão, foi o melhor em campo em duas das três partidas. Fez dois gols, é o goleador da equipe, tem controle de bola, sabe sair jogando e pode ser o segundo volante. Gosto da sua movimentação, da sua marcação, da sua chegada na área adversária. Mas ele ainda erra passes fáceis pela natural afobação da inexperiência e, ás vezes, segura a bola de mais do meio campo. Ali, é pegar e tocar, pegar e tocar. Se segurar, perde, Sofre a falta.
7) Vágner Mancini insiste em jogar com quatro atacantes, com dois deles, Peter e André Luiz, ajudando o meio-campo. Não funciona. É um sistema tático de antigamente. Não vai funcionar com adversários mais qualificados. Vai perder o setor e o jogo. O único time que consegue jogar com quatro no ataque é o Manchester United porque é dono de quatro craques.
André Luiz, que foi bem na estréia, caiu nos dois jogos seguintes. Funciona melhor nas jogadas ofensivas. Tem certa dificuldade para atuar no meio-campo.
9) Victor ainda deve enfrentar ataques mais qualificados. Mas é um goleiro que ainda precisa entender que mudou de cidade, estado e clube. Abusa do balão, favorece o adversário. Precisa sair jogando com as mãos. Já fez boas defesas, é seguro e sai bem do gol. É promessa.
10) Um dos problemas mais sérios do time é a falta de retenção da bola no meio-campo. O setor marca, mas não cria. Não organiza as jogadas, não serve os atacantes, não faz a bola rodar. Em certos momentos, os jogadores insistem nas ligação direta entre defesa e ataque.
Postado por Zini, Porto Alegre
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