Depois de tocar o Céu, encontrar o Paraíso, golear o inimigo número 2, (Juventude, 8 a 1), levantar o título gaúcho, após dois anos de jejum, o Inter mergulhou nas seus piores 100 horas de 2008. Levou um fundaço na Copa do Brasil, 3 a 1, em Recife. Caiu outra vez em São Paulo, 2 a 1 ante o Palmeiras.
Na segunda rodada do Brasileirão, o Inter, um dos favoritos ao título segundo boa parte dos cronistas esportivos do país inteiro, é apenas um modesto 11º colocado _ mais fragilizado, o Grêmio é um surpreende sexto.
Sem exibir bom futebol longe da sua massa vermelha, depois de sucessivas derrotas para Juventude, Paraná, Sport e Palmeiras (1 a 0 contra o Juventude (que já havia feito 3 a 0), 2 a 0 diante do Paraná, 3 a 1 frente ao Sport e, por último, o 2 a 1 para o Palmeiras), a direção do Inter prefere culpar os árbitros por todas as derrotas. Abel Braga faz coro.
Claro que a explicação é simplista, rasa. Retira dos ombros dos dirigentes todas as culpas. Marcelo de Lima Henrique (RJ) viu um pênalti em Valdivia que apenas os palmeirenses confirmaram. Erro, mas acertou a expulsar o violento Edinho, mais Guiñazu.
O que se viu num quase oco Parque Antártica, na noite de domingo, foi um Inter prejudicado pela atuação peladeira de Edinho, que acertou o tornozelo de Valdivia na frente do juiz. Foi mal o volante, desequilibrou todo o time, ajudou o adversário. Jogador experiente não age assim. Com 10, o Inter perdeu o controle do jogo e podia ter sofrido uma goleada no primeiro tempo. Índio salvou, fez 1 a 1 mas o pênalti destroçou os gaúchos.
Olhando o futuro, o Inter busca o Flamengo, sábado, no Maracanã. Será outra vez um time descaracterizado, sem Edinho e Guiñazu, parte da sua força defensiva. O Inter tem atuado sem os seus melhores 11, quando os tem, um é expulso, como domingo passado.
O Inter tem sérios problemas nas duas laterais. Fernandão anda jogando muito recuado e pouco, Alex anda omisso e não chuta mais ao gol com a regularidade de semanas atrás. Nilmar é um ser isolado no ataque, joga longe da área e só recebe lançamentos longos ou bolas para dividir com os zagueiros.
Abel Braga tem um pouco de culpa. Seu Inter poderia estar melhor organizado.
O vibrante Inter do Beira-Rio não é mesmo quando embarca num Boeing e joga fora. O Maracanã será um bom teste. Se perder outra vez, aí sim, os árbitros serão postos de lado. Abel e os seus precisarão de todas as explicações do mundo para explicar outra derrota.
O grupo de jogadores do Inter é qualificado. Seus salários são alguns dos maiores do país. A expectiva da torcida era enorme. O Inter começa o Brasileirão devendo futebol, ainda impactado pelo fracasso na Copa do Brasil.
Postado por Zini, Porto Alegre
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