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Posts do dia 15 setembro 2008

Os sete pecados do Grêmio no returno

15 de setembro de 2008 53

A sensação é péssima entre os gremistas na semana dos seus 105 gloriosos anos. O Goiás estragou o humor geral, apagou as velas antes do tempo. Roubou três pontos que estavam no papo, na conta, em todas as projeções.

 

Três não é quase nada, mas parece muito, uma demasia, quando a matemática informa que nos últimos seis jogos, 18 pontos, o Grêmio encontrou apenas oito pontos, seis deles no Estádio Olímpico. Pensando em 18, mas tocando em nada mais do que oito, duas vitórias, dois empates, o Grêmio é o retrato acabado e definido de um time em aparente declínio, embora ainda se segure na liderança com três pontos.

Os seus adversários deixaram de finaciar a liderença gremista. O Grêmio precisou fazer o próprio trabalho na últma rodada, a 25ª. Não conseguiu.

Não sou eu que estou afirmando. É a tabela do Brasileirão que manda informar que a campanha no segundo turno já é apenas a 10ª melhor, que o aproveitamento caiu de 72% para 44%. Por outro lado, a recuperação é possível, o Atlético PR, mesmo em casa, é um time do fundo da tabela. É até possível imaginar uma vitória tricolor. Prever, não.

O Grêmio atolou no pântano da irregularidade, o mesmo terreno que fez afundar um a um todos os outros 19 integrantes da Série A em determinado momento da competição. Sábado foi a vez do Grêmio enfiar sua 4x4 na área pantanosa, patinar, ficar. Atolar.

Os problemas são sete. Você concorda. Caso contrário, mande a sua versão. O caminho você sabe:

1) Celso Roth está perturbado com a ação da Polícia Federal. É óbvio, é lógico. Está desenhado no seu semblante. Ninguém fica tranqüilo com a PF rondando. Antes do caso vazar, Roth já vacilava em algumas formações, insistia com jogadores que não estavam dando certo, usava Amaral e não Adilson, escalava Souza em lugares equivocados, deixava Soares no banco. A recuperação do Tricolor passa pela tranqüilidade de Roth, pela manutenção do 3-5-2, pela troca dos alas, pela volta de Perea, por um centroavante goleador.

2) Souza entrou no time quase por decreto. Roth anunciou a sua titularidade, mas não ofereceu ao jogador um número prévio, uma função. Sempre que jogou, Souza entrou na função errada. Não pode ser segundo atacante, não poder jogar como segundo volante. Ele marca pouco, quase nada, apesar da vontade. Pode jogar no lugar de Tcheco, quando articular não estiver bem. Mas ele é reserva. E ponto final. Alguém disse um dia que Souza é craque. Não é. É bom jogador apenas.

3) Victor é um exemplo da queda gremista. Foi apontado como o melhor goleiro do país (e é bom mesmo), citado pela revista Placar como um dos destaques do campeonato, mas foi responsável direto pela derrota de sábado, entre outras duas. Quando ele jogava acima da média, a defesa sobreviveu, o time ganhou ou empatou. A queda de Victor levou o Grêmio junto. É preciso saber o que está acontecendo com a maior revelação do gol gremista os últimos anos

4) O Grêmio tem quatro alas/laterais. Três decepcionaram, Paulo Sérgio, Anderson e Hélder. Matione ainda não foi bem testado. No esquema 3-5-2, os laterais são alas, meias e ponteiros. Precisam fazer as três funções. Não completam as três, falham especialmente na jogada ofensiva de qualidade, o cruzamento, o passe, as que geram situações de gol. Roth precisa encontrar um solução com certa urgência, apelar para a improvisação, já que os especialistas não conseguem fazer o seu trabalho com competência.

5) O meio-campo está certo, definido, testado e aprovado. Forma com Rafael Carioca, William Magrão e Tcheco. Sem Magrão, Roth recua Tcheco e assim muda o time em duas posições, perdendo apenas um jogador. Sem o trio, unido e afiado, a tendência é cair mais. Ortman podia ser uma opção para a segunda função, Adilson para as duas primeiras.

6) Perea faz falta. Marca como poucos a saída de bola, faz gols eventuais e ainda serve como garçom. Não é o melhor da praça, mas é o melhor do Olímpico na função. Deveria compor o ataque com Reinado. Morales é uma opção. Não entendi porque o uruguaio não ficou no banco. Ele poderia, pelo menos, atuar 20 minutos contra o Goiás, na hora do desespero, do bota a bola na grande área e vamos ver no que dá. Marcel anda brigado com o gol.

7) A eleição presidencial começa influir nos bastidores do Grêmio. A data é equivocada. Fazer uma eleição na parte mais quente do maior campeonato do país é um erro estratégico. É perder o foco. Dezembro seria o mês ideal.

 

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Inter reabre a porta do seu futuro

15 de setembro de 2008 27

Dos 90 minutos de Rio, na grama estragada pela Seleção de Dunga, permaneceu um certeza quase absoluta. O Inter que venceu o Botafogo, um dos quatro melhores da competição, quebrando uma invencibilidade de 11 jogos do adversário, pode mais. Junto, fica uma pergunta simples, comum, na boca de todos. Por que o time não joga sempre assim? Ou ainda melhor: Por que o time não consegue manter a regularidade das equipes que vencem, que podem mais, que lutam por títulos. O Inter de Tite é um enigma.

 

O Inter do Engenhão foi uma beleza de se ver. Defendeu em bloco, atacou em grupo. O coletivo fez o seu melhor papel. As individualidades espantaram os botafoguenses, Ah, se o Inter jogasse sempre com a vontade, a determinação e o talento individual de Guiñazu.

O Inter não seria invencível, porque nem o campeão europeu Manchester United consegue. Mas não perderia com tanta freqüência. Venderia as derrotas em euros, não em pesetas. Guiñazu jogou uma partida espetacular, por certo um das suas mais brilhantes no clube. Seu conterrâneo D’Alessandro não brilhou, mas foi decisivo. Ajudou a criar o primeiro gol, de Alex, marcou o segundo.

O que foi possível observar em campo, de longe: o grupo parece mais unido, mais interessado, mais trabalhador. Observei os jogadores comemorando muito os gols, o time inteiro querendo se abraçar. Sinal que as desavenças de vestiário podem estar superadas, abafadas, derrotadas - ou quase.

Os três pontos se somam aos três da semana passada (Portuguesa). São seis em dois jogos, o que ajuda a somar 36, o que deixa os colorados sonhando outra vez com uma vaga na Copa Libertadores, um posto concreto no G-4.

A segunda vitória consecutiva em dois jogos motivam, deixa Tite mais tranqüilo, a direção mais segura, os jogadores mais interessados. Deixa os vermelhos olhando o futuro com nova euforia, pois os dois próximos jogos são no Beira-Rio: Vitória e Grêmio. Mais seis pontos, algo difícil, mas nada impossível, ofereceriam novas credenciais ao Inter. Se no topo o Brasileirão está aberto, no G-4 mais ainda.

Ainda é cedo para dizer que o Inter encontrou seu futebol, embalou. Mas o Botafogo, um dos times mais promissores da competição, sentiu o poder, a força, a determinação gaúcha. O que ele faz (poded fazer) quando está realmente interessado, unido em busca da vitória. O Inter do papel saiu do papel. O futuro está aberto.

Postado por Zini, Porto Alegre

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