O Gre-Nal amordaçou o Grêmio temporariamente. Torpedeou, mas ainda não afundou, as mais bravas esperanças tricolores. Foi um pedágio em estrada ruim (como as nossas) na vida dos azuis.
O clássico rebaixou o time da liderança, o colocou atrás do Palmeiras, a menina dos melhores olhos dos paulistas. Os que abandonaram o bicampeão São Paulo e agora imaginam que o verde possa dominar o futebol nacional. Ninguém sabe como o Grêmio pode se portar no seu próximo jogo (Botafogo). É puro e grande mistério. Vejo três possibilidade:
- 1) O time apático, sem inspiração ofensiva, torto na marcação, carente de organização, como o de domingo passado.
- 2) A demolidora equipe que virou o turno, ganhando em Porto Alegre e fora com a mesma disposição, jogando como líder absoluto.
- 3) Um novo e surpreendente Grêmio, reforçado e remoçado, remotivado e refeito, disposto a recuperar a primeira colocação aos poucos, mas com segurança nos próximos quatro jogos.
O Grêmio vem se arrastando no segundo turno do Brasileirão. A destemida equipe da primeira fase sucumbiu, levou junto seu futebol, seus valores individuais. Outros times cresceram, o gaúcho estacionou, depois murchou. As razões da queda são inúmeras, desde a falta de aptidão do treinador, passando pela queda de produção coletiva e individual, até o comportamento dos dirigentes.
Depois de semanas se perdendo pelos gramados nacionais, empatando no Maracanã com o lanterna Fluminense ou perdendo no Olímpico para o Goiás, a direção decide calçar as chuteiras e entrar em campo, depois de tomar o vestiário e sacudir Celso Roth.
A decisão de concentrar os jogadores com grande antecipação lembra jogos ultra decisivos. Faz o fã imaginar que o problema era apenas falta de atenção, foco, determinação dos jogadores. Ao chamar quase três dezenas de atletas para dormir fechados em um hotel quatro dias antes do jogo com o sempre perigoso Botafogo, a direção está mandando um recado curto e grosso. Avisando que o momento é outro, é grave, é definitivo.
Se ela paga os salários e os prêmios em dia, oferece as melhores condições de trabalho, todos precisam jogar como estavam jogado. Não pede ou exige milagres, portanto. Quer apenas repetir atuações de 40 e poucos dias atrás, mas agora a aceleração precisa ser maior e o futebol mais competente. Os adversários melhoraram, a competição ficou mais acirrada, a gordura da liderança desapareceu.
Se a superconcentração se mostrar ineficiente, se a apatia dos últimos jogos persistir, o perigo dobra. O cartucho dourado da concentração larga, longa e antecipada, tática brasileira por excelência, é uma só. Não funciona duas vezes, nem três. Não dando certo no primeiro jogo, com o Botafogo, nem adianta repetir. Nem insistir.
Futebol brasileiro é engraçado (não fosse ás vezes trágico). Uns acham que é preciso supermotivar os jogadores com vídeos, palestras, fotos de parentes, páginas de jornais velhos, como se eles não fossem suficientemente motivados por altos salários, pela glória do título e pela competição. Outros entendem que espichados retiros em hotéis estrelados com ar de quartel ganham jogo (os europeus quase não concentram mais), como se dois dias de sono reparador e fortes sessões de treinamento físico/tático/técnico não pudessem resolver a questão anímica.
Eternas concentrações sempre estafam os jogadores. Por mais que digam sim, eles gostaria de falar não os que os ordenam. O mais fácil seria descobrir a verdadeira causa da queda do Grêmio e atacá-la de uma vez e sem dó. Trocar os jogadores que andam jogando abaixo da média, apostar nos reservas e jogar.
O problema talvez nem seja coletivao, mas individual. Trocando quatro ou cinco peças, o time pode começar a jogar outra vez. Não como antes. Mas com bola para superar o adversário carioca. Só que, antes de qualquer coisa, o treinador precisa ver o que está funcionando e não sucumbir abraçado com quem jogou bem num passado recente, mas não consegue performances satisfatórios no nosso caro presente.
Postado por Zini, Porto Alegre




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