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Posts do dia 2 outubro 2008

O Grêmio que emerge do longa e duvidoso retiro

02 de outubro de 2008 28

O Gre-Nal amordaçou o Grêmio temporariamente. Torpedeou, mas ainda não afundou, as mais bravas esperanças tricolores. Foi um pedágio em estrada ruim (como as nossas) na vida dos azuis.

O clássico rebaixou o time da liderança, o colocou atrás do Palmeiras, a menina dos melhores olhos dos paulistas. Os que abandonaram o bicampeão São Paulo e agora imaginam que o verde possa dominar o futebol nacional. Ninguém sabe como o Grêmio pode se portar no seu próximo jogo (Botafogo). É puro e grande mistério. Vejo três possibilidade:

  1. 1) O time apático, sem inspiração ofensiva, torto na marcação, carente de organização, como o de domingo passado.
  2. 2) A demolidora equipe que virou o turno, ganhando em Porto Alegre e fora com a mesma disposição, jogando como líder absoluto.
  3. 3) Um novo e surpreendente Grêmio, reforçado e remoçado, remotivado e refeito, disposto a recuperar a primeira colocação aos poucos, mas com segurança nos próximos quatro jogos.
  4.  

O Grêmio vem se arrastando no segundo turno do Brasileirão. A destemida equipe da primeira fase sucumbiu, levou junto seu futebol, seus valores individuais. Outros times cresceram, o gaúcho estacionou, depois murchou. As razões da queda são inúmeras, desde a falta de aptidão do treinador, passando pela queda de produção coletiva e individual, até o comportamento dos dirigentes.

Depois de semanas se perdendo pelos gramados nacionais, empatando no Maracanã com o lanterna Fluminense ou perdendo no Olímpico para o Goiás, a direção decide calçar as chuteiras e entrar em campo, depois de tomar o vestiário e sacudir Celso Roth.

A decisão de concentrar os jogadores com grande antecipação lembra jogos ultra decisivos. Faz o fã imaginar que o problema era apenas falta de atenção, foco, determinação dos jogadores. Ao chamar quase três dezenas de atletas para dormir fechados em um hotel quatro dias antes do jogo com o sempre perigoso Botafogo, a direção está mandando um recado curto e grosso. Avisando que o momento é outro, é grave, é definitivo.

Se ela paga os salários e os prêmios em dia, oferece as melhores condições de trabalho, todos precisam jogar como estavam jogado. Não pede ou exige milagres, portanto. Quer apenas repetir atuações de 40 e poucos dias atrás, mas agora a aceleração precisa ser maior e o futebol mais competente. Os adversários melhoraram, a competição ficou mais acirrada, a gordura da liderança desapareceu.

Se a superconcentração se mostrar ineficiente, se a apatia dos últimos jogos persistir, o perigo dobra. O cartucho dourado da concentração larga, longa e antecipada, tática brasileira por excelência, é uma só. Não funciona duas vezes, nem três. Não dando certo no primeiro jogo, com o Botafogo, nem adianta repetir. Nem insistir.

Futebol brasileiro é engraçado (não fosse ás vezes trágico). Uns acham que é preciso supermotivar os jogadores com vídeos, palestras, fotos de parentes, páginas de jornais velhos, como se eles não fossem suficientemente motivados por altos salários, pela glória do título e pela competição. Outros entendem que espichados retiros em hotéis estrelados com ar de quartel ganham jogo (os europeus quase não concentram mais), como se dois dias de sono reparador e fortes sessões de treinamento físico/tático/técnico não pudessem resolver a questão anímica.

Eternas concentrações sempre estafam os jogadores. Por mais que digam sim, eles gostaria de falar não os que os ordenam. O mais fácil seria descobrir a verdadeira causa da queda do Grêmio e atacá-la de uma vez e sem dó. Trocar os jogadores que andam jogando abaixo da média, apostar nos reservas e jogar.

O problema talvez nem seja coletivao, mas individual. Trocando quatro ou cinco peças, o time pode começar a jogar outra vez. Não como antes. Mas com bola para superar o adversário carioca. Só que, antes de qualquer coisa, o treinador precisa ver o que está funcionando e não sucumbir abraçado com quem jogou bem num passado recente, mas não consegue performances satisfatórios no nosso caro presente.

Postado por Zini, Porto Alegre

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O inútil vôo do bom goleiro na hora incerta do gol

02 de outubro de 2008 1

O goleiro Jens Lehmann voa o que pode e o que imagina. Adrian Fernandez sobe o que não pode. Cabeceia e carimba as redes do Stuttgart, no 2 a 2 contra os búlgaros do Chero More Varna, pela Copa da Uefa.

Bom goleiro tem asas, consegue voar de canto em canto, mergulhar no pé do avante, subir aos céus em busca da bola que viaja sob a cabeça do intruso zagueiro adversário na sua grande área.

A elasticidade num goleiro é quase tudo. Ele pode subir, descer, tocar no travessão e na linha da cal enquanto vocês pisca uma vez só. Certas defesas são tão boas que, como gols, vale a pena ver de nome.

Desta vez, Lehmann, também goleiro da Seleção Alemã e ex-Arsenal, perdeu a sua luta sem fôlego contra a bola. mas seu time avança na competição, pois venceu o primeiro jogo por 2 a 1.

 

Vi fotos excelentes recentemente, estou sempre em busca delas, mas a do fotógrafo alemão Thomas Kienzle me deixou tão impressionado que eu resolvi dividir a imagem da partida européia da primeira quinta-feira de outubro com todos vocês.

Postado por Zini, Porto Alegre

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O Boca vem ao Beira-Rio, mas não sabe com quem

02 de outubro de 2008 12

Jesus Datolo marcou o gol do Boca no empate com a LDU (1 a 1) e garantiu o time mais copeira dos Américas nas quartas-de-final da Copa Sul-americana/Dolores Ochoa, Ap
O Boca Juniors, mais copeiro das Américas, um dos maiores ganhadores de títulos do planeta, tem usado dois times nesta primavera. Na Argentina e na América de língua espanhola o Boca é chamando de Estados Unidos do Futebol, tamanho o seu poder. Ele exibe capacidade para atuar em duas frentes com competência. Mas ainda procura um time titular, talvez unindo os jovens mais talentosos com os jogadores mais experientes.

 

1) Um time, teoricamente mais robusto, qualificado e experiente, se encarrega do Campeonato Argentino. Sua base é Caranta, Calvo ou Alvaro González (Ibarra está machucado), Cáceres, Paletta e Fondacaro; Vargas, Battaglia; Gracián, Riquelme; Palacio e Noir ou Viatri (Palermo, um dos atacantes mais decisivos da América, está fora).

2) Outro, mais jovem, fogoso e desentrosado, como o que empatou em 1 a 1 com a LDU, nos 2.850 metros de altitude de Quito, pela Copa Sul-americana, apresenta Javier García, Julio Barroso, Facundo Roncaglia, Ezequiel Muñoz, Juan Forlín, Carlos Fondacaro (José María Calvo), Christian Chávez, Alvaro González, Jesús Dátolo, Nicolás Gaitán (Neri Cardozo), Ricardo Noir (Jonatan Philippe).

O técnico Carlos Ischia ainda não sabe qual a sua formação ideal. Os jovens Juan Forlín, Facundo Roncaglia e Ezequiel Muñoz mostraram que podem estar entre os titulares e talvez render um pouco mais. Nicolás Gaitán, por exemplo, já faz a torcida imaginar que alguém pode substituir Riquelme numa emergência e... ficar. Sim, os fãs mais afoitos já saúdam Gaitán como o novo Riquelme. Eu ainda quero ver.

Enquanto espera seus compromissos pelas quartas-de-final da Copa Sul-americana contra o Inter, primeiro jogo no Beira-Rio, segundo em La Bombonera, o Boca se entrega ao Campeonato Argentino, o Apertura. Semana passada não foi bem. Levou surpreendentes 4 a 1 do modesto Godoy Cruz, em Mendonza.

O Boca está em quarto lugar na competição, com 14 pontos, quatro atrás do líder San Lorenzo, após oito rodadas.

Postado por Zini, Porto Alegre

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