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Posts do dia 16 outubro 2008

STJD apita pela tevê e tira poder do árbitro

16 de outubro de 2008 14

Do interior da crise instalada no STJD, depois do "Caso Grêmio", episódio de vendeta absoluta, observei algo claro, limpo com a luz: a profunda desmoralização dos árbitros do futebol brasileiros.

Eles perderam a força, talvez a fé, a confiança do tribunal que trata da bola no pé. Os árbitros brasileiros, que não são referência mundial em sua grande maioria, vivendo ainda no semi-profissionalismo, às vezes sem condições físicas ideais para dirigir uma partida, perdem novos pontos.

As decisões dos árbitros foram para a reserva, estão na geladeira, não valem mais o que parecem. O que os juizes vêem pouco importa, não pesa mais. Nem lembra mais futebol. Uma imagem congelada de televisão vale mais do que o som e a decisão de um apito.

As imagens da tevê podem ajudar o futebol, com certeza. Punir quem tenta enganar o árbitro ou quem agride com violência o adversário longe do olhar do juiz e dos seus auxiliares. Ninguém pode apoiar a violência no futebol. Só não deve desvalorizar a ação do árbitro, como no caso de Morales.

O árbitro observou o lance e puniu o uruguaio com o cartão amarelo. Pronto. A história termina no gesto da maior autoridade dentro de campo.

A tevê não pode apitar o jogo. Não pode dizer quem deve ser punido. Mas se a caixa de fazer doidos pode, por exemplo, trocar o cartão amarelo pelo vermelho, deve, igualmente, invalidar o gol marcado impedido, cancelar a marcação do pênalti que não aconteceu, mudar o resultado de um jogo, de uma decisão, de um campeonato.

Os olhos eletrônicos da televisão dentro do estádio ajudam demais quem está em casa no conforto da poltrona. São bem-vindos. O inaceitável é usar a mesma visão para passar por cima das decisões dos árbitros dentro de campo.

O futebol, então, se transforma em outro jogo, algo mais previsível do que debate de políticos em segundo turno de eleição. Algo que não interessa.

Postado por Zini, Porto Alegre

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STJD e eleições fazem Grêmio esquecer a Lusa

16 de outubro de 2008 10

A bola deixou a grama, o seu hábitat natural, e entrou veloz pela janela escancarada da sala do STJD no Rio de Janeiro. A capital carioca é o lugar ideal para um tribunal de araque, menos por culpa da cidade, muito mais pelos atrativos e apelos. Pela sua beleza, conforto e opções culturais, o Rio é um prazer, capaz de atrair gente de todos os lugares, pessoas dispostas a gastar algum tempo observando vídeos pré-definidos por Paulo Schmitt. O cenário ajuda, motiva, recompensa. Se fosse Brasília o local dos julgamentos, não apeteceria tanto.

Depois das sessões do STJD a praia é o melhor caminho, os restaurantes estrelados lembram o refúgio ideal. Fica mais difícil punir os clubes da região quando se está à beira-mar das mesma região. Os torcedores locais podem encontrar os integrantes do tribunal nas areias do Leblon, por exemplo, depois de uma sessão. Encontros semelhantes nem sempre obedecem ritos mais civilizados.

O foco, a força total, no Brasileirão, ao menos para o líder Grêmio, desapareceu como o fumaça. A eleição presidencial, em dia, hora e momento impróprios, já estava roubando uma naco substancial da atenção dos tricolores.

As injustas punições de Léo, Réver e Morales, agora revertidas, mais a profunda divisão interna entre os dirigentes, pode entrar acelerada no vestiário. Más notícias não batem na porta, nem pedem licença, entram direto, sem respeitar blindagens.

O efeito suspensivo das pesadas penas livrou o trio gremista momentaneamente, mas não devolve a tranqüilidade total ao grupo. O STJD é vingativo e imprevisível. A eleição promete dividir o clube em duas grandes partes. A torcida mais fanática e mais festejada do clube rachou.

Futebol, que é bom, é matéria lateral. A Lusa está esquecida, treinado sem a mínima incomodação. Nem parece que tem decisão domingo. O perigo real mora em São Paulo, embora a sede do STJD seja o Rio e as urnas estejam no Olímpico.

Ao tentar punir exageradamente três jogadores, ao espantar o Brasil com suas medidas draconianas, agora suspensas, o STJD está também roubando perigosamente o foco do jogo com a Portuguesa. Até ontem, o adversário era apenas a Portuguesa. Hoje, são outros, novos, fortes, além dos paulistas.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Paulo Schmitt e Luiz Zveiter, quem vê um, vê outro

16 de outubro de 2008 49

O STJD é um urso. Hiberna em dois terços do Brasileirão. Acorda no final. Não sempre, se for preciso, se notar equipes fora do eixo Rio/São Paulo se aproximam no título nacional. Então, solta as garras.

De má memória, o antigo presidente do Supremo Tribunal da Justiça Desportiva, Luiz Zveiter, saiu do cenário esportivo quando descobriram que ele era desembargador no Rio de Janeiro e não podia, por lei, exercer as duas funções. Antes que alguém se tocasse, ele anulou 11 jogos do Brasileirão em 2005, afundou o Inter, jogou a bóia de salvação aos corintianos.

Não sei como Zveiter não ganhou uma estátua em tamanho natural na frente do Parque São Jorge, na capital paulista. Merecia, não?

Foi um colorado de extirpe superior, José Aquino Flores de Camargo, que entrou com uma representação contra Luiz Zveiter pedindo uma atitude do Conselho Nacional de Justiça. Zveiter foi afastado, entrou no limbo. Mas volta, deve voltar logo ao esporte depois da aposentadoria. Não é uma afirmação. É um pesadelo.

Não sei, pode ser impressão, paranóia, escolha um nome. Mas o STJD tem bronca natural dos gaúchos. Só pode ter. Foi um gaúcho o responsável pelo justo e correto afastamento de Zveiter do seu trono irregular e fora da lei, afinal ele não podia exercer o seu cargo no tribunal esportivo. Era um ilegal no STJD.

Agora, Paulo Schmit está jogando suas lanças da vingança sobre o futebol gaúcho. Se não tem o vermelho, vai o azul mesmo. A bronca é estadual, a cor, puro detalhe. Será que Schmitt e seus colegas se miram nos exemplos de Zveiter?

A vítima do final da temporada de 2008 foi o Grêmio, seria o Inter se estivesse na ponta, ou o Cruzeiro ou ainda o Atlético, talvez o Coritiba. Zveiter deve estar rindo sozinho. Olha no espelho e se vê como Paulo Schmitt. Criador e criatura.

Postado por Zini, Porto Alegre

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