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Posts do dia 30 outubro 2008

Grêmio não tem 11 titulares, nem esquema definido

30 de outubro de 2008 85

Nunca vi nada parecido em campeonato algum do mundo mais civilizado, mesmo os que falam inglês, espanhol, italiano, argentino ou alemão. O ineditismo me espantou, talvez intrigue você. Líder do Brasileirão, seis rodadas antes do final da competição, 18 pontos, o Grêmio não sabe mais qual é o seu time titular, desconhece o sistema tático ideal, não sabe como ganhar distante do Estádio Olímpico. É inacreditável. É único.

 

O Grêmio, que já esteve 12 pontos a frente do vice-líder São Paulo, vive do oxigênio que bomba em casa. Agora sabe que o ar de Porto Alegre não garante respiração fácil em outras cidades brasileiras. Quando sai, perde o fôlego, respira mal, perde.

O sistema passou do vigoroso e vitorioso 3-5-2, entrou no desastrosos 3-5-1-1, naufragou no 4-4-2 e pode ir adiante na onda do improviso. As invenções do professor Pardal Celso Roth em momentos decisivos chamam o desastre. O esquema do próximo domingo, dia de Figuirense na Capital, é um mistério. Ninguém sabe qual a próxima ação de Celso Roth. Volta ao sistema que fez do seu time o líder justo ou se aventura mais uma vez em esquemas exóticos.

O treinador deve fechar os portões do estádio nos próximos dias e treinar escondido dos repórteres. Ele tem todo o direito. Acho importante trabalhar longe das câmeras, ensaiar jogadas, tentar surpreender o adversário. Ao mesmo tempo, posso dizer que, pelos resultados recentes, os treinos do Tricolor têm sido inúteis e imprecisos. O bom esquema tático sumiu, as jogadas ensaiadas desapareceram e as que aparecem timidamente são absolutamente previsíveis.

Os treinos não estão dando certo? Quem pode explicar?

Sem esquema anunciado, definido, Roth não consegue soletrar o nome dos 11 titulares. Dois ou três zagueiros? Quem é o titular da lateral esquerda? Douglas volta ao banco? Souza joga na lateral ou no meio? Perea e Reinaldo são os atacantes titulares? Se jogar apenas um atacante, Reinaldo é o cara? Ou é Morales? Ou ainda o desaparecido Marcel?

O certo é que a dupla de volantes que fez (olha o tempo do verbo) a diferença num passado recente, Carioca e Magrão, estão fora do jogo com o Figueira. Suspensos, Roth chama Amaral e Makelele. Deixa Adilson, que joga mais do que dois somados, de fora. Faz do meio-campo um lugar comum, árido,  isento de talento, pronto para o choque. Vai marcar, não vai criar. 

Você quer uma sugestão de time ofensivo, já que a vitória é o norte, para domingo? Anote:

Víctor

Léo, Thiego e Réver

Matione, Adilson, Tcheco, Souza e Makelelê

Douglas e Reinado

Você tem outra idéia? Mande.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Nada proíbe Inter de usar reservas no Morumbi

30 de outubro de 2008 19

O Inter soma seus 48 pontos. Olha de novo, refaz os números. Vê que não dá. O último integrante do apertado e imprevisível G-4 soma 10 unidades mais e as rodadas finais são apenas seis, 18 pontos possíveis. Não dá mesmo.

O Brasileirão é pó. A Copa Sul-Americana é a nova esperança. O campeonato nacional passou a ser campo de treino depois do péssimo empate com o Náutico no Beira-Rio.

Nada que o Inter fizer no Brasileirão adianta mais, a não ser lutar pelo amor próprio. Golear ou perder dá quase no mesmo. O prazer de uma vitória, a adrenalina da disputa, a luta pela a bola, são ações para o torneio continental. O local murchou.

Assim, não espere nada de muito especial nos próximos seis jogos do clube em solo brasileiro. Não imagine o desconfiado Grêmio que o Inter vá jogar pelo Rio Grande do Sul no Morumbi quase lotado contra a segunda equipe mais popular do Estado. Não vai. Nunca jogou.

Está escrito nos céus gaúchos que o Inter pretende usar um mistão na capital paulista. Nada mais natural, pois 72 horas depois enfrenta o Boca no seu jogo mais importante e decisivo de 2008. Todas as forças vermelhas devem ser guardadas para Buenos Aires. É a lógica.

O Grêmio faria o mesmo, o Flamengo, o São Paulo, o Cruzeiro e o Palmeiras seguiriam a mesma linha. Quando uma competição mais importante se apresenta no meio da outra, os clubes, sem exceção, sempre priorizam a que estão melhor colocados. Não há segunda opção. Os clubes só deixarão de agir assim quando a CBF exigir. Antes não, não tem conversa ou pressão que resolva.

O Inter teme lesões, cansaço e outros problemas. Imagina perder Nilmar, Guiñazu, D`Alessandro ou Alex domingo? Ok, treino também machuca jogador, mas ela sabe quando, onde e como correr nos dias que antecedem uma competição real.

O que o Inter não pode, e acho que não vai fazer, é jogar com as chuteiras da preguiça. Jogar contra o São Paulo é sempre um desafio, ainda mais com casa cheia e tevê cobrindo tudo. Seja lá qual for o time, os 11, o Inter precisa usar a sua camisa como a força e a dedicação de sempre. Vitória, ou derrota, é uma conseqüência dos 90 minutos.

O pior é amaciar. O que não é o caso do Inter no centro do país. Quem pede para perder não têm mais estrutura moral para exigir uma vitória logo depois. Cuidado! São Paulo e Inter pode mandar mensagens significativas para Boca e Inter.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Roth inventa, o Grêmio perde e complica seu futuro

30 de outubro de 2008 100

O trágico Grêmio da quarta-feira noturna entrou no Mineirão com pose de líder, jogou como um lanterna, perdeu como um desnorteado. Levou três ao natural, sem o suor natural das decisões. Os mineiros passearam em casa, desfilaram no estádio, arriscaram um rápido olé e até jogaram como um verdadeiro líder deve jogar, atuar. O adversário jamais ameaçou.

 O mundo da bola desconfia da liderança gremista, agora colada ao São Paulo, uma vitória de diferença. O Grêmio perdeu o rumo em Minas Gerais. Os reflexos da goleada ainda são desconhecidos.

O enorme fracasso foi coletivo, passa pelo treinador, envolve os jogadores. O Grêmio não foi o mesmo Grêmio dos pampas. Foi outro e desconhecido time, frágil, indeciso, nervoso, desatento. Medroso. Disposto a derrota desde os primeiros segundos.

O gigante Mineirão faz tremer gente boa. Assusta gente jovem. Tanto que o Grêmio sofreu o primeiro gol aos 13 segundos de jogo. Claro, foi um acidente. Lógico, acidentes acontecem. Mas nos 89min47seg restantes jamais se viu dois neurônios juntos no time e especialmente no banco de reservas. O Gêmio não teve fome de gol, sede de vitória. Aceitou a derrota.

O gol, disse e repetiu Celso Roth, liquidou o seu desenho tático. Mas como? Pela primeira vez na história do futebol um novo esquema tático tem a duração de apenas 14 segundos. Nos treinos, os reservas não marcam gol? O esquema só funciona no 0 a 0? Não se treina a possibilidade de o time precisar reverter um resultado nos 90 minutos?

Técnicos costumam fechar os treinos em todos os lugares do planeta (e eles têm o direito) para que ninguém critique o trabalho, questione o esquema. É impossível saber o que ele treinou ou não. Roth vestiu a roupa de botões trocados do professor Pardal, de Walt Disney, inventou uma formação com cinco no meio-campo e um pobre atacante na frente e foi engolido pelo organizado e seguro Cruzeiro.

Roth abandonou o 3-5-2, o esquema vencedor, no jogo mais importante da temporada e criou outro. Pior. Perdeu. Roth sempre perde jogos decisivos.

Colocou Souza na ala esquerda, tirou o segundo atacante, recuou Douglas, deixou Reinaldo isolado. Quando saiu um zagueiro (Pereira) machucado, ele apostou num atacante (Perea). Depois chamou outro lateral (Paulo Sérgio), tirou o jogador que estava na ala (Souza) e o passou para o meio-campo e ainda tentou um novo volante (Makelele) no lugar de outro volante (Magrão) quase aos 30 minutos do segundo tempo.

Roth afundou, não sozinho. O fracasso individual de alguns jogadores, como Tcheco, Douglas, Magrão, Reinaldo e Perea, ajudou no profundo naufrágio. Souza é um caso especial. Não consegue jogar no Grêmio.

Líder claudicante, o Grêmio está cercado por São Paulo, Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo. O título fica cada vez mais complicado. A vaga da Libertadores não é mais uma certeza, muito pelo contrário. O Figueirense é o adversário do final de semana. Uma derrota pode tirar o Grêmio até da Libertadores. O São Paulo renasce como favorito.

Postado por Zini, Porto Alegre

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