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Posts de outubro 2008

Como o fã colorado pode sentir um gol do São Paulo

31 de outubro de 2008 34

O Inter não ajuda o Grêmio. Os azuis querem a caveira dos vermelhos. O desejo é diário. A birra, centenária. Os dois não se entendem, não se topam, não se querem. São dois opostos. Jamais espere ações lógicas dentro de campo quando um tem a remotíssima possibilidade de ajudar o outro. Desista. Esqueça.

 

É assim, foi assim, será assim enquanto a rivalidade perseguir os gaúchos desde Bossoroca até o Planeta Marte. Nunca parte do Rio Grande do Sul foi tão alemã quanto em 1983, jamais se viu tanto torcedor espanhol no Estado como em 2006. O gaúcho tem uma cor só e orgulhosa. Pode ter uma segunda fácil e a qualquer hora, dia ou noite, basta o adversário de um dos dois exigir.

A intensa e superior rivalidade suporta raras exceções. Domingo, por exemplo, os gremistas querem que o colorado supere o São Paulo e alivie a pressão paulista na ponta da tabela. Será um dia único, especial. Creia. Mas garanto que uma minoria azul não será vermelha nem por um segundo. O contrário também seria válido em outra situação.

O Brasileirão toma 100% da atenção gremista. O Inter está com a cabeça em Buenos Aires e o Morumbi é apenas um campo de teste para o técnico Tite e seu mistão, que vai jogar o que pode, sem amolecer.

A exemplo do Inter, Tite tem apenas uma bala na agulha para continuar disputando a Copa Sul-Americana e, quem sabe, levantar o título. Precisa abater o Boca. Tite sabe que sua vida profissional no Beira Rio acaba quando dezembro chegar. Ganhando ou não ele está fora.

Um amigo de São Paulo, palmeirense de sangue verde, ligou e perguntou se o fã colorado sentiria muito um gol do São Paulo domingo. Eu respondi que sim, claro, sentir a própia rede estufar é sempre um problema. Mas logo corrigi, o torcedor reclamaria, mas não por muito tempo, já que o vizinho azul também estaria penando com o gol. A dor de um sempre alivia a do outro no futebol gaúcho.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Grêmio não tem 11 titulares, nem esquema definido

30 de outubro de 2008 85

Nunca vi nada parecido em campeonato algum do mundo mais civilizado, mesmo os que falam inglês, espanhol, italiano, argentino ou alemão. O ineditismo me espantou, talvez intrigue você. Líder do Brasileirão, seis rodadas antes do final da competição, 18 pontos, o Grêmio não sabe mais qual é o seu time titular, desconhece o sistema tático ideal, não sabe como ganhar distante do Estádio Olímpico. É inacreditável. É único.

 

O Grêmio, que já esteve 12 pontos a frente do vice-líder São Paulo, vive do oxigênio que bomba em casa. Agora sabe que o ar de Porto Alegre não garante respiração fácil em outras cidades brasileiras. Quando sai, perde o fôlego, respira mal, perde.

O sistema passou do vigoroso e vitorioso 3-5-2, entrou no desastrosos 3-5-1-1, naufragou no 4-4-2 e pode ir adiante na onda do improviso. As invenções do professor Pardal Celso Roth em momentos decisivos chamam o desastre. O esquema do próximo domingo, dia de Figuirense na Capital, é um mistério. Ninguém sabe qual a próxima ação de Celso Roth. Volta ao sistema que fez do seu time o líder justo ou se aventura mais uma vez em esquemas exóticos.

O treinador deve fechar os portões do estádio nos próximos dias e treinar escondido dos repórteres. Ele tem todo o direito. Acho importante trabalhar longe das câmeras, ensaiar jogadas, tentar surpreender o adversário. Ao mesmo tempo, posso dizer que, pelos resultados recentes, os treinos do Tricolor têm sido inúteis e imprecisos. O bom esquema tático sumiu, as jogadas ensaiadas desapareceram e as que aparecem timidamente são absolutamente previsíveis.

Os treinos não estão dando certo? Quem pode explicar?

Sem esquema anunciado, definido, Roth não consegue soletrar o nome dos 11 titulares. Dois ou três zagueiros? Quem é o titular da lateral esquerda? Douglas volta ao banco? Souza joga na lateral ou no meio? Perea e Reinaldo são os atacantes titulares? Se jogar apenas um atacante, Reinaldo é o cara? Ou é Morales? Ou ainda o desaparecido Marcel?

O certo é que a dupla de volantes que fez (olha o tempo do verbo) a diferença num passado recente, Carioca e Magrão, estão fora do jogo com o Figueira. Suspensos, Roth chama Amaral e Makelele. Deixa Adilson, que joga mais do que dois somados, de fora. Faz do meio-campo um lugar comum, árido,  isento de talento, pronto para o choque. Vai marcar, não vai criar. 

Você quer uma sugestão de time ofensivo, já que a vitória é o norte, para domingo? Anote:

Víctor

Léo, Thiego e Réver

Matione, Adilson, Tcheco, Souza e Makelelê

Douglas e Reinado

Você tem outra idéia? Mande.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Nada proíbe Inter de usar reservas no Morumbi

30 de outubro de 2008 19

O Inter soma seus 48 pontos. Olha de novo, refaz os números. Vê que não dá. O último integrante do apertado e imprevisível G-4 soma 10 unidades mais e as rodadas finais são apenas seis, 18 pontos possíveis. Não dá mesmo.

O Brasileirão é pó. A Copa Sul-Americana é a nova esperança. O campeonato nacional passou a ser campo de treino depois do péssimo empate com o Náutico no Beira-Rio.

Nada que o Inter fizer no Brasileirão adianta mais, a não ser lutar pelo amor próprio. Golear ou perder dá quase no mesmo. O prazer de uma vitória, a adrenalina da disputa, a luta pela a bola, são ações para o torneio continental. O local murchou.

Assim, não espere nada de muito especial nos próximos seis jogos do clube em solo brasileiro. Não imagine o desconfiado Grêmio que o Inter vá jogar pelo Rio Grande do Sul no Morumbi quase lotado contra a segunda equipe mais popular do Estado. Não vai. Nunca jogou.

Está escrito nos céus gaúchos que o Inter pretende usar um mistão na capital paulista. Nada mais natural, pois 72 horas depois enfrenta o Boca no seu jogo mais importante e decisivo de 2008. Todas as forças vermelhas devem ser guardadas para Buenos Aires. É a lógica.

O Grêmio faria o mesmo, o Flamengo, o São Paulo, o Cruzeiro e o Palmeiras seguiriam a mesma linha. Quando uma competição mais importante se apresenta no meio da outra, os clubes, sem exceção, sempre priorizam a que estão melhor colocados. Não há segunda opção. Os clubes só deixarão de agir assim quando a CBF exigir. Antes não, não tem conversa ou pressão que resolva.

O Inter teme lesões, cansaço e outros problemas. Imagina perder Nilmar, Guiñazu, D`Alessandro ou Alex domingo? Ok, treino também machuca jogador, mas ela sabe quando, onde e como correr nos dias que antecedem uma competição real.

O que o Inter não pode, e acho que não vai fazer, é jogar com as chuteiras da preguiça. Jogar contra o São Paulo é sempre um desafio, ainda mais com casa cheia e tevê cobrindo tudo. Seja lá qual for o time, os 11, o Inter precisa usar a sua camisa como a força e a dedicação de sempre. Vitória, ou derrota, é uma conseqüência dos 90 minutos.

O pior é amaciar. O que não é o caso do Inter no centro do país. Quem pede para perder não têm mais estrutura moral para exigir uma vitória logo depois. Cuidado! São Paulo e Inter pode mandar mensagens significativas para Boca e Inter.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Roth inventa, o Grêmio perde e complica seu futuro

30 de outubro de 2008 100

O trágico Grêmio da quarta-feira noturna entrou no Mineirão com pose de líder, jogou como um lanterna, perdeu como um desnorteado. Levou três ao natural, sem o suor natural das decisões. Os mineiros passearam em casa, desfilaram no estádio, arriscaram um rápido olé e até jogaram como um verdadeiro líder deve jogar, atuar. O adversário jamais ameaçou.

 O mundo da bola desconfia da liderança gremista, agora colada ao São Paulo, uma vitória de diferença. O Grêmio perdeu o rumo em Minas Gerais. Os reflexos da goleada ainda são desconhecidos.

O enorme fracasso foi coletivo, passa pelo treinador, envolve os jogadores. O Grêmio não foi o mesmo Grêmio dos pampas. Foi outro e desconhecido time, frágil, indeciso, nervoso, desatento. Medroso. Disposto a derrota desde os primeiros segundos.

O gigante Mineirão faz tremer gente boa. Assusta gente jovem. Tanto que o Grêmio sofreu o primeiro gol aos 13 segundos de jogo. Claro, foi um acidente. Lógico, acidentes acontecem. Mas nos 89min47seg restantes jamais se viu dois neurônios juntos no time e especialmente no banco de reservas. O Gêmio não teve fome de gol, sede de vitória. Aceitou a derrota.

O gol, disse e repetiu Celso Roth, liquidou o seu desenho tático. Mas como? Pela primeira vez na história do futebol um novo esquema tático tem a duração de apenas 14 segundos. Nos treinos, os reservas não marcam gol? O esquema só funciona no 0 a 0? Não se treina a possibilidade de o time precisar reverter um resultado nos 90 minutos?

Técnicos costumam fechar os treinos em todos os lugares do planeta (e eles têm o direito) para que ninguém critique o trabalho, questione o esquema. É impossível saber o que ele treinou ou não. Roth vestiu a roupa de botões trocados do professor Pardal, de Walt Disney, inventou uma formação com cinco no meio-campo e um pobre atacante na frente e foi engolido pelo organizado e seguro Cruzeiro.

Roth abandonou o 3-5-2, o esquema vencedor, no jogo mais importante da temporada e criou outro. Pior. Perdeu. Roth sempre perde jogos decisivos.

Colocou Souza na ala esquerda, tirou o segundo atacante, recuou Douglas, deixou Reinaldo isolado. Quando saiu um zagueiro (Pereira) machucado, ele apostou num atacante (Perea). Depois chamou outro lateral (Paulo Sérgio), tirou o jogador que estava na ala (Souza) e o passou para o meio-campo e ainda tentou um novo volante (Makelele) no lugar de outro volante (Magrão) quase aos 30 minutos do segundo tempo.

Roth afundou, não sozinho. O fracasso individual de alguns jogadores, como Tcheco, Douglas, Magrão, Reinaldo e Perea, ajudou no profundo naufrágio. Souza é um caso especial. Não consegue jogar no Grêmio.

Líder claudicante, o Grêmio está cercado por São Paulo, Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo. O título fica cada vez mais complicado. A vaga da Libertadores não é mais uma certeza, muito pelo contrário. O Figueirense é o adversário do final de semana. Uma derrota pode tirar o Grêmio até da Libertadores. O São Paulo renasce como favorito.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Vitória do Boca ajudar o Inter

29 de outubro de 2008 6

Pressão. O Boca está jogando sob absoluta pressão a cada 72 horas. Nesta quarta, venceu o sempre aguerrido Banfield, 1 a 0, gol do garoto Mouche. Domingo, em Buenos Aires, pega o San Lorenzo, líder do Torneio Apertura, três pontos distante.

 

Se vencer outra vez, a terceira consecutiva, encosta e começa a farejar o título outra vez. Ótimo para o Inter, três dias antes do grande jogo em La Bombonera, o Boca vai precisar jogar tudo o que sabe e mais um pouco para vencer o líder da competição.

O desgaste físico será natural. Ruim será se o Boca embalar de vez. No Beira-Rio, no 2 a 0 sem folga, apesar do bom futebol colorado, do show de Alex, o Boca não atravessava um bom momento. O Inter sabe que o Boca que o aguarda na capital portenha é outro, bem mais robusto.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Procura-se craque brasileiro no Exterior

29 de outubro de 2008 6

O português Cristiano Ronaldo, do Manchester United, deve ser escolhido o melhor jogador do mundo em janeiro pela Fifa/Jon Super, AP

A acelerada decadência da Seleção Brasileira passa por Dunga. Eu sei, você tem certeza. A irregular safra de jogadores dos nossos dias, no entanto, ajuda a desqualificar o nosso futebol cinco vezes campeão do mundo. Colabora com as vaias ao treinador Dunga, que não consegue fazer a diferença de pé, à frente do banco de reservas.

Os craques brasileiros estão murchando, desaparecendo. No país não tem mais nenhum. Fora, as novas promessas são mínimas.

 

Se você duvida, a Fifa mostra a prova. Dos 23 jogadores escolhidos na pré-eleição do melhor do mundo na temporada, apenas Kaká é brasileiro. O momento verde-amarelo é tão desbotado que até os espanhóis nos driblam com seis indicados. Barcelona e o Chelsea, mesmo sem conseguir títulos na temporada passada, têm o maior número de indicados ao prêmio: quatro cada um.

Dos 23 eleitos, 22 fazem figuração. O prêmio (muito justo) será entregue ao português Cristiano Ronaldo dia 12 de janeiro, em Zurique. Qualquer outro nome, mesmo Messi, pode ser cantado como zebra.

Pelo Brasil, votam Dunga e o capitão Lúcio, ao lado de outra centena de técnicos e jogadores de seleções do mundo inteiro. Quem somar o maior número de votos, ganha.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Argentina com Maradona é o Brasil de Dunga

28 de outubro de 2008 8

O futebol é bom porque todos os dias apresenta uma surpresa no campo de jogou ou fora dele. A da terça-feira foi uma das maiores da década. Fiquei chocado quando recebei a informação que Maradona seria o técnico da seleção argentina. Imaginei uma piada, uma brincadeira. Esperei a segunda parte da piada. Não veio. Era verdade.

Maradona não pode ser técnico nem do time de futebol da rua onde foi construída a sua mansão. Ele não tem o mínimo preparo intelectual e psicológico para o cargo. Não conhece questões táticas, não entende, não sabe verbalizar, não sabe trabalhar em grupo, não é um agregador.

Maradona é o Dunga argentino na beira do gramado. É experiência semelhante. Dentro foi mágico, fora será trágico, com tem sido desde que deixou a bola de lado.

 

A inacreditável decisão da AFA, a CBF dos vizinhos, é, por outro lado, apenas 80% destemperada. Pois, ao lado de Maradona vai trabalhar Carlos Bilardo, campeão mundial no México 1996. Homem competente e experimentado, Bilardo é o verdadeiro treinador. Maradona será figurante. Vai falar muito, trabalhar pouco e abandonar a seleção em poucos meses.

A AFA ofereceu um presente espetacular ao melhor jogador da história da Argentina. Imagina um milagre. Uma “Mão de Deus” no banco de reservas. Maradona sempre namorou o cargo. Pediu, insistiu. Levou.

A experiência não vai dar certo, apesar de toda a reverência que devemos ao supercraque Maradona, um dos cinco melhores jogadores dos últimos 50 anos. Tomara que ele acerte e se encamineh na vida outra vez, mas eu divido muito. Não creio em técnicos de ocasião, como não acredito em Dunga. Treinador de futebol precisa ter estrada longa e sinuosa em clubes. Só depois estará pronto para trabalhar numa seleção

Postado por Zini, Porto Alegre

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Paulistas, cariocas, mineiros e a bola do Grêmio

28 de outubro de 2008 30

Sete rodadas antes do final do Brasileirão, 21 pontos ainda pendentes, mostra o irregular e desconfiado Grêmio numa desconfortável liderança. É um posto ameaçado e disputado a cada rodada, gol a gol, segundo por segundo. É uma posição invejada pelos outros 19 clubes da competição, por outras dezenas de torcidas.

 

Muitas vozes de fora (e de dentro) do Estado passaram os últimos seis meses dizendo que o Grêmio não tinha fôlego, futebol, estofo de líder. A seqüência de jogos disse o contrário.

O que acontece é que o futebol gremista não brilha, não se ele sobre os demais. O que rola é o clássico futebol de resultados. O que fica é uma liderança justa, embora quem vê o time, especialmente nos últimos jogos, mais fora do que no sagrado Olímpico, não acredita em liderança. Precisa abrir os olhos duas vezes e examinar a tabela três.

O Brasil desta quarta-feira joga contra o Grêmio. O país é o Cruzeiro do largo Mineirão de grama fofa. Seus 11 jogadores são as chuteiras da pátria. O inimigo nasceu no Sul, veste um azul mais escuro, menos celeste.

Olhando de longe, do nosso extremo, o pensamento geral é assim, somando o desejo de cariocas, paulistas e mineiros. Observando de perto, nem tanto.

Os cariocas, em sua maioria, quer o Flamengo na ponta, deseja absurdamente o ex-jogador Ronaldo no comando do ataque na Libertadores 2009. A minoria saudável e barulhenta de outras torcidas, Vasco, Flu e Botafogo, está ao lado do Tricolor. Tudo que fere o Mengão é mel no paladar dos fãs das outras equipes locais.

Os paulistas, que não gostam do São Paulo e perderam a fé no Palmeiras, preferem o Grêmio ao Flamengo, afinal o Mengão é do Rio de Janeiro e o paulista chama o Rio de “O Balenário” e a rivalidade no futebol é gigantesca. O renascido corintiano seca dia (e noite também) São Paulo e Palmeiras e ainda ri das agruras do Santos que, por sua vez, detestaria ouvir a explosão dos malditos foguetes em nome de Rogério Ceni ou de Diego Souza.

Nem Minas Gerais é totalmente anti-Grêmio, embora a fronteira com o Rio e São Paulo seja minadas de flamenguistas e são-paulinos, entre outras cores menos berrantes. O Galo, se pudesse, pintava a sua vistosa crista de azul, preto e branco. Pelo menos nesta decisão, o Atlético MG é bem mais gaúcho que mineiro quando a bola começar a rolar na sua capital.

No Brasil de hoje onde não existe mais esquerda nem direita, onde o católico troca de religião, o homem casa três vezes e as pessoas trocam de sexo, nunca vi um ex-gremista, ex-colorado, ex-flamenguista, ex-corintiano. Você conhece?

Muda a roupa, o cabelo, o peso, a dieta, o médico, o dentista, o emprego, o amigo, o banco, o carro, a casa e a sogra. Ninguém troca a cor do seu clube do coração, salvo numa fração de segundos de uma vida que é o tempo justo de uma partida de futebol.

A quarta-feira, 29 de outubro de 2008, é um destes raros momentos de uma existência. Cruzeiro e Grêmio ganharão milhões de novos torcedores temporários de diversas cores, um número muito superior ao seus fãs reais e jurados. Não pela paixão de verdadeiro torcedor, mas por interesse momentâneo, passageiro, que pode sumir rapidamente e sem deixar marcas depois de 90 minutos e alguns descontos ou, quem sabe, retornar domingo na próxima rodada.

Um interminável Brasil seca os dois, outro, dividido, aplaude um de cada vez. Cruzeiro e Grêmio jogam uma das mais importantes partidas da sua história recente e o país inteiro está de olho, menos pelo futebol, mais pela vontade de ferrar seu adversário mais próximo com as chuteiras de grife de mineiros e gaúchos.

No futebol, só nele, é permitido emprestar os sentimentos por 5.400 segundos, nunca por muito mais. O sentimento passageiro não carrega o coração nas suas aventuras clubísticas.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Inter só vê o Boca no mapa da bola

27 de outubro de 2008 18

O G-4 é ilusão pura. A Copa Sul-Americana é a mais pura verdade. Antes, quarta-feira, no conforto do Beira-Rio, sua casa, o Inter espera o Náutico com uma série de reservas. Donos de um dos times mais descartáveis da competição, os pernambucanos sabem que uma derrota os espreita, que  é jogo difícil, complicado. Mas para o Inter, creia, é outro treino forçado valendo três pontos antes do dia 6 de novembro, noite de Boca em La Bombonera. O que vale é o Boca.

 

O Inter só pensa nesta partida dia e noite, o seu grande jogo de 2008, a mais pura decisão do seu ano, maior do que a do Gauchão, com o Juventude de boa memória, menor do que a da Copa do Brasil, com o Sport de péssima lembrança, que o levaria quase certo ao paraíso da Taça Libertadores da América 2009. O resto é conversa sem conseqüência.

Jamais espere o melhor Inter contra o São Paulo, por exemplo, porque 72 horas depois Buenos Aires aguarda o colorado. Não que o Inter não queira superar os paulistas, quer, mas o Brasileirão não é mais a prioridade. A taça continental é a nova meta. É o desejo do clube, da direção, dos jogadores, dos fãs. É uma necessidade comum do clube.

Não creio que jogador de futebol profissional entregue uma partida assim no mole, ainda mais por uma rivalidade regional. Deixar de jogar o que sabe e o que pode atendendo uma determinação superior. Não acredito.

Se for assim, o futebol está morto e só eu ainda não sei. O que os jogadores podem é estar mais, ou menos, motivados. Normal. O que o clube pode fazer é poupar titulares e usar reservas, um mistão.

A decisão é do Inter, bem como as conseqüências da decisão. A fórmula de pontos corridos permite um desvio. Mas quem implantou a fórmula não contava com a possibilidade do uso de times mistos em momentos decisivos da competição. O que pode prejudicar determinado clube, ou clubes, e favorecer outros. Quem pode tratar do assunto é a CBF e o Clube dos 13.

 Por outro lado, enfrentar o São Paulo no Estádio do Morumbi com as câmeras inteiras do Brasil observando cada jogada com lentes de aumento é motivação suficiente para qualquer um, fora os bons salários pagos em dia e a auto-estima do próprio clube e dos seus atletas. Só não joga quem é doente do pé, só não quer jogar quem é doente da cabeça.

O jogo em Porto Alegre, quarta, com o decadente Náutico, abre uma janela ao futebol de Daniel Carvalho. Ele é a maior frustração do irregular ano vermelho. Chegou com aplausos, carregado de expectativa. Afundou logo no seu recomeço. Sua má forma física assustou, provocou a desconfiança da direção e a de Tite e irritou os fãs que o saudaram com as melhores boas-vinda bem no início.

Ainda resta sete rodadas no Brasileirão, a Sul-Americana, mas poucos, eu entre eles, acreditam que Daniel Carvalho possa ser nos últimos 40 dias úteis do futebol de 2008 o mesmo jogador de Seleção de anos passados.

O bom jogador, quando volta ao time que o projetou, precisa saber que o passado recente e a fama não o seguram necessariamente entre os melhores. É preciso jogar tanto ou mais do que no seu começo. Carvalho anda jogando muito menos. Sua condição de reserva é natural. Sua continuidade no clube é um gigantesco ponto de interrogação. O Daniel Carvalho dos nossos dias não interessa ao Inter, o antigo sim, muito. Mas pode onde será que ele anda?

Postado por Zini, Porto Alegre

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Chegou a hora de Souza mostrar seu real valor

27 de outubro de 2008 21

A rodada do final de semana energizou o Grêmio. Abriu um novo horizonte aos azuis. Plantou ao mesmo tempo uma série de interrogações na cabeça de Celso Roth. São dúvidas que atacam o treinador e os torcedores mais atentos desde agosto. São problemas que, solucionados, pode definir (e alegrar) o futuro próximo do time. O Grêmio tem dúvidas em todos os setores do time 48 horas antes de uma das partidas mais decisivas de 2008.

Defesa: Com o 3-5-2, ficam Léo, Pereira e Rever. Se Roth entrar com quatro na defesa, sai Léo, entra Thiego e o time alinha com Victor, Matione (não acredito que ele ainda pense que Paulo Sérgio seja capaz de melhorar algo), Pereira, Rever e Thiego. O problema da nova defesa é que nenhum dos zagueiros usa o pé esquerdo preferencialmente. A saída de bola pelo lado esquerdo, desde a defesa, perde assim muita qualidade. Ao usar Rafael Carioca do lado esquerdo no segundo tempo com o Sport, o time ganhou um jogada mais qualificada pela lateral. Mas se deslocar o volante para o lado, Roth modificaria duas posições, pois seu lugar no meio-campo precisaria ser ocupado por uma volante de qualidade, jogador que o Grêmio não tem. Se tem, esconde, que é o caso de Adilson.

Meio-campo: Com quatro atletas na zaga, Roth pode escalar três no meio-campo, os mesmos de sempre, Carioca, William Magrão e Tcheco, com Souza e Douglas Costa atuando um pouco mais à frente. Mas com ordens de superpovoar o meio-campo e ainda assim se aproximar de Reinaldo, o provável e isolado número 9.

Ataque: No esquema atual, Perea e Reinaldo são os titulares. Se o sistema tático for mexido, Reinado será uma ilha no ataque, um ser isolado na frente, dependendo do preparo físico superior de Souza e Douglas, da aproximação dos dois, do serviço de garçom da dupla e das investidas de Matione que, mesmo sendo ala, insiste em entrar pelo meio, esquecendo que os atacantes também dependem dos seus raros cruzamentos.

A esperança: Souza foi contratado como sendo a cereja do bolo tricolor, o seria melhor do melhor do Grêmio, ao menos no bom e velho papel que aceita tudo. Ainda não jogou como tal, sempre foi esforçado coadjuvante. Sete rodadas antes do final do Brasileirão, nos jogos derradeiros e decisivos, ele precisar jogar o que sabe ou a contratação mais promissora e festejada  do Olímpico de 2008 será a mais lamentada. A bola está no meio-campo com o experiente e rodado Souza.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Há 10 anos que Grêmio não vence Cruzeiro em Minas

26 de outubro de 2008 34

É preciso remar com os dois braços, escolher uma veloz onda do passado para encontrar a última vitória do Grêmio no Mineirão, com seus imensos 110 metros de comprimento por 75 metros de largura, em jogos com o Cruzeiro. A mais recente foi em 1998, 2 a 0, em 1998. Há 10 anos que os três pontos não nascem na grama alta e vistosa do estádio inaugurado em 1965.

 

Belo Horizonte é terra inóspita, não recebe bem o tricolor. Tem um leão solto, correndo escondido em pele de raposa. É preciso atenção, cuidados dobrados.

O Cruzeiro sobra em confrontos com o rival gaúcho de mais de meio século. Em 47 jogos oficiais ou não nos dois Estados, venceu 23, contra 11 vitórias do Grêmio, mais 13 empates (se alguém tem outros números que me ajude)

O Grêmio não embarcaria desacorçoado no Boeing, não voltaria triste aos Pampas, quinta-feira de manhã, se retornasse com um 0 a 0, ou algo parecido, como bagagem selada em Belo Horizonte. Ainda mais se o São Paulo, atual vice-líder, empacar no Rio, se o Botafogo, sexto colocado, crescer no Engenhão no confronto entre os dois.

Há 11 jogos consecutivos que os paulistas não perdem em casa ou distante da sua capital. Só para lembrar: foram 16 partidas na gloriosa campanha do título em 2007. O time de Muricy é candidato forte e com adversários inferiores na tabela, se comparado aos do Grêmio.

O jejum de 10 anos do Grêmio com o Cruzeiro no estádio de 70 mil lugares é preocupante e ameaçador. A vitória gremista é possível, eu imagino. Se trata de um clássico nacional e um resultado significativo pode abrir um novo e fantástico rumo no campeonato ao tricolor, pode, por outro lado, torpedear as esperanças de título do adversário mineiro.

Na quarta-feira, o Mineirão vai balançar, balançar e tremer e tremer. No Rio Grande do Sul, o Estado inteiro estará grudado na tela da tevê, dois ouvidos no rádio. Não será uma noite qualquer. Pode ser o começo de algo maior, uma luz azul quase impossível meses atrás. Será um dos jogos de 2008.

Postado por Zini, Porto Alegre

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O pior domingo de Felipão em Londres

26 de outubro de 2008 5

O Liverpool derrotou o Chelsea (1 a 0) de Felipão, o clube não perdia jogos no seu estádio desde 2004/Sang Tan, AP
O dia escuro, a queda da temperatura no final da tarde, a garoa fina e irregular fazem parte do cenário na capital inglesa no outono, as vezes no verão também. O novo, o inusitado, o extraordinário, ao menos nos últimos quatro anos, foi a derrota do Chelsea em Stanford Bridge. Jogo bom, corrido, pegado que a tevê mostrou inteiro. Perfeito espetáculo antes do almoço dominical (para quem pode), entre uma dúzia de mates.

O agitado e determinado Felipão assistiu da beira do gramado a primeira derrota do Chelsea na sua fortaleza em 86 jogos consecutivos, um número extraordinário. Esbravejou como sempre., gritou, gesticulou, mas suas alternativas táticas não mudaram o placar. Seu domingo foi o pior desde o seu desembarque em Londres em julho. Foi também a sua primeira derrota como comandante de campo do Chelsea, nove vitórias, três empates. zero gols sofridos nas últimas seis partidas.

O carrasco do Chelsea foi o popular Liverpool, que venceu por 1 a 0, gol do espanhol Xavi Alonso aos nove minutos de jogo. A derrota chegou com outra notícia igualmente ruim. O Liverpool, o único invicto, é o novo líder da Premier League com 23 pontos, contra 20 dos azuis londrinos, após nove rodadas.  

Fazia tempo que os vermelhos do interior inglês  não começavam tão bem um campeonato de pontos corridos. O Liverpool é candidato ao título, certo, ao lado do Chelsea e do Manchester United, que empatou sábado ( 1 a 1) com o Everton.

Não seria um injustiça, um pecado mortal, se a partida terminasse em 1 a 1. O Chelsea brigou muito, sentiu falta de Drogba, Ballack e Cole, mas o Liverpool estava mais organizado em campo. Depois de estufar as redes no começo da partida, se encolheu um pouco e passou a explorar os contra-ataques em alta velocidade. Sentiu falta do seu máximo goleador Fernando Torres.

O ex-gremista Lucas entrou no final da partida e pouco apareceu. O Liverpool não o campeonato inglês desde 1990.

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Grêmio ganha sem jogar, Inter empata jogando mal

25 de outubro de 2008 31

O Grêmio encontrou longe dos seus 11 um sábado perfeito na frente da televisão, dia/noite dignos de um brinde, uma seqüência incansável de sorrisos. Nem precisou sujar as chuteiras na grama molhada. Recebeu seis pontos de brinde, três a cada 90 minutos no Rio e no Paraná. Deixou que outros dois simples coadjuvantes do Brasileirão, habitantes da parte de baixo da tabela, fizessem o serviço mais pesado e segurassem um pouco mais outros dois lideres em potencial.

O Fluminese submergiu o Palmeiras (3 a 0), que deixou o G-4 após a sua terceira partida sem vitória, numa tarde de sol glorioso no Maracanã do Rio, em que quase todos os caminhos levavam ao mar de primavera. O Flu dominou o jogo inteiro, venceu com absoluta tranqüilidade e merecimento.

Mais ao Sul, o Atlético PR detonou o Cruzeiro (1 a 0), jogando com 10 a maior parte do tempo, na nublada e úmida Curitiba. O gremista ganhou tudo o que pediu aos céus nas suas fervorosas orações vespertinas.

Três pontos separam o líder Grêmio (59) do vice São Paulo (56), quatro do Cruzeiro (55), terceiro, adversário do tricolor gaúcho na noite de quarta-feira próxima. A vantagem gremista sobre os paulistas, por outro lado, é de 17 vitórias contra 15. O Cruzeiro também tem as mesmas 17 vitórias.

O Mineirão vai sacudir e tremer, sete jogos antes do final do campeonato. É a primeira das duas decisões que o Grêmio enfrenta em três jogos seguidos, um deles com o Palmeiras no Palestra Itália.

Empate em Belo Horizonte não é mais um resultado pavoroso. Pelo contrário. É até aceitável pelas condições do encontro. Ainda mantém o Grêmio na frente com um ponto a mais, mesmo que o São Paulo supere o Botafogo no Estádio João Havelange.

MIneirão, mesmo estádio que as vezes é dominado pela fanática torcida do alquebrado Atlético MG, que arrancou um empate (2 a 2) com o irregular Inter dos últimos meses, é um campo grande, de grama alta e desgastante. O preparo físico conta, marca gol. O primeiro tempo colorado foi inacreditavelmente ruim. No segundo melhorou, virou o jogo, mas cedeu o empate.

Longe do Beira-Rio, o Inter é outro time, mais travado. menos ambicioso e insistindo com jogadores como Ângelo, Andrezinho e Adriano que teimam em não dar certo. Tite não acha a fórmula ideal. não encontra substitutos, mesmo que as categorias de base do clube sejam exemplo nacional.

O que falta? Olho do treinador na base? Vontade? Decisão da diretoria?. Insistir com Adriano e deixar Walter em algum canto da reserva é um legítimo, um puro absurdo.

Alex foi o melhor outra vez, com um gol e um passe para o outro (Sandro). Tison esteve perto.O que se viu foi um Galo de esporas curtas, incapaz de ferir.

O Inter, sem alguns titulares, só não venceu porque sua irregularidade esteve outra vez plantado em todos os setores do campo. O Inter não engrena, não sobe, não se mantém em alto nível, não bota as mãos no G-4, agora oito pontos atrás do Flamengo, o quarto (e último) da Libertadores.

O Inter jogou no Mineirão, mas sua cabeça estava em La Bombonera. Os pés em solo mineiro, a cabeça em terra portenha.

O Brasileirão, seus últimos definitivos 21 pontos, é agora apenas uma plataforma de lançamento, de treino, para a Copa Sul-Americana. O Inter tira os olhos do pais, mira o continente. Chora a Libertadores, o sonhado Bi do Centenário é sonho impossível. Pensa numa outra copa. O final do ano passa por um título inédito ou por uma temporada quase perdida. Não há uma terceira saída.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Inter pensa em La Bombonera no Mineirão

24 de outubro de 2008 25

A Copa Sul-Americana ocupou o espaço do Brasileirão no Beira-Rio. O G-4 é miragem. Vale o troféu continental, o prêmio de consolação de 2008, a festa de final de ano, uma conquista inédita.

Claro que uma Copa Sul-Americana não pode (nem deve) ser a meta de uma temporada, mas é bom vencer a competição quando não se tem mais nada num horizonte próximo. Dá prestígio, novo título, algum dinheiro, uma viagem ao Japão, visibilidade internacional.

O jogo com o Atlético-MG é apenas uma passagem para Buenos Aires. Uma partida para fortalecer os músculos, sem desmerecer o adversário, fazer jogar um time que toma forma. A atuação contra o Boca, pelo menos, deixou a certeza de que o atual time colorado pode mais do que mostra na média das atuações.

O Inter joga com a surpresa amarrada nas chuteiras. Ninguém sabe o que os seus 11 podem render a cada 90 minutos. É um time que alcança picos, mas não mantém a média. Não sugere confiança, embora seu potencial seja superior, especialmente quando Alex, D`Alessandro e Nilmar decidem jogar por eles, pelo time, pela massa vermelha. Não há no Brasil time com trio igual, tão qualificado.

O segundo jogo com o Boca será disputado apenas no dia 6 de novembro na Argentina. Tempo suficiente para recuperar e ainda preparar Guiñazu.

Alex, D`Alessandro e Nilmar são astros. Guinãzu é o melhor coadjuvante do trio, o anjo da guarda, o guarda-costas. Ele corre o campo inteiro, entre área e outra, navega pelas duas intermediárias e ainda tem tempo de visitar as laterais do campo. Uma boa performance na capital portenha passa pelo ritmado pé esquerdo de Guiñazu. Aliás, o futuro feliz do Inter passa muito pelo seu argentino do meio-campo e mais ainda pelo outro de mesmo pé esquerdo.  

Postado por Zini, Porto Alegre

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Grêmio esquece o bom futebol, usa a raça e vence

24 de outubro de 2008 51

O Grêmio sofreu 90 minutos por uma vida inteira em apenas uma noite. Correu até o último décimo de segundo, lutou, brigou e ganhou. Venceu o Sport por um magérrio 1 a 0, fez o máximo no interior de um futebol mínimo para somar três pontos e continuar agarrado no timão da liderança, com 59 pontos.

O barco tricolor navega, mas as ondas crescem a cada rodada, ganham altura e impacto. Ninguém pode dizer se o casco resiste por muito mais tempo.

A 31ª rodada se foi. Restam sete trepidantes rodadas, 21 imagináveis pontos e o campeonato está aberto. O Grêmio está só na liderança, mas é um time aperreado. Flamengo e São Paulo, que segundo a Agência Estado teria oferecido um suporte financeiro para o Sport correr um pouco mais que o normal e vencer o jogo, fizeram seus trabalhos. Ganharam. Palmeiras e Cruzeiro, o próximo adversário dos gaúchos, ainda precisam jogar.

A vitória foi um bálsamo. O futebol, um sofrimento. Nem o gol (Reinaldo) isolado e comemorado como três, nascido antes dos dois minutos de jogo, deu impulso ao Grêmio.

A bola não rolava, quebrava nas chuteiras, os passes não rendiam, o meio-campo não conseguia tocar a bola, o ataque se atrapalhava, a defesa segurava todas, anulando todos os ataques do Sport. Tudo era muito difícil. O Grêmio foi melhor, mereceu a vitória, teve mais chances de gol, mas é preciso muito mais para manter a liderança nas próximas semanas.

O bom futebol gremista sumiu. Onde está? Nem Celso Roth sabe, nem você, muito menos eu. A vitória era o único pedido da noite. Ela veio. Mas quem busca o amanhã foi dormir com um rosário de dúvidas. Nem a mudança de esquema, sem lateral esquerdo, ajudou. Ficou pior, sem jogadas ofensivas pelo lado esquerdo, o ataque isolado, o meio-campo desorganizado. A defesa, por outro lado, gostou. Ficou mais protegida. Mas time de futebol não é só uma zaga superprotegida. É uma sanfona, onde todos ajudam todos, quem joga menos corre mais e as individualidades, se o conjunto é bom, brilham.

O Grêmio da noite do 20 de outubro de 2008 venceu, mas sentiu falta do conjunto e das suas melhores individualidades.

Postado por Zini, POrto Alegre

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Veja Douglas no Olímpico enquanto ainda é tempo

23 de outubro de 2008 11

Veja antes que acabe, aproveite, desfrute. Depois, só na distância da tevê e com outra camisa. Douglas Costa é o nome do final da temporada no Estádio Olímpico. É a revelação. É o alvo. É jogador que chama os torcedores aos estádio. Seu futebol vale uma noite no cimento.

Douglas é um jogador que ainda engatinha nos profissionais, tem menos do que meia dúzia de jogos com a camisa azul, mas já agrada, atrai europeus de diferentes cores e recheios nos cofres. Como os empresários europeus mandam no futebol do Planeta, produzem os maiores espetáculos e dão preço real aos jogadores, Douglas passou a ser atração não só pelo seu bom futebol, mas também pelo interesse de clubes de outro continente.

Ao falar em Douglas, todos lembram que o gremista está na mira de clubes importantes da Europa. A curiosidade sobre ele dobra, triplica.

Os gringos seguem cada passo do jogador, dele e de outros. Sua fábrica leva as grifes de Ronaldinho Gaúcho, Lucas e Anderson, só para ficar em três nomes. Os olheiros estrangeiros estão espalhados em todos os cantos do Brasil. Basta alguém tocar na bola que eles estão de olho. A vista cresce quando o jovem aparece em algum grande clubes. Todos estão em busca de novas revelações.

Claro que Douglas joga uma bola acima da média, é qualificado, tem uma precisa canhota, chute forte e colocado, sabe antever o lance, passa com maestria. Douglas ainda nem jogou tudo o que pode, nem pode, recém completou 18 anos. É um guri. Seu potencial é grande.

Os europeus sabem e querem ver o jogador de perto. A movimentação na tela curta da televisão é uma, na grama de jogo, ao vivo, é outra.

Grêmio e Sport oferecem uma nova oportunidade ao futebol de Douglas e aos que querem vê-lo ao vivo. Ele é a grande atração do jogo desta quinta-feira, ele pode fazer a diferença. A vitória é o oxigênio do seu time.

O Grêmio joga o ano e a liderança. Se perder, adeus título, talvez bye bye Libertadores. Douglas joga pelo seu Grêmio, pelo seu futuro, por uma torcida que quer sorri amanhã.

Vá, veja Douglas a vivo enquanto é tempo. Depois, só na tevê.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Fogueteiros são senhores na Terra de Ninguém

23 de outubro de 2008 32

Gosto de torcedor de futebol, admiro sua força de vontade, o coração e a paixão acima de tudo. Do título ao último lugar, da vitória ao tropeço na goleada. Nada importa. O que importa é a cor sagrada do seu manto e com ele, superproteção, o torcedor encontra o paraíso, conhece o inferno.

Vi jogos monumentais ao vivo, acomodado em diferentes pontos, de pé atrás do gol na Inglaterra, em lugares VIP no San Siro, nos reservados de imprensa em Anfield, entre outros. Vi Milan e Real Madrid, Manchester United e Liverpool, Arsenal e Chelsea, Rangers e Celtic e por aí vai.

Observei as comemorações, bebi com os hooligans, viajei ao lado de torcedores do Arsenal. De longe, do outro lado da rua, encontrei fãs do Arsenal e do West Ham brigando com pequenas facas, pedaços de copos de vidro e um pub sendo virado do avesso pelos baderneiros britânicos.

A polícia londrina chegou em pouco tempo e varreu o asfalto com uma saraivada de cacetetes, cavalos e cachorros. Reprimiu como manda a cartilha da polícia de um mundo mais civilizado. Prendeu vários. Processou alguns. Muitos pegaram cana firme.

A baderna está no DNA do futebol. O termo hooligan nasceu do sobrenome de uma família irlandesa que bebia todas e brigava todos os dias contra o mundo, às vezes contra eles mesmos. Os fogueteiros da Capital, azuis ou vermelhos, a cor não importa, são os hooligans das nossas madrugadas gaúchas de pré-decisões. É preciso varrer das nossas avenidas os marginais fantasiados de torcedores. Liberar o sono para quem precisa dele para o outro dia.

Faz tempo que eles cruzaram os limites e, de estouro em estouro, como os ouvidos nas proximidades do Hotel Shareton, quarta-feira, mostram que as nossas ruas são terra de ninguém. A BM é uma miragem diurna, imagina nas esquinas da noite. Só faltou eles ligarem os ridículos e enervantes carros de som que os candidatos políticos usam, imagine, para perder voto.

Os baderneiros soltam os foguetes por eles mesmos, não tem apoio de ninguém de sã consciência. Não os classifico de torcedores, não dá. Eles sabem que os foguetes não acordam os jogadores acomodados em confortáveis hotéis, não fazem o mínimo efeito, não produzem cócegas. Eles explodem os seus canudos porque querem seus segundos de fama, para contar o feito na mesa de bar, para se vangloriar na frente de outros iguais. Preferem as explosôes às suas namoradas e mulheres nas madrugadas.

Eles são perdedores natos, já perderam de goleada. Poderiam ser presos, processados, penalizados com serviços socias. Quem sabe proibidos de entrar em estádios em dias de jogo, passar os 90 minutos de uma partida limpando o jardim de uma escola, pintando uma mesa numa delegacia, recuperado um praça.

O Brasil não se importa com arruaceiros da madrugada. Os fogueteiros são conhecidos em todos os Estados que lidam com o futebol. O país não se toca nem com bandidos e corruptos. Minha rua é um breu só. Eu vou ser assaltado em breve, você também, se já não foi (eu fui). Nós vamos chamar a BM e nenhum brigadiano vai aparecer.

Os fogueteiros estão livres para agir. Vão voltar em cores diferentes. Eles têm livre conduto. São amparados pela incapacidade de quem é pago, e mal pago, para guarda a noite da Capital.

Quem usa a noite escura para perturbar os outros tem caminho livre. Eu, você, que queremos apenas tomar uma cerveja, três quadras depois da nossa casa, não podemos botar o nariz na rua. Corremos riscos demais.

Confira, no vídeo abaixo, o que os falsos torcedores do Inter fizeram na madrugada de quarta-feira, em frente ao Hotel Shareton, onde a delegação do Boca Juniors ficou hospedada. Os próprios arruaceiros tiveram a petulância de filmar a baderna.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Pé esquerdo de Alex vale sua força em ouro

23 de outubro de 2008 16

Duas bombas noturnas de Alex desnortearam o Boca no Beira-Rio e ofereceram ao Inter a tranqüilidade para jogar em La Bombonera/Nabor Goulart, AP

Um é bom, dois é muito melhor, especialmente se o 2 a 0 encontrou o lendário Boca do outro lado do gramado. Pouco importa se o Boca do Beira-Rio foi um adversário recheado de jovens e reservas. Azar de quem resolveu deixar os titulares, Riquelme e cia., em Buenos Aires.

Os argentinos terão de jogar dobrado na sua casa (6 de novembro), minar a rica poupança do Inter, fazer três gols de diferença. Mesmo em La Bombonera, construir 3 a 0, ou placar semelhante, é trabalho de gigante. É tarefa que não se vê em todas as quintas-feiras de futebol

O Inter deve a vitória, o sorriso escancarado, a festa, as cervejas triplicadas, ao soberbo pé canhoto de Alex, o melhor jogador do futebol gaúcho, destaque brasileiro, atleta de Seleção. Em duas jogadas pessoais, em dois tiros mágicos de fora da grande área, ele resolveu o jogo, estufou as redes. A diferença de Alex está no seu chute, que não mede distância, acerta sempre com freqüência.

Alex é o nome próprio do Inter, que depende ainda de outros dois coadjuvantes, Nilmar e D’Alessandro. O futebol de Alex é tão superior, que a dupla se contenta em jogar ao seu lado. O Inter depende demais destes três jogadores. Quando os três estão bem, cuidado, o Inter dificilmente é sufocado.

O 2 a 0 nasceu naturalmente pela qualidade individual superior do time gaúcho. O segundo gol nasceu depois que o Boca se movimentava com 10. Noir foi expulso. O Boca desembarcou com a idéia fixa de se manter na defesa, perder de pouco, empatar talvez, ganhar num milagre. Faltou-lhe qualidade. Aptidão ofensiva. O Inter foi sempre superior.

O Inter só não fez mais porque o técnico Tite foi conservador demais na orgfanização do seus 11. Trocou um volante por outro no meio do jogo, optou por Daniel Carvalho depois dos 40 minutos do segundo tempo. Fosse mais ousado, Tite poderia ter garantido a classificação na própria quarta-feira. Preferiu deixar para depois, correr novos riscos, porém mínimos desta vez.

Vai ser difícil o Inter perder o controle barco da Copa Sul-Americana. O time é experiente e terá a volta de Guiñazu. Pode até mirar o título inédito, faltam apenas cinco jogos, um pouco mais de 450 minutos. Sonhar com o melhor futuro não faz mal para ninguém, especialmente depois de vencer o Boca, time que os argentinos classificam como os Estados Unidos do futebol, fazer 2 a 0 e viajar com um ótimo saldo no bolso.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Grêmio precisa ser mais Grêmio nas últimas rodadas

22 de outubro de 2008 15

Celso Roth está no canto do grande ringue. Levou um direto do queixo em São Paulo, tonteou, balançou, não caiu. Meio Rio Grande espera a sua reação, que precisa ser imediata. Se é que ele ainda tem força nos punhos. Roth está sonado, sabe e nós vemos. A Polícia Federal minou a tranqüilidade do treinador. A decisão certa está embaralha seu cérebro confuso. A Lusa fez estragos.

 

Nas cordas, na frente das câmeras da tevê, o técnico ainda não sabe qual a estratégia da recuperação, qual o melhor caminho. Se levanta, ergue o punho e adota a tática do 3-5-2, a que tanto sucesso fez na temporada e que o levou a liderança, com Douglas Costa no banco e Tcheco escalado outra vez entre os seus 11 preferidos. Ou muda radicalmente sua idéia tática, transformando o 3-5-2 no clássico 4-4-2. Saca um zagueiro, possivelmente o bom Pereira, mantém a promessa Douglas e acrescenta o organizador Tcheco.

A decisão de Roth é crucial. Ele não pode falhar, errar o golpe no Sport, que joga no Olímpico com pés e cabeça na Copa Libertadores, lugar garantido com o título da Copa do Brasil.

Se mudar o esquema e o Grêmio perder, Roth vai ser cravado pelas críticas. Se não trocar e perder, recebe o mesmo golpe. Só a vitória levanta Roth nos dois casos.

Oito rodadas antes do final, 24 pontos no ar, Roth precisa da vitória e de mais nada no momento, seja no esquema que for. Eu manteria o 3-5-2, mas sem Soares, talvez com Douglas Costa mais encostado em Morales, ao menos para começar e tentar captar o real poder dos pernambucanos em campo.

Independentemente do desenho tático, o Grêmio precisa ser mais Grêmio na noite do Olímpico. Vestir a farda da coragem, usar a chuteira da determinação. O time foi medroso, como o técnico, na capital paulista. Estava conformado com o 0 a 0. Levou um gol e não soube mais o que fazer, muito menos atacar.

O Grêmio é dono de um time muito jovem, com vários jogadores disputando o Brasileirão pela primeira vez. Durante os jogos, especialmente os disputados fora da Capital, falta uma voz de comando, uma liderança verdadeira, um grito de disposição.

Roth ainda não acordou para a vida real, não sabe que Brasileirão se ganha fora de casa. Apenas os pontos faturados em seu estádio não bastam. O título ainda é possível, mas a confiança no título está cada vez mais embaçada.

 A vitória sobre o o sempre difícil Sport e o seu destemido Carlinhos Bala pode informar se o Grêmio continua na briga com a mesma vontade de semanas atrás. Ou se já entregou os pontos e poucos sabem. A bola está no centro do campo.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Inter joga pelo seu orgulho e por 2008

22 de outubro de 2008 20

O título brasileiro parecia o caminho natural do Inter na temporada. Pisou 2008 como um dos favoritos, reverenciado por críticos locais e de outros estados. Deu tudo errado. Resta a Libertadores como distante e quase impossível esperança. Ficou a Copa Sul-americana como crua realidade.

 

O Inter joga contra o gigante Boca pelo seu orgulho, por 2008, por um título que ainda pode iluminar seu final de ano. O Inter aposta tudo contra os argentinos num Beira-Rio lotado, sedento de vitórias, mas sem se animar muito com um time que foi irregular o ano inteiro. Ninguém tem certeza o que o Inter de hoje pode nos dar.

Antes do jogo, o Inter arranca na frente, pois enfrenta um mistão do Boca, lotados de caras novas, jogadores desconhecidos aos nossos olhos. O novo centroavante, Figueroa, não marca um gol há exatos 214 dias. É sempre melhor encarar os reservas do que os titulares, ainda mais numa decisão. Mas o Inter precisa vencer bem em Porto Alegre, dilatar o placar porque o jogo em La Bombonera, com Riquelme e etc., será outra partida, teoricamente muito mais complicada.

O Inter que enfrenta o Boca na primavera de 2008 é completamente diferente do Inter do começo da década. É outro clube, encorpado pelo título mundial. O Japão inflou o ego colorado, a vitória contra o Barcelona deu asas ao nome do Inter, que anda voando pelo mundo em competições continentais desde então. Há pelo menos cinco anos que o clube participa de jogos internacionais regularmente, o que lhe deu novos músculos, novo poder, nova concentração, nova vida.

O Boca vai precisa correr na boa grama do Beira-Rio se quiser ganhar do Inter, mesmo o inconmfiável Inter dos nossos dias. Nunca se sabe quando os seus bons jogadores vão jogar de verdade.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Boca saúda Viatri, o novo Palermo

21 de outubro de 2008 12

O atacante Lucas Viatri marcou o gol da vitória do Boca no clássico com o River e é um perigo constante na área adversária/Daniel Luna, AP
Sem Palermo, 34 anos, 12 títulos, 194 gritos de gols, o Boca se rende ao jovem Lucas Viatri, 21 anos, 12 jogos, seis gols. Foi dele o gol (de cabeça) na vitória no superclássico com o River (1 a 0), domingo. É dele os maiores espaços na mídia argentina depois do feito. Viatri e o futuro técnico da seleção argentina, ainda não definido, dominam o noticiário esportivo do nosso vizinho.

A grave lesão de Palermo, o maior goleador da história do clube, abriu uma vaga cobiçada no ataque do Boca, que perdeu ainda Palacios. Cria das categorias de base do clube, Viatri, 1m85cm de altura, se espelha em Palermo. Nas entrevistas, vê no grande atacante canhoto uma reverência, uma atacante que deve ser imitado. Viatri é alto, forte, rápido e mortal na grande área.

Mesmo com a revelação Viatri, o Boca foi buscar outro atacante no Exterior. Chamou Luciano Figueroa, que estava no Genoa, na Itália. O técnico Carlos Ischia deve escalar um time de resevas, possivelmente sem Vietri. A dúvida é se jopa com um ou dois atacantes. Riquelme está definitivamente fora. Um pena. Seria ótimo ver um jogador extraclasse deslizando na quase perfeita grama do Beira-Rio. quarta-feira, depois das 22 horas.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Inter e Boca têm a mesma missão

20 de outubro de 2008 18

O maestro dos maestros argentinos do momento, Riquelme é um jogador que merece ser observado ao vivo no Beira-Rio. Ele vale um jogo inteiro. /Natacha Pisarenko
Fiquei distante do Inter no curto final de semana. Sai de Porto Alegre, viajei, fui tomar chuva em Santa Catarina. Na casa onde dormi não havia tevê. Só música. Reencontrei a realidade domingo no final do dia quando canal 39 piscou na minha frente surpreendentemente em outro lugar, em Florianópolis, e eu pude assistir a pior exibição do Grêmio do atarantado Celso Roth em meses.

 

Conheci detalhes de Inter e Atlético PR (2 a 1) por ZH – Nilmar e Alex, sempre eles. Falei com colegas da Redação que foram ao jogo e observaram o mesmo Inter do período Pifero/Luigi, um time inconstante, uma equipe irregular, um grupo imprevisível. O Inter dos nossos dias é inconfiável. Nunca se sabe o que esperar dele.

O Inter da administração Vitório Pifero tem alguns mistérios que eu não consigo entender, solucionar, resolver. Talvez você posso me oferecer uma luz.

Em dois anos, o Inter nunca acertou o time completamente, nunca alcançou a sonha regularidade. Saiu Abel, entrou Abel, veio Galo, chegou Tite, três técnicos de características distintas, e o grupo jamais fez a torcida se mostrar confortável, – fora jogos esporádicos, como o irrepreensível e histórico Gre-Nal dos 4 a 1. Goleada em clássico é quase nada num ano de Libertadores como meta.

Não há uma só voz no Brasil de mais de 100 milhões de técnicos de futebol que ache os jogadores do Inter passageiros de uma equipe de última. Pelo contrário, Índio, Sorondo (quando joga), Magrão, Guiñazu, Alex, D`Alessandro e Nilmar são jogadores de primeira qualidade. Dos sete, três são de seleção. Todos, porém, seriam titulares em qualquer grande time do Brasil.

Onde está centrado o problema? Na direção? Nos técnicos? Nos jogadores? Eu diria que em todos, cada um tem o seu naco de responsabilidade. Enquanto a ponte entre os três setores não estiver completa, apesar dos esforços do ex-presidente Fernando Carvalho, vestindo agora o uniforme de assessor especial de futebol, nada vai funcionar com a regularidade de um time de futebol. O Inter ainda busca o seu ponto de equilíbio dentro do Beira-Rio.

A saída honrosa ao Inter no ano que insiste em não acabar é uma só. Ganhar a Copa Sul-americana, título inédito no Beira-Rio e no Brasil também.

A Sul-americana é um título de pouca importância aos que estão lutando pela Libertadores no Brasileirão. Mas é uma opção para os times que olham o G-4 de longe.

O problema é o adversário do Inter. O Boca é o grande time do continente. É uma grife do futebol. Mesmo longe dos seus dias superiores, distante da disputa do título argentino, o Boca repete o Inter na Argentina. Usa a Sul-Americana como escape, como presente de Natal ao torcedores carentes.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Vestiário não estava blindado na semana da crise

19 de outubro de 2008 95

O Grêmio ainda é primeiro, 56 pontos, um sofrido e suado ponto distante de Cruzeiro e Palmeiras. Mas é um líder ameaçado, desconfiado, desorientado e com medo do futuro. Sua merecida derrota em São Paulo serviu apenas para lotar de times a ponta de cima da tabela e torpedear sua confiança. Cinco times disputam o título oito rodadas antes do final. O topo é um entrevero só.

 

O inconfiável Grêmio do segundo turno parece que deseja entregar o campeonato aos poucos, deposiytar uma banana de dinamite no coração de cada fã. Quando precisa vencer, quando necessita oferecer o salto de qualidade, se enrosca na bola e perde o jogo. Cai.

A Lusa é um dos cinco piores times do Brasileirão. A obrigação da vitória, se é que ela existe, seria do líder, nunca do décimo sexto colocado.

O Grêmio, contra a opaca Lusa de outras jornadas, poderia mostrar que era o principal candidato ao título. Fez justamente o contrário. Jogou com se ele fosse a pobre Lusa. O adversário é que foi o Grêmio de outros dias, disposto ao sacrifício e a vitória desde o primeiro apito do bom árbitro minero, Ricardo Ribeiro. A Lusa foi corajosa e decidida.

Uma das piores semanas do Grêmio fora de campo explodiu dentro dele com uma granada, uma explosão só. Depois da pressão do STJD, das eleições completamente fora de hora, o presidente de um lado, o diretor de futebol do outro, da quebra de unidade de parte da torcida, o time também rachou. Caiu de dois, 2 a 0, no Estádio do Canindé. Foi uma das derrotas mais justas e inesperadas da temporada.

O vestiário não estava blindado. Falou-se tudo e de todos na semana, menos no adversário.

Celso Roth teve o seu quinhão na péssima atuação da equipe. Escalou o time certo, mas se equivocou nas substituições. Usou outra vez Orteman, mais uma vez na posição errada e o uruguaio voltou a fazer o que vem fazendo sempre, errando todos os passes, não marcando nem a sua opaca sombra.

Orteman abriu um buraco no meio-campo, deixou a Lusa liberada para os ataques. Ao perder Carioca, ao usar Orteman, o Grêmio perdeu o controle do jogo e a partida. 

Roth é um técnico teimosamente conservador, suas doses de ousadia são mínimas. Sua carreira é prova. Imaginou que o empate seria bom resultado. Errou feio porque 0 a 0 chama derrota. Só foi ousar um pouco mais, com Perea e Souza, depois dos 70 minutos de jogo.

O técnico podia ter mudado o time no intervalo em duas posições, no mínimo, no ataque e no meio-campo. Sua falta de ousadia custou caro. A conta veio na forma de três pontos negativos. Tivesse vencido o jogo, tivesse determinação e, especialmente, coragem, o Grêmio estaria contando 59 pontos e sorrindo, seus adversários apareceriam com 55 pontos.

Quinta-feira, contra o bom Sport, campeão da Copa do Brasil, o Grêmio precisa jogar com verdadeiro líder. Caso contrário pode passar o próximo final de semana fazendo contas para a Taça Libertadores da América e não mais pelo título. Especialmente se começar a pensar no seu adversário seguinte, o Cruzeiro, e na arapuca do Mineirão.

Postado por Zini, Florianópolis

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O que o Grêmio espera de Duda Kroeff

19 de outubro de 2008 31

Duda Kroeff é um gremista de verdade. O que é muito, o que é pouco para assumir a presidência do Grêmio. Duda saiu de pai excepcionalmente gremista, o patrono Fernando Kroeff. Duda começou a engatinhar nos corredores do Estádio Olímpico.

O Grêmio o escolheu antes do menino se definir pelo Grêmio. Ele é exemplo da tradição tricolor. O pai adubando o filho, ensinando o caminho azul da vida.

 

Com a morte de Fernando Kroeff, a vaga de patrono se abriu e se fechou ao mesmo tempo. O pai de Duda completou um ciclo, encerrado nos 100 anos do clube. Os patronos não existem mais. Fica a lembrança, a história, a lenda.

No centenário, um clube sempre recomeça, procura novo horizonte. É quase uma obrigação. Foi justamente na gestão dos 100 anos que Duda Kroeff emprestou sua mais recente colaboração ao Grêmio. Ela foi mal (e quem foi bem?), não sozinho, porque fazia parte de um atrapalhado grupo que viu o Grêmio esfarelar-se, desabar no precipício da Segunda Divisão.

Quase quatro anos depois do debacle, Duda Kroeff, agora numa inesperada presidência, deve receber um Grêmio talvez campeão, provavelmente na Taça Libertadores da América e justamente de Paulo Odone, que perdeu a eleição depois de ajudar a refazer o clube com seus companheiros de trabalho. Pouco sei dos planos do novo presidente porque no material de campanha que li, nas entrevistas que ouvi, no Conversas Cruzadas que vi, não absorvi nada de espetacular, nada de profundo. Nada mais do que se ouve todos os dias em conversas com gente envolvida em futebol.

Kroeff está seguro, assegurado, por alguns dirigentes históricos do clube,  experientes e campeões. Kroeff começa no final do ano a gestão da sua vida. Retoma os passos do pai, também um ex-presidente. Todos sabem da sua paixão pelo azul, preto e branco. Poucos sabe do que ele é realmente capaz.

O novo presidente mostrou força nas urnas. A maioria dos conselheiros está com ele, grande parte dos sócios que votaram também. Ele é um presidente legítimo. Vinte e quatro meses, entre 2009 e 2010, devem mostrar o que o guri que cresceu no Olímpico sabe com meio século vida, o que ele pode dar ao Grêmio.

Se ele pode fazer a diferença, oferecer o comando de um presidente histórico, de um filho de patrono. Grêmio campeão é o seu único caminho.Não há outro. Ele sabe.

 

Postado por Zini, Praia de Ibiraquera

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Grêmio chama eleição na hora errada

17 de outubro de 2008 15

A profunda divisão entre os homens que navegam o Grêmio espanta. Deixa claro, outra vez, que as diferenças pessoais estão dois andares acima do clube. Por certo, o clube é detalhe, o que vale é a vontade de cada um, de um grupo determinado, de vários grupos. O clube, às vezes, não é fim, é caminho. Não apenas no Tricolor, no futebol brasileiro como um todo.

A eleição do centenário foi um arranjo fracassado, depois um fiasco histórico, só para lembrar uma recente. O resultado foi um nome despreparado, um futebol ridículo, um mar de dívidas e o pântano da Segunda Divisão.

A eleição do futuro presidente, desejo de dois gremistas dedicados e qualificados, apoiados por muita gente competente, que pode encaminhar a construção da nova Arena é uma grande incógnita. Se sobra certeza na idéia da construção do estádio, falta certeza nos meios para erguê-lo, ainda mais agora neste cenário de absoluta incerteza da economia global, no sobe-e-desce ilógico da bolsa de valores. Pelo menos, uma das decisões é perfeita. A chivae do Olímpcio só será entregue quando a Arena estiver ok.

Se com o clube unido e sólido, trabalhando em nome de um mesmo objetivo, é difícil erguer um estádio a partir do zero, imagine com uma divisão.

Eleições são sempre bem-vindas em qualquer lugar. São fontes restauradoras de energia. Motivam o futuro. Abrem novas portas.

Mas programar o pleito para a parte final da competição mais importante do futebol do país é quase um acinte. Beira o absurdo quando se vê o clube envolvido nas urnas brigando pelo título. O efeito desta política completamente fora de hora é tão intenso que até a mais fanática, festejada e imitada torcida do clube rachou. ligou. não sei como estará no dia do voto.

Um dos gremistas históricos, Fábio Koff, gritou. Até ele, uma referência, é contra. Queria adiar o processo. Há tempo de sobra.

No exato momento em que todo o clube, do porteiro ao presidente, do sócio ao conselheiro mais influente, deveria estar concentrado no Brasileirão, a discussão interna fragmenta a energia concentrada no vestiário.

Eleição mexe com sentimentos, cria conflitos, gera atritos, desgasta. Eleição divide. Em momentos decisivos, divisão é quase gol contra.

A Portuguesa está só de olho.

Postado por Zini, Porto Alegre

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