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Posts do dia 22 novembro 2008

Torcidas organizadas, eu, vocês e as mulheres

22 de novembro de 2008 40

Sem inteligência, usando apenas a força, as autoridades fardadas jamais conseguirão limpar as torcidas organizadas da minoria que tenta descaracterizá-las/Esteban Felix, AP
Observo lideranças da segurança pública estadual levantando o punho fardado e bradando contra as torcidas organizadas. Noto que elas imaginam que todo o mal presente nos estádios de futebol do Rio Grande do Sul caminhe de mãos dadas com as torcidas organizadas. Puro engano. Absoluta desinformação. O inimigo é outro. Não é o conjunto. É o indivíduo.

O problema não é a torcida organizada, nem a câmara de vereadores, o Senado ou os ministros. O problema grave é às vezes a composição delas. Os infiltrados é quem descaracteriza o movimento. São os vândalos, os desordeiros, os bandidos, os criminosos, os que mereciam estar presos na hora do apito inicial do árbitro.

Não adianta passar uma patrola por cima, demolir com uma escavadeira. É preciso saber quem descaracteriza uma torcida organizada, por exemplo, ou a câmara de vereadores. Quais são as pessoas que estão fazendo o conjunto sofrer. Quem? Quantos?

Num público de cerca de 20 mil pessos por jogo (média não muito distante das partidas da Dupla, mais ou menos), os desordeiros são mínimos – os bêbados também eram e todos os espectadores foram punidos, mesmos os que bebiam sem que o álcool pusesse seus cérebros em outro caminho. Basta ações inteligentes e severas da BM (não a segunda sozinha), ao lado dos clubes, para retirar os vândalos, de todos os tipos, de circulação. A Justiça brasileira, lamentável em muitos casos, poderia, com algum esforço, contribuir. Mas ela é lenta.

Estádio de futebol deve ser um ambiente familiar. Você precisa levar, sem constrangimento, a namorada, a amiga, o filho, o pai, a mãe e o avô. Só assim teremos estádios lotados, alegres e em clima de festa. As mulheres gostam cada vez mais de futebol e precisam de um espaço civilizado. Eu gosto muito de vê-las nos campos de futebol. Você não?

Claro que um estádio de futebol no Brasil não é uma ilha de segurança no meio da nossa insuportável e invencível violência. É espelho da nossa sociedade atual. Quem assalta na nossa esquina de arma na mão, que nos impede de caminhar/correr com tranqüilidade no final da longa tarde do horário de verão, é o mesmo que vai nos ameaçar no final da rua que desemboca no estádio. Não há diferença. Talvez ele seja nosso companheiro de arquibancada, de fé e de torcida depois de esconder a arma na casa onde vive.

Os britânicos são melhores do que nós? Sim, em certos casos, sim, com certeza. Na Justiça, por exemplo. Governo, Justiça, clubes de futebol e federações se uniram e decidiram acabar com a violência no interior do estádios no final dos anos 1980, começo dos anos 1990.

O desrespeito era tamanho que o presidente do Chelsea queria colocar cerca (alambrado) elétrica em volta do gramado porque não sabia mais o que fazer para segurar os furiosos hooligans. (Ó, lembrei de uma boa leitura sobre o assunto "Como o Futebol Explica o Mundo", Editora Zahar, do jornalista norte-americano Franklin Foer, colaborador da revista Slate, que você acha na internet).

Nosso estádios são antigos, reformados, desconfortáveis. Não há dinheiro para novos, salvo exceções, especialmente depois da crise global, que desce em ondas, tsunamis dirigidos. Nossos grandes jogadores estão fora, nossas promessas viajaram depois. A violência é a nossa tortura diária. As grades de nossas janelas são nossos cartões postais. Só a tevê da sala nos dá seguranca, se ninguém tropeçar no tapete com um copo de cerveja na mão.

No vasto Brasil, a violência ganhou ou pelo menos está vencendo de goleada. Nos estádios ou em volta das praças, mais localizada, a violência pode ser contida por uma defesa ágil e inteligente. Basta organização, união, vontade política, dinheiro para novos projetos e agilidade. E claro que a torcida organizada não é o inimigo número 1.

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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