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Posts de novembro 2008

Do alto da Libertadores, Grêmio enxerga o paraíso

30 de novembro de 2008 82

O São Paulo empatou. Pode ser que a euforia que contagiou os torcedores nos últimos dias tenha entrado no Morumbi e recheado as camisas dos jogadores, embolado as chuteiras. A festa estava armada, as camisas do feito estavam prontas, o chope estava gelando.

Tudo foi adiado, guardado por mais sete imprevisíveis manhãs, com perigo da cerveja azedar, das faixas de campeão 2008 sumirem para sempre. Os deuses dos estádios pediram mais uma semana de prazo, mas não se comprometeram a seguir a lógica da bola, premiar o melhor na final. Não mais. A lógica do título faleceu no último domingo de novembro. Tudo pode acontecer. O campeonato está aberto.

O 1 a 1 com o Fluminense atrasou a vida dos paulistas. Adiou a ruidosa comemoração, recolocou o Grêmio na disputa pelo primeiro lugar, aditivou a última e definitiva rodada do Brasileirão. Milagres acontecem.

A pavorosa derrota em Salvador parecia ter soterrado os azuis. Engano. O tricolor das praias estendeu a mão ao tricolor dos Pampas.

O São Paulo joga com o surpreendente Goiás, em Brasília, por dois resultados, sem depender de terceiros: empate e vitória. Nunca uma rodada do Basileirão de pontos corridos prometeu tanta emoção. Cardíacos devem entrar numa sala de cinema e pedir um tempo ao mundo. Encontrar um esconderijo seguro por hora e meia.

O Grêmio aguarda o Atlético MG com uma só saída, a vitória. Precisa vencer. O fã azul estende um ouvido ao Olímpico e o outro ao Planalto Central. Serão 90 minutos dobrados. Será um dia frenético de rádio, de controle remoto, de hectolitros de adrenalina.

O Grêmio chega miraculosamente vivo na última rodada depois de vencer o pavoroso Ipatinga com um futebol razoável, boa qualidade técnica, alguns destaques individuais e uma goleada (4 a 1). Vitória justa, tranqüila, quase natural. Não há desmerecimento, mas o adversário estava condenado ao pântano da Segunda Divisão e será difícil sair de lá outra vez.

Com ou sem título, o Grêmio de 2008 já toca na Copa Libertadores da América 2009. O torneio é real, é palpável, é caminho certo.

O São Paulo continua favorito, tem melhor equipe e performance superior, mas jogar fora de casa no Brasileirão é sempre um risco mortal. Seja para o líder, seja para o lanterna.

O Cruzeiro é um exemplo atual. Desabou no Beira-Rio, mesmo contra os atinados reservas do Inter. Os três pontos dos mineiros eram quase certos, mas o Inter vestiu a sua verdadeira camisa e o fator local dinamitou o Cruzeiro.

No topo, no pé, cada gol vale um saco de ouro, um título, uma Libertadores, uma fuga da lama da Série B. Peça proteção ao seus santos ou orixás, a rodada mais quente da história de um campeonato nacional está batendo forte na sua porta reforçada. Na sua e na de milhões de brasileiros.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Reta final do Brasileirão fere o bom senso

29 de novembro de 2008 61

O Inter vai pensar no Grêmio quando pisar as chuteiras na grama quase perfeita do Beira-Rio minutos antes de enfrentar o Cruzeiro? Não vai, claro que não. Sua cabeça está diante do seu tempo, vive na quarta-feira que vem.

 

O Grêmio jamais pensaria no seu grande rival gaúcho se estivesse na mesma e confortável situação. O São Paulo faria o mesmo com o Corinthians, o Flamengo com o Fluminense, o Cruzeiro com o Atlético MG e por aí vai e vem. Não há santos nos confrontos.

É da lei nacional das rivalidades e das irracionalidades. É mais um problema que um campeonato de pontos corridos carrega no seu gordo ventre. Times que se perdem no meio do caminho, por diferentes motivos, se desinteressam da competição na reta final e podem prejudicar outras equipes, sejam rivais regionais ou não.

O mistão colorado que Tite escala não é o bom e vigoroso Inter da Copa Sul-Americana. Está longe, distante de ser, apesar de Guiñazu. São apenas reservas alinhados com outros reservas de vida menos freqüente no banco de reservas. É opção do clube, é coerente, é saída estratégica em nome do torneio continental. Outros fariam igual, igualzinho.

Lógico que os reservas sempre entram para vencer, mas falta qualidade para garantir os três pontos.

Ao usar o seu batalhão de reservas de forma consciente, o Inter não está apenas prejudicando o Grêmio, ao menos teoricamente. Está ajudando o Cruzeiro, inimigo direto e tinhoso ao cobiçado posto da Copa Libertadores da América que o Tricolor persegue.

Ao facilitar a vida dos mineiros, o Inter atinge o Grêmio no meio, mas coloca no mesmo alvo, mesmo indiretamente, Palmeiras e Flamengo, outros interessados em uma vaga na Libertadores. Os dois são alvos periféricos. Com a vitória do Cruzeiro em Porto Alegre, a dupla será atingida com vigor, talvez mortalmente na temporada. 

O problema existe, é grave, hoje atinge um, amanhã pode afetar o outro, toca no topo da tabela, envolve a ponta de baixo. Mudar a fórmula do campeonato não é a questão. Seria o mesmo que banir uma torcida organizada dos estádios por causa de uma dúzia de marginais.

O ideal seria colocar a CBF na jogada, discutir e buscar uma solução negociada com o Clube dos 13, talvez varrer copas paralelas dos últimos 30 dias do Brasileirão. Encerrá-las antes, cinco rodadas antes do final do grande campoenato do país.

O que não pode é murchar o campeonato na sua parte mais decisiva com o uso de time misto, B ou C. Não parece justo com os outros competidores. Um clube só não reclama bem mais alto hoje porque pode ser o beneficiado amanhã.  

Postado por Zini, Porto Alegre

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Ipatinga é o novo fantasma do Grêmio

28 de novembro de 2008 66

O Grêmio é uma certeza de incertezas. Jogou um título pela porta lateral, entregou um tricampeonato desenhado. Caiu quando precisava subir. Derrapou como sempre derrapa um time com Celso Roth na volante, sem capacidade de engatar uma quinta, sem velocidade, pé na trava no lugar do acelerador. .

 

Culpados são todos, da direção ao último reserva, mas é o comandante de campo que abriga as maiores críticas, que é o ungido nas grandes vitórias. Roth mantém a sina de perdedor, ou alguém acredita em milagre no Morumbi?

O Grêmio busca a sua vaga da Libertadores, em Minas Gerais, como um prêmio de consolação. É pouco quando o título brasileiro estava ao alcance da mão direita.

Ipatinga é cidade natal da equipe que joga o pior futebol do Brasileirão. É o saco de pancadas da temporada. Perder em Ipatinga é como despedir-se da competição. O Inter perdeu e rachou o casco no Brasileirão, precisou buscar socorro na Copa Sul-Americana, esnobada por todos que viam o título do Brasileirão como algo viável. Foi preciso músculos para segurar Tite na época.

O Grêmio deixou em Salvador um naco graúdo do seu ano de fracassos no Gauchão, na Copa do Brasil, na Sul-Americana. A goleada deu uma rasteira na sua confiança, um tranque no seu amor próprio.

O Grêmio que joga em Minas é um mistério só. Ninguém sabe do que ele é capaz, ninguém sabe mais quem ele é. Se o valoroso time do primeiro tempo de domingo passado ou o curioso amarelão da segunda etapa. O Grêmio perdeu a sua identidade no final do ano.

A falta de convicção do técnico é o retrato do Grêmio. Souza não é mais o ala direito. Matione volta, depois de ser descartado até da viagem ao Nordeste.

Perea, que sobrou até do banco, é novo titular no ataque. Marcel, o centroavante que não faz gols, continua no time. A insistência é tamanha que um dia ele vai marcar. Douglas Costa continua esquecido. Orteman é lembrado.

O momento gremista é tão estranho e confuso que ninguém arrisca um palpite. Pode ganhar de três, pode levar três.

Postado por Zini, Porto Alegre

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O que D`Alessandro disse aos seus

28 de novembro de 2008 28

Os argentinos não cansam de elogiar D`Alessandro. O jornalista Diego Morini, do La Nácion, é um deles. Lotou o habilidoso canhoto colorado de elogios.

Disse que o futebol do conterrâneo é o mesmo, mas ele parece agora mais experiente e mais inteligente no campo de jogo.

D`Alessandro diz que está muito bem no Inter e sua boa fase fora de campo está refletida na boa grama, Olha o que o jogador falou:

1) Que o Inter vai jogar sempre igual. Fora ou em casa. Todos estão surpreendidos como a força do time, os jogadores entre eles.

2) A equipe tem estilo e todos respeitam. Sólido na defesa, no meio-campo todos sabem o que fazer. O grupo está unido e a união se nota em campo.

3) Com o 4-4-2 ele gosta de jogar pelo lado direito. Disse que atuou assim no Zaragoza e na Inglaterra.

4) Continua sonhando com a seleção. Quer voltar logo, o mais rápido possível.

Não será novidade para nenhum argentino, do fã ao porteiro de um hotel, se D`Alessandro for um dos escolhidos de Maradona. Ele merece

Postado por Zini, Porto Alegre

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Inter começa a achar que Tite é mesmo o cara

27 de novembro de 2008 33

Tite faz o seu Inter jogar à moda inglesa, vence jogos históricos na Argentina, fica perto de um título continental e ganha fôlego para trabalhar no Beira-Rio no ano do centenário/Diego Luna, AP
A Copa Sul-Americana que faz sombra no Estádio Beira-Rio, que se aproxima, é um marco. Fará do Inter o primeiro clube brasileiro a tocar no troféu, o primeiro com poder de exibi-lo em casa, o primeiro a erguê-lo em seus domínios. Não é pouco.

 

Não é uma cobiçada Taça Libertadores, mas também tem eco continental, respaldo de um jogo contra o campeão japonês, um certo impacto mundial. O virtual campeão apostou sua vida na Sul-Americana. Jogou contra que não apostou tudo na Copa, mas superou todos, foi vencendo, crescendo e hoje pode programar uma grande festa na primeira quarta-feira de dezembro de 2008. Aproxima-se um campeão legítimo.

O Inter deve terminar o ano com o titulo e se orgulhar da conquista. Não era a prioridade, era o terceiro da lista, liderada pelo Brasileirão e pela Copa do Brasil. Tropeçou nos dois, se abraçou na terceira opção e fecha a temporada com um sorriso, embora sabendo que a sua ausência da Libertadores é ainda um golpe duro e precisa ser assimilado. O fracasso no Brasileirão dói e ainda é preciso conhecer seus motivos.

Os gaúchos como sempre estarão profundamente divididos quanto ao verdadeiro valor da competição. Os vermelhos ainda em êxtase, os azuis achando que a disputa é menor do que um Gauchão. É assim que funciona a rivalidade, é assim que os dois clubes se tratam. Um sempre menosprezando as conquistas do outro. É histórico, é posição comum na aldeia.

Se estivesse acontecendo o inverso, o Grêmio no papel do Inter, o desdém do outro lado seria idêntico. Vivemos num mundo de duas cores e que só o Dr. Mário Corso pode nos explicar.

A Copa anuncia, mostra, prova, antes de tudo, antes mesmo dos adversários, com reservas ou sem eles, que o Inter achou um time, que o técnico encontrou um esquema (mais britânico impossível), que os jogadores descobriram uma liderança especial fora de campo. Liderança, olha aí a chave da vitória.

Os elogios de Edinho ao comandante Tite, depois esplêndida vitória em La Plata, são sintomáticos. Edinho é um dos líderes do grupo de jogadores. Se o capitão fala que Tite é um bom treinador, não está falando sozinho. É o eco dos companheiros. Nunca se ouviu nada parecido desde os tempos do longo reino de Abel Braga.

Se a calamidade não chegar grudada ao Estudiantes de La Plata, o Inter começa 2009 com Adenor Bachi no banco de reservas. Importantes vozes coloradas já plantavam seu nome nos bastidores. Os jogadores estão adubando.

As vitórias, as históricas partidas em casa argentina, a proximidade do título, retira de Tite a tola desconfiança de que o técnica era movido por sentimentos gremista acima de qualquer coisa. Bobagem, desrespeito, má fé.

Tite é profissional acima de cores ou de fofocas locais e está outra vez num momento de fazer inveja aos outros técnicos locais e nacionais.

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Inter vence com 10 em La Plata e chama Copa de sua

27 de novembro de 2008 37

D`Alesssandro enrola Benitez, do Estudiantes, e faz do seu pé esquerdo e da sua habilidade duas das mais letais armas do Inter na Copa Sul-Americana/Eduardo Di Baia, AP
Noventa minutos, uma hora e meia, é o tempo que falta para o Inter chamar a América de sua. A soberba vitória em La Plata, derrubando uma invencibilidade de 43 jogos do Estudiantes, aproximou o continente do Beira-Rio.

A inédita Copa Sul-Americana é colorada, nem os argentinos duvidam mais. A taça está inteira no armário. O adversário não tem talento para superar o corajoso e aplicado Inter no Beira-Rio quarta-feira que vem, não num jogo normal. Quando muito tem a determinação argentina, o que é pouco.

O Inter, que havia cravado seu distintivo no centro de campo do mítico La Bombonera, estendeu a bandeira de duas cores em La Plata. Venceu com mérito de campeão. Com futebol superior, aplicado e de ação. Uma vitória que deve ser guardada na história. Vencer argentinos na Argentina é tarefa de poucos. Vencer argentinos na Argentina em decisão e jogado com 10 jogadores quase 60 minutos é façanha.

A torcida colorada cantou e dançou, gritou e pulou e fez de La Plata um verdadeiro Beira-Rio.

Eu escrevi que o Inter era o favorito dias atrás, mas não imaginei que os gaúchos precisariam de apenas dez homens para ganhar a primeira das duas decisões.

O pouco responsável Guiñazu foi expulso antes dos 30 minutos depois de dois lances ríspidos e fora da lógica do futebol e tonteou o Inter durante alguns minutos. Alex, ao marcar seu gol de número 32 na temporada, colocou tudo no lugar depois do pênalti em Nilmar. Alex foi bem outra vez, mas gostei mais de Lauro, Álvaro e D`Alessandro.

A fragilidade técnica e tática do adversário ajudou o Inter, deu mais gás ao time visitante. O Estudiantes é limitado, carente de bom futebol, viciado em cruzamentos e que depende de Verón em todos os segundos de jogo. Pressionou, mostrou raça e entrega. Atacou, mas as chances de gol foram mínimas. Falta qualidade ao confuso time dirigido por Leonardo Astrada.

A grande vitória, o título que se aproxima, o bom futebol dos últimos 30 dias pavimentam o caminho de Tite em 2009. Ele fica, contrariando as antigas informações que diziam que ele sairia em dezembro. Fica com uma taça inédita embaixo do braço. Quem pode falar algo contra neste momento? Você?

Postado por Zini, Porto Alegre

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Dupla precisa de novas referências no futebol

26 de novembro de 2008 42

Grêmio e Inter sempre foram referência um para o outro, secular referência. Quando os guerreiros do Grêmio tomaram o Japão, os lanceiros do Inter fizeram carga igual e ocuparam o monte Fuji como missão de vida anos depois. Hoje se discute qual o que vale mais e a conversa anima os fãs de bar em bar.

Quando os dois caíram em diferentes momentos e de distintas maneiras na história, eles olharam o vizinho e analisaram a sua saúde. Se o adversários estava mal também, OK, tudo bem. Não vamos nos preocupar demais.

Os tempos mudaram, as referências não são mais as mesmas de um passado muito recente. Não podem ser.

Os dois precisam buscar outros parâmetros. Mirar-se no São Paulo, por exemplo. O clube quer R$ 32 milhões anuais pela marca que ostentar na sua camisa campeã em 2009. É um recorde. Sete anos atrás, o terceiro mais popular clube do Brasil recebia R$ 6 milhões.

A Dupla deve lembrar do exemplo do Boca como vencedor, como fábrica de craques na sua categoria de base, estudar a organização de um Manchester United ou de um Real Madrid dentro, fora e em volta do campo.

Não adianta mais, é bobagem, achar que está tudo bem se o rival também está mal. O adversário local é apenas uma fonte de rivalidade. Não deve mais servir como parâmetro.

Se a dupla Gre-Nal deseja mesmo crescer sem parar, tomar o trono nacional das competentes mãos paulistas, precisa mudar o foco de uma vez por todas. Olhar os melhores do Exterior como exemplo.

O melhor da aldeia já não faz mais milagres. A aldeia sumiu. Vale o global. Ninguém faz mais nada sozinho. A Dupla precisa encontrar grandes parceiros com urgência, refazer seus planejamentos, pensar a longo prazo (uma década) reforçar seus times, encher os estádios e mandar ver.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Real Madrid procura Pato em Milão

26 de novembro de 2008 5

O Milan deseja Sergio Ramos, o Real Madrid quer Pato e os dois jogadores podem trocar de camisa na janela de negociações do final do ano/Ivan Sekretarev, AP

O gigante espanhol Real Madrid namora Kaká desde a Copa da Alemanha. Se arrepende até hoje de não ter entrado no leilão que levou o melhor jogador brasileiros da atualidade aos braços calorosos do Milan. O Sâo Paulo se lamenta diariamente.

Como não pode ter Kaká sem o OK do Milan, os espanhóis pensam em Pato, o ex-colorado de 22 milhões de euros. Acham quem pode incorporar o atacante ao Real Madrid se o Milan continuar insistindo em ter o zagueiro Sérgio Ramos. Ramos é sonho antigo do Milan e disse que não ficaria constrangido em trocar Madrid por Milão. O Real Madrid acha a troca justa. O Milan, nem tanto.

Não será novidade se os dois jogadores de Seleção trocarem de clube na janela do final do ano. Mas cá para nós do Sul, trocar Pato por Sérgio Ramos, mais algum dinheiro, não parece um bom negócio, ao menos para o Milan.

Jornais italianos e espanhóis já comentam o negócio.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Grêmio na Libertadores é o mínimo, não o máximo

25 de novembro de 2008 72

As vozes oficiais do Grêmio correm aos microfones e anunciam três novos atacantes para 2009. Fazem no final novembro o que precisava ter sido feito antes de agosto. Dizem no final do ano a frase ideal para o meio do ano. Falam num momento perigoso, quando a Libertadores ainda é sonho e os gols uma necessidade, embora cada vez mais incertos..

Os seis atuais atacantes do Tricolor bem somados não dão dois, quem sabe um e meio e olhe lá. Da partida decisiva em Salvador, por exemplo, o goleador da temporada foi sacado até do banco. Perea viu tudo calçando tênis, distante do campo de jogo, como um turista colombiano qualquer no Brasil das praias de água quente.

Quando podia ter Marcelinho Paraíba, o Grêmio olhou para o outro lado, seu lado errado e imaginou que com Soares, André Luís e Marcel podia tudo. O São Paulo veio e lhe roubou 12 pontos, agora mais quatro e o título, ao menos que você aí da tela acredite em milagres.

Eu tenho certeza que se o Grêmio tivesse alinhado Marcelinho Paraíba, ou alguém do seu quilate, estaria brigando pelo título com real poder de decisão. Mas os dirigentes, que vão e vem, tiram os olhos do ataque todos os dias e quando vão às compras. Buscam volantes aos montes, zagueiros em balaios. Chamam Tuta e Marcel e vendem Carlos Eduardo. Depois atraem Soares, Marcel de novo, André Luís e Reinaldo DM.

Das categorias de base saem atletas da zaga, do meio-campo e das meias. Atacantes de verdade, goleadores, definidores, não brota um. Não consigo lembrar do Grêmio produzindo um atacante qualificado nos últimos anos.

Não lembro nem do último. Você recorda? Será que alguém andou salgando as terras que produzem homens de ataque nas categorias de base do Olímpico? Onde está o mistério? Onde está o Lucas do ataque, ou o Anderson? Onde se escondeu a qualidade?

Duas semanas antes do final da temporada o Grêmio lembra que faltam atacantes e ala esquerdo. Só os dirigentes não sabiam . Só eles. Eu, você e os adversários sabíamos desde o Gauchão, passado pela Copa do Brasil, entrando no Brasileirão. Ou eu estou enganado?

O Grêmio de 2008 vai se contentar com a Libertadores. Tem gente que fica feliz com o mínimo.

Postado por Zini, POrto Alegre

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Estudiantes: 43 partidas invictas em La Plata

25 de novembro de 2008 29

Técnico do Estudiantes, Leonardo Astrada tem um time inferior ao adversário gaúcho, mas conta com a torcida e a extrema vontade de vitória dos jogadores argentinos/Daniel Luna, AP

La Plata, 50 quilômetros ao sul da cidade de Buenos Aires, é a casa sagrada do Estudiantes. O estádio é novo, municipal. O antigo, onde o Grêmio suou sangue na Libertadores de 1983, é um monumento do passado. Igreja de reverência, lugar onde o mítico treinador Osvaldo Zubeldía saiu tricampeão da Libertadores entre 1968 e 1970 com o seu time vermelho de coragem.

O Estudiantes é o que é muito pelo seu passado. O presente não reflete o histórico time da década de 70. Pelo contrário. É muito mais frágil. É mais sonho do que bola no chão.

Quando o Inter é apontado como favorito um pingo de gente se levanta e diz que não, não mesmo. Os argentinos da mídia, em sua maioria, confiam no Inter porque conhecem seus jogadores e já os assistiram contra o Boca. Ninguém vence o Boca duas vezes em seqüência, uma delas na Bombonera, e passa batido pelos olhos dos vizinhos, especialmente se for estrangeiro.

Ok, o Estudiantes venceu em sua casa Independiente, Arsenal, Botafogo e Argentinos Juniors pela Copa Sul-Americana. Seus fãs estão rindo sozinhos, mas sabem que a tarefa contra o Colorado é mais dura.

Andujar; Angeleri, Alayes, Desábato e Díaz; Galván, Sánchez, Verón e Benítez; Salgueiro e Boselli são os eleitos de Leonardo Astrada. Dos 11, o mais luminoso é Verón. Um homem de meio-campo que dá gosto ver jogar.

Ele se move em todas as posições do setor, sabe lançar, chuta com precisão, bate faltas como um mestre. É um dos melhores jogadores da Argentina. Andujar é bom goleiro. O cabeludo Angeleri é um dos jogadores que Maradona quer ter na sua nova seleção. E é só, e não muito mais.

Em casa, o Estudiantes tem a força da torcida e o sangue argentino, sempre derramado por uma boa causa, a vitória na partida. O Estudiantes está entre os cinco melhores times do seu país. O Inter da Sul-Americana deixou a irregularidade de lado, jogou no Guaíba, fez boas partidas e sabe que pode ganhar em La Plata. Sabe mais, que é favorito e que tem melhor time, organizado em volta de Alex, Nilmar, D`Alessandro e Guiñazu.

Descobrir resultado é função de pitonisa e de quem toca tambor em encruzilhada. Mas quem acompanha futebol e viu Estudiantes e Inter sabe que os gaúchos pode vencer mesmo na Argentina, independentemente do fator local. Antes do futebol, o Inter vai precisar de coragem. Ninguém cala os argentinos dentro de casa sem exibir o volume das suas chuteiras. E depois, o Estudiantes está 43 partidas invictas em la Plata, segundo a Agência DPA.

Postado por Zini, Porto Alegre

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O misterioso intervalo do Grêmio em Salvador

24 de novembro de 2008 96

Na sua mala de quatro gols, o Grêmio trouxe outro mistério ao Estado quando seu jato avistou o Aeroporto Internacional Salgado Filho. O que realmente aconteceu no intervalo da amarga decisão em Salvador? O que se passou no interior do vestiário em 15 rápidos minutos. O que houve?

Como pode um time perder seu futebol, sua concentração, sua discutida postura tática em 900 segundos? O Grêmio fez um bom primeiro tempo, ganhou um gol contra, mas teve chances de marcar outras três vezes. Ok, o Vitória poderia ter feito dois. Se o placar anunciasse um 4 a 2, raros torcedores locais atacariam o rechonchudo Hélber Roberto Lopes. O placar seria justo.

Será que houve briga, discussão logo depois? Será que o ambiente estava carregado pela carranca de Perea, que ficou indignado por ter ficado fora do jogo? Não. Pelo contrário. O Grêmio terminou o primeiro tempo vencendo, superando o adversário, anunciando que iria vencer.

O que faltou ao Grêmio no intervalo foi um treinador capacitado, alguém que fizesse a diferença no banco de reservas, um organizador de time,alguém que conseguisse enxergar o segundo tempos antes da hora. Vagner Mancini viu, mudou a sua equipe no vestiário, deu um nó tático em Roth e venceu com uma naturalidade surpreendente, espantosa. Um desavisado acharia que o candidato ao título vestia vermelho e preto na trágica tarde baiana.

O grande exemplo da falta de critérios no Grêmio foi a escalação de André Luis, um segundo atacante que nunca fez gol no Brasileirão. Pode um jogador assim ser usado numa partida decisiva? Não. E o centroavante que não marca desde agosto? Que dupla.

Roth, que vê além de nós todos, sempre contrariando o mundo, chamou André Luis e, outra vez, ojogador não respondeu com uma atuação de qualidade. Gol não fez. Ela não faz desde maio.

Quem não faz muito, mas faz mais que André Luis, um atacante chamado Perea, nem na reserva estava. Imagine. O goleador da temporada gremista viajou, mas ficou fora do banco numa partida na qual o time precisava desesperadamente da vitória. Se você entendeu, ajude-me. Eu não entendi a decisão de sacar Perea. Roth também não explicou.

Quando o Grêmio buscava um centroavante, Roth pediu Marcel, bateu pé por Marcel, exigiu Marcel. André Krieger aprovou. A procura cessou imediatamente. Depois, faltou verba para buscar um mais qualificado. Agora, o Grêmio acena com a possibilidade de oferecer bicho extra nos dois jogos finais. Perde tempo. Perde foco. Rasga dinheiro.

A direção poderia tentar descobrir os reais motivos que fazem o Grêmio patinar feio em jogos decisivos, sofrer nove gols em três deles (Cruzeiro, Lusa e Vitória) e jogar o título pela janela. O Grêmio não sabe porque ganha, porque perde e anda perdendo bastante desde janeiro passado. Ainda não descobriu. Mas sabe que precisa alcançar algum dinheiro para que outro clube corra um pouco mais por ele em 180 minutos.

O Grêmio entende que o bicho extra vai garantir seu posto na Libertadores. Atenção! O Grêmio continua cuidando muito dos outros, pouco dele mesmo.  

Postado por Zini, Porto Alegre

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Um Inter perde, o outro só pensa na Argentina

23 de novembro de 2008 21

Treino, o Inter treinou no Beira-Rio, encarou o Fluminense como se os cariocas fossem um Zé Ninguém da periferia da Região Metropolitana. Sofreu dois gols (2 a 0), mas não ligou, não se preocupou porque o Inter não está nem aí para o seu péssimo Brasileirão. Cumpriu tabela. A derrota não representa mais nada.

Ninguém ouviu uma só vaia no ventoso Beira-Rio do começo da noite do penúltimo domingo de novembro. Cerca de 7 mil pessoas assistiram a derrota dos seus reservas como frios espectadores, o menor público do ano no estádio. Os olhos estavam em campo, o pensamento em La Plata.

O time B só perde. O Inter tem um bom time, o que descansou, não mais um bom grupo

A cabeça colorada está inteira na Argentina desde quarta-feira da semana passada. Seu ano, que parecia perdido no começo outubro, apesar do Gauchão, está sendo salvo pela Copa Sul-Americana. A competição, esnobada por São Paulo, Grêmio, Palmeiras e Boca Juniors, sempre foi encarada com o máximo respeito pelos colorados.

O Inter estava certo. O interesse cresceu, o time superou adversários importantes, alguns com reservas, e estacionou na final como favorito. Até os argentinos dizem que o Estudiantes precisa jogar o que nunca jogou até agora para ficar com o título.

Quem determina se a competição é quente (ou não) é a torcida e ninguém mais. É ela quem define o tamanho e o barulho da festa do título, se a taça chegar, claro. O futebol é tudo, menos previsível.

O Estudiantes está mobilizado e La Plata vai testar os nervos e a coragem do Inter. Os gaúchos têm mais time. Os argentinos têm Verón e uma gigantesca determinação. Correm atrás de uma certeza: se não fizerem escore em La Plata, viajam ao Brasil por um milagre.

O Estudiantes tem apenas uma bala na agulha. A arma do Inter está carregada. A decisão é desigual. O Colorado tem mais time.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Mancini fez a diferença do outro lado

23 de novembro de 2008 127

Vexame! A palavra é justa. Serve. O Grêmio levou quatro gols do Vitória, um dos piores times do returno do Brasileirão, e disse adeus ao título, bye, bye tricampeonato.

Só a Copa Libertadores da América salva o tricolor em 2008, mas depois dos 4 a 2 em Salvador qualquer prognóstico é loteria. Até a Copa é um gigantesco ponto de interrogação. Quem leva quatro do Vitória pode sofrer dois do moribundo Ipatinga e achar natural.

Quando eu falei que o irregular Grêmio tinha entregado seu futuro no campeonato nos jogos com o Cruzeiro e com a Portuguesa, seis pontos jogados pela janela em duas partidas decisivas, fui atacado por uma fila de internautas, especialmente depois da inesperada vitória no Palestra Itália. Eu disse que o Grêmio era um time inconfiável, sem ataque, sem alas, sem qualidades de campeão.

Celso Roth é o que é, um coadjuvante. Seus times jamais brilham, atolam na praia, se afogam na arrebentação. Ele não consegue subir ao pódio. É medalha de bronze para baixo.

O Grêmio deste domingo de novembro é o melhor exemplo. O time precisava vencer, mas o centroavante titular (Marcel) não faz gols desde agosto. Com a nova lesão de Reinaldo, ele investiu em André Luis, o atacante que não marcou um, eu disse UM, um só gol no Brasileirão. Esqueceu Perea, desistiu de Morales. Queria vencer com dois atacantes que nunca marcam gol.

A falta de gols destruiu o Grêmio em menos de 90 minutos. Seu primeiro tempo foi bom, fez um gol, contra, e teve mais três chances. Errou todas. Quem esteve com a partida aos seus pés? André Luis. O que ele fez? Errou.

Normal, natural. Mas o jogo estava fácil, tranqüilo, sob absoluto controle. Veio o segundo tempo, Vagner Mancini mudou o sistema tático no vestiário, colou dois atacantes nas costas dos laterais, avançou o meio-campo, posicionou melhor a defesa e ganhou o jogo na velocidade. Roth, que acha que o futebol é imprevisível, viu tudo do banco como um espectador privilegiado, como um técnico sem ação, como um treinador batido pelas táticas do adversário. .

Em 12 minutos, o Vitórias liquidou o vice-líder, fez três gols e deixou o São Paulo em condições de ser campeão em sete dias com uma vitória,mais três pontos. O rechonchudo Héber Roberto Lopes ainda ajudou o Vitória ao expulsar injustamente Amaral. Sua ação não justifica a derrota.

O Grêmio tem sido assim em 2008: bateu a decisão, chegou a derrota. Foi no Gauchão, na Copa do Brasil, na Sul-Americana e em todas as partidas decisivas do segundo turno do Brasileirão. Com Roth, o Grêmio perde quando o jogo é definitivo. Perde sempre. Roth anda de mãos dadas com as derrotas.

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Caminhos e descaminhos da mala preta, mala branca

23 de novembro de 2008 23

Que tal mandar o verdadeiro Bond, James Bond, atrás do dinheiro ilegal que sustentam as operações mala preta, mala branca?/Arquivo, AP
Mala branca, mala preta, sacolas de cores definidas e tamanhos variados, mas sem procedência garantida, entram em vestiários conhecidos de clubes de diferentes estados. A prática antiga, revelada, mas sem jamais anunciar as fontes, em momentos de decisão ou de desespero, é abominável. O dinheiro disponível para correr mais, correr menos, é tão antigo e farto quanto o profissionalismo no futebol.

Eu sou contra, não gosto, acho um atentado contra quem leva a bola de futebol desenha no coração e na alma. A mala preta (mala branca) é uma bola nas costas. É a mesma coisa. Corrupção igual sem tirar um centavo. É ilegal. É fora da ética.

O jogador que aceita dinheiro para correr mais é o mesmo que pode dar o o.k. para correr menos. Não há diferença entre as duas corruptas ofertas. O fim é o mesmo. Prejudicar um terceiro com a injeção de um pacote de reais, talvez dólares, quem sabe euros. Dinheiro ilegal, por certo.

As duas corrompem. Fazem mal, minam um vestiário, não recomendam seus jogadores e comandantes. As duas avisam: "Olha não sou profissional suficiente para cumprir o meu trabalho. Preciso de mais dinheiro, nem que este dinheiro seja ilegal, corra longe do Imposto de Renda, não entre na folha de pagamento do meu empregador".

Como confiar num jogador que corre mais se alguém enfiar R$ 10 mil no bolso do seu abrigo? E quando ele observar apenas o seu salário na conta do banco será que ele vai desempenhar igual ao dia da mala?

Se ele não correr como correu duas partidas atrás será que é por que ele recebeu algum dinheiro para se esconder da bola no meio do jogo? Você sabe as respostas? Eu, não.

É impossível confiar em jogadores que modulam suas atuações, mesmo esporádicas, pelo recheio de uma contribuição financeira externa. Se o clube oferecer mais dinheiro como aumento salarial ou um bicho mais gordo, antes de uma partida complicada e definitiva, não vejo o menor problema. Sai do clube, sai de uma fonte honesta, sai legal. É o clube querendo premiar o seu jogador por um desempenho bem definido.

Aceitar pagamento de estranhos em reta final de campeonato é caso de polícia. De onde sai o dinheiro da oferta? Qual a fonte? Procedência.

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Torcidas organizadas, eu, vocês e as mulheres

22 de novembro de 2008 40

Sem inteligência, usando apenas a força, as autoridades fardadas jamais conseguirão limpar as torcidas organizadas da minoria que tenta descaracterizá-las/Esteban Felix, AP
Observo lideranças da segurança pública estadual levantando o punho fardado e bradando contra as torcidas organizadas. Noto que elas imaginam que todo o mal presente nos estádios de futebol do Rio Grande do Sul caminhe de mãos dadas com as torcidas organizadas. Puro engano. Absoluta desinformação. O inimigo é outro. Não é o conjunto. É o indivíduo.

O problema não é a torcida organizada, nem a câmara de vereadores, o Senado ou os ministros. O problema grave é às vezes a composição delas. Os infiltrados é quem descaracteriza o movimento. São os vândalos, os desordeiros, os bandidos, os criminosos, os que mereciam estar presos na hora do apito inicial do árbitro.

Não adianta passar uma patrola por cima, demolir com uma escavadeira. É preciso saber quem descaracteriza uma torcida organizada, por exemplo, ou a câmara de vereadores. Quais são as pessoas que estão fazendo o conjunto sofrer. Quem? Quantos?

Num público de cerca de 20 mil pessos por jogo (média não muito distante das partidas da Dupla, mais ou menos), os desordeiros são mínimos – os bêbados também eram e todos os espectadores foram punidos, mesmos os que bebiam sem que o álcool pusesse seus cérebros em outro caminho. Basta ações inteligentes e severas da BM (não a segunda sozinha), ao lado dos clubes, para retirar os vândalos, de todos os tipos, de circulação. A Justiça brasileira, lamentável em muitos casos, poderia, com algum esforço, contribuir. Mas ela é lenta.

Estádio de futebol deve ser um ambiente familiar. Você precisa levar, sem constrangimento, a namorada, a amiga, o filho, o pai, a mãe e o avô. Só assim teremos estádios lotados, alegres e em clima de festa. As mulheres gostam cada vez mais de futebol e precisam de um espaço civilizado. Eu gosto muito de vê-las nos campos de futebol. Você não?

Claro que um estádio de futebol no Brasil não é uma ilha de segurança no meio da nossa insuportável e invencível violência. É espelho da nossa sociedade atual. Quem assalta na nossa esquina de arma na mão, que nos impede de caminhar/correr com tranqüilidade no final da longa tarde do horário de verão, é o mesmo que vai nos ameaçar no final da rua que desemboca no estádio. Não há diferença. Talvez ele seja nosso companheiro de arquibancada, de fé e de torcida depois de esconder a arma na casa onde vive.

Os britânicos são melhores do que nós? Sim, em certos casos, sim, com certeza. Na Justiça, por exemplo. Governo, Justiça, clubes de futebol e federações se uniram e decidiram acabar com a violência no interior do estádios no final dos anos 1980, começo dos anos 1990.

O desrespeito era tamanho que o presidente do Chelsea queria colocar cerca (alambrado) elétrica em volta do gramado porque não sabia mais o que fazer para segurar os furiosos hooligans. (Ó, lembrei de uma boa leitura sobre o assunto "Como o Futebol Explica o Mundo", Editora Zahar, do jornalista norte-americano Franklin Foer, colaborador da revista Slate, que você acha na internet).

Nosso estádios são antigos, reformados, desconfortáveis. Não há dinheiro para novos, salvo exceções, especialmente depois da crise global, que desce em ondas, tsunamis dirigidos. Nossos grandes jogadores estão fora, nossas promessas viajaram depois. A violência é a nossa tortura diária. As grades de nossas janelas são nossos cartões postais. Só a tevê da sala nos dá seguranca, se ninguém tropeçar no tapete com um copo de cerveja na mão.

No vasto Brasil, a violência ganhou ou pelo menos está vencendo de goleada. Nos estádios ou em volta das praças, mais localizada, a violência pode ser contida por uma defesa ágil e inteligente. Basta organização, união, vontade política, dinheiro para novos projetos e agilidade. E claro que a torcida organizada não é o inimigo número 1.

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Dupla Gre-Nal ainda não sabe como será o Ano-Novo

21 de novembro de 2008 9

Três jogos, nove pontos que valem ouro, separam o Grêmio do seu final da ano. Seis pontos atormentam o Inter até o dia três de dezembro, os noves que restam do péssimo Brasileirão foram jogadas pela janela.

 

A Dupla termina o ano com os pés trocados. O Inter foi anunciado como candidato ao título brasileiro e ficou no meio do caminho. O Grêmio pensava na Sul-Americana como opção, mas deixou a Copa para outro momento porque o título nacional lhe sorriu.

A situação é nova para os dois. Se alguém fizessem previsão semelhante no começo da temporada seria convidado a passar uma dúzia de meses no São Pedro, não no Theatro.

O domingo de Salvador pode anunciar o futuro próximo tricolor. A quarta-feira de Buenos Aires deve projetar o amanhã colorado.

A bola está nos pés da Dupla. Pela primeira vez na história do futebol gaúcho os dois clubes podem fechar um ano com títulos importantes ao mesmo tempo, separados por dias, um nacional, outro continental.

Títulos não se comparam. Títulos se conquistam. Cada um faz a sua festa, solta os foguetes que têm, estende as bandeiras que detêm, abre os espumantes e as champanhas que encomendou.

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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No controle da TV, entre Renato, Muricy e Mancini

21 de novembro de 2008 15


O controle remoto vai esquentar, pegar fogo, pode explodir, na nervoso mão tricolor. Dos dois, do gaúcho e do paulista.

O penúltimo domingo de novembro se aproxima com ar de decisão envolvendo Vasco e São Paulo, Vitória e Grêmio, Cruzeiro e Flamengo, Palmeiras e Ipatinga. Todos jogando no mesmo dia e no mesmo horário das 17h. A rodada promete ser uma das mais espetaculares do Brasileirão 2008.

O São Paulo acaricia o título, o Grêmio duvida, Cruzeiro e Flamengo esperam mais um pequeno milagre do inigualável futebol. Sete pontos separam o líder São Paulo do Palmeiras, quinto colocado. Ainda sobram nove pontos nas três definitivas voltas da competição.

A Copa Libertadores da América é a segunda opção para quem acha que no título se manterá no Morumbi pelo terceiro ano consecutivo. O São Paulo manda no futebol brasileiro.

A lógica diz que o título está aberto, mas a realidade aponta o São Paulo como favorito (a minha opinião pelo menos). A diferença entre o líder e os perseguidores é que Muricy e os seus ganham fora do seu estádio com alguma regularidade. Os outros apenas esporadicamente.

O Grêmio bateu o Palmeiras no Palestra Itália e ganhou vida nova no campeonato. Impulsionou sua torcida, que agora acredita no título, na ajuda extra que Renato Portaluppi, seu ponteiro histórico, pode oferecer desde o banco de reservas de São Januário.

Renato, você sabe, ainda engatinha na profissão. Não é o técnico dos sonhos de ninguém. Muitos enxergam no banco o ex-jogador, mas não conseguem ver suas qualidades como treinador.

O moribundo Vasco é candidato firme e forte ao fosso da Segunda Divisão, mas joga no Rio, com 30 mil torcedores por perto e confia, mais do que no seu futebol, na sua mística e na sagrada camisa. Camisa pode ganhar um jogo, não uma seqüência.

O Vasco pode ajudar o Grêmio, mas antes do Rio, o Grêmio precisa esquecer os cariocas e jogar o seu melhor jogo em Salvador, onde Vagner Mancini quer algo mais que uma vitória, quer uma resposta. Fazer dos 90 minutos a sua causa, a sua vida. Deixar apenas o fã controlar as duas partidas, gastar o dedo no controle remoto. Como uma boa cerveja, Stella Artois, talvez, o controle remoto é titular absoluto no domingo do futebol.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Inter vê Estudiantes e sabe que tem mais time

20 de novembro de 2008 37

Verón é craque, referência do Estudiantes, titular da nova seleção de Maradona e um jogador que o Inter precisa cercar, marca, anular. Ele é o cérebro do adversário argentino/Daniel Luna
O fã colorado foi dormir na longa e feliz madrugada de quarta-feira vendo meia taça no armário do Beira-Rio. Na quinta, antes da meia-noite, observou o troféu inteiro. A semana é de sonho. A copa é real.

 A inédita Copa Sul-Americana é quase sua. Está ao alcance da mão direita. A confiança na conquista é quase absoluta. Se perder, e o futebol é inimigo das estatísticas, melhor amigo das surpresas, será um espanto no Brasil, na Argentina e em outros países que botam o pé na bola. O Inter é o favorito.

O Estudiantes, o outro disposto finalista, pode não ser um Chivas, mas não é muito melhor pelo que vimos durante o enrolado, truncado e horroroso jogo com o Argentino Juniors. Se eqüivalem, melhor, talvez os argentinos sejam superiores aos mexicanos pelas chuteiras mágicas de Verón, pelas experiência, pela história, pela dedicação. O Estudiantes é apontado pela Fifa como um dos 30 clubes "clássicos" do mundo.

Os mexicanos parecem que estão sempre a passeio quando deixam a sua altitude e carimbam os passaportes. Os argentinos nunca descansam em viagens. Jogam fora como se estivessem em casa, animados pelos torcedores. Parecem estar sempre dispostos a dar a vida por sua causa.

Na teoria, o Inter é bem superior ao batalhador time de La Plata, 103 anos de futebol, campeão do mundo em 1968, vencendo o Manchester United, tricampeão da Libertadores. Dos 11 de La Plata, só Veron ocuparia uma vaga entre os titulares do time gaúcho. Os outros 10 treinariam, quem sabe disputariam o banco de reservas com os reservas do Beira-Rio.

Quem assistiu o Inter nos últimos 30 dias, quem observou alguns jogos do disposto Estudiantes no mesmo período, sabe do que eu falo. Os argentinos podem correr por eles e pelo Boca, por Maradona e por Cristina Kirchner e talvez até vencer o jogo em seu estádio. Não devem resistir, por outro lado, as investidas coloradas no ótimo gamado do Estádio Beira-Rio, ao menos se o Inter repetir suas últimas performances na Sul-Americana.

Uma vitória apertada do combativo Estudiantes, em La Plata, é possível. Não provável. Como decide em Porto Alegre, o Inter dificilmente vai deixar de erguer a taça inédita nas primeiras horas da madrugada de quatro de dezembro.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Tite, Dunga, as vitórias e as esperanças de 2009

20 de novembro de 2008 10

Dunga vibrou como um calouro na beira do gramado, a seleção jogou bem, marcou seis gols e a vitória afastou os boatos de sua demissão. Por enquanto/Eraldo Peres, AP

O Inter varreu o Chivas da Sul-Americana 2008, fez as malas e entra na final como favorito amplo e destacado. A Seleção liquidou Portugal num importante amistoso internacional e termina o ano em aparente tranqüilidade.

Em dois jogos, em Porto Alegre e Brasília, 10 gols, a quarta-feira noturna foi comandada pelo controle remoto. A cada gol, os canais avançavam e recuavam. A rádio foi termômetro da tevê. A avalanche de gols atrasou o sono.

Atrás das vitórias absolutas, sem contestações, estão dois técnicos muito criticados, inclusive pelo cara que tenta dar coerência as linhas que se seguem. Tite e Dunga surfaram no olho do furacão, estiverem para ser demitidos, ficaram por pouco. Hoje, respiram novos ares, um oxigênio da Serra. Ganham fôlego.

A vida da dupla, cada uma a seu modo, mudou, melhorou, se estabilizou. Vitórias operam milagres. Mudam certezas, enterram dúvidas, sepultam críticas. Demissão, pelo menos, é uma palavra que não envolve mais os dois no presente. O futuro está novamente aberto aos dois. Não sou eu que digo. É a realidade que exige.

Já se ouve, especialmente no caso de Tite:

– Tem melhor? Tem. Mas estão empregados e ganha uma fortuna.

O certo é que a Sul-Americana está cimentando o lugar de Tite no Beira-Rio na próxima temporada. A incerteza de algumas semanas atrás foi driblada pelo trabalho de Tite. Eu, como muitos, tinha certeza que o técnico do centenário não atenderia pelo nome de Tite. Não tenho mais tanta certeza. Tite achou um equilíbrio que o Inter não tinha desde o glorioso 2006.

Dunga tem agora ao seu lado os seis gols contra Portugal ao seu lado. Era um amistoso, óbvio, mas a pressão vai diminuir. Ele ganha uma folga de quatro meses, no mínimo. O último resultado é o que vale, especialmente antes de umas férias prolongadas.

O passado recente de Dunga na Seleção é muito ruim. Portugal passou e Dunga jogou a sua vida. Nunca o vi tão vibrante no banco de reservas. A CBF, que aposta em Dunga. vai usar o amistoso como escudo contra os que pedem Muricy ou Luxemburgo.

Postado por Zini, Porto Alegre

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O Inter, a América e todos os foguetes do mundo

19 de novembro de 2008 35

Será que Medina, do Chivas, acordou com a seqüência de foguetes noturnos nos altos do Moinhos de Vento?/Miguel Tovar, AP
A Sul-Americana começa mais ou menos assim: os times usam os reservas e vão levando a competição na flauta, salvo exceções. Quem investe e se dá bem, nota, mais adiante, que o torneio vale um investimento mínimo. Depois, numa semifinal, já escalando a final, o Inter se dá conta que a Copa é um uma boa, é título inédito, tem respaldo continental, repica no planeta bola, dá um jogo de presente no Japão, possivelmente no final de agosto, outra copa e ainda algum dinheiro.

 

Copa Sul-Americana, que começa com times mistos e estádios quase vazios, termina com cargas de adrenalina, bons jogos e um título. É bobagem desdenhar uma competição continental. É ótimo vencê-la. Claro que o torneio não tem o peso, a importância, a visibilidade e a grana de uma Libertadores. Mas não deixa de ser importante nem por um segundo.

Eu gostaria de ver a Sul-Americana moldada no exemplo da Copa da UEFA e sem interferir na Libertadores. Seriam duas copas paralelas, deixando a Libertadores como está. A Sul-Americana receberia apenas clubes que não estão na Libertadores, mais dinheiro e uma final com o vencedor da UEFA européia em um jogo único, fornecendo um título que uniria os dois continentes como o Mundial Inter-Clubes. Creio que a América do Sul pode abrigar dois torneios de clubes importantes, significativos, atrativos e não apenas um.

O Inter que recebe os mexicanos do Chivas na Capital ganhou a classificação em Guadalajara numa elogiada partida. Jogou bem, fez 2 a 0 e destruiu o adversário. Nem assim afastou das estranhas lides o bando de homens risonhos e muito unidos que deixam mulheres e namoradas sozinhas (sozinhas?) em casa e tomam as madrugadas com foguetes nas mãos com a idéia de incomodar os adversários.

Eles agiram outra vez na madrugada passada. Babacas. Só incomodam os porto-alegrenses como eles. Nem a BM liga mais. Aliás, você viu um brigadiano por aí? Eu nunca vejo. Nem com estouros na madrugada eles aparecem. Ou apareceream? Alguém viu?

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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O que diz Mancini sobre o jogo em Salvador

19 de novembro de 2008 11

Pergunta da Agência Estado, que Zero Hora assina, ao técnico Vagner Mancini:

 

AE - Terá um gosto especial bater o Grêmio e tirá-lo da briga, pela maneira como você foi tratado no começo do ano?

Vagner Mancini - Não encaro como adversário diferente. Sou profissional, preciso defender o meu escudo. Se o jogo fosse contra o Inter, a minha vontade seria a mesma. Claro que algumas pessoas vão pensar que minha motivação é por causa da passagem pelo Grêmio, mas não penso assim. Já é um jogo especial por enfrentarmos um adversário que está na briga pelo título.

Tá bom, então tá. Pergunta se eu acredito.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Como separar os vândalos dos torcedores reais

18 de novembro de 2008 29

O domingo, o 16 de novembro, exibiu o avesso do futebol, a violência. Como sempre, ela tocou o torcedor comum. Mas não foi produzida pelo torcedor normal. Foi obra de vândalos, da escória, de criminosos.

 Numa rápida volta pelo mundo, mirando apenas quatro países no mesmo domingão, a violência tumultou o clássico entre Roma e Lazio, a polícia agiu e prendeu dezenas de italianos. Simpatizantes do Nacional invadiram o gramado de jogo e se pegou no pau com os fanáticos do Danúbio. A federação uruguaia suspendeu o campeonato. Argentinos tomaram dois ônibus, expulsaram os motoristas do controle dos coletivos e assaltaram os passageiros. Perto de nós, em Porto Alegre, um homem atirou contra dois gremistas na vizinhança do Olímpico. O Rio é aqui.

Não posso garantir, mas acredito que a maioria das pessoas envolvidas nestas confusões, sejam italianos ou uruguaios, brasileiros ou argentinos, tem antecedentes criminais. Jamais os chamarei de torcedores. Nunca. São desordeiros. A saúde do futebol depende da ausência deles dos campos de jogo.

O futebol é, antes de tudo, um jogo familiar. O estádio é lugar de criança, jovem, namorada, amiga, homem e mulher. Os ingleses só acabaram com a praga do hooliganismo quando fizeram leis específicas e retiraram na lei e no muque os bagunceiros dos seus estádios, das suas curvas, das suas torcidas organizadas, das suas gangues. Fora das praças de futebol eles ainda sobrevivem, como deliqüentes comuns, pequenos criminosos, vândalos de faca na mão. Mas a polícia se encarrega deles.

Ao fazer uma faxina nas arquibancadas, ao afastar os indesejados, ao colocá-los ao alcance da cadeia mais próxima, os estádios da Grã-Bretanha começaram a lotar outras vez. Note a cara do público nos estádios da Inglaterra. É cara boa.

Um grande livro que resume o período da violência do futebol inglês chama-se "Entre os Vândalos" e foi escrito por Bill Buford, que por incrível que pareça é norte-americano. É uma aula.

Não culpe o Grêmio ou os gremistas em geral pelo incidente que ocorreu fora do Estádio Olímpico. Os que apertaram o gatilho não representam a torcida azul, nem ninguém de bem. Não mesmo.

São pessoas que não podem entrar num estádio. São indesejados. São criminosos comuns. Racistas e xenófobos. São os memos de sempre, os que fazem como que o torcedor comum fique em casa, na ilha da tranquilidade dos jogos exibidos pela tevê. Ir ao estádio é um risco, mais ainda no seu entorno, que tem esquinas liberadas ao banditismo como em todas as cidades brasileiras

Bola rolando para estes vândalos só nas peladas do Presídio Central. Todos vendo a bola rolar quadrada. Justiça, se é que ela existe, neles. Só a Justiça pode segurar os malucos de arma na mão e idéias ruins na cabeça longe das pessoas mais civilizadas.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Arthur, um colorado

17 de novembro de 2008 18

O futebol gaúcho perdeu um dos seus dirigentes históricos, talvez um dos maiores dos últimos 50 anos. Morreu o ex-presidente Arthur Dallegrave, 78 anos. Ele era colorado, vermelho como poucos. Sua memória acomodava quilômetros de histórias do Inter.

Dallegrave viu o Rolo Compressor. Dallegrave abraçou Tesourinha. Dallegrave foi Tricampeão brasileiro. Dallegrave estava em Yokohama, na periferia de Tóquio, na gloriosa noite do Mundial. Dallegrave viu tudo e mais um pouco com o seu Colorado desde o velho Eucalíptos.

-Eu estava no Japão cobrindo a decisão com o Barcelona pela Zero Hora, em dezembro de 2006. Lembro de ver Dallegrave no jogo final. Eu o conhecia desdes os tempos em que era setorista da Dupla Gre-Nal. Ele era a cabeça mais branca entre todas as cabeçasVIPs acomodadas na larga e confortável tribuna especial do estádio japonês, do lado esquerdo da goleira do 1 a 0.

Num mar de gravatas, ele destoava com elegância e com o poder de quem tem mais de 70 anos e é estrangeiro. Vestia vermelho quase total, envergando orgulhoso uma jaqueta do Inter.

Na hora da taça, Dallegrave não entrou em campo. Ficou olhando a festa lá de cima, com o olhar meio perdido, emocionado, pedindo para que alguém o tocasse, o acordasse, o despertasse. Ele precisava acreditar. Precisava saber se era mesmo verdade toda aquela festa vermelha lá em baixo, no impecável gramado, observado ainda os milhares de jovens japoneses e atônitos e minguados espanhóis com passagem marcadas de volta.

Tentei falar com ele depois, mas meu crachá não permitia acesso ao setor da tribuna de honra. Um  japa de cara amarrado, guarnecido por outros dois menos civilizados ainda, nem me deram atenção. Só ergueram as mãos. Dallegrave era o Inter do passado assistindo o nascimento do Inter do futuro.

Fiquei parado, observando o seu comportamento, a sua emoção. Certezamente ele chorava, mas eu não conseguia ver. Queria escrever algo para a ZH, mas não o fiz. O perdi de vista minutos depois. Fui atrás de torcedores gaúchos que desembarcaram na Ásia procedentes do lugares mais diferentes como México, Canadá, EUA, Inglaterra, França, Nova Zelândia, Austrália, China, Vietnã. Depois, nunca mais o vi.

Ouvi a notícia da sua morte pelo Cláudio Britto no Gaúcha 19 horas. Estava correndo na rua, atravessando a Redenção. A imagem de Dallegrave no Japão bateu na memória imediatamente. Resolvi escrever.

Dallegrave dedicou grande parte da sua vida ao Inter. O Beira-Rio era o seu lar. Ele apagou depois de um jogo, de uma rodada. Dallegrave jamais morreria num domingo. Domingo era um dia de Inter. Quarta-feira, ele vai ganhar um minuto de silêncio e será lembrado por várias gerações de colorados.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Mancini olha Grêmio com uma sede de anteontem

17 de novembro de 2008 25

A Bahia é do outro lado do Brasil, Salvador é outro país. Não pertence ao Brasil do centro do país, assim como o Rio Grande do Sul. São Estados a parte e com vida própria. Não é um Paraná, muito menos o Espírito Santo. Salvador de Todos os Santos é a próxima e decisiva parada gremista. Do Vitória pouco se sabe, fora jogos esporádicos, gols no Fantástico, notícias curtas, informações não muito precisas.

O que poucos sabem e falam é que a vida de Vagner Mancini não é tranqüila como podem ser às vezes as águas quentes do Farol da Barra. Os fãs locais, integrantes da segunda torcida do Estado, estão completamente divididos. Uns não suportam o treinador, outros o criticam, um mínimo apoia.

Mancini tem fama de chorão. Vê o que ninguêm exerga dentro de campo. Reclama de todos os árbitros, um por um, e imagina um complô nacional para derrubar, passar uma rasteira no Vitória. Sua equipe está na 11ª colocação, com 45 pontos. Mira a Copa Sul-Americana e não vê mais nada no seu caminho nas últimos três rodadas, nove pontos disponíveis.

O retrospecto do Vitória no segundo turno exibe o rosto da ineficiência: 16 partidas, nove derrotas, quatro empates e somente três solitárias vitórias. É a equipe que tem a segunda pior campanha do returno. Em 48 pontos possíveis, somou somente 13.

Os especialistas locais unem-se aos fãs e dizem que Mancini é o grande responsável. Ficaram ainda mais irados quando o técnico pediu que seis jogadores forçassem o terceiro cartão amarelo contra o Atlético-MG. Fora do jogo com o Atlético-PR (2 a 1 e sétima partida sem vitória), domingo, todos eles podem enfrentar o Grêmio, e o Grêmio está no centro da ira de Mancini, que não deve renovar com o Vitória.

Vencer o Grêmio será o prazer de Mancini, o maior, o gigantesco. Roubar três pontos do Tricolor será o melhor presente de Natal do técnico demitido do Olímpico ainda no primeiro trimestre do ano. Ele quer mostrar que é bom, que é o melhor, que o Grêmio precisa entender que a sua demissão foi injusta. O resto é detalhe.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Grêmio coloca futuro nas mãos de Ranato Portaluppi

16 de novembro de 2008 36

O Grêmio está nas santas mãos de Renato Portaluppi, o Jesus Cristo azul nascido nas montanhas de Bento Gonçalves. Ele é a salvação tricolor. Só ele pode apagar os pecados de Celso Roth e os seus, que estavam 11 inimagináveis pontos distantes do agora líder isolado São Paulo. Hoje, perdem por dois.

 

Vinte cinco anos depois da Libertadores da América e do Mundial, Renato pode entregar, no mínimo facilitar, outro título ao Grêmio vencendo o São Paulo com o seu medíocre Vasco - claro, se o Grêmio se ajudar. Quem acredita em futebol crê em milagre. Com reza, batuque ou só na bola, uma partida de futebol é sempre um mistério a ser decifrado. Ninguém vence na véspera, mas pode perder.

Os gremistas começaram a pensar no Vasco a cada dois segundos depois da vitória em Porto Alegre. O Coritiba, do bom Marlos, perdeu por 2 a 1, correu muito e não foi o time desmembrado que se esperava. Muito pelo contrário. A vitória foi justa, epidérmica, com Réver aparecendo como o melhor em campo, superando Tcheco, autor do primeiro gol. Se aprender a passar melhor, Réver será um grande zagueiro, um defensor acima da média.

Exatas 43.057 pessoas fizeram o Olímpico balançar antes, durante e depois dos gols. A torcida jogou junto. Vestiu a camisa,entrou em campo.Uma grande bandeira azul com o rosto de Renato Portaluppi, desenhado com tinta preta, balançava na marquise do estádio sob o vento do começo da noite e parecia olhar cada jogada do seu ex-time. Bandeira que pode se tranformar em estátua se tudo correr como no melhor sonho gremista.

O Grêmio correu como sempre, marcou como de costume, fez o máximo, mas não jogou bem. Seus defeitos são os de sempre. A defesa fazendo ligação direta com o ataque, a ausência de jogada pelas extremas, lançamento longo sem sentido, a falta de qualidade dos atacantes, a ausência de toque de bola. A marcação é o grande aliado do time. a sua principal força.

Ok, o Grêmio venceu, é o que importa, é vice líder, pode alcançar o título matematicamente, mas os defeitos ficaram e são visíveis. Falhas que precisam ser corrigidas na Bahia. Em Salvador, o Vitória deve correr mais que o Coritiba, vitaminado pela vontade de Vagner Mancini. Seu troféu é a derrota gremista.

Na rodada em que dois times que miravam o título, Cruzeiro e Palmeiras, levaram 10 gols, vencer de 3 a 1, como o líder São Paulo ou de 2 a 1 como o vice Grêmio, são grandes resultados. O bom jogo é só detalhe, o que interessa é o bom resultado.

O Vitória é o próximo alvo. O Vasco, o salva-vidas. Antes de esperar uma improvável ajuda, o Grêmio precisa levantar os três pontos numa das mais fantásticas capitais do país, paraíso das morenas. Nunca foi fácil vencer na Bahia. Não será agora. Fácil é passar 30 dias de férias entre a Barra e o Rio Vermelho com o Carnaval bem no meio delas.

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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