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Posts de novembro 2008

Figueirense busca milagre na grama do Morumbi

15 de novembro de 2008 22

O gremista não quer saber o que o Grêmio pode fazer por ele no superlotado Olímpico. Parece que já descobriu, o Coritiba já foi, os paranaenses não assustam mais. Olha, cuidado! O torcedor só deseja imaginar o que o Figueirense pode fazer pelo Grêmio na fortaleza do Morumbi. Times que jogam sem o compromisso definitivo da vitória, como o Coritiba, que não têm mais metas no Brasileirão, são sempre perigosos e surpreendentes.

O São Paulo está assim: 65 pontos, 18 vitórias, 11 empates e 5 derrotas. O Grêmio soma 63 pontos, 18 vitórias, 9 empates e 7 derrotas. Os paulistas se ergueram na competição, ligaram o motor 3.0 e superaram aos poucos os 11 pontos que os distanciavam dos gaúchos. São os líderes e os favoritos. O Grêmio ainda precisa mostrar que têm fôlego para superar o número 1.

Do São Paulo, o Grêmio ganhou duas vezes. Do Figueirense, uma só e com uma goleada histórica em Florianópolis. Espera que o Figueirense lhe devolva dois ou três pontos neste domingo na capital paulista. Espera, mas não crê. Torce, mas não confia. Acredita mesmo é na impresivibilidade do futebol, nos tortuosos caminhos da bola, que desenha milagres a cada três dias no Brasil e no mundo. O Figueira só escapa da Série B se vencer pelo menos três dos últimos quatro jogos (São Paulo, Náutico, Botafogo e Internacional).

Longe do sonho, o Figueirense real é um time sem futebol, condenado ao rebaixamento (penúltimo lugar no Brasileirão, com 35 pontos) e seus mais fiéis fãs torcem apenas para não serem goleados pelo líder.

A equipe é de uma pobreza de dar dó. O clube se perdeu na contrações dos técnicos, trocou várias vezes e termina a temporada nas mãos de Mário Sérgio. Os zagueiros Bruno Peroni e Alex e o meia Marquinho estão suspensos. O meia-atacante Alex Bruno e o lateral Alex Cazumba, emprestados pelo São Paulo, não podem jogar contra o seu verdadeiro clube. Outros três (Jackson, Renato e Diego) foram dispensados na tarde de sexta-feira.

O Figueirense quer tentar algo mágico e inacreditável. Vencer no Morumbi um adversário que vem de 14 partidas invictas. Eu não acredito nem por um segundo no poder dos catarinenses. Você?

Se pelo menos Mário Sérgio recuperasse por apenas 90 minutos seu prodigioso futebol de três décadas atrás, creia, eu estaria mais otimista. A vitória do Figueirense, que foi bravo no Olímpico, semanas atrás, seria um milagre. Uma dávida dos deuses do futebol.

Postado por Zini, Porto Alegre

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O que Tcheco ainda pode fazer pelo Grêmio

14 de novembro de 2008 15

Pergunte sobre Tcheco por aí. Fale com especialistas, com seu amigo ligado em futebol, com os adeptos do chope cremoso, com os companheiros das peladas. Todos vão dizer algo, nem todos vão concordar, mas tenho certeza que nenhum dirá que Tcheco é craque. Tcheco não é mesmo. Até ele sabe. Levanta a cabeça e concorda.

 

Tcheco é um atleta que aparece em todas as listas dos jogadores queridinhos dos técnicos. Eles adoram a sua dedicação, o comando dentro de campo, as entrevistas inteligentes, a doação ao grupo, a seriedade nos treinos, o caráter. E a bola, claro. Tcheco sabe jogar.

O torcedor, por seu ladomais emocional, nunca faz questão de tê-lo na conta de um craque, embora ele seja um jogador de grande qualidade, titular absoluto dos azuis, um ídolo.

Tcheco corre, marca, vai e vem, organiza, cobra faltas e escanteios e ainda faz seus gols pingados. Dono de uma técnica apurada, por outro lado, Tcheco dificilmente constrói uma jogada espetacular. “Não enche os olhos do fã”, como se diz na batida linguagem do futebol.

O gol que marcou em São Paulo foi obra do piro acaso, nasceu de um cruzamento. Marcos falhou. Mas quem chuta faz e Tcheco tem o hábito de arriscar de fora da grande área com freqüência. Com o bom futebol e a grande experiência de Tcheco, Rafael Carioca e William Magrão se transformaram nos dois principais jogadores tricolores da atualidade, ao lado do goleiro Victor. A dupla de meio-campo vê em Tcheco uma referência, um exemplo.

O que deixa todos um tanto desconfiados com o número 10 é a sua performance irregular em jogos decisivos. Tcheco afunda quando pode mais. Patina, fica nervoso, discute com os árbitros e é expulso. Tcheco perde pontos por seu temperamento explosivo em certos momentos.

Os próximos quatro jogos surgem como novo e definitivo teste. Tcheco precisa jogar como nunca, como poucos. O Grêmio depende muito da sua cadência, da sua organização, da bola embaixo do braço, das ordens dentro de campo. Ele é a base de uma equipe que tenta recuperar a o futebol da virada do primeiro turno.

Se alguém ainda acredita no título (e são milhões), na improvável queda do São Paulo (eu sou um), na nova regularidade do time gremista (eu ainda quero ver para crer), saiba que para dar certo a bola precisa passar redondinha pelo calibrado pé direito do curitibano Anderson Simas Luciano, 32 anos. Tcheco é a chave do sucesso.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Caso Alex: Faltou sensibilidade ao técnico Dunga

14 de novembro de 2008 5

Alex é da Seleção. Pode chamar e unir Obama, o Papa, Lula, Pifero e Fernando Carvalho que a resposta da CBF será a mesma. Não. Alex não será liberado. Ele é um dos atletas chamados para enfrentar Portugal dia 19 de novembro, uma data FIFA. Seu nome está na lista.

 

A Seleção não costuma facilitar o corte de jogadores depois de convocados, salvo lesão ou outro fato muito grave. A história está cheia de exemplos. O grande erro foi o da Comebol ao marcar um jogo da Sul-Americana justamente numa data reservada aos jogos das seleções mundiais.

Ninguém tira a razão do jogador em desejar a Seleção. Ninguém tira do Inter a certeza que o primeiro compromisso do jogador é com o clube. Num caso assim só a conversa entre os dois resolve. O melhor é sempre liberar o jogador de maneira civilizada.

O impossível é palavra que não casa com o futebol. Mas se o Inter fizer um milagre e conseguir contar com Alex contra os mexicanos, quarta-feira, os clubes da Europa usaram o clube gaúcho como exemplo em seguida e vão exigir as dispensas de Kaká, Robinho, Lúcio, Júlio César e Cia depois.

Não é a CBF que convoca, pode até sugerir. Quem chama é Dunga e o técnico sabia da carência do Inter. O que faltou foi sensibilidade ao treinador. Ainda bem que o Inter passou no teste, ganhou de 2 a 0 em Guadalajara e está com a classificação embaixo do braço. Alex não fará falta contra o frágil Chivas. Estará mais feliz ainda, dentro de uma camisa amarela.

Postado por Zini, Porto Alegre

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O que o Grêmio quer do Coritiba no Olímpico

13 de novembro de 2008 28

Quatro rodadas, 12 definitivos pontos. O fôlego do Brasileirão se resume aos próximos quatro finais de semana. Cinco torcidas de quatro Estados ainda encontram motivação para despejar hectolitros de adrenalina nos estádios ou nas salas de diferentes tamanhos e cores da televisão em busca do título.

 

Um é saudado como favorito, o São Paulo, outro caça o líder, o Grêmio. Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo espreitam. Na gangorra do primeiro lugar todos os cinco times estiveram na parte mais alta. Caíram, voltaram, caíram outra vez, se misturaram em diferentes postos e hoje, na ponta de cima. Não vejo injustiças.

O campeonato corre sem que o São Paulo seja atacado como um novo ponteiro sem credenciais. O Grêmio navegou na parte alta. Faltou vento. As velas subiram e desceram.

Noto um São Paulo mais equilibrado, organizado, treinado e mais confiante, com um treinador superior e um time acima dos demais, olhando seus valores individuais. A regularidade mantém o São Paulo no topo.

Gigante no primeiro turno, quase um Hulk em força e determinação, o Grêmio murchou como um homem sem os efeitos poderosos dos raios gama. Sua média afundou. O time se transformou em um qualquer e foi capotando em jogos decisivos, partidas que podiam lhe oferecer o título.

Quando tudo parecia perdido, um time forrado de reservas venceu surpreendentemente o favorito Palmeiras no Palestra Itália, estádio que sempre foi uma pedreira para os gremistas - onde venceu apenas duas vezes em mais de um século de vida.

Uma vitória que nas minhas contas e nas contas de muita gente chegou tarde demais. Mas somas, quem faz, podem apresentar somas equivocadas.

A saudável e justa vitória na capital paulista ajudou no renascimento gremista, triplicou a confiança de quem acha que o título está próximo, ao alcance das chuteiras imortais. Está. A matemática diz que sim. A lógica informa que não é bem assim.

O jogo com o Coritiba pode oferecer uma pista mais segura da nova realidade. Depois de uma série de jogos irregulares, entre setembro, outubro e no começo de novembro, será que o bom futebol voltou para ficar ou o festejado encontro com Palmeiras foi uma exceção? A pergunta é minha, deve ser sua, será do Odone, do Roth. A resposta ninguém tem. É preciso esperar um pouco mais.

Como será o Grêmio do Olímpico no final da noite de domingo. O instável? O vibrante? O vencedor? O apático? O antigo líder? O estádio vai receber o seu maior público de 2008. Os fãs estão curioso e sedentos por mais três pontos.

Mesmo que o Figueirense de Mário Sérgio esteja perto da nulidade, salvo milagres, como no 1 a 1 com o Tricolor na Capital, um fio tênue de esperança envolve o gremista.

O futebol é sempre misterioso. Dá para esperar de tudo. Pergunte ao palmeirense. Ele sabe.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Vai que a Seleção é sua, Alex

13 de novembro de 2008 16

Corra Alex, a Seleção é toda sua. Aproveite a oportunidade. Não deixe o seu coração ficar dividido entre o vermelho e o amarelo. Não será o Chivas que vai prendê-lo no Beira-Rio e mexer com a sua cabeça no mesmo dia e hora do amistoso da Seleção, quarta-feira que vem.

 

O Inter pode liberar Alex durante três dias com a tranqüilidade dos justos. A classificação é certa. Sem Alex, com D’Alessandro, não existe mais perigo na próxima partida com o clube mexicano.

O Chivas despencou em Guadalajara, caiu de dois, 2 a 0, e agora precisa de três gols de diferença no Brasil para deixar o Inter fora da decisão da Sul-Americana, título inédito na história do clube e de clubes brasileiros. O Inter fez a sua terceira e merecida vitória seguida na competição.

Alex foi o melhor do grande jogo. Fez gol, organizou o time, passou, criou as melhores ações ofensivas. A Seleção é premio ao grande jogador do futebol gaúcho da temporada. O Inter precisará fazer um esforço do outro mundo para mantê-lo no grupo de 2009.

O Inter sofreu um pouco no começo, apresentou alguns buracos na defesa, especialmente pelo alto. Equilibrou depois, ganhou corpo no segundo tempo, passou a atacar e anotou seus dois gols com absoluta naturalidade. Fechado atrás, os gaúchos ganharam no contra-ataque. Liquidaram a partida em duas movimentações ofensivas.

Quando o Chivas se viu na frente do gol adversário, em diferentes momentos, todos os fantasmas de todos os grandes goleiros do Inter se enfileiraram na frente do arco. A bola não entrou. Nem entraria. A goleira de Lauro parecia fechada por forças sobrenaturais. Incrível!

A noite mexicana foi colorada. A Copa Sul-Americana pode ser. Não está longe. Vive cada vez mais perto, quase ao alcance da mão.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Sonho da Libertadores está vivo no México

12 de novembro de 2008 26

O Inter passou o ano inteiro querendo embarcar no jato da Copa Libertadores da América 2009. Perdeu todos os vôos, o da Copa do Brasil, os do Brasileirão. Ganha um charter direto e sem escala na última volta do ponteiro com o anúncio que a Sul-Americana pode financiar um lugar no mais importante torneio do continente. Ótimo para o Inter. Péssimo para a competição que muda as regras na metade. Mudanças emergencias são sempre perigosoas.

Gostaria de ver a Sul-Americana sendo disputada nos moldes da Champions League e da Copa da UEFA. Quem joga uma, está fora da outra. As duas competições seriam mais valorizadas.

No Brasil é assim, quem atua na Libertadores, fica de fora da Copa do Brasil. Ganha o futebol, os clubes são valorizados porque o bolo financeiro é melhor dividido. A Copa do Brasil é um grande succeso.

Mas enquanto a certeza não chega e a Comebol não dá seu esperado ok, o Inter joga no México embalado pela sua repentina regularidade na Sul-Americana. Duas vitórias contra o Boca, mesmo desfalcado, turbinam o Colorado. Motivam, lotam os jogadores de confiança, apesar da ausência de D`Alessandro, o cérebro do time.

Leio que o inconstante Andrezinho ocupará o posto do organizador argentino. Não gostei da idéia de Tite. Prefiro Taison na posição. Com o garoto criado no Beira-Rio a equipe fica mais equilibrada, sai mais para o ataque, exibe mais mobilidade, mostra mais apetite ofensivo. Edinho, Guiñazu e Magrão dão conta do sistema defensivo, do vai-e-vem entre defesa e ataque. Andrezinha é desnecessário no esquema com três volantes.

De qualquer maneira, o veloz Chivas de hoje parece mais perigoso em Guadalajara do que foi o Boca de quarta-feira passada em La Bombonera. Mas pode ser apenas sentimento. A bola é que vai falar por todos nós.

Postado por Zini, Porto Algere

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São Paulo turbina os seus próprios jogadores

11 de novembro de 2008 25

O São Paulo recuperou uma antiga maneira de continuar avançando sobre o título, líder que é, favorito que continua sendo, apesar da surpreendente, mas tardia vitória gremista no Palestra Itália. Resolveu remotivar seus motivados jogadores. Fez bem. Não tocou no brio do seus jogadores. Mexeu no bolso.

A direção paulista prometeu pagar R$ 15 mil para cada atleta, mesmo aos que ficam no banco de reservas. A comissão técnica dividirá o dobro da quantia entre os seus integrantes – fora prêmios especiais ao título:

Muricy disse:

- Nesta época de final do ano há muitos outros interesses também em jogo. Todo jogador sabe que vão estar observando as partidas. Há contratos terminando e não há momento melhor para obter uma valorização.

O diretor João Paulo Jesus Lopes foi além:

- Mas é uma coisa normal. Qualquer grande empresa oferece prêmio para os seus funcionários, se precisa atingir alguma meta. Em um clube de futebol não pode ser diferente.

Eu acho melhor dobrar o prêmio dos próprios jogadores em momentos especiais, não sempre, do que enviar a mala preta a um estádio qualquer. O campo decide o jogo. Às vezes o dinheiro (a falta ou o excesso dele) faz a velocidade dos jogadores aumentar ou diminuir a cada 90 minutos. É preciso encontrar o ponto certo.

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Não peça ao meia Alex o que ele não pode dar

11 de novembro de 2008 14

Alex foi conquistando a camisa colorada, o coração dos fãs, a certeza dos treinadores, a confiança dos dirigentes, aos poucos. Cada foguete disparado de fora da grande área adversária proporcionava ao jogador um ponto a mais no interminável placar dos ídolos vermelhos, na futura conta do técnico da Seleção, na máquina de calcular dos empresários locais, nacionais e estrangeiros.

O canhoto Alex foi jogador decisivo nas conquistas dos títulos dos últimos três anos. Foi um dos senhores das taças. Foi 100% Inter, dia e noite, jogo após jogo. Não é mais.

A Seleção mexeu com a boa cabeça de Alex, o melhor jogador gaúcho da temporada, figura certa entre os 11 do país em 2008. Mexe com todas, ruins, médias, boas. A Seleção é um afrodisíaco. Quem toma uma vez, quer o dobro.

Depois que o jogador freqüenta um jogo da Seleção, um banco de reservas, algumas convocações, ele muda, sua vida se transforma, suas referências se modificam completamente. A camisa amarela é ímã.

O jogador sai do clube, independentemente da cor e do poder, e toca no paraíso. Enxerga o nirvana. A Seleção é sonho de todos os que usam a bola como ganha-pão. Pela Seleção todos fazem tudo. Os recém chegados fazem o dobro. Os habitues nem sempre se comportam como nos seus primeiros dias. Fortunas somadas na Europa às vezes fazem mal ao selecionado.

É natural portanto que Alex esteja dividido entre o seu Inter e a Seleção. Ao Inter, ele deu tudo, mas o clube quer sempre mais. Ao Brasil, Alex não ofereceu nada e deseja tudo. Não peça ao jogador o que ele não pode dar. A Seleção é sempre prioridade. Não o Chivas, o time mais popular do México, no Beira-Rio, que o tiraria do amistoso da Seleção no Planalto Central do país. 

Ele nunca sabe se será chamado outra vez, se outro não vai tomar o seu lugar, se o treinado não vai ficar invocado caso o clube peça a sua dispensa na CBF. O único que pode resolver a contenda é o atrapalhado Dunga. Se for sábio, chama o jogador e diz:

1) Para o bem do Inter, do futebol brasileiro, blábláblá, Alex está dispensado da Seleção.

2) Alex ganhará uma nova oportunidade num próximo jogo.

Mas não aposte seus reais em tempo de crise no imponderável. Raramente os técnicos da Seleção se rendem aos apelos dos clubes. Eles sabem que os jogadores, nestas horas, sempre estão ao lado da Seleção, nunca dos clubes. Alex é apenas o exemplo mais recente. Eu entedo Alex.

Postado por Zini, Porto Alegre

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360 minutos separam Inter de um título inédito

10 de novembro de 2008 39

Libertadores e Mundial Inter Clubes somados ao troféu da Copa Sul-Americana oferecem ao Inter os três maiores títulos disponíveis no continente em apenas três temporadas. É um saldo rico e invejável. O Inter saiu do Brasil e entrou no continente, passeou pelo planeta, exibindo as chuteiras que tem. Conheceu caminho. Sempre vai querer mais.

O Inter ficou maior em apenas três anos, mudou a sua vida, ganhou novo status, inflou de orgulho seus fãs. Só não vê quem não quer. Mesmo que o seu Brasileirão tenha sido uma decepção só.

A Sul-Americana ainda está correndo na grama. É uma copa do desejo colorado. É a festa que resta em 2008, a maior. O Inter só respira a copa.

O Chivas é o adversário da vez. Será superior aos reservas do Boca, deve exigir mais, jogar mais, especialmente em Guadalajara, embora os mexicanos não tenham tradição nestas competições que misturam alguns dos melhores times da América – os que tratam bem a bola com os pés.

O México começou a descer o Sul da América recentemente. Seus clubes são organizados e têm dinheiro. O mexicano é apaixonado por futebol, ao contrário dos seus vizinhos mais ricos.

O Inter usou os reservas domingo e fez 4 a 0 no esfarrapado Ipatinga. Só não entendi os motivos que fizeram a delegação viajar apenas na noite de segunda-feira para a América Central. Por que não 24 horas antes? O desgaste seria menor, creio.

A viagem começou truncada com o mal-estar de D’Alessandro. Sem ele, o Inter perde grande parte do seu raciocínio dentro de campo. Os dois argentinos fazem o time jogar, são referências, são responsáveis pelos melhores momentos do time. Os prováveis substitutos de D’Alessandro, Tison ou Andrezinho, são esforçados, mas não exibem o mesmo talento do argentino.

Depois das duas vitórias consecutivas sobre o Boca, o Inter embarcou no seu Boeing especialmente confiante. Acha que pode ganhar e, se perder, precisa marcar gol no México. O empate seria um bom resultado.

O que o Inter deseja mesmo é decidir tudo no Beira Rio, semana que vem, mas com um escore favorável. Um pouco mais de 360 minutos, quatro jogos, separam o Colorado de um título inédito. Contra o Boca, o Inter mostrou que tem time para tanto.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Vitória fora chega tarde demais para o título

10 de novembro de 2008 121

Dois dias inteiros de folga inundaram meu rápido final de semana. Consegui desligar, trancar parcialmente os neurônios e viajar. Não vi tevê, não ouvi rádio, entrei em dois bons e recomendados livros (O Seqüestro dos Uruguaios e Criança 44), um depois do outro e fiquei. O laptop ajudou e deu pau. Fez fumaça.

 

Fique sabendo dos resultados da rodada porque um vizinho de Ibiraquera bateu na minha porta perto das 20h de domingo em busca de dois dedos de prosa  e de uma Pilsen. Foi ele que trouxe ao meu ouvido a surpreendente vitória tricolor, os folgados 4 a 0 colorados. Sem detalhes, só os resultados brutos.

Os jornais com o café da manhã, a internet da segunda xícara, saciaram minha sede de informação. Os colegas da Redação de Zero Hora foram unânimes em dizer que o Grêmio jogou uma das suas boas partidas do ano, a melhor do segundo turno. Só não entenderam o mau humor (crônico) do técnico depois da partida.

Com sete reservas foi aquele mesmo time vibrante e decisivo do primeiro turno. Liquidou o Palmeiras, sem Diego Souza e Kleber, numa partida de final eletrizante. Subiu na tabela, é segundo, dois pontos atrás do São Paulo, que voa em busca do título de braços dados com todos os deuses do estádio. A sorte (e a competência) que falta aos outros 19 clubes está ao lado dos paulistas. Nada os perturba.

A justa vitória gremista surpreendeu quem gosta e quem acompanha  futebol. De Roth ao presidente Odone, do torcedor do radinho ou palmeirense uniformizado do Palestra Itália, passando por Luxemburgo e Muricy.  Não que o Grêmio não possa vencer o Palmeira em casa ou em terras paulistanas. Pode. É clássico. O contrário também vale.

O que espantou foi a vitória do desacreditado Grêmio da semana passada e ainda forrado de reservas. O que afugentou a lógica foi o futebol inteligente  e destemido do vitorioso.

A vitória é bom sinal. Fortalece Roth e o seus nas últimas quatro rodadas, 12 imprevisíveis pontos. Chega depois de uma seqüência de resultados ruins, catastróficos. O que não se sabe ainda é se os três pontos anunciam algo melhor e maior ou se tudo não passou de um sonho de uma tarde de primavera em terra estranha. O Coritiba, adversário do começo da noite de domingo, pode servir para afirmar ou desmentir a partida anterior.

A vitória, por outro lado, chegou tarde demais para quem deseja disputar o título. Poderia ter chegada na mesma São Paulo contra a decadente Lusa. Um empate com o Cruzeiro em Minas valeria ouro puro. Os três pontos que ofereceriam ao Grêmio a condição de líder. Mas eles não existem.

O negócio é brigar pelo outros 12 pontos disponíveis, tentar descobrir onde o caminho vai dar e se ainda existem realmente atalhos confiáveis para os melhores sonhos azuis.

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Palestra Itália é a nova arapuca gremista

07 de novembro de 2008 44

O Palestra Itália é puro desafio. São Paulo é sempre terra inóspita aos gaúchos, com saudáveis exceções. Nunca se ganha fácil na terra sitiada do Palmeiras. É preciso coragem, neurônios e futebol, especialmente em jogos decisivos.

O Grêmio anda carecendo das três qualidades. Os dirigentes juram que é coisa passageira, Celso Roth assina embaixo, os jogadores sacodem a cabeça e concordam. O otimismo dos azuis, fora do cimento do Olímpico, é mínimo. O título é quimera. O G-4 anda fugindo pelos dedos das mãos. As rodadas finais são apenas cinco.

Se o Palmeiras de domingo não é o melhor, sem Diego Souza e Kléber, o Grêmio é um fantasma do seu passado recente. É um time improvisado na sua melhor zaga na disputa real com um dos melhores e mais regulares times do irregular Brasileirão. Quem ainda tem na cabeça o time que fazia chover para cima em dias melhores da competição pode mudar de idéia imediatamente. Ninguém pode prever o desempenho do improvisado time de Roth, ferido pelas lesões, pelos cartões amarelos e pelas falhas do próprio técnico.

O Grêmio que entra em campo é um time que nunca jogou junto. De quem se espera pouco. Culpa da realidade. Não é invenção de ninguém. O Grêmio está perdendo pelos próprios erros.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Buenos Aires é vermelha, e não é o River que manda

06 de novembro de 2008 71

D`Alessandro jogou em La Bombonera como se estivesse no Beira Rio ou no Monumental de Nuñez. como se a casa fosse sua. Depois, festejou o 2 a 1/Daniel Luna, AP
Quem mandou o Boca usar os reservas. Eu não. Muito menos você, o Inter nem se fala. O Colorado visitou La Bombonera e fez do mítico estádio argentino a sua casa. Gritou e mandou. Não faltou futebol, muito menos coragem, nem a celebração do torcedor gaúcho aboletado nas íngremes arquibancadas do estádio .

A vitória veio quase ao natural, mesmo na pressão, graças ao melhor time, forrado com os melhores jogadores, fortalecido na vontade de cada um. O Inter entrou em campo disposto ao enfrentamento. Encarou, jogou e ganhou. Riquelme foi pouco desta vez.

O Inter ganhou de 2 a 1. Poderia ter feito três. Foi a primeira vitória vermelha no fortificado estádio do Boca. A história não vai contar que o time local havia poupado seus titulares. Não mesmo. Vai lembrar que na noite de 6 de novembro de 2008 o Inter venceu o grande Boca em La Bombonera.

Da redação de ZH ouvi os foguetes, as buzinas dos carros que deslizavam pela Avenida Ipiranga perto das 23h. Imagino a festa e a alegria dobrada de quem se deslocou até a capital portenha, uma das grandes cidades da América do Sul. Sair do país em nome do futebol e assistir a uma vitória histórica na residência do adversário é uma aventura que o fã carregará pregada na alma pela vida inteira.

Os amigos que se preparem. O chope do sábado terá outro sabor com as histórias capturadas do outro lado da fronteira.

O Inter conquistou uma vitória inesquecível em La Bombonera. A segunda em muito pouco tempo. Fez quatro gols, levou um, em dois jogos. Avança na Sul-America. Busca uma copa inédita. O ano que parecia perdido renasceu. Ganhar do Boca rejuvenesce, dá ânimo, encorpa. Assusta os inimigos da competição, argentinos ou nem tanto. 

Postado por Zini, Porto Alegre

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La Bombonera engole times de pouca coragem

06 de novembro de 2008 11

O Inter corre cheio de esperanças em La Bombonera. A Sul-Americana é seu último consolo. O Inter se agarra nos dois gols de saldo que possui, na boa e justa vitória no Beira-Rio (2 a 0) na certeza que o mistão do Boca não cabe inteiro na camisa com as cores da Suécia. A gana argentina ainda está visível, a correria, a velocidade. O talento nem tanto.

Bom. A culpa é do Boca, que descansa os titulares pensando no Torneio Apertura, que dá a vaga da Libertadores.

 

Não será um jogo fácil, que são muitos raros, mas o Inter pode ganhar, num estádio no qual nunca venceu. Aliás, não precisa nem vencer. Perder por um gol é lucro. Ganhar é importante, sempre ajuda, mas hoje uma derrota, dependendo do escore, terá sabor de goleada.

A Copa Sul-Americana tem alguns lances bizarros – e o Inter não tem nada a ver. A Globo mostrou um deles ao vivo na noite de quarta-feira. Enquanto o Palmeiras levava dois do Argentino Juniors, primeiro time de Maradona, Vanderlei Luxemburgo comentava a derrota do seu time na tevê.

Longe do bafo argentino, olho no olho das câmaras de um estúdio, Luxemburgo desfilava seu rosário. Foi gol contra, mais um do técnico, um dos melhores do país, mas que às vezes perde a noção da realidade quando vê um microfone potente por perto. Seu lugar era na Argentina. Ser comentarista do próprio time ao vivo e para o Brasil inteiro foi puro mico. Ele tem o direito, mas não pegou bem.

Longe de Luxemburgo, nas mãos de Tite, que não sai no final da temporada, com ou sem o título, o Inter deposita todas as suas gigantescas esperanças em quatro jogadores: Alex, Nilmar, D’Alessandro e Guiñazu. São eles que pode fazer a diferença, como se diz sempre no futebol, e ninguém mais. Bons de bola, a dupla argentina terá missão dupla. Jogar e acalmar os mais atentos. Jogar e exibir determinação. Jogar e dizer que é possível vencer. Jogar e apontar os caminhos da vitória porque a casa é um pouco deles também.

La Bombonera é um estádio mítico. Joga sozinho, quando tomado por 40 mil almas. Alguns jogadores, bons de bola até, se assustam, leões miam, volantes de pé de tijolo jogam com luvas de pelica. Ninguém sai de Buenos Aires com um bom resultado sem deixar um gota de sangue e litros de suor nos seus campos de futebol. Quem esteve lá sabe. Quem só vê pela tevê sabe menos. Mas Buenos Aires é perto, sempre é possível alcança-lá numa próxima decisão.

Postado por Zini, POrto Alegre

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Grêmio começa a temer seu futuro próximo

05 de novembro de 2008 40

O Palmeiras é um tombo quase lógico no horizonte verde do final de semana. Só os crédulos, os otimistas ao extremo, imaginam uma vitória azul. Rezam.

O Grêmio só empatou com o Figueirense, mas aparentemente perdeu o rumo do Brasileirão. Estava tonto depois da goleada em Minas. É um time destroçado pelos cartões amarelos, pelas lesões, pela falta de confiança.

É o seu mistão que voa ao Palestra Itália ainda acreditando num milagre. Parte dele não conseguiu nem superar a Lusa, candidatíssima ao inferno da Série B, na última visita ao centro do melhor futebol do país, no Estado do São Paulo, o maior, melhor e mais rico clube do Brasil.

Até a renhida eleição, mês passado, o Grêmio respirava o oxigênio da Serra. Hoje, caminha com um tubo na mão. Perdeu a liderança domingo para um dos piores times da competição, desabou para um terceiro lugar e o técnico diz que o time faz uma campanha fantástica. Fez. Não faz mais. A realidade feriu Celso Roth.

A eleição postou o presidente de um lado e o principal homem do futebol do outro extremo. O ecos das urnas chegaram aos portões do vestiário e o barulho perturbou seu interior. Dividiu até a torcida mais vistosa da arquibancada. Quatro partidas depois, duas derrotas, um empate, uma vitória, mostram a nova e opaca realidade.

O novo presidente de direito imaginava receber uma herança de ouro em 2009, a Libertadores. Pode ganhar um balde de bronze com a Sul-Americana. Os 15 pontos que restam definem o Ano Novo tricolor, um bom espumante ou uma garrafa de água mineral com gás.

A verba da Libertadores constrói um time, o dinheiro do Gauchão monta outro distinto. As diferenças serão visíveis no campo de jogo. As próximas cinco rodadas definem o futuro imediato do Grêmio, o primeiro semestre do ano que vem, o tamanho do time, a disposição da torcida, o apetite da nova direção. Hoje, por tudo que envolve o Grêmio da segunda semana do trágico novembro, se pode dizer que o amanhã é dos pessimistas.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Inter joga 90 min em Buenos Aires pelo ano inteiro

05 de novembro de 2008 19

Na Argentina, o River Plate, eterno rival do Boca, é conhecido como “os milionários”. No Brasil, o Inter tem a maior folha de pagamento do país e muitas vezes seus jogadores são classificados como “os milionários colorados”.

A opção foi da diretoria. Contratou jogadores que fugiam do padrão salarial da realidade do nosso futebol. O título no Japão mudou a cabeça de quem manda no clube, trocou a classificação do Inter no ranking dos maiores clubes. Quem vai uma vez ao Japão quer voltar todos os dias.

Dois mil e oito, por seu lado, borrou a imagem nacional do Inter. Seu Brasileirão tem sido péssimo, abaixo das possibilidades do time. A Copa Sul-Americana é a última oportunidade de um sorriso mais largo no final da temporada. Não haverá uma segunda chance no ano. É o título, inédito, ou nada. Ao menos que você se contente com o Gauchão e seus dividendos.

O Inter joga a sua vida em La Bombonera, joga o seu ano, entra em campo pelo seu orgulho. Não vai encontrar o melhor Boca dos últimos tempos. Problema dos argentinos, não dos gaúchos. Deve esperar um adversário motivado, guerreiro, como de costume, mas com apenas dois titulares em campo, Riquelme no banco, e ainda jogando com uma cômoda vantagem de dois gols.

O Inter dos nossos dias corre em campo com um ponto de interrogação grudado em cada camisa vermelha. Ninguém sabe adiantar o tom de cada performance. Pode jogar como no Gre-Nal. Pode atuar como contra o Ipatinga. O Inter é um mistério só. Mas muito dele já está desvendado. O jogo da quinta pode acelerar algumas coisas.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Fãs reclamam dos jogadores e Roth não gosta

04 de novembro de 2008 53

A direção gremista fez o que o seu meio-campo e o ataque, somados, não fazem mais e a defesa não consegue segurar: um gol. Evitou um atrito com torcedores no pátio do Estádio Olímpico na tarde de 30 graus de terça-feira. Cumpriu seu papel. Fez a ligação direta entre a indignada torcida, cerca de 20 jovens da Torcida Geral, e os conformados jogadores dos últimos jogos sem um relâmpago, nenhum trovão. Não houve agressões, nem os trabalhos do dia foram prejudicados.

 

Os fãs azuis tomaram as arquibancadas em todos os jogos, sempre ao lado do time. Hoje, estão indignados. Uma boa conversa pode distensionar as duas partes. O torcedor é a razão de ser de um clube. Ele tem seus direitos. Pode conversar. Deve.

O que não pode é brigar e agredir. Fazer da área treino uma zona de conflito. Aí, não. Aí, é caso de polícia, chama a BM. Por outro lado, a tentativa de invadir o treino foi um erro. Não se faz.

É um pecado confundir a ação dos torcedores gremistas com a atitude de vândalos paulistas e cariocas. Não é a mesma coisa. Terça não foi assim, apesar da tentativa de invasão, sempre condenada.

Só quem não gostou do encontro entre torcedores e os jogadores, muito menos da decisão dos dirigentes em abraçar a causa, foi Celso Roth. O treinador detesta torcedores e torcida. Natural. Se pudesse, jogava em estádios vazios. Ele é vaiado do Norte ao Sul com a mesma intensidade. O único clube que o chama duas, três vezes, é o Grêmio, os outros, de Rio, Minas e São Paulo, nunca mais lembraram dele. Fale com palmeirenses, santistas, botafoguenses, entre outros, e pergunte se eles querem Roth de volta. Vamos. Faça a experiência.

Ao dobrar seu mau humor, Roth disse que o seu time faz uma grande campanha no Brasileirão. Fez. E ele foi elogiado. Agora, ele se repete. Afunda na areia, perto da praia. Merece críticas pela decadência. 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Dunga lança uma bola nas costas do Inter

04 de novembro de 2008 15

Dunga chamou Alex para um jogo quase inútil contra Portugal, em Brasília. Na teoria, acertou. Na prática, errou.

Amistoso de Seleção é lugar ideal para testar novos talentos. Amistoso de Seleção é pior lugar para chamar jogadores envolvidos em seus campeonatos nacionais. A Europa pára, pois dia 19 é data FIFA. O Brasil segue o jogo, independentemente do Brasileirão ou da Copa Sul-Americana.

 

Dunga prejudica o Inter. Dunga levanta o ânimo de Alex. O jogador quer vestir a camisa amarela dia 19. O Inter prefere vê-lo de vermelho, caso supere o Boca quarta-feira. O jogador fica numa situação muito ruim e quase todos eles preferem a Seleção, deixam o clube para depois. Ninguém pode condená-los.

O treinador da Seleção Brasileira nunca pensa nos clubes. Não está nem aí.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Inter pode terminar 2008 melhor do que o Grêmio

03 de novembro de 2008 50

O Boca que o Inter enfrenta na Argentina, com uma preciosa vantagem de dois gols, é uma equipe jovem, inexperiente e que pode ser batida em casa/Daniel Luna, AP
O jogo em La Bobonera não é uma grade final, mas é decisivo e encaminha o Inter ao inédito título da Copa Sul-Americana. Vencer o Boca em Buenos Aires é como andar de Mercedes conversível numa praia da Costa Azul francesa num dia de verão em agosto. Ninguém esqueça. É puro prazer.

O Inter não só pode ganhar a partida, como é favorito, pois venceu a primeira por 2 a 0 e o adversário ainda pretender usar apenas os reservas, talvez com a incômoda presença de Riquelme. O Boca de quinta não é o mesmo de uma passado bem recente. É inferior. Assusta, óbvio, mas tem as garras menores, menos afiadas. O Inter nunca teve chance igual.

Li uma entrevista do técnico Carlos Ischia na qual o argentino dizia que é muito difícil superar o Inter, desmanchar o 2 a 0, sofrer o estresse dos pênaltis ou marcar três gols. Ischia e os seus estão de olho fixo no Torneio Apertura, que dá ao campeão uma vaga na Copa Libertadores. A Sul-Americana tem outro peso no momento, não é prioridade. Bom para o Inter, que come e dorme torneio.

O Colorado que se apresenta em Buenos Aires fracassou no campeonato brasileiro. Mas é impossível misturar duas competições. Elas têm vida própria, não nascem geminadas.

O Inter é aquela incógnita de sempre. Não ganha fora, nunca se sabe se ele se comportará como o time que dobrou o Boca no Beira-Rio ou como o que empatou com os dispersos chilenos da Universidad Católica no mesmo terreno.

O certo é que o Inter pode terminar o ano surpreendentemente bem, com um título inédito, continental. Seu novembro se abre em dois caminhos:

1) Ganha a Sul-Americana, festeja um título inédito e vê o inimigo regional longe da possibilidade de ganhar qualquer título, fora até mesmo da Copa Libertadores da América. Termina o ano melhor, na frente dos azuis.

2) Tropeça na competição continental e termina o ano, véspera do centenário, festejando apenas o Gauchão, algo insuficiente para um clube que tem uma das duas maiores folhas de pagamento do país.

Ou seja: só a Copa Sul-Americana salva o 2008 do Inter. É o título ou nada.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Os sete pecados capitais do Grêmio de Roth

03 de novembro de 2008 70

O Grêmio cometeu sete pecados capitais.

 

Acompanhe.

1) Celso Roth tem sérios problemas não resolvidos com a direção de futebol. É ele os jogadores, os demais não contam. Roth não aceita sugestões, conversas mais longas, críticas, Vive no topo de um torre, negando acesso aos que desejam discutir futebol. Roth é do time do eu sozinho.

2) Celso Roth foi golpeado profundamente pela Polícia Federal. Sentiu a ação da autoridade e desabou. Depois da visita que precisou fazer a sede da PF nunca mais conseguiu controlar o time do Grêmio e tudo mais que o cerca. Sua produtividade caiu como as ações na Bolsa. Mas ele ainda não é culpado de nada, a fase é de investigação. Mas o técnico ficou abalado.

3) Celso Roth repetiu as suas performances antigas, talvez com alguns pequenos acréscimos. Ganhou na hora certa. Perdeu na hora errada. Manteve a sua biografia de técnico incapaz de disputar um grande título nacional. Na linguagem dos boleiros, Roth morreu na praia outra vez, não na água salgada, na areia fofa.

4) Faltou ao Grêmio, outra vez, uma grande liderança dentro de campo. O homem capaz de tranqüilizar o time e, ao mesmo tempo, colocar a bola embaixo do braço e começar o jogo outra vez. Bom jogador, nada mais do que bom, Tcheco jamais foi o líder que os azuis esperavam. Nos jogos mais importantes, sumiu ou se irritou ou se ausentou. Faltou um capitão de verdade.

5) A ausência de um lateral esquerdo confiável, a certeza que os atacantes haviam brigado com o gol. Quando mais o Grêmio precisou do seu sistema ofensivo, menos ele ofereceu. Roth testou todos, quase todas as duplas possíveis e não encontrou uma só capaz de fazer a diferença. A falta de gols atrasou o time, tirou a equipe da liderança. Sem latera/ala esquerdo, a equipe ficou capenga e abriu uma avenida no setor.

6) As três mais recentes contratações não deram certo. Souza, Orteman e Morales chegaram com nome e experiência. Chegaram com potencial para integrar os 11 titulares. Com credenciais. Jogaram, passaram sem brilho. Não deixaram um só jogo inesquecível na conta de ninguém, uma trilha de emoções perdidas. Muito pelo contrário. Decepcionaram. Foram três contratações enganosas, ao menos aparentam ser.

7) A torcida foi gigante, tomou o Olímpico, apoiou o time em todos os jogos. Não há queixas. Foi exemplar. Mas torcida, infelizmente, não ganha jogo sozinha, ajuda, mas não vence. Se vencesse, bastaria oferecer ingresso a R$ 1, lotar o estádio e correr para abraçar os campeões. Os fãs fizeram a sua parte, ao contrário da direção, do técnico e dos jogadores. O trio final não funcionou, Não cresceu na hora decisiva. Quando o Grêmio tinha o campeonato na mão direita, direção, técnico e jogadores naufragaram. Perderam pique, atolaram na reta final, se despediram do título. Faltou coesão.

Se você quiser, pode incluir um oitavo, um nono, quem sabe um décimo item. Tente

 

 

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Título e Libertadores dizem adeus ao Grêmio

02 de novembro de 2008 96

O Figueirense correu por dois, marcou até a sombra do adversário, roubou um precioso ponto no Olímpico (1 a 1), tirou o Grêmio da liderança e trancou Celso Roth e companhia num terceiro e pantanoso lugar. A sensação geral é uma só: o Grêmio está fora da luta pelo título.

Não há mais reserva de pontos, de forças, de qualidade. Não há time capaz de uma reversão, ainda mais que o adversário é o Palmeiras, em São Paulo, e o Grêmio deve perder meia dúzia de titulares no jogo de domingo que vem. Será uma viagem sem retorno.

 

A vaga na Copa Libertadores é uma ameaça viva, um medo que corre acelerado e sem freio na machucada espinha tricolor. Após 33 rodadas, o São Paulo é o líder e o favorito ao título. O Grêmio fracassou onde ganhava sempre, em Porto Alegre. Perdeu a liderança seis partidas antes do final. Desabou quando deveria crescer, ao contrário do líder São Paulo, que fez 3 a 0 no Inter ao natural, e do vice Palmeiras, que ganhou (2 a 1) o clássico com o Santos fora de casa

O Olímpico vaiou os seus jogadores depois de muito tempo, menos pelo esforço, mais pela falta de qualidade, pelo resultado frustrante. Mas as vaias estavam dirigidas especialmente ao técnico Celso Roth. O técnico se repete. Volta a sua média em campeonatos nacionais. Aranca bem e cai, cai como um peso na água do mar. Afunda direto.

O empate escancarou a falta de qualidade do time gremista, os erros de escalação, a falta de convicção do treinador, a ausência de uma estratégia para vencer em casa um dos piores times da competição. O Figueirense veio para não jogar, para marcar, para perder de pouco. Encontrou um adversário disposto a correr muito, mas isento de neurônios. Correu, correu e correu. Jogou acima dos 100 quilômetros horários. Jamais pensou, se organizou, tocou a bola e atacou com racionalidade. Se portou com um time sem comando, errou passes, insistiu em jogadas sem lógica, na bola aérea, no chutão. Fez tudo o que um líder não pode fazer.  

A vontade superou tudo, menos o mau futebol. A pressa gerou a afobação. O Grêmio teve longos 83 minutos para tentar virar o jogo, depois do primeiro gol ao sete, obra de Marquinhos. Reinaldo empatou aos 47 minutos.

O Grêmio repetiu quase todos os erros que cometeu em Minas Gerais, na derrota de 3 a 0 para o Cruzeiro. Sofreu até um gol no começo do jogo. O Grêmio caiu mais por ele mesmo, menos pelos adversários.

A queda foi mínima, duas posições em 90 minutos. O Palmeiras pode arrancar a vaga da Libertadores do horizonte próximo do Grêmio. Os perigos do final de 2008 estão apenas começando.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Mistão colorado é um enigma no Morumbi

02 de novembro de 2008 12

O Inter faz o que todos os times fazem quando disputam duas competições ao mesmo tempo e uma delas murcha antes do final. Guarda o melhor time para o campeonato/torneio que pode levá-lo mais longe. Usa a lógica, toma um caminho natural aos clubes brasileiros. Prioriza a Copa Sul-Americana, desdenha o Brasileirão. É da nossa cultura do futebol.

 

Claro que, ao utilizar um mistão num campeonato de pontos corridos, o Inter pode prejudicar por tabela outros clubes, não apenas o Grêmio. Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo adorariam uma derrota do São Paulo.

Por outro lado, o misto do Inter vai jogar para ganhar, tenho certeza. Não acredito nem por um segundo que alguém do Inter possa levantar a voz e pedir menos atenção nos 90 minutos contra o São Paulo. Sabe o motivo? Simples. Quem pede para jogar menos, correr um pouco menos, não pode, depois, pedir para jogar mais, correr mais, em momentos decisivos. Não teria respaldo para tanto.

O Inter de São Paulo não é o melhor. Mas vai querer jogar como os melhores. Tenho certeza. Só o jogo pode me provar o contrário.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Antes da ajuda dos outros, Grêmio precisa vencer

02 de novembro de 2008 6

Fora as invenções de Celso Roth, um professor Pardal de cara amarrada, os problemas do Grêmio se espalham pelo time. Tocam na zaga, no meio-campo, no ataque. Explicam parte da irregularidade da equipe na reta final do Brasilerão.

Uma das revelações gremistas da temporada passada, o zagueiro Léo não repete performances anteriores. Ele está inseguro, afobado. Foi expulso várias vezes, suspenso e anda jogando como um zagueiro comum, o que ele não é.

 

O melhor jogador do time na sua fase superior, William Magrão, é um dos mais irregulares das últimas partidas. Seu decréscimo está espelhado nos seus passes errados, na má colocação em campo. Nem nas jogadas ofensivas ele consegue colaborar com qualidade, não entra mais na área, não chuta ao gol. 

Quem parece afundar em momentos decisivos é Tcheco. Ele não consegue fazer a diferença. Claro que Tcheco é bom jogador, mas bom é uma classificação insuficiente para um número 10 e comandante de um time. Ele não tem a tranqüilidade que se espera de um jogador que tenta ser o cérebro de um time.

O ataque inteiro, Perea, Reinaldo, Morales, Marcel, Souza e André Luiz, é absolutamente inconfiável. Todas as possibilidades de formações foram testadas. Nenhuma aprovou de verdade, fora em alguns jogos bem específicos. Nenhum ganhou a confiança da torcida. Cada jogo é uma loteria.

Com problemas na zaga, no meio e no ataque, o Grêmio ainda é líder, seis rodadas antes do final do campeonato. Líder justo, sem contestação. Os críticos não questionam a liderança tricolor, mas a irregularidade do time, o futebol ruim, as falhas individuais, a ausência total de jogadas ensaiadas, as indefinições do técnico, as substituições equivocadas em alguns jogos.

A diferença entre Grêmio e São Paulo já foi de 10 pontos dois meses atrás. Hoje estão colados, apenas uma vitória os separa. Os paulistas cresceram na competição, estão mais organizados, ganham no Morumbi, ganham fora e alguns valores individuais começam a fazer a grande diferença.

O empate de Flamengo e Portuguesa (2 a 2), sob os olhos de mais de 40 mil desapontadas pessoas no Maracanã, não maximiza a Lusa. Pelo contrário, exibe uma apatia do “já ganhou antes de jogar” dos cariocas. Sentimento que não pode engolir o Grêmio que recebe o decadente Figueirense, que sempre joga bem no Olímpico.

A vitória mantém o Grêmio em primeiro lugar, independentemente do desempenho do São Paulo, que recebe o mistão do Inter. A vitória anuncia a Libertadores no horizonte. Mas nada está garantido. Ainda faltam 15 pontos e as máquinas de calcular ainda conseguem calcular tudo, com dedos otimistas ou não.

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Falcão, Batista e o maior pontapé de Maradona

01 de novembro de 2008 6

O dia se vai aos poucos, o domingos dos jogos quentes do Brasileirão ainda não veio e eu volto com prazer ao livro “Yo Soy El Diego de La Gente” (Editora Planeta, 321 páginas), com o nobre autógrafo do autor. Seu personagem principal é o dono da semana no futebol do planeta. Li a obra quase inteira numa tarde de chuva fina e intensa no quarto de um pequeno hotel em Buenos Aires, em 2000, uma garrafa de Malbéc ao alcance da taça de vidro fino emprestada pelo bar do último andar.

 

Lembro da camuflada biografia de Maradona, ditada aos jornalistas Daniel Arcucci e Cherquis Bialo, dois homens de futebol moldados na revista El Grafico, depois que o 10 de ouro dos argentinos disse que Dunga gostava de dar botinadas. Maradona apanhava tanto que às vezes distribuía as suas como se fosse um alucinado chinês voador.

Maradona não exagerou nas suas considerações. Dunga era uma cão de guarda servindo seu sistema defensivo. Usava a força antes de tudo, embora tratasse a bola como amiga. Maradona, por sua vez, flutuava como um maestro, liderando o espetáculo. Foi um dos cinco maiores jogadores dos últimos 50 anos. O dia e a noite separam os estilos dos dois jogadores, campeões do mundo de maneira distinta.

Mas um dos dias mais deprimentes da gloriosa jornada do ex-craque aconteceu na admirável Copa do Mundo de 1982 e contra o mágico Brasil de Telê Santana. Maradona levantou a perna ao extremo, ganhou e, desleal e descontrolado como um homem mau da ficção, atingiu o gaúcho Batista na altura do púbis. A lembrança da jogada, quando Maradona falou de botinadas, me levou de volta ao livro.

O ex-jogador de Inter e de Grêmio gritou, caiu, rolou o médico invadiu o campo de jogo e o aplicado volante saiu da maca e do jogo como mais uma vítima dos argentinos. Todas as câmeras do mundo pegaram a jogada lotada de maldade e repetiram a voadora de todos os ângulos possíveis. Maradona viu o vermelho e deu as costas ao árbitro. O Brasil venceu 3 a 1.

Em “Yo Soy El Diego de La Gente“, Maradona confessa que Batista não era seu alvo favorito. Ele queria ferrar Falcão, ardia por Falcão, o mesmo que tinha comandando um toque de bola. O novo treinador da seleção argentina rodou como peão em busca da bola, entre um toque e outro. Não achou. “Acabei acertando o primeiro que estava na minha frente”, confessou o ex-jogador do Napoli.

O pontapé faz parte do cenário de uma partida de futebol, mas é errado. O juiz pune quando vê. Dunga e Maradona foram chamados aos seus novos desafios pelas mesmas razões, mas por caminhos distintos. Os dois foram exemplo de dedicação dentro de campo. As camisas de futebol que usavam pareciam moldar-se aos seus corpos como segunda pele. A dedicação foi extraordinária.

Quem os chamou quer a determinação, a vontada e a coragem de volta. Com dois anos no comando, a CBF já repensa Dunga. Não sei se Maradona terá dois anos de experiência pela frente. A Copa do Mundo da África começa em um ano e meio.

Postado por Zini, Porto Alegre

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