
Unidas, a aceleração do dólar, o peso do euro, o galope da crise mundial, fazem mal ao mercado do futebol brasileiro. Os parceiros estratégicos da Europa refazem seus orçamentos, os patrocinadores recuam, bilionários tentam passar adiante suas ações, vender parte dos seus clubes. O farto dinheiro sumiu. O crédito largo desapareceu. Emprestar em tempos de crise é um risco.
Imperador do Chelsea, Roman Abramovich perdeu 3,3 bilhões de euros em três rápidos meses. Avisou logo Felipão que não vai atrás de reforços tão cedo. Ele que continue com o que tem em casa, com a sua seleção mundial.
Não será surpresa se clubes europeus renegociarem os salários milionários de algumas de suas estrelas nos primeiros meses de 2009. A janela da Europa, que se escancara a partir de janeiro, promete ser uma das mais pobres das últimas temporadas. Esqueça contratações milionárias. Pense em negócios no valor de 20 milhões de euros, não muito mais. O que para o padrão local é pouco, quase um reserva, um atleta de grupo meses atrás.
Enganchado no continente europeu, segunda pátria dos seus jogadores, ótimos, bons ou mais ou menos, o Brasil fica gripado quando a Europa espirra. Os jogadores continuarão saindo, nossa fábrica é excepcional, mas em velocidade menor, quase de cruzeiro.
O Governo Federal está exigindo uma revisão da Lei Pelé. Uma das idéias é que os jogadores só possam sair do país aos 21 anos, não mais aos 18 como agora. O lobby dos empresários contra a medida é excepcionalmente forte.
É uma boa idéia, mas não pode ser a única. Enquanto o Brasil não tiver um mercado forte, não crescer economicamente de forma uniforme e por longos anos, os jogadores continuaram entrando nos jatos intercontinentais. Jogar fora é melhor, dá mais dinheiro, proporciona atuar junto com a elite da bola. Ficar no Brasil é quase sempre um atraso.
O Inter tem dois atletas que interessam ao mercado internacional. Nilmar e Alex não são mais garotos. O atacante foi e voltou, não encontrou na França, no Lyon, a sua base de lançamento. Não estava pronto, alguns jogadores amadurecem mais tarde. Espera outra oportunidade. Sua seqüência de gols, após as lesões, é novo cartão de vistas.
Alex é um caso totalmente diferente. É jogador maduro, pronto. Mas dificilmente os clubes europeus de ponta levam um jogador de 26 anos direto do Brasil. Eles desconfiam.
É mais fácil carregar um jovem, pois ele tem mais tempo para se ambientar. Já o escondido, farto e pouco exigente mercado árabe não vê idade. Alex ficaria rico, alimentaria a sua segunda geração, mas dificilmente seria chamado por Dunga outra vez. A região é um sumidouro.
A jovem revelação gremista Rafael Carioca aceitou a Rússia. Salário bom, tranqüilidade familiar, mas uma péssima vitrina. Faz meia década que Wagner Love não sai de lá. O zagueiro Léo é buscado pelos gregos, outro lugar que não se tem notícia.
Jogar em lugares periféricos sempre engorda o bolso, mas faz mal a saúde do futebol. São becos sem saída numa curta carreira. Mas como culpar alguém que pode colocar, digamos, um milhão de euros numa conta bancária em apenas uma semana, quando muito?
Postado por Zini, Porto Alegre



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