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Posts de dezembro 2008

Azuis, vermelhos, um 2009 de goleada a todos

31 de dezembro de 2008 7

Foguetes, dois, três, quatro, 15, uma enorme e barulhenta sequência na beira de uma lagoa enquanto o mar é varrido sem dó pelo Nordestão de cada dia. Não consigo imaginar o sentido de cada explosão gratuita. O barulho pelo barulho. A civilização fica cada dia mais burra e barulhenta, do Led Zeppelin do passado ao Kings of  Leon de ontem batendo no descerebrado bate estaca do presente.

 

Leio o magistral e premiado "Árvore de Fumaça", do alemão de Munique, criado em Tóquio, Denis Johnson, e lembro da ofensiva do Tet, da Ásia de outro Ano Novo. São foguetes de tempos mais antigos, mas sérios, muito mais definitivos. Janeiro estendido numa praia do Vietnã. Cada Ano-Novo num determinado lugar, sempre a água salgada ou doce como horizonte.

Mas é o Brasil que vale a respiração do nosso tempo presente, a apressada passagem entre 2008 e 2009. É para azuis e vermelhos que escrevo, é para quem deseja opinião e informação, não necessariamente nesta ordem. São os leitores espalhados pelo Planeta, agarrados em computadores de diferentes tamanhos e estilos de teclados que eu saúdo e desejo Feliz Ano-Novo.

Fãs frenéticos de fundo de goleira, sábios torcedores de arquibancada de meio de campo, adeptos acomodados nas cadeiras que circulam os estádios sem idade conhecida. Torcedores de todos os costados, costas, vales, beira de mar e montanhas, amantes da bola, apaixonados pelos domingos de estádios lotados ou de amistosos de dúzia e meia de aficionados.

Todos precisam ser unidos num longo e amistoso brinde. Da boa champanhe, ao melhor espumante da nossa Serra, da cerveja perfeita temperada com dois shots de tequila, um copo baixo de Jim Bean, oito Guinness, uma garrafa de água mineral com gás, um 2009 es-pe-ta-cu-lar. Vitória de goleada para todos.

Postado por Zini, Ibiraquera

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Copa do Brasil: Inter larga bem na frente

30 de dezembro de 2008 47

A Copa do Brasil é percurso livre, liberado e quase asfaltado ao Inter na nova temporada que se aproxima na velocidade de um F-1. São Paulo, Grêmio, Palmeiras e Cruzeiro, concorrentes de história e tradição, estão fora, concentrados na Copa Libertadores. Seu Planeta é outro, ao menos no primeiro semestre de 2009.

O Inter deseja o país com grande apetite, novo passaporte para a Libertadores 2010. Os quatro de cima exigem o continente. O nosso futebol é sempre assim, construído em cima de desafios locais, nacionais, internacionais.

O foco muda a cada ano, a cada semestre. Mais felizes são os que botam um pé na América, os de chuteira boa sempre vão mais além.

Ao lado do Inter, não na frente, outros clubes de nome cobiçam a mesma taça brasileira, o segundo título mais importante da terra que moldou Pelé, Garrincha, Zico e Kaká.

O Rio mostra a dupla Fla-Flu. O Vasco é quase nada, ainda precisa se reencontrar. De São Paulo chegam Corinthians e Santos e nada mais. Em Minas, no Paraná e no Nordeste inteiro não vejo coisa alguma, uma luz, uma certeza. Só interrogações.

De todos os concorrentes, de nome ou sem sobrenome, o Inter arranca com mais força, com favoritismo, com cara de quem pode tocar na Copa. De todos, é o único que o fã pode escalar o time inteiro e sem dúvidas antes mesmo do início do torneio, em fevereiro.

Todos sabem o nome dos 11 vermelhos de cor, de olhos fechados. Entre Lauro e Nilmar, os outros nove são fáceis de dizer. O mesmo não acontece no Corinthians, muito menos no Flamengo, menos ainda no esfacelado Santos. O trio ainda precisa fazer time. Compor. Treinar e escalar. Ninguém organiza uma equipe em 30 dias, nem iventa.

O do Inter está feito, aparentemente, basta repetir a performance da saudada Copa Sul-americana. Nada mais. Futebol é repetição e o Inter se repete desde novembro passado. Tite encontrou sua fórmula. Tite é bom em mata-mata. Seus maiores títulos obedeceram esta modalidade.

 

Postado por Zini, Ibiraquera

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Inter: vendas agora ou no meio do ano

26 de dezembro de 2008 22

O Inter pulsa com dois imensos corações. Vender ou não vender? Não quer, mas precisa. Deve.

 

Segue assim a totalidade dos clubes do futebol brasileiro. Vende, acumula e tenta crescer, busca novas contratações ou desaparece, murcha em dívidas. Mas é preciso vender bem, muito bem. Pensar. O Flamengo cedeu três jogadores no meio da temporada passada. Recebeu R$ 30 milhões. Não refez o time. Afundou fácil. Perdeu o trem-bala da Libertadores

Colorado histórico, presidente de todos os sonhos vermelhos, Fernando Carvalho anunciou que o Inter não precisa vender agora, neste instante, hoje. Que o gás financeiro do clube segura a respiração de todo o grupo até a metade do ano, depois do Gauchão, da Copa do Brasil, das primeiras rodadas do Brasileirão 2009. Todo o grupo engloba Alex e Nilmar.

A dupla é a mais cobiçada, mas Carvalho garante que as propostas do Exterior ainda não chegaram. Em tempos normais, sem crise, as ofertas já estariam sobre a mesa principal do Beira-Rio desde novembro passado.

A Europa conta dinheiro. O Real Madrid vai gastar apenas 40 milhões de euros (US$ 56 milhões) na janela ainda cerrada, com dois jogadores (Huntelaar e Diarra). O que é pouco, um pingo. O gigante espanhol é termômetro. Se ele fecha a bolsa, os outros o seguem porque têm dinheiro mais contado ainda.

Se o Inter resolver pela venda de Alex, parece a bola da vez, o melhor é negociar agora em janeiro. Definir imediatamente o grupo, acelerar as novas aquisições. Se deixar para depois, corre o risco de precisar refazer parte do time no meio da temporada. O risco é maior, o perigo é dobrado. As contratações precisarão ser feitas rapidamente, o Brasileirão estará em pleno andamento, sendo a Libertadores uma das metas.

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Celso Roth é um poço até aqui de mágoas

26 de dezembro de 2008 85

Celso Roth teve ao seu lado todas as entrevistas coletivas e todos os motivos do mundo nos últimos 30 dias para colocar suas mágoas para fora na sua própria terra. Preferiu correr para os braços da sempre atenta Placar. Desabafou nos ombros largos da histórica revista de futebol do país.

O Brasil inteiro precisava saber. O treinador gaúcho queria platéia nacional. A regional seria pouco. Conseguiu.

Roth tem o direito de se queixar para quem quiser e todos os dias, se assim desejar. Pode reclamar para o Papa, pode chamar George W. Bush para ouvi-lo, já que gasta parte das férias em Nova York.

Ninguém pode tirar o direito de Roth falar o que quer, muito menos o de escolher os seus interlocutores preferidos. O que espanta é a postura do técnico gremista de salário mensal superior aos R$ 200 mil mensais, ou R$ 2,4 milhões anuais, foram prêmios extras. Suas críticas aos dirigentes, em assuntos que pareciam sepultados pelo tempo, é que ferem a normalidade. Roth mói no presente suas mágoas ficandas no passado.   

Roth não mediu a sua antipatia pelos dois mais importantes dirigentes tricolores de 2008, Paulo Odone e André Krieger. Ok, a entrevista foi feita no final de outubro, no calor de alguns resultados adversos no Brasileirão, quando o Grêmio se despedia aos poucos do título pelas falhas em seqüência do seu treinador e na certeza de que ele seria demitido logo ou que seu contrato não seria renovado de forma alguma na temporada seguinte.

Ok, é preciso observar o momento das declarações. Colocá-las num contexto. Mesmo assim, faltou ao treinador algo que ele nunca teve: elegância. Roth minou seu futuro no vestiário do Olímpico.

Roth dobra o ano como viveu: sob a desconfiança da maioria, apesar do seu trabalho sério, porém sempre longe do pódio. Abriu um crise no clube absolutamente desnecessária e fora de época. Uma crise gratuita. Barata.

A entrevista foi o presente de Natal que ele ofereceu ao torcedor azul que tanto despreza. Roth ainda nem começou o ano e já se indispôs com o principal dirigente do futebol do clube. Mas o técnico não está nem aí. Roth parece mandar mais no Grêmio do que muito dirigente.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Entre Alex, Nilmar, Léo e os euros do mundo

25 de dezembro de 2008 9

AP
Unidas, a aceleração do dólar, o peso do euro, o galope da crise mundial, fazem mal ao mercado do futebol brasileiro. Os parceiros estratégicos da Europa refazem seus orçamentos, os patrocinadores recuam, bilionários tentam passar adiante suas ações, vender parte dos seus clubes. O farto dinheiro sumiu. O crédito largo desapareceu. Emprestar em tempos de crise é um risco.

 

Imperador do Chelsea, Roman Abramovich perdeu 3,3 bilhões de euros em três rápidos meses. Avisou logo Felipão que não vai atrás de reforços tão cedo. Ele que continue com o que tem em casa, com a sua seleção mundial.

Não será surpresa se clubes europeus renegociarem os salários milionários de algumas de suas estrelas nos primeiros meses de 2009. A janela da Europa, que se escancara a partir de janeiro, promete ser uma das mais pobres das últimas temporadas. Esqueça contratações milionárias. Pense em negócios no valor de 20 milhões de euros, não muito mais. O que para o padrão local é pouco, quase um reserva, um atleta de grupo meses atrás.

Enganchado no continente europeu, segunda pátria dos seus jogadores, ótimos, bons ou mais ou menos, o Brasil fica gripado quando a Europa espirra. Os jogadores continuarão saindo, nossa fábrica é excepcional, mas em velocidade menor, quase de cruzeiro.

O Governo Federal está exigindo uma revisão da Lei Pelé. Uma das idéias é que os jogadores só possam sair do país aos 21 anos, não mais aos 18 como agora. O lobby dos empresários contra a medida é excepcionalmente forte.

É uma boa idéia, mas não pode ser a única. Enquanto o Brasil não tiver um mercado forte, não crescer economicamente de forma uniforme e por longos anos, os jogadores continuaram entrando nos jatos intercontinentais. Jogar fora é melhor, dá mais dinheiro, proporciona atuar junto com a elite da bola. Ficar no Brasil é quase sempre um atraso.

O Inter tem dois atletas que interessam ao mercado internacional. Nilmar e Alex não são mais garotos. O atacante foi e voltou, não encontrou na França, no Lyon, a sua base de lançamento. Não estava pronto, alguns jogadores amadurecem mais tarde. Espera outra oportunidade. Sua seqüência de gols, após as lesões, é novo cartão de vistas.

Alex é um caso totalmente diferente. É jogador maduro, pronto. Mas dificilmente os clubes europeus de ponta levam um jogador de 26 anos direto do Brasil. Eles desconfiam.

É mais fácil carregar um jovem, pois ele tem mais tempo para se ambientar. Já o escondido, farto e pouco exigente mercado árabe não vê idade. Alex ficaria rico, alimentaria a sua segunda geração, mas dificilmente seria chamado por Dunga outra vez. A região é um sumidouro.

A jovem revelação gremista Rafael Carioca aceitou a Rússia. Salário bom, tranqüilidade familiar, mas uma péssima vitrina. Faz meia década que Wagner Love não sai de lá. O zagueiro Léo é buscado pelos gregos, outro lugar que não se tem notícia.

Jogar em lugares periféricos sempre engorda o bolso, mas faz mal a saúde do futebol. São becos sem saída numa curta carreira. Mas como culpar alguém que pode colocar, digamos, um milhão de euros numa conta bancária em apenas uma semana, quando muito?

Postado por Zini, Porto Alegre

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Papai Noel, Kroeff, Piffero e todos seus desejos

25 de dezembro de 2008 21

Fosse você Papai Noel, trenó lotado de desejos dos outros, o que você desceria pelo volumosos chaminés das casas dos presidentes de Grêmio e Internacional, Duda Kroeff e Vitorio Piffero? Taças, títulos, craques, grandes vitórias, novos estádios, alguns dos melhores jogadores do mundo, saúde financeira para ter tudo e um pouco mais? É, eu acho que é por aí. É?

 

Se o paciente piloto de longa barba branca, no comando do trenó, de gorro azul ou vermelho, a decisão é sua, voasse com a suavidade dos jatos pelos céus do Rio Grande, sem nuvens escuras, poderia despejar alguns presentes bem particulares nas residências dos homens mais importantes do Estado. Eles são mais ouvidos que a Governadora, mandam mais que o prefeito da Capital, têm a voz de comando de um líder de massas.

Eles são dois reis temporários, dois anos, de dois impérios. Comandam exércitos. Só não podem falhar. A revolta seria imensa.

Aos azuis, o célebre homem do dia 25 seria bem-vindo com um pacote de euros capaz de montar um time qualificado, 11 em condições de superar Boca e São Paulo na complicada Copa Libertadores que se anuncia em 2009. Como dinheiro vivo é sempre um problema de carregar de um lado para o outro, talvez um pára-quedas pudesse estar recheado com um zagueiro, um ala esquerdo, um meio-campo e um companheiro para Alex Mineiro.

Quem sabem um ótimo preparador físico também, o que faz o bom correr e o mais ou menos voar. Pedir um técnico, um treinador mais civilizado, disposto a ouvir e estudar mais, bem, seria querer muito. Milagre, você sabe, ainda não está ao alcance do Papai Noel.  

Na sua passagem pelos céus nada azuis do Beira-Rio, Noel observaria que os pedidos colorados seriam igualmente volumosos. Ninguém reclamaria da descida de uma gorda bolsa lotada de euros (sonho comum). Pediriam dois laterais/alas, outro homem de mio-campo, mais um atacante bom de gol.

Mas todos teriam um desejo idêntico, igual, comum. Uma súplica para que o homem lá do alto, o dono das renas, não atendesse pedidos europeus ou árabes que envolvessem os nomes de Nilmar, Alex, Guiñazu e D’Alessandro. Os mais ardorosos trocariam qualquer presente pela permanência do quarteto dourado em Porto Alegre.

O Natal é um dos poucos dias que não é proibido sonhar. Sonhe. Acredite. Pense em Fred e em Marcelinho Paraíba, em Thiago Neves e em Souza, em goleadores, em meias fantásticos, em zagueiros brilhantes. Não custa. Faça o seu pedido

Se você tocou nesta última linha, Feliz Natal. Espalhe.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Mundial Inter-Clubes vai mudar. De novo

23 de dezembro de 2008 132

O Mundial Inter-Clubes troca de casa, adeus Japão, bem-vindo Emirados Árabes Unidos. mas as mudanças da FIFA podem atingir também a fórmula da competição/Kamran Jebreili, AP
O Mundial Inter-Clube, menina dos olhos da FIFA, atravessa uma grave crise existencial. Culpa da falta de interesse, da ausência de um bom dinheiro. Culpa do Manchester United, da LDU, ao menos na recente edição.

 

O alarme mais barulhento tocou na hora de fechar as sempre malditas contas de 2008. A Fifa observou que a atual fórmula é um caminho sem volta ao fracasso econômico. Talvez a grande mãe do futebol nem perca dinheiro, mas deixa de ganhar uma jamanta de dólares.

A competição ganha novos ares já em 2009. Deixa o histórico Japão, se instala nos Emirados Árabes Unidos em busca de mais dinheiro, avança sobre os petrodólares sem fim dos árabes. É o começo de uma mudança profunda, embora a praça de jogo não seja o problema mais significativo.

A dúvida gigante está outra vez na fórmula de disputa. Com poucos países envolvidos, entre eles australianos, africanos e mexicanos, o torneio atrai apenas os países que encostam na final, se eles forem representativos, exibirem grandes jogadores. O que é pouco, o que é quase nada.

Quando envolve um Manchester United, perfeito. Quando atrai uma LDU, desastre. A colocação é da FIFA, não minha. A presença de um pequeno na final grandiosa é própria do futebol. Está no seu DNA. Mas nem todos aceitam, gostam, batem palmas.

O que a FIFA pergunta aos que circulam ao seu redor, como o Sol e seus planetas, é a mudança da fórmula da disputa. A entidade solta até um balão de ensaio.

1) Por que não convidar mais alguns clubes tradicionais da Europa e da América do Sul, times bem colocados nas principais competições continentais, reforçar o torneio, espichar o tempo de duração, atrair a atenção de bilhões, atrair milhões de euros?

2) Por que não criar um Mundial Inter Clubes nos moldes de uma Copa do Mundo, respeitando a tradição e a colocação dos clubes?

Interlocutores da FIFA acenam com a possibilidade de convocar, que sabe os quatro primeiros da Champions League, mais os quatro da Copa Libertadores da América. Fazer um Mundial Inter-Clubes rotativo, uma sede diferente a cada final ano.

As idéias borbulham. A FIFA quer mudar, não deseja desistir. Falta estudar mais, desenvolver um novo projeto. Decidir. O certo é que a fórmula reinventada em 2000 está com os seus dias somados e contados. Vem novidades por aí. Aguarde.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Um corajoso argentino que não cansa de ser campeão

22 de dezembro de 2008 15

Carlito Tevez (E) é um dos heróis argentinos do nosso tempo. Foi campeão no seu país, na seleção, no Brasil, na Inglaterra, na Europa e no mundo /Jon Super, AP
São os vencedores que nos movem, que nós propiciam luz e nos acenam um norte. Certos atletas de sotaque variado, ao menos no futebol, valem os salários em euros, vaga na história, estrela em todas as calçadas da fama.

 

Um deles, que eu admiro como jogador de futebol, é o corajoso e atrevido Tevez. Ou Tevez, The Lion, como afirmam os ingleses de Manchester.

Tevez é perfeita unanimidade. Mas por mais incrível que possa parecer, Tevez não é titular do Manchester United, não na atual temporada. Os atacantes preferencias são Cristiano Ronaldo e Berbatov, já que Rooney também é atacante mas no esquema de Sir Alex Ferguson joga um pouco mais recuado. Teve é o reserva número 1 da frente. Quase sempre joga, nem que seja durante 30 minutos.

Sua performance nos últimos anos é extraordinária. Foi quatro vezes campeão pelo Boca, campeão olímpico pela Seleção Argentina, campeão brasileiro pelo Corinthians, campeão inglês e europeu pelo Manchester United. Domingo, levantou um título que faltava, o do Mundial Inter-Clubes.

Falta ainda uma Copa do Mundo ao talento atacante que não conhece bola perdida, título que a Argentina pode conquistar na África em 2010. Tevez é um dos heróis argentinos do nosso tempo. Não é um Messi, muito menos um Riquelme. Mas tem taças suficientes para ofuscar o brilho dos dois companheiros de seleção.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Estrangeiro tira três jogadores por dia do Brasil

22 de dezembro de 2008 12

Kaká, o melhor jogador brasileiro no Exterior, mostra mais uma vez que não tem medo do goleiro na hora do gol /Antonio Calanni, AP
Os números da CBF espantam. Roubam o sono, a alegria e um pedaço do futuro dos fãs do futebol no Brasil.

Um absurdo total de 1.176 jogadores de futebol deixaram o Brasil em 2008, contratado por clubes estrangeiros. Eles estão espalhados pelo mundo. É um número espetacular. Três, mais do que 3 jogadores, deixam o Brasil a cada dia, exibem seus passaportes nas alfândegas.

No ano passado, ainda circulando pelos incríveis números da CBF, 530 atletas saíram do país ou 13 vezes mais do que o registrado três décadas atrás. O êxodo é continuo e acelerado. Não deve parar, atingir uma saída mais racional. Não há idéia, plano, ou projeto neste sentido.

Portugal é a nova pátria preferida dos brasileiros: 209 tomaram o caminho português. A língua e os costumes facilitam.

1) A Lei Pelé deixou os clubes brasileiros desamparados. É a grande culpada. Pode ser revista, reformada, mas ninguém a toca.

2) Os agentes e empresários são os principais favorecidos pela Lei Pelé. Eles são os novos donos dos jogadores, que antes pertenciam aos clubes. Os jogadores, mercadorias, só trocaram de patrão. Deixaram os clubes, caíram nas mãos dos empresários, muitos decentes, outros nem tanto.

Acalme-se, 2009 pode ser um pouco diferente. Um número menor de brasileiros atenderá ao chamado dos estrangeiros.

A crise na Europa é violenta e histórica, com Alemanha e Itália em recessão. O dinheiro para o futebol não será tão abundante como foi na janela passada. Menos de um mil devem tomar o caminho do aeroporto, talvez um pouco menos. 

É a crise que vai diminuir a oferta. Não é um  plano, uma idéia.

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Gaúcho da periferia toca no topo do mundo da bola

21 de dezembro de 2008 26

Campeão mundial e europeu, Anderson mostra seu figurino de treino numa típica manhã de inverno em Manchester/Jon Super, AP
No coração do meio campo do mais inglês dos times britânicos dos nossos dias, o Manchester United, o ManU, roda um atrevido garoto da periferia da opaca Porto Alegre. O nome nem é brasileiro. Anderson é importado, recortado de filmes importados de Hollywood. Anderson é hoje sinônimo de craque.

A carreira de Anderson embarcou num meteoro em 2005. Primeiro um gol fabuloso em Recife que o remeteu direto e sem escala ao centro da centenária história tricolor. Logo, antes mesmo de completar 20 anos, vencia um título português com a camisa azul e branca do Porto.

A vitrina européia fez dele jogador do United, time que vale quase US$ 2 bilhões, o preço de seis arenas que o Grêmio deseja erguer no Bairro Humaitá. Em Manchester, de vermelho, ele segurou três taças em duas brilhantes temporadas: Premier League, Champions League e Mundial Inter-Clubes. Seu nome se associa agora ao poderoso United.

Anderson é um sucesso. É um show. Seu progresso está visível semanalmente na ESPN ou na ESPN Internacional. Saiu do ataque, recuou, se transformou num grande homem de meio-campo.

Ele está mais forte, correndo mais, mais enérgico. Ele está praticando um futebol coletivo e competitivo, tocando a bola, fazendo o time girar e lançando em profundidade como poucos. Ainda falta algo, falta acertar os chutes ao gol de média distância, regular o cabeceio, talvez entrar um pouco mais na grande área.

Mas não são todos (não são mesmo) que se sentem tranqüilos e iguais jogando entre Cristiano Ronaldo e Rooney, Rio Ferdinand e Tevez, Gigs e Scholes, Berbatov e Vidic.

Observando a mídia inglesa, Anderson recebe tratamento de jogador especial, legítimo representante do melhor futebol brasileiro. Os companheiros são só elogios.

Anderson é um dos melhores atletas saídos da escola do Olímpico nesta virada de milênio. É o que anda levantando mais taças e não com os amigos nos clubes de esquina. Anderson é um jogador brasileiro que deu certo no mais difícil campeonato do mundo. É exemplo raro do futebol de nossas terras castigadas. É um campeão mundial,depois que o United bateu a LDU, gol de Rooney, no Japão..

Postado por Zini, Porto Alegre

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Grêmio precisa saber: contratar é qualificar

21 de dezembro de 2008 29

Dois dos destaques gremistas de 2008 floresceram na zaga. São eles Réver e Pereira, necessariamente nesta ordem. Réver, a grata revelação, Pereira, a surpreendente afirmação.

 

Se o Grêmio decidisse aumentar os salários dos seus zagueiros, algo justo, a dupla chegaria na frente dos outros. Eles têm bons serviços prestados ao clube. Eles merecem. Os atacantes, nem tanto.

Com Réver sob tranqüilo contrato, a estranha direção gremista não vê Pereira com os olhos firmes da renovação. Sai em busca de novos zagueiros, traz um de São Paulo, Fábio Ferreira, que nunca mostrou bola nem para ficar entre os reservas azuis. Pode surpreender, pode acontecer um milagre, pode chover sapos no verão. Com Thiego e Héverton, Ferreira não acrescenta, ainda atrapalha a subida de um terceiro.

Com quatro temporadas de serviços prestados ao Tricolor, Pereira é puro exemplo de dedicação. Bom na grama, bom no vestiário, o zagueiro joga em qualquer time de ponta do país.

Com Alex Mineiro sobram palmas. Com Ruy, Fábio Santos e Ferreira é dúvida em cima de dúvida. Não se vence Libertadores com o trio, não se toma um Boeing ao Japão com escala em Los Angeles ou Chicago com os três.

Contratar é qualificar. Não há uma segunda saída. Jogador de grupo é a velha desculpa de quem contratam mal.

Postado por Zini, Porto Alegre

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A incrível jornada para buscar um novo Alex

20 de dezembro de 2008 13

Os clubes brasileiros ainda não encontraram uma boa maneira de sobreviver sem vender seus melhores jogadores, seus projetos de novos craques, até mesmo seus atletas mais ou menos comuns.

Os próprios jogadores não colaboram. Forçam as vendas, preferem atuar fora, ganhar em dólares ou em euros, desfilar na melhor Europa entre os melhores, disputar as ligas mais estreladas, as partidas superiores. Ninguém lhes tira a razão, só o fã mais exaltado que ainda vive fechado no mundo dos sonhos do torcedor, não do profissionalismo.

 

Apesar da organização superior, o Inter age da mesma forma que todos os outros clubes. Vende.

Vendeu Pato em 2007, negociou Fernandão em 2008, pegando apenas dois exemplos máximos. Fez as contas com o novo dinheiro, guardou o seu pedaço para pagar as contas e outros extras e buscou substitutos.

Com os dólares/euros da dupla repatriou Nilmar, formado na escola superior do Beira-Rio (ao menos para atacantes), deu nova pátria ao argentino D’Alessandro. Ninguém reclamou, o futebol dos dois superou a saudade do ex-capitão e do jovem atacante.

Eu, pelo menos, trocaria Pato por Nilmar na hora, sem grande e arrastada discussão. Acho o segundo mais jogador na atualidade, mesmo aguardando a natural evolução do garoto do Milan.

O negócio de janeiro, da janela européia que se abre nos primeiros dias do novo ano, deve envolver Alex, o melhor jogador em atividade no Rio Grande do Sul, um dos três superiores do Brasil. A Seleção triplicou o valor Alex, ofereceu ainda mais visibilidade, garantiu desempenho extra.

Será difícil segurá-lo nas confusas e desvalorizadas terras gaúchas. Seria perfeito mantê-lo por mais seis meses, olhar a Copa do Brasil com olhos gulosos, transferir o negócio milionário para o meio do ano que vem. A pressa é colorada, a pressa maior é do jogador.

Alex é cobiçado porque faz o que poucos sabem fazer. Como:

  1. Sabe jogar como ala esquerdo, onde atuou com sucesso. Apoia, chega ao fundo, cruza de cabeça erguida.
  2. Se move fácil em duas posições do meio-campo. Mais atrás ou mais na frente, de acordo com a orientação tática. Não é um marcador, mas cerca, faz a pressão. Passa e lança.
  3. Atua como quarto homem do meio-campo ou segundo atacante. Nestas funções aparece uma das suas qualidades superiores, o chute forte de pé esquerdo. Os europeus adoram jogadores que sabem o que fazer com a bola, os que são polivalentes e ainda fazem gols.

O preço real de Alex (bem como o clube que o deseja), ainda é puro mistério. Seus direitos federativos podem superar fácil os 10 milhões de euros (o jogador tem direito de um naco significativo do valor).

Thiago Neves. ex-Fluminense, atguando na Alemanha, é um nome que se ergue como possível substituto de Alex. Joga menos, mas nem sempre é possível trocar seis por meia dúzia. Mas há outros nomes. Basta pesquisar.

O que o Inter precisa mesmo é continuar pensando como gente grande. Sai alguém superior, chega outro da mesma família, ou talvez um primo muito próximo.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Celso Roth chega ao divã antes da Libertadores

20 de dezembro de 2008 33

Libertadores 2009: Celso Roth precisa dum psicanalista?

 

Para responder essa questão chamamos dois psis que defendem cores opostas: Mário Corso, colorado, e o tricolor Manoel Madeira se entreveraram para entender o que se passa na cabeça do comandante gremista.

Com a desculpa de serem capazes de fazer uma análise técnica, profissional, isenta, eles misturam Freud com Tostão e Wolmir Massaroca e propõem que todos nós podemos, cada um da sua forma, se dar conta da complexidade humana e que, por outro lado, os papos psi podem invadir o nosso cotidiano – e até a casamata tricolor!

Essa pergunta só faz sentido por que no recente Brasileirão o Grêmio estava com a taça na mão e não segurou seu próprio sucesso. Para a maioria da torcida o técnico ficou com essa culpa.

De certa forma Celso Roth já não combinaria com o espírito do Grêmio, e esse pode ser o fundo da questão. Claro, com a auto-imagem de vencedor que o time tem. Como então contratam um técnico desalinhado com esse passado de vitórias, "perdedor" para alguns, se perguntavam alguns torcedores. Mas as coisas são assim mesmo?

A questão colocada por alguns torcedores do Grêmio já contém em si uma premissa: é possível a auto-sabotagem. O senso comum já assimilou aquilo que a psicanálise e outras correntes desse ramo detectaram, ou seja, o caminho do sucesso não é reto nem simples. Além dos adversários externos, temos um interno que nos faz tropeçar, pois, por incrível que pareça, suportar as conquistas não é fácil para alguns. Inclusive em personalidades frágeis, como na psicose, seguidamente é o sucesso que desencadeia a crise e não o fracasso.

Mas vamos a um exemplo, muito na clínica: um homem promovido a um cargo de chefia, para o qual ele tem as qualidades técnicas necessárias, sucumbe por não suportar estar mandando nos outros. Em seu íntimo, ele precisa de alguém que cuide e mande nele. Quando ele é chamado a comandar não consegue, sente-se sem pai nem mãe e paralisa, quando não tem um ataque de pânico.

Muitas pessoas têm a intuição de ser assim e evitam as promoções e o sucesso, sendo eternos segundos violinos vida afora. Evitam as conquistas, fogem das paixões e escondem-se na sombra dos seus fracassos, tristes, mas sem uma crise maior que supõem que adviria.

Mas depois dessa teoria toda nos permitam uma digressão: Zeca é um alemão típico, que perambula desassossegado o corpanzil de dois metros de altura pelas arquibancadas do Olímpico a cada dia de refrega, faça chuva ou faça sol, seja conta o Boca Juniors, seja contra o Nóia (Novo Hamburgo) – nada contra, só para usar um termo "psicanalítico"!

Com as palavras, Zeca é sempre curto e direto que nem coice de porco. Mas ultimamente, nessa nova "administração Celso Roth", uma dúvida sombria e imprecisa paira pelas arquibancadas, e até o próprio Zeca, sempre tão seco, segurando seu copo de cerveja, agora sem álcool, tem repentinos pensamentos estranhos.

Outro dia, em plena peleia, ele largou essa: "Já dizia Platão: "podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando o homem tem medo da luz".

Lembramos de Wolmir Massaroca, ponteiro esquerdo tricolor há priscas eras. Mas como não somos ainda tão antigos, vamos contar a história como nos contaram e se vocês têm correções a fazer que as façam! Bueno, dizem que o Wolmir Massaroca era um sujeito um pouco atrapalhado, assim, desajeitado, sabem aqueles caras que vão colocar um chicle no lixo e acabam com uma teia de aranha rosa na mão, muitas vezes amalgamada com algum papel importante que entrou na jogada para livrar o sujeito daquela golesma?

Era um pouco assim. E isso se estendia ao relvado tricolor, claro. Wolmir cortava daqui, dali, girava para o lado errado, voltava, protegia a bola dando um safanão no oponente, ou seja, fazia uma massaroca. Às vezes dava certo, às vezes não.

O negócio é que o sujeito também era um pouco desarvorado das idéias, tinha suas cismas, precisava dumas rédeas. Logo, cabia ao famoso Jacinto Godoy de, nas concentrações antes dos jogos, molhar um pouco a palavra com o Wolmir. Batia um papo, trocava uma idéia. Não era raro, nesses dias, encontrá-los sentados nas escadas à noite em longas sessões de, digamos, psicoterapia.

Um certo dia (como todos nós temos "um certo dia"), a Azenha acordou em polvorosa pois o embate daquele domingo ensolarado era contra o Palmeiras, cujo lateral-direito atendia pela graça de Djalma Santos. Assim, aquele "certo dia" era o dia em que Wolmir marcaria o glorioso Djalma Santos – e era o dia certo.

Naquela tarde, o eterno bi-campeão mundial, sofreu com os assédios de Wolmir que o driblava com naturalidade espantosa, e que, sempre meio biruta, chegava ao cúmulo de driblá-lo pra frente, voltar, driblá-lo para trás, retomar a investida e vencê-lo até três vezes em uma mesma jogada. Há alguns que contam que naquela peleia Wolmir balançou os cordéis alviverdes umas três ou quatro vezes. Pode ser exagero, pode não ser.

O certo é que no dia mais importante de sua carreira, o doido Wolmir fez o maior jogo da mesma, e embeveceu o Olímpico com um espetáculo jamais visto alhures. Dizem até que o Palmeiras quis contratá-lo depois daquilo. E, aliás, dizem ainda que, na época, um jovem chamado Paulo Odone, assim cochichava nos ouvidos dos seus: "O passe do Wolmir a gente vende, o do Jacinto não".

E o Roth nessa história? Quer dizer que o Roth também é louco? Não, claro que não. Pareceu um pouco desmiolado naquele embate contra o Juventude, mas não, não é. Também não é histérico: quando Roger foi embora, não se escandalizou com o seu repentino desamor. "Seja feliz", disse simplesmente.

Se era fóbico, parece que esqueceu. Roth atacou adversários dentro e fora do Olímpico. Às vezes deu certo, às vezes não, mas pra resumir o assunto, achamos que ele acertou muito mais do que errou.

Roth é obsessivo. Acalmem-se, isso não é um diagnóstico de psicólogos, mas só um comentário banal: ele é obstinado pelo seu trabalho, detalhista, preocupado, um profissional exemplar. Lembremos sempre que quando o campeonato começou o objetivo tricolor era não cair e, se possível, não chegar nem perto disso. Ora, no fim das contas, o Grêmio só não ergueu o caneco "por um detalhe", como disse Roth.

Ele trabalhou impressionantemente bem, e isso ninguém discorda. Logo, Roth mereceria a confiança incondicional dos gremistas e o temor dos colorados. Mas por que isso ainda não acontece?

Por causa do pesado rótulo que Roth carrega de ser limitado. A gente tem a impressão que um clube o chama quando tem um elenco mediano, e quer fazer um bom trabalho, passar longe do rebaixamento, quem sabe classificar para alguma coisa. Mas não para ser campeão. E óbvio que com um elenco mediano é mais difícil ser campeão e, num campeonato de pontos corridos, quase impossível.

Porém, os anos passam e pesa na carreira de Roth a falta de uma grande conquista. Será ele, como teorizou Tostão, alguém que "triunfa com o fracasso"? A verdade é que durante esse ano que se termina o assunto foi tecla batida. Perguntado por um repórter depois da vitória contra o Santos sobre "aquela marca que o senhor tem de nunca passar de um determinado limite", ele responde com um sorriso incômodo: "Vai continuar a mesma marca. É só ganhar que ela sai".

No entanto, Roth não ganhou e, aliás, tava pedindo um salário de quem já ganhou muita coisa! É sintomático, para usar uma palavra de psicanalista, que o nome de Renato Gaúcho tenha circulado durante essa época de indecisão. Notoriamente sem o mesmo apuro técnico de Roth, Renato é, como era Wolmir, algo doido.

Aquele que no dia certo, na hora certa, sem o ângulo que qualquer ser humano em sã consciência supõe precisar ter para chutar uma bola em gol, dá um bico na querida e abre caminho para a maior conquista da história do clube. O grande dia (o "certo dia") de Roth pode estar chegando com essa Libertadores que ele tem pela frente. Mas agora é hora dele achar, digamos, a "boa loucura", não aquela que produziu a escalação contra o Juventude ainda na aurora desse ano, mas alguma outra desconhecida.

Todo mundo diz que psicólogo é meio biruta, pois saibam que estamos admitindo que podemos ir num psi qualquer para ficarmos ainda mais doidos mesmo. Porém, depois que todos nós já sabemos quanto mais ou menos Roth ganha, já imaginamos sermos acusados de estarmos escrevendo esse texto visando fazer parte de um consórcio qualquer com o psi que se engaje em tal caso.

Assim, deixamos Roth absolutamente livre para escolher nessas férias o seu aditivo para a Libertadores 2009: seja um coice platônico do Zeca, as alfinetadas de um psicanalista ou causos do futebol gaudério.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Seis grandes jogam a vida na Europa

19 de dezembro de 2008 2

O sorteio da Champions League, na Suíça, que teve a participação do ex-jogador italiano Bruno Conti, alinhou no mata-mata algum dos melhores clubes do mundo/Salvatore de Nolfi, AP
Em dia de sorteio na Suíça, a bola se esconde. Guarda horas de descanso. Não se mete, não quer saber. Sorteios quebram todas as lógicas, desarranjam a realidade como o destino que definiu as oitavas-de-final da Champions League 2008/2009 (entre 24 e 25 de fevereiro e 10 e 11 de março).

 

Três jogos têm cara e corpo de final, de finalíssima, de superfinal: Real Madrid e Liverpool, Chelsea e Juventus e Inter e Manchester United. Os seis maiores clubes do mundo não dormem mais. Suas tarefas são gigantescas. Ninguém sabe se passa de fase, não há favoritos, só especulações, previsões, pitonisas. Dinheiro ganho, perdido, grandes campeões chorando nas oitavas, perdendo 2009 logo no começo do terceiro jovem mês do novo ano.

Outros exibem a real face da fase intermediária. Os melhores exemplos são Barcelona, que aguarda o Lyon, o Villarreal, que se mede com o Panathinaikos, Atlético de Madrid, que enfrenta o Porto, enquanto Sporting de Lisboa encontra o Bayern e o Arsenal experimenta a Roma.

São duelos acessíveis, porém nada fáceis. Ao contrário do sexteto mais acima, é possível prever favoritos e até apostar em classificação lógica, como nos jogos entre Barcelona e Lyon e Sporting e Bayern.

A final será jogada dia 27 de maio em Roma, mas raros acreditam que a Roma possa desfilar em seu próprio e bem tratado campo de jogo.

Postado por Zini, Porto Alegre

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A Arena azul toca os extremos

19 de dezembro de 2008 42

Colega de ZH, Gabriel Brust ajudou a produzir as duas elucidativas páginas da edição desta sexta-feira que tocam nos projetos dos estádios da Dupla. Olha o que ele pensa da Arena:

 

1) Depois de passar os olhos pelas 11 páginas do Projeto de Lei que pretende modificar o regime urbanístico de duas partes da cidade para a construção do projeto Arena do Grêmio, resta ao leitor uma questão intrigante. O texto assinado pelo vice-prefeito Eliseu Santos e encaminhado à votação na Câmara Municipal _ que deve apreciá-lo no dia 29 _ oferece ao empreendedor vantagens que nem ele próprio solicitou. O projeto trata, em um mesmo texto, das novas regras para construção tanto no Humaitá, onde ficará o complexo da Arena, quanto no terreno do Olímpico, que depois de 2012 será da OAS.

2) No texto do projeto da prefeitura, a altura dos prédios e o índice de aproveitamento (duas das principais variáveis para construções que um Plano Diretor deve definir) estão elevados a uma potência poucas vezes vista na história do planejamento da cidade. O governo quer para a área da Arena uma altura limite de 70 metros e, para a área do Olímpico, algo ainda maior, 72 metros. O teto de Porto Alegre hoje é de 52 metros - 33 metros nas regiões mais residenciais. Para se ter uma idéia, o polêmico projeto do Pontal do Estaleiro solicitava uma altura de "míseros" 43 metros, e foi vetado pelo prefeito.

3) Para o Humaitá, pode-se até compreender que a magnitude do megacomplexo exija prédios mais altos para a Copa do Mundo. Mas colocar neste mesmo pacote uma outra definição que permitirá prédios de quase 30 andares no meio do bairro Azenha não parece algo razoável. O detalhe é que a OAS diz que as 18 torres residenciais que quer construir na área do Olímpico precisariam ter apenas os 52 metros atuais, não mais do que isso.

4) O que está levando a prefeitura a solicitar índices tão destoantes do restante da cidade sem que o empreendedor exija é um mistério. A verdade é que, uma vez aprovado, o projeto dará margem para tais construções. Prédios tão altos são bons ou ruins para a cidade? Nem entro no mérito da questão. Há belíssimas cidades no mundo que permitem prédios extremamente altos. O que parece errado nesta história toda é aprovar uma mudança tão profunda nos padrões de construção da cidade em uma discussão de pouco menos de um mês, tendo como elemento de pressão o prazo da Fifa, que se encerra no dia 15 de janeiro. Se o tempo é curto, que se opte por definições não tão extremadas.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Alex Mineiro é um dos caminhos do gol

18 de dezembro de 2008 32

A sinalização é do próprio jogador e chega de São Paulo, onde vive. Alex Mineiro diz que está muito próximo do Grêmio, depois de uma inesperada complicação com dirigentes do Palmeiras. Mas a história ainda está carente de maiores detalhes e de certezas.

 

Alex Mineiro esteve entre os cinco maiores atacantes brasileiros da temporada passada. Ele tem sintonia com o gol, sabe estufar a rede, não tem medo de chutar, muito menos do goleiro na frente da goleira.

Se vai dar certo no Estádio Olímpico o ou mais ou menos, é uma outra e longa discussão. Alex Mineiro é uma contratação que faz o fã gremista imaginar que a Taça Libertadores da América pode ser um pouco melhor do que o desenho inicial. O caminho do gol já é conhecido. O que, cá para nós, é um bom sinal.

Mas lembre: Mineiro é coadjuvante. É preciso mais. Ninguém, por outro lado, pode achar ruim a chegada de um goleador. Eles são sempre bem-vindos.

Postado por Zini, Porto Alegre

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United descobre o caminho do gol pelo céu

18 de dezembro de 2008 3

A legião de Sir Alex Ferguson, com Cristiano Ronaldo e Vidic, descobriu a melhor e mais fácil maneira de vencer um time japonês, como Gamba Osaka: bolas altas sobre a área/Shizuo Kambayashy, AP
Poucas vezes se viu tamanha superioridade num Mundial de Clubes. De um lado os gigantes do Manchester United. Do outro, os prejudicados verticalmente do Gamba Oska. A diferença está no placar: 5 a 3 para os europeus contra os asiáticos, três gols em cinco minutos, três gols de cabeça.

 

O melhor caminho para vencer um time japonês, que ainda engatinha no futebol, é bola aérea. Eles correm muito, correm demais, ocupam o espaço e marcam como leões, mas são extremamente frágeis na jogada aérea.

O United não venceu com facilidade, precisou suar, mas impôs o ritmo do jogo e ganhou quando bem quis. O gaúcho Anderson, ex-gremista, campeão europeu da temporada passada, fez uma boa partida. Cristiano Ronaldo foi discreto, não brilhou, mas estufou as redes. Coletivamente, o Manchester foi bem. É o favorito, deve ganhar da LDU domingo. Ganhar com certa facilidade se o futebol respeitar a irrespirável lógica.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Mil olhos no novo estádio, zero no futuro time

17 de dezembro de 2008 75

Ouvi uma entrevista clara de uma das cabeças coroadas do Grêmio que é de arrepiar os cabelos. Ele disse que a pessoa que mais conhece o Projeto Arena foi afastado do processo exclusivamente por questões políticas.

O nome do afastado não importa. Podia ser Pedro, Paulo, Mário ou José. O inusitado é o seu corte, apesar da competência e do conhecimento sobre o Projeto Arena. O incrível é a maneira como ele foi apartado. Não por falta de qualidade, mas por excesso.

O que eu entendi, deduzi e pensei é que competência no Grêmio 2009 é puro detalhe. Não é importante. Vale os conchavos políticos dos seis grupos que dominam o momento. Eu sempre ouvi que o clube estava acima de tudo. Não está. Certas pessoas dominam a cena. Só entra que bate na porta da frente com pancada certa.

O novo estádio manda na realidade do clube. Não podia ser diferente. Mas é preciso olhos para outros pontos neste final de ano. Longe do Sul, na capital paulista, o São Paulo reforça o time, busca Washington, que chama o gol de você.

O Grêmio 2008, ainda do Olímpico, se desmancha no ar. Carioca, o melhor do meio-campo, foi. Pereira, um dos melhores zagueiros do clube, simples e eficiente, vai. Léo, outro destaque, está com passagem marcada. O pequeno Rui chega para a ala direita onde o time tem Matione e Souza. Para o ataque, que está mundo, ninguém. Nem sinal.

O Grêmio ainda não alcançou 2009. O São Paulo, seu poderoso adversário na Libertadores, já está em fevereiro do ano que vem e com um time ainda melhor que o do recente título brasileiro. 

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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O fantasma da ISL e a redenção da Nova Arena

16 de dezembro de 2008 52

O Conselho gremista está desenhando o futuro do clube. As decisões devem pavimentar as próximas cinco décadas do Grêmio: asfalto bom ou estrada vicinal. Sai o Estádio Olímpico, casa histórica, entra a Arena, projeto milionário. Fica no horizonte próximo o estupendo valor do estádio novo em folha de 50 mil lugares: R$ 300 milhões. A idéia é começar a construção em 2009 e finalizar em 2012.

Conta-se nos dedos das mãos os países que estão construindo estádios de porte semelhante. A crise econômica planetária, que começou justamente no setor imobiliário, tem assustado os investidores, cortado novos investimentos e adiado projetos já definidos. Crédito volumoso é algo raro, ao contrário de dois meses atrás quando havia dinheiro para usinas e arranha-céus.

Não sei quem tem hoje no Brasil algo como R$ 300 milhões para bancar um novo estádio de futebol do porte do Projeto Arena. No Rio Grande do Sul,eu tenho certeza, não tem ninguém.

O Conselho azul foi eleito pelos sócios lotados de boas intenções, torcedores como os que suam das arquibancadas em domingos de sol e de decisão. O Conselho nasceu para ser a voz, a consciência e a certeza dos tricolores. É. Mas nem sempre acerta.

O Conselho tem feudos, tem donos, tem grupos, tem turmas, tem ótimas intenções. Falta união. Tanto que o homem que mais conhece e entende do Projeto Arena, Eduardo Antonini, está sendo afastado por questões políticas.

Os homens do Conselho não podem errar o seu próximo movimento, o mais importante da história do Grêmio. Não podem enterrar o Olímpico num projeto inviável. Quem conhece um bom estádio europeu sabe como os nossos, em sua grande maioria, estão superados. Sabe o real valor de um novo, o que ele pode fazer para melhorar a vida de um clube. O dinheiro novo que entra somente através do marketing é um espanto.

A trágica ISL nasceu sob as palmas do Conselho na mesma sala do Olímpico. Lembra? O erro quase destruiu o Tricolor, que ainda paga dívidas da virada do milênio, atrasa o avanço do clube e viu ex-dirigentes importantes seriamente envolvidos com a Justiça. Alguns ainda são vaiados nas ruas.

Anos depois, navegando no fracasso da decisão, conselheiros confessaram que não haviam lido o contrato ou entendido a festejada parceira. Foram enganados pela sotaque suíço, por outros europeus, 500 anos depois dos primeiros colonizadores que desembarcaram na Bahia (terra da OAS) trocando espelhos por ouro. 

O mínimo que se pode esperar dos conselheiros é a leitura completa do acordo entre o clube e a construtora OAS. Não é hora de apressar nada. Pelo contrário, pé no freio e calma. O momento é o de ler nas entrelinhas,  olhar as letrinhas miúdas, descobrir deveres e direitos, antes de qualquer movimento. Pegar a lupa emprestada de advogados, engenheiros, administradores e consultores, um exército deles.

A ISL é o fantasma da vida do Grêmio. A Nova Arena pode ser a redenção.

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Com quantos gols se faz um argentino

16 de dezembro de 2008 16

Fãs do Tigre, do centroavante Altobelli,  celebram a chegada ao triangular que vai definir o título nacional da Argentina, país que produz bons e competitivos centroavantes/Gabriel Piko, AP

O Corinthians procura Verón. Oferece a companhia de Ronaldo e uma minivan de dólares. Verón como sempre deve agradecer e educadamente sugerir boa viagem de volta ao Brasil. Ele deixou a Europa antes do tempo porque estava saturado do futebol de alta competição, semana após semana. Foi disputar o Campeonato Argentino, ser La Brujita, filho de La Bruja, no Estudiantes de La Plata. La Bruja era seu pai, letal atacante do Estudiantes dos anos 60, que superou o Manchester United e conquistou o mundo.

Verón é o único argentino que não deseja sair da Argentina e embolsar os gordos euros do melhor futebol da Europa. Já o atacante Altobelli, 22 anos, do Tigre, que a SporTV exibe nesta quarta, 18h30min, sai com prazer. É jovem, forte e tem fama de goleador. Sabe que o Inter é cartão de visita, D`Alessandro é seu exemplo, a Sul-Americana é uma boa medida.

Ricardo Noir, jovem promessa do Boca, é um dos alvos colorados. Quem viu Inter e Boca, pela Sul-Americana, deve lembrar do jogador que entrou no segundo tempo e logo foi expulso. Era Noir, atacante que já foi chamado de Palermo Jr. O Inter conta com a ajuda de investidores para buscar um companheiro para Nilmar.

Enquanto busca um argentino, a Alemanha tenta levar Alex depositando 13 milhões de euros nas contas do Inter. O substituto do ídolo Alex seria outro Alex, o ex-Palmeiras e ex-Cruzeiro, que joga no futebol turco. O River procura Guiñazu e o Roma deseja Nilmar, com Cicinho entrando no milionário negócio. A visibilidade do Inter no mais recente torneio continental está cobrando seu preço. Os dirigentes vão precisar exibir critividade para manter os melhores jogadores no Beira-Rio.

Na longa lista de maiores goleadores argentinos do ano, entre 1º de janeiro e 18 de novembro, que a boa revista El Gráfico apresentou na sua edição de 1º dezembro, o nome de Altobelli não aparece. A relação é liderada por outro sonho vermelho, Lucas Barrios, do Colo-Colo (Chile), com 32 gols. Os que jogam na Europa estão na mesma lista, mas atrás de Barrios, como Aguero, Cavenaghi, Messi, Milito e Higuaín.

Na longa lista de 22 goleadores, entre 32 gols e 15 estufadas de rede, ainda aparecem José Sands (Lanús), que fez 24 gols. Gastón Celerino (Rangers, do Chile) tem 21, Rubén Ramirez (Colon) anotou 17, assim como Luciano Leguizamón (Arsenal), Martín Madra (Deportivo Quito. Equador). São cinco jogadores que podem ser observados.

Você tem mais algumas sugestões? Diga aí...

Postado por Zini, Porto Alegre

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Entre Messi, Pato, Ronaldinho e Amauri

15 de dezembro de 2008 23

Amauri (E), da Juventus, acha as redes do Milan, no clássico italiano. O atacante brasileiro é um dos mais letais da Itália e começa a fazer nome na Europa/AP

A tevê exibiu alguns dos melhores jogadores em atividade na Europa no longo final de semana da bola. Kaká, um dos três superiores, ficou fora do clássico entre Juventus e Milan, dia de fracassos pessoais de Pato, apesar do gol, e de Ronalinho.

Observei Cristiano Ronaldo, sem brilho e desatento, estancar na forte e dura marcação do Tottenham na grama pesada de White Heart Lane, em Londres.

Assisti Messi brilhar, fazer gol, a diferença e ser caçado em campo na partida entre Barcelona e Real Madrid, na Catalunha. Os próprios argentinos do Real Madrid bateram sem dó no pequeno e corajoso conterrâneo de Rosário. A pancada mirava sempre o tornozelo, local onde dói de verdade, onde machuca e uma substituição urgente é uma questão de tempo depois de algumas batidas em série.

 

De todos que sugiram na frente da minha tevê, entre estrelas de primeira grandeza e coadjuvantes, Messi foi o mais cintilante. É um prazer vê-lo jogar, é um trabalho retirar sem falta a bola que gruda no seu pé esquerdo. Messi é técnico e veloz. Quando o zagueiro tenta usar o corpo e brecar a sua investida, ele já passou voando.

Entre os coajduvantes, por outro lado, notei um jogador que anda fazendo a Itália vibrar e apludir. O nome é Amauri. O primeiro a falar dele com vivo interesse foi Paulo Roberto Falcão meses atrás na sala do Nilson Souza no fundo da redação de Zero Hora. Ele pedia Amauri na Seleção. Fiquei curioso, passei a procurar os jogos da Juventus (time dos meus parentes italianos) e agora só posso concordar com o pedido de Falcão. Faço coro.

O paulista Amauri, 28 anos, 1m88cm de altura, é forte e veloz, sabe conduzir a bola, cabeceia bem e é corajoso. Se movimenta no interior da grande área como se o local fosse sua própria casa. Ex-Palermo, Amauri é uma surpresa. Joga fácil em qualquer grande equipe. Merece uma chance na Seleção.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Piffero, Carvalho e Tite, o centenário é com eles

14 de dezembro de 2008 20

A eleição do Inter exibiu o óbvio. A reeleição de Vitorio Piffero roçou o natural. Os sócios apenas confirmaram o poder nas mãos da melhor dupla de dirigentes da história colorada, Piffero e Fernando Carvalho. A dupla liderou o clube na sua virada histórica, na chegada ao lugar que habitava os melhores sonhos vermelhos.

 

Está certo que Piffero se atrapalha sem Carvalho por perto. Os dois se completam. Foi preciso convocar o ex-presidente recentemente para tentar recuperar o Inter, algo que parecia improvável nas mãos de Giovani Luigi e Piffero.

A diferença entre Carvalho e os outros que o cercam nem é a gestão. É o conhecimento que Carvalho tem do futebol. Ele conhece o jogador dormindo, sabe quem é quem, descobre o paradeiro de cada um. Um dia fiquei sabendo que Carvalho vê futebol na televisão até mesmo quando está na sala de ginástica pedalando, tentando queimar os quilos extras.

O Inter parece seguro nas mãos do seu melhor dirigente em 100 anos. O fã se tranqüiliza, o jogador sabe com quem está lidando, se acalma e trata de jogar. A eleição de sábado foi um exemplo gaúcho ao país. Votação simultânea em vários municípios, milhares de pessoas cercando o Gigantinho e o Beira-Rio inteiramente aberto ao seu povo num sábado de primavera.O gramado parecia um pedaço do Central Park de Nova York.

A primeira missão dos novos eleitos é reformar o contrato de Tite, com aumento, o justo salário de um treinador campeão. Tite foi uma aposta pessoal de Carvalho contra a opinião de Piffero. Hoje o treinador encanta os dois, sente no Beira-Rio uma extensão da sua casa e trabalha em paz e alimentado pela confiaça de todos que o cercam. Se dá bem com todos, freqüenta a torcida com tranqüilidade e ganhou o grupo com o seu jeito e suas roupas de pastor.

Tite tem um esquema definido, um time pronto, mais de 20 jogadores motivados. Ele cresce no mata-mata, é onde se dá melhor, seus grandes títulos nasceram numa Copa do Brasil e numa Copa Sul-Americana. Pode-se dizer que Tite é um copeiro.

Mantendo o atual elenco, o Inter ainda precisa de dois laterais e um atacante para jogar ao lado de Nilmar ou mesmo ser o seu reserva imediato. A urgência maior está do lado direito, onde Bolívar joga improvisado e não tem a qualidade dos outros companheiros. Ele falou que nem gosta de atuar na lateral. Prefere o meio, mas na zaga central ele não tem espaço.

Mais do que uma base, o Inter tem um time definido e treinado. Fora o São Paulo, ninguém, além do Inter, possui 11 titulares prontos para jogar seus respectivos campeonatos regionais em 2009. Por conhecer os 11 titilares, nome e sobrenome, o Inter entra firme, forte e favorito na Copa do Brasil, torneio que o papa-títulos São Paulo está fora.

 

 

Postado por Zini, Porto Alegre

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Com quantos gremistas se faz um bom ataque

13 de dezembro de 2008 78

Perea era a esperança de gols que nunca nasceram no Olímpico. Mas quem, neste mundo da bola, ainda acredita em gols de atacantes nascidos na Colômbia?/Nabor Goulart, AP
A tabela de goleadores do Brasilierão prova que o ataque gremista é praticamente um deserto. O clube não tem um isolado atacante, com os que têm não soma dois. Soares deixou o Olímpico e foi se aninhar e recomeçar no Mineirão, com outra camisa azul. Não fará falta, como não fez grande coisa numa temporada inteira. Quanto mais o Grêmio precisou dele, menos Soares adicionou.

 

Se não foi ainda, Marcel deve ir em barco semelhante, mas com outro rumo. Junto, leva André Luiz, de um inutilidade atroz.

Perea é reflexo do melhor e do pior atacante dos conhecidos colombianos dos últimos tempos. Dá o drible, mas não progride, nem avança. Vira as costas ao adversário quando está próximo ao gol. Tem medo, receio, de chutar.

Morales chegou como a solução da bola aérea. Sem alas qualificados, sem a visita natural dos laterais ao fundo do campo, isentos de cruzamentos, a bola jamais chegou pelo alto na grande área adversária e Morales ainda não sabe o que está fazendo em Porto Alegre.

Amarrado com as bolas de chumbo das contas atrasadas, das dívidas histórias, o Grêmio precisa investir e fazer o time da sonhada Copa Libertadores. É preciso contratar, mas não há dinheiro disponível para trazer dois alas, um meio-campo, dois atacantes.

Uma nova direção está aportando. O que se espera dela, no mínimo, é exuberância em criatividade, idéias novas, soluções urgentes. Parte do dinheiro viável está num marketing profissionalizado, que o clube ainda não tem. Terá? 

Chegar na Libertadores é sempre difícil. Mais complicado, duas vezes mais, é erguer um time competitivo rapidamente, mesmo em cima de uma base razoável, que tem goleiro, miolo da zaga e meio-campo.

O Grêmio ainda vê o seu time ideal de Libertadores. Possui 60 dias para tanto. A cada dia que passa a tarefa de colocar o barco na água e zarpar parece mais impossível, ainda mais sem um ataque decente e com Roth no leme

Postado por Zini, Porto Alegre

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Barcelona tem o Real Madrid na mão

12 de dezembro de 2008 5

Messi (centro) faz da bola sua companheira, sua paixão, dribla como poucos, serve os companheiros e se apresenta como um dos melhores jogadores do Planeta/Manu Fernandez, AP
O Camp Nou é uma das catedrais do futebol. Foi casa de craques e heróis. Deu abrigo ao espetacular Johann Cruyff, um dos deuses do futebol da Europa, foi o palco de Ronaldinho, o Gaúcho, duas vezes o melhor do mundo.

 

O estádio catalão é o centro perfeito dos olhares do planeta da bola no pé neste sábado. É o cenário de Barcelona e Real Madrid, um dos cinco maiores clássicos disponíveis.

O primeiro é líder de peito estufado. O outro desliza nove pontos atrás do primeiro colocado.

O encontro será apenas para confirmar a atual superioridade do Barcelona de Guardiola, que fez um time novo depois de demitir Ronaldinho e mandar Deco adiante. A dupla estava mais interessada nas festas, arrastava os companheiros, desmembrava o grupo. Guardiola reconstruiu a equipe, refez o grupo, reanimou a torcida.

Eto’o ficou, assessorado pelo estupendo Messi, um dos três melhores jogadores do mundo, é o goleador. A defesa, comandada pelo mexicano Marquez, é a menos vazada. O Barcelona é um bloco só, marca quase na defesa adversária, rouba o espaço do inimigo, não deixa jogar, só ele joga.

Terça-feira passada, o Madrid anunciou a troca do técnico alemão Bernd Schuster, campeão da temporada passada, por Juande Ramos, ex-Tottenham. O clube está em chamas, a torcida enlouquecida, os dirigentes desesperados e os jogadores perdidos. Schuster dançou porque disse que seria impossível vencer na casa do adversário. Durou menos de 12 horas depois da trágica entrevista coletiva no Santiago Bernabeu.

O Barcelona tem o artilheiro do torneio - o camaronês Samuel Eto`o, com 14 gols - e a melhor defesa, com nove gols sofridos (um nos últimos cinco jogos).

O argentino Lionel Messi, o francês Thierry Henry e Eto`o têm 30 gols no torneio, apenas três a menos que toda a equipe do Real Madrid e com uma média de 2,1 por jogo.

Quem vê os jogos das duas equipes, quem lê regularmente a mídia espanhola, tem a quase certeza que o Barcelona já pode encomendar a camisa do título espanhol. Só não ganha se o mundo virar de ponta cabeça e o Madrid jogar o que nunca jogou nos últimos três anos.

O Barcelona joga o mais vistoso e ofensivo futebol da Europa. Quatro clubes podem enfrentá-lo com o mesmo potencial: Manchester United, Liverpool, Bayern de Munique e Inter de Milão. Batê-lo? Não sei não. Você sabe?

PS: Pena que a ESPN não mostre o jogaço ao vivo. Os direitos são da Sky. Uma lástima. A ESPN tem os direitos de todos os jogos, menos o do melhor.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Entre Ronaldo, Nilmar, Washington e ninguém

12 de dezembro de 2008 30

O Corinthians tenta redescobrir Ronaldo, o Inter segura Nilmar com todos os seus braços, o Flu acha que Washingon é o cara e o Grêmio não tem ninguém para chamar o gol de seu/André Penner, AP
Centroavante é ouro puro. Quem tem um, como o Inter, não larga ou faz o máximo para não perder um atacante que chama o gol de seu. Quem não tem, como o Grêmio, vasculha o mercado de lupa na mão direita e pouco dinheiro na esquerda. Quem pensa mais alto ainda, arrisca e tenta reinventar um atacante como Ronaldo, redondo, desinteressado e praticamente aposentado.

 

Fiquei pasmo com o tamanho de Ronaldo caminhando sob a grama mal cuidada do Parque São Jorge. Fiquei comovido com a recepção da torcida corintiana. A fé que eles depositam no jogador é impressionante.

Nilmar ganha mais de R$ 200 mil a cada 30 dias, Ronaldo receberá praticamente o mesmo no Corinthians. Gol custa caro porque é artigo dos mais raros no futebol. Um dos melhores centroavante do país, Washington custa pouco mais de R$ 100 mil mensalmente. É o jogador mais barato do país no custo benefício.

O entroncado atacante do Fluminense é garantia absoluta de gol. Não é de jogadas mágicas, dribles inimagináveis, redes estufadas depois de uma bicicleta. Mas é o dono da área, Marca de cabeça, de peito, de joelho, de canela e até de pé direito.

As vezes faz gol sem tocar na bola, como aquele contra o Palmeiras quando enganou Marcos com uma rápida jogada de corpo. A magia do centroavante está aí. Faz gol até sem encostar o corpo na preciosa bola.

Ao segurar a pressão externa, os euros da parte mais nobre da Europa, a outra não interessa ao jogador, é um das tarefas do Inter. Nilmar é um dos quatro jogadores da base colorada (Alex, Guiñazu e D` Alessandro). Sem ele, os outros três serão menos. Com ele, o quarto se completa e o Inter estará nas cabeças.

O buraco é muito mais embaixo no Olímpico. O Grêmio parte quase do zero, sem um atacante mais do que confiável. Não há um, dois não somam um, Reinaldo, de algum brilho, é do DM. Perea é outro colombiano como medo do gol, Marcel tranca, o gigante Morales precisa da bola aérea que nunca vem.

Ou o Grêmio descobre um centroavante ou vida será pior em 2009.

Postado por Zini, Porto Alegre

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