Estava fora do Estado, viajando, no dia que o Rio Grande esqueceu de tudo e foi chorar ao lado dos torcedores do Brasil. A Internet me contou em detalhes a história do dia 15 de janeiro de 2008 horas depois quando eu consegui estacionar na frente do laptop e cercar a tragédia sem querer acreditar.
A primeira terça-feira de fevereiro, 19 dias depois, exigiu que eu ficasse na frente da tevê assistindo a emocionante e tardia estréia do Xavante no Gauchão. O 3 a 3 com o Santa Cruz foi um grande e élétrico jogo de seis gols. O empate nasceu com corpo de vitória. Os fãs locais viram no ponto ganho a cara de três positivos, dado o esforço dos seus jogadores.
O Brasil foi remontado apressadamente, falta ideia de jogo, falta preparo físico. Sobra determinação, vontade, disposição. Os jogadores deixaram até a última gota de suor em campo. O atacante Eraldo foi o cara da noite, marcou os três gols do Santa Cruz.
Vendo o time armado com a pressa dos desesperados, o Estádio Bento Freitas lotado, a torcida vibrando e torcendo, eu tenho cada vez mais certeza que o Brasil é a legítima e real terceira força do futebol gaúcho. Não há outro. Pode chamar qualquer outri e comparar. Não há outra torcida do Interior mais fanática e fiel. Xavante é o nome de uma religião.
Pelotas adora futebol. Pena que o Brasil não tenha um grande e seguro patrocinador ao seu lado, disposto a investir no clube, a remodelar o estádio, a pensar em cinco, 10 anos, a andar na frente dos outros.
Mesmo na distância da tevê, o Brasil emocionou. O cinturão de torcedores rodeando o estádio, as faixas lembrando os três que morreram no acidente de ônibus, os gritos, os cânticos, mostraram que o Brasil é único.
Gostei demais da presença de Dunga no Bento Freitas. Mesmo não concordando muitas vezes com o modo como ele comanda a Seleção, em casa ou fora, é impossível não aplaudir, de pé, o treinador.
Dunga é uma pessoa civilizada, capaz de grandes gestos. Sua presença em Pelotas foi simbólica, afetiva e sensível. Ele representou de alguma forma todos os brasileiros que gostam de futebol e que estariam abraçando os torcedores do Brasil se pudessem. Sem que ninguém pedisse, Dunga exibiu sua grandeza. Dunga, se pudesse, abraçaria o mais humilde e carente torcedor do Brasil em nome de todos nós.
Postado por Zini, Porto Alegre




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