Roth, Boyacá Chicó, Tunja, La Independencia, altitude de 2,8 mil metros, bola veloz, Grupo 7, terceiro lugar, derrotas, crise. O Grêmio só vê fantasmas na sua viagem ao interior da Colômbia. País periférico da América Latina, mas com os mesmos problemas de corrupção, tráfico de dogras, miséria, atraso quantos os do imperialista Brasil, quando o assunto é a nossa região continental.
O Grêmio começou a Operação Tunja como se fosse um clube sediado em Basel, na Suíça. Reclamou da localização de Tunja, das estradas, das florestas, das Farcs. Falou como se vivesse nos Alpes e passasse os finais de semana em Zurique.
A direção gremista oferece claros sinais de amadorismo em diferentes estágios. A sua primeira viagem ao Exterior é sintoma. O roteiro foi mudado na última hora, o hotel cinco estrelas escolhido estava lotado e a força política na Comebol para transferir a partida de lugar foi como uma brisa de março. Fez barulho, mas não refrescou.
Fora de campo o ambiente remete aos trágicos anos do começo da década quando Tite e sua ovelhas mandavam. Na Libertadores 2009 o primeiro-ministro é Celso Roth. A gestão é péssima. O orgulho e o sistema de jogo são europeus, mas o futebol é asiático. Não vence nem o Santa Cruz gaúcho.
Roth está na fronteira do precipício. A ponte caiu. Seu passaporte precisa do carimbo da vitória para continuar sendo azul. Alguns querem cancelar seu visto mesmo com os três pontos na bolsa do abrigo.
O momento técnico e tático do Grêmio é o pior possível. O time está pressionado. O resultado do Gre-Nal explodiu como uma bomba H no Olímpico. A direção não chamou ninguém para juntar as peças, colar, remendar e seguir adiante. Deixou seu equivocado estrategista, mesmo ferido no combate, com a tarefa de usar o 3-5-2 (seu melhor esquema) no campo de um adversário desconhecido, sem o acompanhamento necessário.
Capital do departamento de Boyacá, Tunja espera os brasileiros com um time habilidoso e que costuma atacar em bloco. É um dos azarões da Libertadores. Em tempos normais, o Grêmio, com a escalação que exibe, seria o favorito, o adversário a popular zebra.
O momento é outro. Não inverso, mas a vitória do Grêmio será uma surpresa. Não é que não possa vencer. Pode, tem time, tem qualidade.
O que não capacita plenamente os gaúchos é o seu momento, o cai não cai do treinador, a má fase técnica da equipe, o mau momento dos principais jogadores, o questionamento do preparo físico, a falta de sequência de jogo dos titulares (se é que há 11) e a coleção incertezas dos dirigentes nos momentos de decisão.
O Grêmio pode vencer, claro. Mas as apostas são baixas, quase rasas. A crise de confiança é maior do que a confiança em Souza, Tcheco, Alex, Herrera, Jonas e Cia..
Se perder, Roth sai e o Grêmio precisa apresentar seu Plano B, se é que existe. O próximo compromisso do Tricolor na Libertadores será dia 25, outra quarta-feira, na Bolívia. O novo técnico teria 14 dias, duas semanas, para refazer o time e buscar um milagre contra o Aurora.
Postado por Zini, Porto Alegre
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