Ganhei o nobre e cobiçado espaço do Paulo Sant`Ana na penúltima página de ZH por 24 horas, sem Jack Bauer. Escrevi algo sobre a Copa e Porto Alegre. Acompanhe A melhor notícia do novo milênio Em 24 horas, os gaúchos espicharão o ouvido, quase entupido de informações ruins, em busca da confirmação da melhor notícia do novo milênio. A Fifa, mãe do futebol mundial, acomodada nas Bahamas, estará classificando Porto Alegre como uma das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Ótimo, comemore, erga uma taça de um dos bons espumantes da Serra. Nossa capital nunca mais será a mesma. Pode avançar meio século em quatro anos ou pode encontrar 2014 no seu pique normal, sem progredir 12 centímetros. Estacionar. *** O maior pesadelo da Copa, superior a um gol contra na final, envolve os políticos, que serão responsáveis por investir milhões e escolher obras definitivas de 12 capitais. É medo comum, do leitor, claro. É o meu temor. Eles, na sua imensa maioria, estarão no mesmo estágio ético dos nossos dias? Como será a face do político brasileiro em 60 meses? Sofrerá alguma evolução? Nós, povo, evoluiremos? O país será outro? Será mais civilizado? Educado? Pergunte. Eu me pergunto. Afinal, do vereador ao senador, cada político eleito reflete um pouco de nós mesmos, da nossa vontade, embora não sejamos obrigados a nos reconhecermos em todos, nem nos que escolhemos na íngreme beira da urna. A Copa será muito deles, dos condutores do dinheiro público. Do privado, fico tranquilo. *** A Copa não faz milagres. Mas a Copa ajuda a promover pequenas e definitivas mudanças em algumas cidades dispostas a mudar, lideradas por políticos competentes, gestores qualificados, empresários com visão de futuro. A Alemanha da Copa de 2006 é ali do lado, faz parte do nosso sangue gaúcho (do meu pelo menos), e está carregada de bons e maus exemplo. Podemos beber do melhor. Não vamos deixar que a África do Sul seja nossa referência em organização, segurança e gestão. Nada contra. Neste caso, prefiro um espelho de Primeiro Mundo. A África que nos forneça exemplo em alegria e amor ao futebol, de que precisamos menos. *** Uma Copa do Mundo se faz com dinheiro público (que medo!) e privado. O primeiro se destina a infraestrutura, ruas, calçadas, praças, metrô, rodoviárias, aeroportos. O segundo constrói e reforma estádios, ergue novos hotéis, planta bares e restaurantes, trata dos shoppings. O Estado patrocina a nova via que vai facilitar a chegada e saída dos fãs do estádio, por exemplo. O dono do complexo esportivo cuida da própria casa com o seu próprio dinheiro. Não é comum em Mundiais dinheiro de fontes públicas e privadas se unirem e erguerem o mesmo projeto. Um não deve tocar no outro, mas podem se complementar. Onde brota um novo hotel, a luz aparece, a segurança nasce, a rua melhora, a calçada volta a ser do pedestre, uma centena de novos empregos abriga pais e mães de família. *** Os dois grandes presentes que a Fifa deixa aos países que abrigam uma Copa são uma sequência de novos e reformados estádios, acomodação para mais três décadas, no mínimo, e melhorias na infraestrutura das cidades, facilitando a vida de milhões de pessoas. Há outros menores e que ficaram diluídos no tempo, uma vez que o país entra na moda, é superexposto e atrai turistas com todos dos tipos de bolsos e sotaques. O Mundial convoca o planeta para ocupar determinado país durante 30 dias. É um evento espetacularmente familiar, de grupos barulhentos, de amigos, de gente que atravessa dois continentes para estar com a sua seleção, mas também para consumir a cultura local, depositar alguns milhares de dólares em diferentes lugares. São 30 dias de festas, de celebração, de pura alegria. *** A Copa do Mundo, poucos sabem, é também uma tarefa para voluntários estrangeiros e locais. É tarefa minha, é sua, é do seu filho que domina o espanhol, da sua filha que fala inglês. É de quem deseja ser motorista, recepcionista, guia turístico, assessor no centro de imprensa, gandula ou tradutor no aeroporto. Gaúchos que precisarão trabalhar de graça, por um almoço, dois lanches diários, quatro barras de cereal, apenas para dizer que fizeram parte da Copa do Mundo de Porto Alegre. A Copa é perfeita para saber em que país vivemos, quem é quem e com quem podemos contar. É evento planetário. O mundo vai ver, ouvir e dizer: "Ah, o Brasil é assim". *** Homem de muitas Copas, Pablo, dono do espaço na penúltima página de ZH e de muitas taças, está doente, mas volta na semana que vem.
Postado por Zini, Porto Alegre



Zini, sei que não é botado dinheiro no lixo até porque a obra e as melhorias ficarão em benefício da população, mas a pergunta é: vale a pena investir milhões e milhões para receber talvez um jogo da Copa, que até pode ser entre países de baixa expressão???
"...nem nos que escolhemos na íngreme beira da urna."
Boa essa tua frase.
Vai te pulitico enriquecendo até a quinta geração, pro povão vai sobra a conta pra paga.
- A partir do anúncio oficial, julgo necessários os seguintes anúncios pelas autoridades competentes:
1. Um Plano Diretor temático da Copa, pois não vejo nada em relação a ampliação de vias e de parte que compete a Prefeitura de Porto Alegre. Somente há um ANTEPROJETO do escritório que está modernizando o Beira Rio, isto é preocupante.
2- Reunir dentro das comissões da Copa, corpo técnico adequado, assim como Barcelona fez.
Em resumo, PROJETO E PLANEJAMENTO.
Todos ganham Cidade e a Copa