
No futebol manda quem faz gol. Quem fica no quase, perde. É da lei do jogo.
Nunca a máxima foi tão real quanto em Montevidéu na tarde fria do dia 6 de junho de 2009. O Brasil fez 4 a 0 num inábil e às vezes violento Uruguai que cansou de perder gols de todas as maneiras no primeiro tempo. Fosse 4 a 2 para os uruguaios nos 45 minutos inicias ninguém reclamaria, nem Dunga.
O que fica fixo nos olhos dos torcedores é sempre o número de gols, a vitória histórica, a saborosa goleada. Nunca o futebol, a performance. Fica a goleada brasileira, a primeira vitória no Centenário desde os anos 1970, desde o tempo em que Zico anda fazia gol de falta.
O Brasil fez o primeiro gol numa falha também histórica do goleiro Vieira. Culpa do goleiro, culpa do pré-histórico gramado do Estádio Centenário.
Depois do gol, o Uruguai aumentou o ritmo e passou a atacar todo o tempo, todos os segundos.
Júlio César, o melhor goleiro do mundo, segurava todos. Tapava os buracos da defesa, especialmente nas laterais, e a inconsistência do meio-campo. Na frente, Robinho era um adorno. Só Kaká tentava o ataque.
O Uruguai corria, lutava, suava por cada centímetro de grama. Era só rapidez, sem nenhum cérebro. Não tocava a bola, não chamava o adversário, atraia o inimigo. Nunca. Só corria, acelerava. Faltava inteligência, estratégia.
O segundo gol do Brasil chegou no momento de maior pressão do adversário, Juan fez de cabeça. O Uruguai se mandou ao ataque outra vez, deixou a defesa vulnerável e o Brasil aproveitava o contra-ataque. É suicídio deixar atacantes brasileiros livres, mano a mano com a defesa.
Veio o segundo tempo, nasceu um Uruguai ainda mais ofensivo com três atacantes, surgiu uma defesa ainda mais aberta, carente na marcação. Sobrou espaço para o Brasil jogar, melhorar, crescer e costurar uma goleada, enquanto o valente Uruguai continuava a perder gols. Júlio César cresceu como o Muro de Berlim. Foi impossível superá-lo. Fez seis grandes defesas.
Luis Fabiano foi expulso aos 20 minutos, o Brasil ficou com 10, mas com 3 a 0, tudo estava feito. Kaká fez o quarto, de pênalti.
Nunca vi um jogo assim. Foi uma das goleadas mais estranhas que eu assisti nos últimos tempos. Méritos do Brasil, que trouxe um resultado que ninguém esperava, muito menos os uruguaios.
Mais uma vez a qualidade dos jogadores brasileiros, mesmo não sendo de uma geração especial, superam um adversário regional nas Elimnatórias. A qualidade, desta vez, encontrou a determinação, a marcação, a força. Menos do que a organização, a determinação ajudou na vitória.
Postado por Zini, Porto Alegre





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