O Palmeiras demitiu Vanderlei Luxemburgo. Demissão anunciada, pelos últimos maus resultados, demissão sugerida, por dirigentes e cartolas, demissão exigida, por grande parte da torcida, demissão decidida, por quebra de hierarquia.
Luxemburgo se julgava maior que o clube, mais que o presidente de plantão, superior os jogadores da temporada. Parecia que o Palmeiras era seu empregado. Seu escravo. Seu reino.
Ele decidiu que Keirrison, o jogador mais valorizado do Palmeiras, não jogaria mais com ele depois que o atacante se envolveu numa negociação com o Barcelona. Agiu como se fosse o dono do jogador.
Luxemburgo caiu pela sua empáfia, somados aos fracassos em campo, títulos perdidos, Libertadores desperdiçada - não necessariamente nesta ordem.
Seus quatro anos no Parque Antárctica são positivos se observados como um todo: títulos paulistas, títulos brasileiros, 367 jogos, 221 vitórias, 81 empates e 65 derrotas. Foi um dos melhores técnicos da história recente do clube.
O problema do Luxemburgo dos últimos tempos, especialmente depois da sua rápida e fracassada passagem pelo Real Madrid, é a sua certeza que o clube será dele depois da posse. O presidente é seu empregado. A torcida, seus súditos.
Ele desembarca com um grupo de trabalho grande, do preparador físico ao nutricionista, e caro, algo em torno de R$ 1 milhão.
Não há um só clube brasileiro capaz de sustentar a estrutura de trabalho de Luxemburgo.
Cada vez que eu vejo o trabalho de um Luxemburgo, miro a performance de um Dunga, analiso o discurso de um Leão, noto o Juventude trocando de técnico a cada dois meses, o Inter segurando Tite e o Grêmio investindo algo como R$ 400 mil na sua comissão técnica, noto que há algo errado com os técnicos de futebol – ou com os clubes que os contratam. Ou com a lógica dos treinadores brasileiros.
É muito dinheiro investido, salários fora da nossa ordem, eles não valem tanto. Eu investiria em jogadores, em talentos.
O que Luxemburgo ou Muricy, demitido depois de três títulos nacionais consecutivos na primeira grande crise, poderia fazer muito diferente de Dunga na Seleção? Nada, absolutamente nada.
Os europeus dizem, e insistem, que qualquer técnico do mundo pode trabalhar na Seleção Brasileira. O Brasil tem tantos jogadores de qualidade que o nome e o currículo do treinador não fariam diferença.
Talvez a razão esteja com eles.
Técnico brasileiro não consegue fazer sucesso na Europa, só no Japão e no mundo árabe. Técnico no Brasil é ex-jogador, dono de um idioma só, sem um curso especial, sem um experiência de gestão, sem uma idéia mais global do futebol, mas com uma grande experiência no campo de jogo, da boca do túnel até a marca do pênalti.
Há exceções óbvio, grandes exceções.
O que eu sei, começo a entender cada vez mais, é que a grande maioria dos técnicos se parecem, pensam igual e são capazes de fazer trabalhos semelhantes. Basta uma oportunidade.
Dunga é exemplo. Ganhou a sua oportunidade, cresceu e hoje é pouco contestado, cada vez menos. Ele está vencendo também a luta contra seus críticos, que precisam aplaudir seus resultados na Seleção.
Dunga nunca foi técnico de futebol antes de vestir o abrigo de luxo da CBF. Ex-jogador, entrou em campo, usou sua experiência com as chuteiras e está vencendo.
Outros podem fazer igual. Basta uma chance. A Dupla Gre-Nal, por exemplo, poderia preparar técnicos de futebol nas suas categorias de base, ao mesmo tempo que trabalham novos projetos de craque.
Quem revela um Pato ou um Anderson, para ficar em dois exemplos recentes, pode burilar dois bons técnicos. Basta querer, basta planejar, basta se informar.
Postado por Zini, Porto Alegre
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