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Posts do dia 7 julho 2009

BM ainda não fez seu exame de consciência. Fará?

07 de julho de 2009 131

A Brigada Militar bateu em quem respirava em volta do Olímpico quinta-feira passada. Bateu e não quis nem saber. Bateu forte.

Não olhou para os lados.

Viu câmaras ligadas. Não se importou.

 

Não ligou para o dia seguinte, não pediu desculpas, não fez exame de consciência. Desdenhou a sociedade, que é a sua razão de ser.

O governo, atolado em problemas de corrupção, não quis nem saber como a sua força policial se comportou no Olímpico em dia de decisão de semifinal de Taça Libertadores. O governo local perdeu o rumo.

Não está nem aí. Precisaria, no mínimo, chamar seus comandantes e pedir explicações. O Estado é nosso, mas parece contra. Nos dribla e nos expulsa. Manda a BM mostrar que estádio de futebol não é local de família.

A BM bateu em gaúchos, torcedores de futebol, gremistas, sócios, torcedores comuns, homens, mulheres e adolescentes. Vai agir assim de novo em breve se ninguém perguntar o porquê de tudo. Por que?

Corre o risco de bater com a mesa força nos visitantes que se aventurarem em Porto Alegre em cinco rápidos anos. Vai bater porque ninguém deu muita atenção aos problemas do Olímpico. Parece que os incidentes foram algo normal, alguma coisa como um gol.

Imagina se a nossa BM encontrar 30 mil argentinos/20 mil uruguaios pela frente em dia de jogo/decisão de Copa do Mundo. Farão o mesmo? Farão um fiasco mundial?

Chamarão os cavalos, os cães e os homens levantarão suas espadas?

Ou em cinco anos será possível oferecer às nossas forças um treinamento adequado para o trabalho em torno dos nosso velhos campos de futebol, que ainda misturam torcedor com entrada e sem num mesmo e mínimo espaço?

Evidentemente que eu não sou contra a Brigada Militar. Eu acredito na BM. Devo acreditar.

Só não posso ficar mudo quando ela passa do limite e acha que está tudo bem, tudo ok. Não, né?

Postado por Zini, Porto Alegre

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O que D`Alessandro pode fazer pelo Inter

07 de julho de 2009 32

A torcida sabe, qualquer uma. Conhece. Cobra dos bons.

 

Dos nem tão bons assim, ela pede vaias. Vaia.

D`Alessandro está no centro de todas as cobranças dos vermelhos porque é o seu ídolo, jogador especial e diferenciado.

Os fãs já notaram D`Alessandro no seu máximo. O querem sempre assim, servindo, passando, lançando, fazendo gols decisivos, exibindo o tradicional jeito de ser do clássico jogador argentino.

D`Alessandro é um dos jogadores mais autênticos que eu vi nos últimos tempos no Rio Grande do Sul. Ele não mente, não enrola. Diz o que tem que dizer e mais ainda.

Ao ser expulso no jogo contra o Corinthians, após a confussão com o zagueiro William, ele disse claramente que queria levar alguém "junto com ele". Provocar a expulsão do adversário.

O episódio foi lamentável. D`Alessandro perdeu pontos e deve ganhar um suspensão pesada. Foi sua pior performance no Sul.

Sua mais recente declaração não deixa também de ter doses de polêmica. Ele disse que se jogasse bem "todas" as partidas não estaria no Brasil. Perfeito.

D`Alessandro pulou de um lugar para outro na Europa uns quatro anos antes de aterrissar no Beira-Rio. Trocou de equipes na Alemanha, Inglaterra e Espanha porque não conseguia manter um média acima da média de atuações.

A Seleção o recusou pela sua instabilidade.

O Inter o achou, recrutou e, em Porto Alegre, ele voltou a ser o jogador superior que foi nos seus primeiros anos de profissional na Argentina. Tanto que a Seleção o chamou outra vez.

A tarefa do Inter e dos seus profissionais, com D`Alessandro na ponta da iniciativa, é reencontrar a boa média do seu jogador diferenciado.

Não a do meia que erra pênalti, o brigão, mas a do jogador qualificado, inteligente, veloz, hábil e movediço, o que já levou o Inter aos seus melhores resultados em mais de um ano.

Ele pode começar por Quito. Ele pode fazer a diferença. A Recopa é o presente desafio. Se D`Alessandro jogar o que se espera dele, se ele exibir o máximo, o Inter abraça o troféu.

Postado por Zini, Porto Alegre

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A Geral, o Grêmio de Kroeff, o futuro e a fé

07 de julho de 2009 52

É grave e profunda a crise que envolve o Grêmio e a sua torcida mais famosa e celebrada.

A geral e a administração Kroeff não sem olham bem, olho no olho, desde as eleições do ano passado. Atravessaram o processo em urnas separadas.

 

Sabemos, eu e você, que uma eleição tem a inacreditável capacidade de fazer amigos de longos anos inimigos de uma vida. A admiração morre em meia dúzia de votos. Seja em que lugar for: do síndico do prédio de 12 apartamentos aos corruptos sem lei nem alma do Senado Federal. Eleição limpa, porém, é sempre bem-vinda.

É certo que com a atual gestão, a Geral se acachapou, se dividiu, se quebrou em algumas peças. Ainda vibra e canta e empurra os 11 grevista como a máquina de um trem. Mas o trilho está com defeito.

É claro que as vistosas faixas não estão mais no Olímpico todo o tempo, os bumbos parecem mais surdos, as bandeirinhas tricolores fugiram das arquibancadas.

Alguns símbolos perderam o lugar. A atração, porém, continua igual. Ela continua referência na tevê, aos que chegam de fora, aos da casa.

É óbvio que a Geral não pode ser vista como algo homogêneo. Seria impossível colocar todos na arquibancada com mesmo perfil. Organizar uma série de gaúchos copiados na sua melhor estirpe.

Gente boa e gente não tão boa assim convivem em qualquer lugar, seja na Geral ou nas cadeiras cativas. Há o respeito e a civilidade e há o contrário.

Arquibancada de futebol é o lugar mais democrático do Brasil. Recebe todo o mundo sem exigir a carteira de identidade.

O médico cardiologista senta ao lado do motorista do caminhão do lixo. O bêbado e o equilibrista. O espectador e o animador.

É natural, é de bom senso, que a Geral não pode, nem deve, ser financiada pela direção do clube. Torcedor profissional é uma praga.

É uma peste que mexe com toda a estrutura do clube, sempre para o pior. E os exemplos mais nocivos chegam do Centro do país. Nem vou citar o nome dos clubes. Você sabem.

O que o Grêmio não pode perder é o grito de uma das torcidas mais importantes da sua história, talvez a mais. Precisa incentivar.

O que a direção precisa fazer é conversar com as lideranças da Geral, talvez de outras torcidas também, e buscar uma solução negociada, pensada, como mandam as pessoas mais civilizadas. Entendimento é bom e dá exemplo.

Seria bom que um facilitasse a vida do outro, apoiasse, buscasse um caminho fértil. Na briga entre torcidas e direção quem perde, sofre e, às vezes, se estropia, é o clube. É o jogador, que sem apoio, embaralha a sua melhor e maior referência.

O torcedor é sempre a razão da existência do clube. É sempre prioridade, especialmente o comum.

A Geral, que une vários deles, de diferentes idades, comportamentos e ações, precisa ser preservada e entendida. Falo na Geral porque ela é o assunto da hora, mas penso o mesmo de todas as torcidas dos grandes, médios e pequenos clubes brasileiros. Elas precisam da mão do clube.

Elas precisam do apoio dos dirigentes nos melhores e nos piores momentos. Desde que esta mão se proponha ao perto forte e fraterno, jamais um soco pelas costas.

Numa mesa com uma dúzia de cadeiras quase tudo é possível, até a reconciliação, zero a zero, bola no centro, vamos recomeçar que o jogo é de campeonato.

A Geral tem o seus pecados, erros e acertos, a direção navega nas mesmas turbulentas ondas. Uma será mais forte com a outra, sem o cabresto, claro. No fim, lá no topo, no Evereste de cada uma, eles querem a mesma coisa. Olhar a planície, bater no peito e dizer:

- Somos campeões.

Postado por Zini, Porto Alegre

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