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Posts do dia 27 julho 2009

Futebol do Inter vive em situação de emergência

27 de julho de 2009 69

O Inter descobriu sábado. Detectou no Rio de junho um problema gaúcho de dois meses de vida. Entendeu que os jogadores são os culpados pela crise. Viu que eles já tiveram aproveitamento de 100%, bateram nos 70%, despencaram nos 30%.

 

Fernando Carvalho desceu ao vestiário do Beira-Rio e avisou. Entrou sem bater, pedir licença. A casa é sua. Ele é o dirigente histórico do Inter. Sua palavra vale por cem anos. Espelha a confiança de 100 mil sócios. Garante a palavra de meio Rio Grande.

O Inter está em situação de emergência. Palavra de Carvalho, que mandou D`Alessandro treinar separado em busca da sua melhor forma, que o faz um jogador diferenciado.

Carvalho gastou o verbo. Disse o que imaginava dizer. Carvalho é um torcedor, experiente, centrado e que, às vezes, despe o uniforme de torcedor para agir como dirigente, diferenciado que é

O Inter segue estratégia própria no primeiro dia da última semana de julho, dois intermináveis meses de maus resultados no futebol. Segura o técnico, protege Tite, elege o treinador como intocável. Joga toda a responsabilidade ao grupo, aos que querem jogar, aos que desejam treinar e ganhar, aos que estão se escondendo atrás de nomes e títulos recentes.

A decadência do futebol colorado é uma verdade. Dói. Começa pelo técnico, passa pelos dirigentes, explode nos jogadores, que ganham os melhores salários do país, recebem em dia e andam se movimentando como se o mês fosse idêntico ao do Flamengo, 90 dias que valem 30.

Dos 11 titulares históricos, pelo menos cinco são questionados dias e noites pela torcida, independentemente do horário do jogo. E são cobrados e são tema de conversa em casa, com amigos, nos bares da vida, na firma.

É impossível retirar todos ao mesmo tempo. O time se fragilizaria ainda mais. Cairia da tabela como um marinheiro mareado do navio nas ondas do Cabo Horn. É preciso agir como um cirurgião, afastar aos poucos os que fazem que jogam, mas não jogam, não querem a bola nos pés.

Mudanças radicais em meio ao campeonato são convites ao azar. É bom saber que os jogadores mandam nos clubes. Eles jogam quando querem. Jogam mais por um nome, menos por dois que não agradam. Jogador faz e derruba técnico.

Os dirigentes nomearam os culpados. São os jogadores. Todos.

Agora, o grupo precisa se depurar. Eles próprios sabem quem anda correndo, quem anda remando na noite. A bola fugiu da mão de Tite, saiu do alcances dos dirigentes, caiu nos pés dos jogadores. Ele serão os responsáveis pelas próximas corridas.

O recado está dado. Todos estão na alça de mira.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Tite começa sua semana mais decisiva no Inter

27 de julho de 2009 67

Começa a semana, o frio se estende, o futebol continua, Tite está por um fio quase invisível. Um tênue linha o segura no Inter.

 

Os dirigentes, ao seu lado, tentam soldar a corda danificada. Tite perdeu o caminho aparente. Os dirigentes o animam. Precisam reformar o vestário. A mudança tem um custo. É preciso coragem. É preciso colocar o clube na reta.

O Internacional levanta os olhos, olha na planície e não encontra nomes disponíveis. Os substitutos mais qualificados, os cinco melhores nomes, estão todos empregados.

Não há um grande técnico disponível no país. Só se quebrar a cultura e buscar um nome estrangeiro.

Não noto ninguém superior ao técnico Tite à espera de um contato perto do telefone, desempregado. Que Tite é bom técnico só os mais ortodoxos torcedores vermelhos negariam. Seus títulos são passaporte.

O que ninguém sabe é se Tite tem o perfil de revolucionário. O time precisa de mudanças radicais. Dos 11, titulares, seis pelo menos, não satisfazem mais a torcida, Índio, Álvaro, Kléber, Magrão, D`Alessandro e Taison. A vaia corre solta. Todos pedem mudanças rápidas.

Custa saber se Tite seria capaz de mudar seus conceitos, afastar titulares, reformar o time, repensar seus modelos táticos, garantir outros 11 titulares.

Exemplo do começo do milênio: Tite caiu no Grêmio justamente por preservar seus titulares no exato momento em que eles deveriam deixar a equipe. O episódio foi conhecido como "as ovelhinhas de Tite".

Os dirigentes vermelhos mudaram o discurso depois da derrota no Rio, Botafogo 3 a 2. Disseram mais ou menos o que a mídia em peso vem dizendo desde o começo do mês passado. Que o vestiário está com problemas, que os jogadores estão sendo menos profissionais que deveriam, que o time está correndo menos, que o técnico está falhando nas suas avaliações e escalações, que a queda na tabela é pura realidade, depois de duas decisões perdidas em sequência.

De nada adianta um discurso de apoio ao técnico se os jogadores não ouvem, se bate na porta do vestiário e volta. Tite tem a confiança, mas não tem mais o domínio completo do vestiário. Se ele não tem, a direção também não. Ninguém tem. O vestiário não se entende. As lideranças não se unem.

O Inter começa a semana novas sem definições, só com indefinições. A hora do discurso passou. É o momento da ação.

A tabela final do primeiro turno o favorece, com Barueri (c), Santos (f), Galo (c), Sport (c) e Santo André (f). Dos 15 pontos, nove são em casa. De todos, nada assusta.

Pela tabela não é difícil encontrar a recuperação. O mais difícil é encontrar jogadores dispostos, um técnico decidido, uma direção encarando a realidade. Perder no Beir-Rio, tendo o Barueri como adversário, é quase o fundo do poço. Pelo adversário, mas pelo momento do Inter.

Postado por Zini, Porto Alegre

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