Diga Tcheco. Não diga Anderson Simas Luciano. Ninguém associa o nome ao jogador paranaense.
Pronuncie Tcheco, fale Tcheco e aguarde 30 segundos. Espere a avalanche. Ouça o Olímpico se levantar inteiro e se dividir e se quebrar em muitos pedaços em igual número de teses e teorias.
Você verá gremistas de todos os costados, os adoradores de Tcheco, os críticos, os mais ou menos, os que desejam o volante ofensivo longe de Porto Alegre, fora do alcance do jeito azul de ser.
Tcheco não é unanimidade em seu clube, entre os fãs, e no futebol a unanimidade não é burra.
Os que não o querem acusam o jogador de ser o mal de todos os males do Tricolor. Quando o Grêmio perde, creia, sempre tem algum apontando um dedo invisível na cara do distante Tcheco.
Ele paga o pecado por todos, pela falta de gols, pela lentidão do time, pela falta de pegada dos jogadores, pela indisposição com os árbitros, pela irritação com os adversários, pelo sol e pela chuva. Pelos erros táticos do time e do técnico. Pelas entrevistasd dos dirigentes pós-jogo.
Tcheco é o Judas gremista. Todos os times tem um e eles se sucedem através dos tempos. Os gremistas elegeram seus número 10. Batem verbalmente no jogador cada vez mais, basta um tropeço, um recuo fora de casa, nova derrota.
Tcheco é o capitão. Corre o risco de perder a braçadeira, uma vaga no time e ainda ter de buscar novo recomeço a partir do banco de reservas.
Tcheco, 33 anos, quase 15 de carreira, passou os últimos três anos como titular do Grêmio, com rápida escala no escondido e atrativo ($$$$$) mundo árabe. Sempre foi um jogador emblemático, de quem sempre se esperou tudo, mas ele nunca conseguiu oferecer o máximo. Não faltou esforço, faltou futebol.
Tcheco não é craque, sempre repito, mas é bom coadjuvante. Ele não pode ser a estrela, o grande jogador, o 10 histórico, porque não consegue ser. Simples. Tcheco é apenas um bom e útil jogador.
Mas pode e deve ser questionado. É saudável, sempre de maneira civilizada. Ele pode e deve sair do time quando não atravessa boa fase, como agora. Não há um substituto ideal, mas há diversas formações que podem deixar Tcheco de lado em busca da sua melhor forma e Autuori de melhor equipe.
Uma das formações é com Douglas Costa como um Tcheco mais ofensivo, com Adilson, Rochemback e William Magrão cobrindo o meio-campo. É preciso deixar Douglas jogar. É preciso arrancar a timidez do jogador antes que a sua intranquilidade acabe como ele de uma vez por todas em Porto Alegre.
É preciso deixar de esperar que Tcheco vá desabrochar como um craque superior, não, nunca, ou vá liderar a esquadra. Ele é apenas um bom coajuvante, capaz de grandes exibições, de más partidas. Não espera demais de quem não pode dar mais. Não se iluda.
Postado por Zini, Porto Alegre



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