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Posts do dia 5 setembro 2009

Estratégias de Paulo Autuori não embalam Grêmio

05 de setembro de 2009 117

Vaias, uma avalanche de vaias, depois do 1 a 1 com o Vitória no Olímpico. O péssimo empate ofereceu ao Grêmio um ano sem derrotas em Porto Alegre, mas o aniversário foi ignorado, passou pelo lado, ninguém saudou, não recebeu festivas velas coloridas, um saboroso bolo de chocolate.

O Grêmio fez uma das suas piores partidas de 2009, seja no aspecto técnico ou no coletivo. O fã do estádio sentiu, não gostou e gritou contra. Estava no seu direito. Se não gosta, vaia e depois do jogo.

Paulo Autuori continua com as suas experiências. Sua estratégia equivocada está cimentando o Tricolor na Copa Sul-Americana. Suas mudanças não embalam o Grêmio. O time não cresce.

Autuori não consegue acertar o Grêmio. Autuori não dá cara competitiva ao time. O G-4 se afasta aos poucos.

Os seus novos 11 preferidos foram especialmente desastrosos. Como queria deixar Tcheco no banco e apressar a estréia de Rochemback, fez cinco modificações forçadas.

O time mudou muito e mal, sentiu o impacto, caiu, foi envolvido, quase perdeu. A imperícia dos atacantes baianos ajudou no resultado igual, porém injusto. O Vitória merecia os três pontos. E olha que jogou quase 30 minutos com 10 jogadores.

As modificações afundaram o Grêmio, tanto que o Vitória teve três situações de gol no primeiro tempo, contra nenhuma dos gaúchos, e duas bolas na trave no segundo.

O Grêmio estava totalmente desorganizado, mal postado em campo, marcando errado e sem opções ofensivas. Réver fazia um péssimo jogo, Douglas Costa exibia sua timidez costumeira e Perea assistia o jogo. Defesa, meio-campo e ataque pareciam seres estranhos um ao outro. Não combinavam.

Autuori mexeu na zaga no meio. Posicionou o volante Túlio na lateral (não apoiou, nem marcou), passou Mário Fernandes da lateral para a zaga central (o melhor em campo e novo titular da zaga central), formou o meio com Adilson (errou muitos passes e se posicionou errado) e Fábio Rochemback (discreto, sem mobilidade e fora de ritmo de jogo, uma estréia modestíssima).

O Grêmio de Autuori é time de uma manjada jogada só: aérea. Quando o dia não permite o jogo pelo céu ou a defesa inimiga está bem posicionada, as outras opções roçam o zero. Tcheco entrou depois, como salvação, o que não é, e passou a levantar bolas para a grande área. Nada.

O Grêmio passa a semana inteira treinado. Na partida, o resultado dos treinos não aparecem. Ninguém vê uma jogada ensaiada, por exemplo.

Todos esperavam mais de Autuori como comandante de campo no Olímpico. Pela sua qualidade, fama, títulos e idéias, o Grêmio deveria estar mais organizado, pelo menos, neste começo de setembro. Não está. É um time comum, que joga como os times do meio da tabela do campeonato. Pior, parece conformado com o seu lugar no Brasileirão.

Alias, o time que empatou com o Vitória estava longe, muito distante, um Japão de distância, de ser um time vibrante. O perigo também mora aí.

Postado por Zini, Porto Alegre

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O que Maradona tem na cabeça

05 de setembro de 2009 9

O trio máximo da idolatria argentina era Gardel, Evita e Che. Os anos 1980 substituíram Gardel por Maradona. Hoje, 5 de stembro de 2009, o trio soma um.

Maradona é tudo, ao menos por 24 horas e desde Rosário, 300 quilômetros ao norte de Buenos Aires, campo de jogo de Argentina e Brasil, os dois em busca de uma vaga na primeira Copa da África, em 2010.

Se você quiser ler mais sobre o trágico Maradona fora de campo tente o espetacular "La Era del Fútbol", livro do sociólogo Juan José Sebreli, que esteve recentemente em Porto Alegre, numa perfeita ideia do Sergius Gonzaga.

Você saberá como Maradona entrou na cabeça dos argentinos, como penetrou na camorra italiana, como foi dominado polo pó. Um homem acima até mesmo da Justiça no seu país.

Se você quiser saber mais sobre o Maradona técnica da Seleção Argentina siga as frases seguintes.

Maradona jogou 91 partidas com a camisa da seleção, entre 1977 e 1994. Começou aos 16 anos, se despediu aos 33. Ganhou 42 jogos, empatou 29, perdeu 20. Marcou 34 gols, uma média de 0,37 por partida. Jogou quatro mundiais, ganhou um, atuou 21 vezes, fez oito gols.

Como técnico, um treinador forjado em gabinetes, sem a base e o currículo da profissão, ainda não se encontrou, nem oferece as maiores esperanças. Um abismo separa o craque do técnico, mesmo que o novo espaço de atuação do velho craque esteja colado ao mesmo que lhe ofereceu a glória.

A Argentina é apenas quarta colocada nas Eliminatórias Sul-Americanas. Não engrenou, acertou. Nem todos (nem entre os seus) acreditam que Maradona tenha mesmo talento diferenciado para o cargo 10 meses depois da sua posse em Glasgow, na vitória sobre a Escócia (1 a 0).

O que os argentinos esperavam dele, antes de tudo, antes de complicadas ou corretas noções táticas, era sua liderança e seu carisma. Que a experiência de quase 100 jogos com a seleção pudesse aportar algo diferente aos atuais donos das camisas em azul e branco.

Que ele absorvesse todas as pressões, deixando os jogadores mais livres. Que mostrasse aos jogadores que a Seleção é lugar de entrega absoluta, que o vedetismo fosse deixado para depois. Ok, a seleção poderia ser vencida nos 90 minutos, nunca no sacrifício, na bravura e na entrega. Jogar pensando no povo, na torcida, no país, não num novo e milionário contrato.

O que os argentinos esperavam (ainda esperam milagres) de Maradona é que ele injete na Seleção o espírito ganhador de outros e bons tempos e o que uma coleção de técnicos, com diferentes perfis, não consegue desdes 1986.

Atrás de Maradona trafega Carlos Billardo, técnico campeão do mundo de 1986, no México. Billardo, um técnico de verdade, disse que Maradona escuta mais hoje do que quando era jogador. Ele ouve.

Quando jogava, só jogava, um surdo extraordinário. Jogava por sua cabeça, por instinto. Os técnicos eram mudos. Seus ouvidos não captavam as mensagens táticas.

Billardo é seu professor e seu mestre, mas a decisão final é sempre de Maradona nas questões de convocações e escalações.

Maradona tem adotado um sistema incomum de ação junto aos seus eleitos. Viaja com regularidade, encontra os seus jogadores na Europa, conversa com eles individualmente ou em pequenos grupos (os argentinos do Madrid, os do Liverpool, os da Inter, etc), sai para jantar, assiste aos treinos e jogos. Tenta cimentar um grupo, o seu grupo, o time de Maradona.

Nas concentrações entra nos quartos dos hotéis, fala, um por um, e exige o comprometimento de todos. Ele tenta saber de tudo o que acontece com os seus preferidos.

- Voy a convencerlos cabecita por cabecita - disse Maradona.

O Brasil pode provar em Rosário que a motivação não é tudo. Às vezes as questões táticas fazem a diferença. Maradona, por enquanto, é só motivação e carisma. O que é pouco.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Kaká é mais completo que Maradona? Ele diz que é

05 de setembro de 2009 23

Kaká foi sincero e autêntico ao dizer em entrevista que se considera mais completo que Maradona. Eu entendo o significado da palavra "completo" que caiu da boca de um dos melhores jogadores do mundo deste começo de terceiro milênio. Concordo. Boto fé.

Note, Kaká, eleito duas temporadas atrás o melhor jogador do mundo, não disse que era "melhor" do que o 10 dourado argentino.

Não usou a palavra "superior".

Você sabe, eu sei: Maradona era "gênio da bola", Kaká não é. Os dois amarrariam as chuteiras do Rei Pelé, o único.

Kaká é mais completo porque se movimenta mais, corre em diferentes faixas de campo, corre mais, chuta com os dois pés, faz gol de cabeça, atua em distintas posições, marca mais.

Kaká não mentiu, nem inventou. Falou a verdade. Ele apenas não explicou o significado real de "mais completo". Eu apenas tentei traduzir. Acertei?

Kaká marcou um dos gols da sua vida justamente contra a Seleção Argentina. Foi na Inglaterra, na estréia de Dunga no comando técnico da Seleção.

Kaká começou no banco como humilde reserva, entrou no segundo tempo, pegou uma bola nas proximidades da sua área, acelerou, ganhou na velocidade de vários adversários, esfera grudada no pé, atravessou o campo e marcou. Foi um gol excepcional, gol de técnica, de velocidade, de brilho pessoal. Foi um gol de inaugurar estádio.

O Brasil precisa de Kaká na Terra de Messi. Kaká é o único que pode fazer a diferença entre os 11 de Dunga. Os outros 10 são jogadores comuns, no sentido que há outros iguais por aí. Kaká será decisivo no clássico Argentina e Brasil, em Rosário.

Postado por Zini, Porto Alegre

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