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Posts do dia 7 setembro 2009

Faz duas décadas que Dunga é amargo no futebol

07 de setembro de 2009 81

Eduardo Di Baia, AP

A mágoa de Dunga com a imprensa brasileira é um rio caudaloso, revolto e sem fim. Quem mergulha não encontra o final, nem depois da grande curva.

É problema antigo, remonta a década de 1980, a trágica virada dos anos 1990, quando o fracasso da Seleção na Copa da Itália foi classificado pejorativamente como a "Era Dunga". ED, depois, se transformou em lugar comum quando alguém queria resumir fracasso.

A Copa de 1994 mudou a história. Ofereceu novo patamar ao combativo jogador. Uma Copa como capitão, uma recuperação fantástica, uma cirurgia na autoestima.

"Era Dunga" foi termo erigido no centro do país. Críticos que não conheciam Dunga, que atuava na Itália, imaginando-o um brucutu, jogador tosco, inimigo do passe. Ofereceram seu nome para a queda da Seleção na Copa do Mundo da Itália, depois do fracasso do Brasil ante a Argentina, que afastou Dunga e Cia prematuramente da competição.

O nome pegou. Ficou. Dunga, com o apóstolo Lazaronni, foi pregado na cruz.

O tempo passa, o mundo piora, melhora, depende de quem o vê, mas Dunga continua na sua cruzada contra os jornalistas esportivos do Brasil. Sua arma é a ironia, os maus modos, a falta de civilidade. O que é um paradoxo, Dunga é campeão  também em obras assistências, é um exemplo de ser humano sensível com os mais carentes do nosso país.

Eu não entendo Dunga. Já o critiquei como técnico, nos seus cacilos, mãs jornadas, convocações erradas,j á o aplaudi nos seus grandes momentos, títulos, jogos em ele mudou a partida. Normal. Pensei que ele não daria certo no seu emprego na CBF, imaginei que seu lugar ideal seria na coordenação de todo o futebol da Seleção.

Dunga tem se mostrado um profissional competente, cresceu muito nestes três anos como treinador, mesmo sem ter passado pelo banco de reservas de clubes, de uma Seleção de base. Não sei o que Luxemburgo, Muricy e Mano Menezes poderiam ter agregado a mais do que Dunga ao time. Você imagina?

Dunga fez da Seleção um time robusto, competitivo e criativo, jogou as firulas e o vedetismo para escanteio. Construiu uma Seleção sedenta de glórias. Não será surpresa se levantar sua segunda Copa FIFA na África do Sul em 2010.

Os números da Seleção, previamente classificada, impressionam: melhor ataque (28 gols), melhor defesa (sete gols sofridos) e o goleador, Luís Fabiano (nove gols). Dunga não quer nem saber, não quer exibi-los, quer atacar seus críticos, mandar recados, ironizar a cada entrevista coletiva.

Dunga sabe, mas parece que ainda não se deu conta. Técnico da Seleção é sempre mais criticado que o Presidente da República. Se ele ganhar, conseguir o título, não fez mais do que a obrigação, ao menos na cabeça do popular, que imagina que basta colocar 11 jogadores com a camisa amarela para o taça sorrir aos brasileiros. Os mais sérios sabem que o jogo não é assim.

Dunga tem o direito de criticar, desabafar, mandar recado, ironizar. Nada , nem ninguém, o proíbe de ser mais elegante, de pairar acima dos críticos, de responder com números do seu time aos ataques, com resultados as afrontas pessoais. Dunga precisa saber que, apesar da força do ataque dos adversários de todos os níveis, o técnico da Seleção Brasileira precisa estar acima de tudo.

Dunga é, em determinados momentos, mais importante que o presidente do país. É, mas não se comporta como tal. Age como um técnico comum. Poderia ser maior do que já é. Pena!

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Postado por Zini, Porto Alegre

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Qual o Souza que você enxerga em campo?

07 de setembro de 2009 52

Todos esperavam mais de Souza, todos que gostam de futebol competitivo imaginavam outra Souza, um campeão brasileiro, um dos suportes do grande São Paulo de anos recentes.

A própria torcida azul, em determinados momentos, busca Souza como alvo de sonoros descontentamentos. Souza chegou ao estado como craque. Não é. Não pode ser o principal jogador do time. É, no máximo, um coadjuvante.

Souza, por incrível que possa parecer, consegue ser dois jogadores em um e ao mesmo tempo. São os milagres da bola.

Ele alterna seu comportamento entre uma e outra partida. Souza é um jogador que precisa da mão forte do técnico. caso contrário ele faz o que quer e, ao fazer ao seu modo, nem sempre acerta. Souza precisa ser controlado, vigiado, orientado em campo.

Como Souza se comporta:

O primeiro: É o jogador competitivo, que atua na ligação entre o meio-compo e o ataque, jogador lúcido, veloz, criativo, garçom de qualidade e com um chute forte, embora raramente consiga marcar gol de fora da área, com exceção de faltas.

O segundo: É o jogador que a torcida marca na paleta, dois, três toques a mais, o drible inconsistente que atrasa o time, que perturba os colegas, que não produz nada. Ao contrário do passe rápido, da jogada ofensiva, o novo drible atrapalha todo o panorama do ataque. Não marca, só cerca, deixa o meio-campo sem uma atenção especial, só joga com a bola no pé.

Se navegasse sempre sempre no primeiro campo, Souza viveria em outro patamar. Seria um jogador diferente, no aspecto positivo para o conjunto, o coletivo.

Como quer ser os dois, não é nem um nem o outro, mas a sua média é mais para o número dois. Paulo Autuori precisa enquadrar Souza com urgência, fazê-lo atuar como jogador competitivo ou então buscar outra opção no seu setor.

Souza acha que é o dono do time. Não é. É apenas um ator coadjuvante.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Fernandão X Fernando Carvalho, o último round

07 de setembro de 2009 81

De Goiás, da bela e arborizada Goiânia, Fernandão disparou sexta-feira seus mísseis de contagem regressiva. O alvo era o Beira-Rio, mas o petardo não se dirigia ao campo verde. Suas coordenadas pediam uma das salas mais exclusivas do estádio, o escritório blindado do vice-presidente de futebol, presidente histórico, Fernando Carvalho.

 

A bronca, sabe-se agora, é pessoal. Carvalho é o desafeto. Não respondeu aos ataques. Apenas abrigou-se em seu bunker, fechou-se, deixou seu ex-capitão sem respostas. A ótima vitória, o belo futebol do Inter, na Ressacada, o perfume do título, o mísero ponto que separa os gaúchos dos paulistas do Palmeiras abafou a explosão do foguete de Fernandão. Mas ainda há estilhaços no ar.

Fernandão está magoadíssimo, como concluiu a esclarecedora matéria do colega Fábio Schaffner, publicada na Zero Hora dominical.

O desdém do Inter afetou profundamente o jogador. Ele queria, no mínimo, mais atenção, carinho e respeito. Imaginava que o seu passado no clube valia alguma consideração na última fase da sua carreira. Que as portas estariam abertas, mais do que abertas, escancaradas no seu mínimo gesto de considerar uma volta. Que seria um prazer aos colorados recebê-lo de volta.

Não foi assim. O Inter não tinha mais planos para Fernandão, talvez a torcida tivesse. Seu lugar já estava reservado na história. O futebol do futuro Inter de Carvalho não passava mais por Fernandão.

Fernandão foi abatido antes do vôo de volta ao seu ex-clube. Não foi o primeiro jogador, claro, nem será o último a que um grande clube vai dizer não sem pronunciar publicamente um sonoro não.

Fernandão apenas imaginou que poderia voltar ao Inter no primeiro momento em que levantasse a mão direita. Seu passado no clube, sua coleção de títulos, eram passaporte.

Errou e aprendeu uma grande lição de vida. Os clubes são mais importantes do que os jogadores. Os dirigentes (certos ou errados) estão acima do bem e do mal quando querem decidir quem são os jogadores que chegam e que nome têm os que saem nas suas curtas ou longas, trepidantes ou gloriosas, gestões. Tudo passa pelas cabeças dos cartolas (às vezes nem os técnicos apitam) e todas são invioláveis. Ninguém sabe o que se passa dentro delas. Eles têm o poder.

No auge da sua feliz vida colorada, Fernandão era apontado como futuro presidente do clube. Quem sabe do clube, quem vive os bastidores, estava certo que Fernandão não teria a mínima chance de comandar o Inter num futuro próximo ou distante. Não quero dizer que Fernandão não tem talento como futuro gestor. nem sei se ele realmente pensou em ser presidente ou se foi só declaração de gente eufórica em dias de grandes títulos. Não sei mesmo, só o conheço como jogador de futebol e bom jogador.

O que fica, ao menos no round final, é que a decepção de Fernandão com Fernando Carvalho é do tamanho do Internacional. Não sei, algo me diz que a agora tumultuada história entre os dois ainda não terminou.

Ainda falta um The End.

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Postado por Zini, Porto Alegre

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