A mágoa de Dunga com a imprensa brasileira é um rio caudaloso, revolto e sem fim. Quem mergulha não encontra o final, nem depois da grande curva.
É problema antigo, remonta a década de 1980, a trágica virada dos anos 1990, quando o fracasso da Seleção na Copa da Itália foi classificado pejorativamente como a "Era Dunga". ED, depois, se transformou em lugar comum quando alguém queria resumir fracasso.
A Copa de 1994 mudou a história. Ofereceu novo patamar ao combativo jogador. Uma Copa como capitão, uma recuperação fantástica, uma cirurgia na autoestima.
"Era Dunga" foi termo erigido no centro do país. Críticos que não conheciam Dunga, que atuava na Itália, imaginando-o um brucutu, jogador tosco, inimigo do passe. Ofereceram seu nome para a queda da Seleção na Copa do Mundo da Itália, depois do fracasso do Brasil ante a Argentina, que afastou Dunga e Cia prematuramente da competição.
O nome pegou. Ficou. Dunga, com o apóstolo Lazaronni, foi pregado na cruz.
O tempo passa, o mundo piora, melhora, depende de quem o vê, mas Dunga continua na sua cruzada contra os jornalistas esportivos do Brasil. Sua arma é a ironia, os maus modos, a falta de civilidade. O que é um paradoxo, Dunga é campeão também em obras assistências, é um exemplo de ser humano sensível com os mais carentes do nosso país.
Eu não entendo Dunga. Já o critiquei como técnico, nos seus cacilos, mãs jornadas, convocações erradas,j á o aplaudi nos seus grandes momentos, títulos, jogos em ele mudou a partida. Normal. Pensei que ele não daria certo no seu emprego na CBF, imaginei que seu lugar ideal seria na coordenação de todo o futebol da Seleção.
Dunga tem se mostrado um profissional competente, cresceu muito nestes três anos como treinador, mesmo sem ter passado pelo banco de reservas de clubes, de uma Seleção de base. Não sei o que Luxemburgo, Muricy e Mano Menezes poderiam ter agregado a mais do que Dunga ao time. Você imagina?
Dunga fez da Seleção um time robusto, competitivo e criativo, jogou as firulas e o vedetismo para escanteio. Construiu uma Seleção sedenta de glórias. Não será surpresa se levantar sua segunda Copa FIFA na África do Sul em 2010.
Os números da Seleção, previamente classificada, impressionam: melhor ataque (28 gols), melhor defesa (sete gols sofridos) e o goleador, Luís Fabiano (nove gols). Dunga não quer nem saber, não quer exibi-los, quer atacar seus críticos, mandar recados, ironizar a cada entrevista coletiva.
Dunga sabe, mas parece que ainda não se deu conta. Técnico da Seleção é sempre mais criticado que o Presidente da República. Se ele ganhar, conseguir o título, não fez mais do que a obrigação, ao menos na cabeça do popular, que imagina que basta colocar 11 jogadores com a camisa amarela para o taça sorrir aos brasileiros. Os mais sérios sabem que o jogo não é assim.
Dunga tem o direito de criticar, desabafar, mandar recado, ironizar. Nada , nem ninguém, o proíbe de ser mais elegante, de pairar acima dos críticos, de responder com números do seu time aos ataques, com resultados as afrontas pessoais. Dunga precisa saber que, apesar da força do ataque dos adversários de todos os níveis, o técnico da Seleção Brasileira precisa estar acima de tudo.
Dunga é, em determinados momentos, mais importante que o presidente do país. É, mas não se comporta como tal. Age como um técnico comum. Poderia ser maior do que já é. Pena!
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Postado por Zini, Porto Alegre



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