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Posts do dia 14 outubro 2009

Argentina deve mais uma vida para Maradona

14 de outubro de 2009 21

Os 22 e um só grito no Centenário mudo, /Natacha Pisarenko, AP
Desisti do Brasil. Eu e meio mundo. Uruguai e Argentina foram ímã noturno. Onde você estava no começo da noite do dia 14 de outubro de 2009?

Seus olhos, com ou sem lentes, não poderiam estar em Campo Grande, você fã de futebol? Estavam?

Ficou o Uruguai, remando na repescagem, imaginando que a África do Sul não é logo ali, como eu mesmo cheguei a pensar.

Entrou a Argentina, velha raposa de decisões. Ganhou de 1 a 0 no Estádio Centenário, os uruguaios gritando como loucos no começo e no meio, depois chorando como poucos no final.

Os argentinos sofreram como um condenado rumo ao cadafalso, esperando o perdão real no último segundo. Se viam mortos, se é que pode. Pode?

Maradona, Deus de chuteiras, mortal dos mais simples com o abrigo de técnico, foi salvo por um zagueiro e meio campista do Huracán denominado Bolatti, descendente de italiano como eu, talvez você.

Um dos melhores jogadores da história, capaz de hipnotizar a bola, Maradona ganhou vaga na África 2010 através dos benditos pés de um volante desconhecido aos 40 minutos do segundo tempo. Pés que devem entrar na calçada da fama da memória do fã argentino.

Meus amigos portenhos devem estar celebrando no El Obrero, no coração da Boca, uma carne, um Malbéc, outra noite de risadas estrondosas.

O nome do jogo foi Verón, com ele os outros 10 se mostraram mais confiantes, decididos. Verón é a luz do time. Ele se movimentou como um senhor feudal por diferentes partes do campo. Mandou em seu território.

O Uruguai teve mais chances de gol no começo. A Argentina equilibrou. Talvez o 1 a 1 fosse um resultado mais justo, mais de acordo com os 90 minutos. Um 3 a 3 seria ótimo. As melhores partidas, ás vezes, são jogadas antes da bola rolar. Só na nossa cabeça viciada em futebol.

Como todos foram avisados do gol do Chile (de El Loco Bielsa) ao sete minutos, que minava o Equador, os dois times arriscaram mais no segundo tempo. Todos sabiam que ainda teriam mais uma chance. Que o mundo não acabaria no apito final. A respescagem seria o tiro final.

A Argentina deve mais uma vida para Maradona. Segundos antes da tragédia, natural combustível argentino, ele atravessou o oceano. Agora, ele pode entregar o cargo. Deixar a tarefa da Copa para um técnico de verdade, que sabe Carlos Bilardo.

Ok, ele ganhou. Mas precisava testar o pobre e sofrido coração argentino de uma maneira tão radical.

Postado por Zini, Porto Alegre

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Argentina dividida enfrenta Uruguai favorito

14 de outubro de 2009 6

Diego Forlán, esperança celeste contra o estropiado exército de Maradona/Martin Mejia, AP
Na Copa do Mundo de 1930, no começo de tudo, a Celeste, então Olímpica, goleou os vizinhos argentinos. Enfiou quatro gols no que seria conhecido oito décadas depois o clássico mais antigo do futebol sul-americano.

O mais importante é Brasil e Argentina.

Uruguai nunca perdeu um jogo em casa para a Argentina em Eliminatórias. O pessimismo é moeda corrente em Buenos Aires e suas provícias.

A volta do clássico, turbinado por uma vaga na Copa do Mundo de 2010, é uma novidade. O enfrentamento andava esquecido, abandonado pela ineficiência uruguaia. Seus futuros jogadores deixam o país bem antes dos 20 anos. Nas eliminatórias da Copa da Alemanha, o país foi eliminado num mata-mata pela Austrália.

A volta do Uruguai, e como favorito, deve ser saudado. Aplaudida de pé. Penharol e Nacional foram dois dos maiores times da América, do mundo, no último século do milênio passado.

A Argentina ainda ostenta os melhores jogadores. Messi é o melhor e mais caro entre todos os de outras nações. Mas é um time desestruturado, desorganizado, sem comando.

Maradona tenta fazer o papel de técnico. Sua inteligência e experiência tática não permitem.

A Argentina perdeu suas três partidas fora do país nas Eliminatórias. Caiu na Bolívia, no Equador e no Paraguai. Sofreu nove gols, fez um.

O valor da Argentina está no seu grupo. A diferença está nos pés de Messi, um Maradona renascido. A certeza do Uruguai está na mão do técnico Oscar Tabárez, que usa tanto o 3-5-2, com sucesso em Quito, quanto o 4-4-2. Seu time não tem mistérios: Muslera; Scotti, Lugano e Cáceres; Maxi Pereira, Diego Pérez, Gargano, Jorge Rodríguez e Álvaro Pereira; Luis Suárez e Forlán.

O vencedor entra
direto na Copa. O perdedor poderá ver a Copa da TV se o Equador ganhar do Chile em Santiago. Se pintar um empate, Uruguai e Argentina dependerão do resultados dos equatorianos.

Maradona convocou 78 jogadores nas Eliminatórias. Escalou 35 em sete partidas. Não tem nem um time titular. Talvez seja por isto que 84% dos argentinos o querem longe da Seleção, na África ou vergonhosamente fora dela.

O clássico renasce e será comentado durante gerações. Maradona vai para o tudo ou nada. Se perder, será a derrota da sua vida. Será como a tatuagem de Che Guevara que carrega num dos seus braços. Não sai mais.

Postado por Zini, Porto Alegre

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