O Grêmio anoiteceu o primeiro domingo deste novembro em São Paulo, após a derrota de número 12 fora do Olímpico, falando em mudar o perfil do time. Precisou desperdiçar 36 pontos longe de casa para encarar o despreparo do grupo.
A direção, outra vez, calçou as chuteiras atrasada. Entrou em campo depois da prorrogação, juiz de braço erguido, a bola no seu pé esquerdo.
A atual direção é tão ágil quanto um Rubinho em quatro rodas. O campeonato acabou. Só ela não sabe.
Quarenta e oito horas antes, na ampla sala da presidência do Estádio Olímpico, Duda Kroeff já adiantava a mudança de perfil. Escrevi na minha coluna na edição dominical de Zero Hora que referências do dirigente eram Dinho, o xerife, e Luiz Carlos Goiano, o jogador que não sente o bafo da torcida adversária.
O presidente gremista entende que os grandes culpados pelas derrotas na distância do Olímpico são os jogadores. Promete providência.
Para ontem? Não, 2010 que se apresente.
Ele prometeu buscar novos jogadores espelhados nos históricos Dinho e Goiano. Não disse quem nem onde, mas informou que já trabalha com nomes. Falou num lateral, um meia e dois atacantes.
Não disse mais, porém garantiu que o Grêmio tem uma longa lista de nomes de jogadores brasileiros que terão seus contratos finalizados no mês que vem.
Eu concordo e acredito que os jogadores gremistas de 2009 não se comportam como jogadores vitoriosos. Não passam por cima da chuteira adversária, não brigam pela bola mais do que o normal, perdem todos os gols e de todas as maneiras possíveis e não são respeitados pelos adversários.
Hoje, no Olímpico, é como se o DNA da derrota estivesse colocado no pé de cada jogador. Perder seria assim, ao menos para os jogadores, uma situação absolutamente normal.
"Ok, você perdeu, tudo bem, tudo normal. Ninguém cobra. Não é nada. Perder faz parte do jogo. Vamos lá que tem outro depois de amanhã e nós vamos perder de novo. Mas não se preocupem, está tudo ok, tudo normal".
Conselheiros azuis, eu sei, se movimentam em busca da cabeça de Luiz Onofre Meira. Acham que ele teve a sua chance. Disputou três títulos em 2009. Perdeu os três.
A hora seria de um novo e renovado homem de futebol, capaz de reinventar o Grêmio da nova temporada que, longe da Libertadores, terá menos dinheiro. Sua folha, portanto, deve ser enxugada.
O Grêmio carrega um caminhão de dispensados se quiser e sai rodando pelo pórtico do Olímpico. Pode negociar, emprestar, trocar, fazer o diabo. Deve encurtar os números de sua folha de R$ 3 milhões, que não é do tamanho de um clube lotado de dívidas como o Grêmio.
O Grêmio está no fim de 2009, mas ainda não sabe bem o que fazer em 2010. Tudo está muito devagar, quase parando.
Você tem uma ideia aí?
Postado por Zini, Porto Alegre
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