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África à procura de um novo Weah

26 de dezembro de 2009 4

Todos pedem Kaká. Saúdam Cristiano Ronaldo, se dobram por Messi. Os melhores do mundo de 2009 são brancos outra vez. O último negro a frequentar o Olimpo da bola foi o gaúcho Ronaldinho, terceiro em 2006. O Brasil é a Meca do futebol. O mais recente cidadão africano com vaga no exclusivo e mediático grupo foi o camaronês Eto’o, o número três da lista da Fifa de quatro anos atrás, atacante multicampeão que vale hoje, com a camisa da Inter, R$ 70 milhões.

No quase remoto 1995, o número 1 foi o liberiano George Weah, ex-Milan. Ele não deixou descendentes, nem favoritos, depois de ser coroado o Pelé da África. Após Weah, a África prometeu outros espetáculos. Nunca cumpriu. O novo milênio ainda espera um outro George Weah, assim como os argentinos rezam por Diego Maradona II e o Brasil não se contenta apenas com Ronaldo, Ronaldinho e Kaká.

Na África do Sul, o país do Mundial em meio ano, o time mais popular é o Manchester United. Rooney é um pequeno e rechonchudo senhor da bola e as televisões nas casas e nos bares da classe média para baixo (os que admiram o futebol) são templos da Premier League. O United tem seus negros. O brasileiro Anderson é um deles, mas não ostenta astros nascidos na África, nem clube do Século 20, o Real Madrid, os acolhe. Mas o condecorado Barcelona garante o seu Yaya Touré, o volante de 1m90cm da Costa do Marfim. O nigeriano Mikel busca espaço no Chelsea, ao lado de Essien, volante de Gana. Como o Brasil, a África, 900 milhões de habitantes, exporta talentos, mas ainda garimpa um deus da raça, seu Pelé real.

O jogador africano é palpável
, já encontra espaço na memória de quem gosta de futebol. Frequenta a elite do futebol planetário. Não são os líderes. Jogam como coadjuvantes.

Eles desfilam em 22 ligas da Europa. O futebol africano, por outro lado, foge aos nossos olhos. Seus clubes são totalmente desconhecidos, escondidos em 53 países independentes, divididos entre a chamada África Negra (44 nações, como Nigéria, Camarões, Gana) e a Branca (países do norte, como a Argélia, Marrocos).

As redes de TV ainda não alcançaram seus jogos ao vivo porque não são atrativos. Os jogadores emigraram. Suas seleções só recebem vagos minutos de atenção de quatro em quatro anos. Jamais chegaram às semifinais de uma Copa. Nunca foram apontadas como favoritas.

Nas seleções, a desorganização é quase geral. Os jogadores se dividem em grupos. Os que vivem na Europa, partindo garotos, não se relacionam bem com os que ficaram. Absorveram outra cultura. Estão ricos. Quase sempre estrangeiros, os técnicos não são respeitados. Não conseguem impor ideias táticas. Os jogadores correm, são fortes, mas desobedecem as ordens dos treinadores (Quem traduziu o 4-3-3 em Gana foi Carlos Alberto Parreira nos anos 1960).

Pela primeira vez o continente recebe uma Copa, pela primeira vez ingressa com seis competidores.

Dificilmente a África do Sul, país sede, conquistaria sua vaga com a bola nos pés, ao contrário de Costa do Marfim (grupo do Brasil), Camarões, Nigéria, Gana e Argélia. Camarões é recordista em Copas, cinco, a mais recente em 2002. Chocou o mundo de chuteiras em 1990 ao bater a Argentina. Na época, os africanos eram ignorados na Europa. Atuavam em equipes menores, sofriam ataques racistas. O imperador Weah se impôs.

O marfinense Drogba segue as pegadas de Weah. Falta-lhe talento para igular o mestre. O atacante vale R$ 100 milhões e é a maior preocupação da zaga brasileira no Grupo G – depois de uma dor de cabeça chamada Cristiano Ronaldo.

Gana tem quatro títulos da Copa das Nações Africanas, que terá sua 27ª edição em Angola, com 16 seleções, entre 10 e 31 de janeiro. A França deve ceder quase 60 jogadores (80 senegaleses jogam no país). Da Inglaterra partem 40.

A Copa de 2010, que começa com África do Sul e México, dia 11 de junho, não terá um só enigma a ser decifrado. As seleções são conhecidas.

No ranking africano da Fifa, Camarões e Costa do Marfim dividem os dois primeiros lugares. Ao lado da Nigéria (terceira) são os países que recebem os melhores farejadores europeus, os que vasculham promessas nas areias das praias, nos subúrbios de chão batido, nos cantos das favelas, na desolação.

Os mesmos especialistas que prometem duas vezes a cada década.

– Achamos o futuro melhor do mundo!

Para quem não viu Weah em ação, este vídeo do YouTube pode dar uma ideia da qualidade do africano:

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Comentários (4)

  • Jonas Bernardes Silveira diz: 26 de dezembro de 2009

    Esse Weah formava um belíssimo meio campo do Milan no início da década de 90… Albertini e Donadoni estavam lá, e na zaga, Maldini e Costacurta.

    Era um time dos sonhos esse Milan. Duas finais de Champions. Em uma delas, sofreu 4×1, humilhante derrota. Para quem? Uma seleção holandesa, com os africanos Kanu e Finidi.

    O mesmo Ajax que o Grêmio enfrentou de igual para igual em dezembro do mesmo ano…

  • luis feliz bastos diz: 26 de dezembro de 2009

    de novo este papop furado de ser branco
    Na minha opinião deveriam colocar negros em tudo. Dar o oscar, dar o de melhor jogador, dar tudo, dai nunca mais teriamos de ouvir este papo furado de racismo. A Africa é um poço de desenvolvimento e cultura.

  • Jonatan diz: 26 de dezembro de 2009

    Coreeção: Adebayor não é ganês e sim togolês. Sua seleção esteve na Copa passada porém nesta não estará presente.

  • Catimba diz: 29 de dezembro de 2009

    Que gols comuns, não acredito que seja uma lista de 10 gols mais belos dele… pra falar a verdade nunca achei esse Weah isso tudo, ganhou o prêmio de melhor do mundo em 1995 mais por falta de concorrência mesmo, foi um ano em que não tivemos grandes destaques individuais, claro que ele foi sim um grande jogador mas vi muitos africanos melhores que ele como Roger Milla, Abedi Pelé, Okocha, Kanu, Diouf, Eto’o, Drogba, mesmo esses não tendo ganho o prêmio de melhor do mundo.

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