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Posts do dia 21 março 2010

Inter frustra o Beira-Rio e ouve vaias

21 de março de 2010 61

O Inter é uma decepção só. Empatou no Beira-Rio, onde a vitória é obrigação, especialmente se o adversário vive no interior gaúcho. O Pelotas não se entregou às estatísticas. Se defendeu muito, organizado que é, tentou o ataque, mais timidamente, e encontrou o empate. Resultado injusto. O Inter merecia mais, teve mais chances, a vitória seria resultado mais justo, mais natural pelo que vi nos 90 minutos.

Futebol, porém, nem sempre é um jogo justo. A torcida sabe. Vaiou. Não pelo jogo contra o Pelotas (mas também pelo jogo com o Pelotas). As vaias caem sobre um um time que não empolga, se aninham preferencialmente nos ouvidos do uruguaio Jorge Fossati.

Em três jogos da Libertadores, o Inter somou cinco pontos. Mais que os pontos, as performances é que não agradaram. As vaias atrasadas miraram os últimos resultados também. O Inter está devendo, você sabe tanto quanto eu, Fossati, Fernando Carvalho e o torcedor da Fronteira que viu quinta-feira passada o seu Inter pela primeira vez ao vivo e não gostou.

Penso que o esquema de Jorge Fossati não é o ideal, nem mesmo com quatro homens no meio. Mas, por outro lado, tenho certeza de que os jogadores colorados estão devendo um futebol mais qualificado – que eles têm, vice-campeões da Copa do Brasil e do Brasileirão em 2009. Ninguém chega de graça nas decisões.

As individualidades não estão voando, jogando muito, atuando como nunca – e olha que é tempo de Libertadores. Falta ousadia. Falta o que D'Alessandro fez. Se o coletivo vai mal, é preciso arriscar. Ele pegou a bola na altura da grande área, fez um belo giro e soltou a canhota. Gol.

O sucesso do Inter passa por D'Alessandro, seja no Gauchão ou na Libertadores.

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Mithyuê prova que a força está na base

21 de março de 2010 85

A mini-sucursal do Avaí, com Ferdinando e William, não veste bem a camisa azul. O Grêmio pena. Melhora quando busca reforço na base, quando Silas, ex-Avaí, chama Mithyuê. Sem William, com Mithyuê, o Grêmio se transformou. Foi uma nova equipe. Virou o jogo em Erechim (3 a 1), não deu chance ao esforçado Ypiranga. Foi o melhor em campo. E, ao mesmo tempo, pede uma vaga no time titular.

A virada merece elogios, palmas. Mas o time nem tanto. O coletivo do Grêmio ainda desafina.

Mithyuê fez o time jogar. Jonas, dois gols, ganhou companhia. O estático William, homem de grande área, não é o companheiro ideal. Jonas gosta de alguém que se movimente ao seu lado, que apareça para as tabelas, que ajude nos deslocamentos, que sirva como garçom.

Mithyuê é habilidoso, inteligente e sabe jogar. Facilitou a vida de todos, o Grêmio renasceu e ganhou o jogo. Ele merece novas oportunidades. É quase uma afronta manter William, fazer Mithyuê sentar no banco. Toda a experiência tem um limite.

Foi a 11ª vitória consecutiva na temporada, contra apenas uma derrota. Claro, é preciso observar quem estava do outro lado. Vimos o Porto Alegre, o Votoraty, o Inter-SM. A fragilidade dos adversários não desmancha os méritos gremistas. Nunca. Só questiona.

O Grêmio ganha dos mais frágeis, mas não melhora. Seu futebol não evoluiu. Eu não vejo em campo o dedo do técnico, ainda não. Não observo jogadas ensaiadas, repito, triangulações, jogadas bem acabadas pelas pontas.

O Grêmio ganha, mas ainda não convence. Pode satisfazer você. Eu esperava mais depois de três meses de bola jogada.

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O United corre para o abraço na Inglaterra

21 de março de 2010 4

Machester United e Liverpool me despertaram no domingo. O chá preto ajudou a ligar, espantar o sono ainda do sábado. Vi um grande clássico. Jogo de pegada, decisivo, nervoso. Jogo típico da Inglaterra.

Em campo, até a respiração era mínima. Basta um suspiro para que alguém roube a bola. Foi uma partida de muita energia e de poucas jogadas espetaculares.

O Liverpool saiu na frente. O United empatou e virou, com o coreano Ji-Sung Park - antes Rooney, o melhor e mais mortal atacante mundial, havia marcado seu 26º gol na Premier League 2009/2010.

O United procura o título nacional, o quarto consecutivo, uma glória inédita no futebol inglês. O Liverpool luta por uma vaga no G-4, uma vaga direta na Ligas dos Campeões 2009/2010.

A legião estrangeira sem alma do Chelsea empatou com o Blackburn. O Arsenal venceu o clássico londrino com o West Ham.

O United parte em busca do título. Só a Liga dos Campeões pode atrapalhar a sua caminhada. O Arsenal tem um time mais jovem, mas qualificado. O United, pela experiência, pela qualidade do seu grupo, é um time de chegada. O Arsenal não é. O United é favorito. O Arsenal corre por fora. O Chelsea patinou.

Os três ainda brigam, têm chances. Mas a bola está com o United, mais uma vez, pela quarta vez consecutiva. O United é o grande time inglês dos últimos anos.

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Sala de Domingo (21/03)

21 de março de 2010 1

A partir deste domingo, passo a colocar aqui no blog a íntegra do Sala de Domingo, programa de debates da Rádio Gaúcha.

Junto comigo hoje estiveram Luis Henrique Benfica, Christiane Matos, José Alberto Andrade, Diogo Olivier e Leonardo Oliveira.

Falamos sobre Ronaldinho, futebol europeu, passando por Walter, até a rodada do Gauchão e a possível venda de Victor. A semana passada a limpo e o que vem por aí.

Ouça abaixo:

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Onde está escondido o futebol da Dupla

21 de março de 2010 29

O que você vê, o que eu vejo, escapa do campo de visão dos dirigentes gremistas e dos colorados. Os homens do futebol, os que estão acima e ao lado, desfilam elogios aos técnicos Silas e Jorge Fossati. Não importa o tempo, chova, faça sol, o céu infestado de relâmpagos.

O desempenho dos dois importa, sempre importa. Hoje, porém, mesmo que os seus dois times estejam longe do desempenho imaginado pelas duas torcidas, eles ganham carinhosos tapas nas costas dos dirigentes. Eles acreditam nos dois técnicos depois de dois meses e meio de trabalho. Eles apoiam. Aplaudem.

O discurso é quase comum, sejam em tom azul ou vermelho. Depois das partidas, eles anunciam que Grêmio e Inter jogarão bem mais na próxima partida, que é preciso oferecer tempo ao tempo, que cem dias é quase nada no trabalho de uma nova comissão técnica (o que concordo, só que em cem dias já se pode ver algo e nos dois times eu enxergo pouco os dedos de Silas e Fossati). E assim vai indo.
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Voz do vestiário

Entrevistas pós-jogo é uma repetição braba. Sempre o mesmo discurso. O torcedor, que ganha um espaço exagerado nas rádios do sul, é o que fala a verdade. É o único que critica em boa voz os dois treinadores, além de parte da imprensa especializada.

No Olímpico, Silas sentiu uma crítica duas semanas atrás, mas elas foram retiradas, arquivadas, esquecidas. Sumiram com as últimas vitórias, mesmo que os adversários atendam pelo nome de Inter-SM ou Votoraty (sem preconceito, apenas pela fragilidade atual de cada um).

Dirigente de futebol é um ser paciente (e às vezes tem razão). Ele é torcedor, mas está acima da torcida. Ele vive vestido com a fantasia de um fã, mas não pode agir como um em determinados momentos. Pode vibrar igual, claro, e deve gritar o mesmo gol, mas não pode pensar como um dos caras que se movem sem compromisso pela arquibancada.

Torcedor não tem compromisso com ninguém. Quando ele não gosta, vaia. Ponto.

O jornalista tem opinião.
Quando usa, o torcedor corre para saber se atrás da opinião existe um colorado ou um gremista. Tudo bem, sem problemas. É um dos esportes preferidos dos gaúchos tentar saber a cor de determinado profissional. Como se bom jornalista fosse movido por paixão clubística. Sua paixão é o futebol, eu penso.
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Novo domingo

Grêmio e Inter voltam ao nosso Gauchão, que eu gosto, embora critique a fórmula atual. O Colorado prefere a Libertadores (opção do Grêmio em 2009) e não consegue escalar o mesmo time em dois jogos seguidos. É um problema. Futebol é repetição, sabemos. O Tricolor usa o melhor que tem no Regional, exibindo um folha de pagamento de R$ 3,5 milhões, uma das maiores da história do clube.

Outro domingo, o décimo de futebol na temporada: será que teremos a repetição de tudo ou finalmente a Dupla vai começar a exibir o futebol que todos esperamos? Algo capaz de nos oferecer a Copa do Brasil e a Libertadores num só semestre?

Você acredita em milagres?

Eu não.

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