
O Grêmio entrou em campo com dois metros de salto alto. Imaginou a vitória, fácil, barbada, antes de pisar na boa grama do Olímpico. Pensou que nem precisava correr, pegar, suar dois litros a mais da cota normal. Quando se deu conta, estava 2 a 1.
Claro que o atrapalhado árbitro Fabrício Correa ajudou. Viu pênalti no peixinho de Clodoaldo. Mário Fernandes afirmou, depois do jogo, que tocara no jogador pelotense. Mas ainda fico com a minha impressão, a de que não houve a penalidade. O erro de Correa não serve como justificativa. O Grêmio se abateu. Levou a vaia de 2010. Nem antes, nem no meio dos 90 minutos. Depois, correta ação. A vaia é arma letal do fã.
O Grêmio jogou a sua pior partida da temporada. O Pelotas fez a melhor. O Pelotas tem time inferior. Mas sua vontade foi superior. Ganhou de virada, com dois gols de pênalti. A torcida pelotense fez a festa do seu ano longe da Boca do Lobo.
Silas não conseguiu explicar a derrota. Nem o mau futebol, nem a ausência de jogadas ensaiadas. Depois de 90 dias, o Grêmio não tem uma só jogada forte. Se você sabe, diga aí.
A folha de pagamento dos azuis roça os R$ 4 milhões a cada 30 dias. A do adversário mal chega aos R$ 150 mil mensais. O resultado espanta, especialmente porque a campanha do Grêmio era irrepreensível. Caiu uma invencibilidade de 51 jogos, uma sequência de 15 vitórias. É um dano sério na confiança do time. Sua próxima performance na Copa do Brasil será uma grande incógnita. O Avaí é superior ao Pelotas. Creia.
Não vá pensar que o Grêmio é o pior entre os piores depois de ser batido pelo Pelotas. Não é. Pode buscar os últimos números. O que espanta é a facilidade com que o Pelotas venceu e como os comandados de Silas se abateram.
O Grêmio, mal, muito mal, teve quase 15 minutos para empatar. Não criou uma só situação de gol neste tempo todo. Foi um amontoado.
A derrota, antes de tudo, mostra, outra vez, o fracasso na contratação dos medalhões. Com Bergson e Maylson, o time ganhava. Com Hugo, fora de forma, e Leandro, sem ritmo, o time afundou. Mithyuê, que sempre entrou bem, não foi sequer lembrado.
Na partida, Fábio Santos não acertou uma só jogada de ataque. Uma só, eu vi, eu contei. Do outro lado, Edilson fez algo parecido. Ferdinando se perdeu, ajudado pelo péssimo jogo de Willian Magrão. Douglas caminhou em campo e ainda exibiu um comportamento de juvenil ao chutar uma bola contra o bandeirinha. Foi expulso. Sua atitude foi uma vergonha. Ele mostrou um lado que ainda estava oculto, ao menos em Porto Alegre.
O Inter entregou a Taça Fernando Carvalho ao Grêmio ao perder no Beira-Rio. O Grêmio cede a Taça Fábio Koff ao rival depois de patinar no Olímpico. Eles podiam trocar de Copa. Na troca de gentilezas, sentados, poderiam repensar o ano de cada um.
Existem certas noites que o torcedor precisa esquecer. Pensar.
Se perguntar:
- Será que é com este time que eu vou? – devem estar pensando os gremistas.
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