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Posts do dia 24 abril 2010

Os segredos de Gaciba para o Gre-Nal 380

24 de abril de 2010 30

Lucas, oito anos, marinheiro de primeira viagem no mundo do futebol, estranhou. O pai não gritava gol, não vibrava, não levantava da cadeira e saía correndo de felicidade nos jogos de Grêmio ou Internacional.

Estranhou mesmo.

Todos os amiguinhos, os amigões, os pais, os tios e os avós deles, todos eles, sem exceções, sempre escolhem e vestem uma das duas cores clássicas do futebol gaúcho. Aos poucos, o menino se deu conta de que o pai, o árbitro Leonardo Gaciba, 39 anos, que faz neste domingo o seu 10º Gre-Nal (quatro vitórias coloradas contra duas tricolores e três empates), era um pai diferente dos outros pais normais dos coleguinhas que frequentam o mesmo colégio da Capital.

Gaciba entendeu o guri quando, numa festa na escola, os pais precisavam adivinhar o desenho de cada filho. Observou um monte de traços coloridos mostrando camisas do Grêmio e do Inter. Não poderia ser. Outro, numa cartolina branca, uma camisa amarela da Seleção vestia um jogador brasileiro.

– Era o do Lucas, só podia ser ele – ri alto Gaciba numa pequena sala, inundada pelo som de música eletrônica que escapa do grande salão da sua bem equipada Gaciba Fitness, a academia da Vila Ipiranga.

– Hoje vibramos juntos nos gols da Seleção, pulamos, nos abraçamos.

Os sinais de Gaciba

Gaciba ainda está abatido pelo jet lag de uma viagem num estreito Boeing entre Goiás e Porto Alegre no começo da tarde chuvosa de quinta-feira – 72 horas antes do primeiro clássico da decisão do Gauchão 2010 e 15 horas depois de apitar Goiás e Vitória. De um lado estará Altemir Hausmann, um dos bandeirinhas que acompanharão Carlos Simon na Copa do Mundo da África do Sul, em junho, do outro José Bittencourt.

Com o primeiro Gaciba fará seu 126º jogo, com o outro, o 56º – o trio é estreante em Gre-Nal. Eles se conhecem, se entendem, se comunicam, às vezes com gestos.

– Tenho absoluta confiança nos meus assistentes. Aliás, eles são cada vez mais exigidos em campo. Nós árbitros desenvolvemos sinais próprios que nos ajudam e nos protegem em alguns lances decisivos, independentemente do rádio, que favorece a comunicação imediata.

- Quais sinais? – eu pergunto, curioso.

– Um deles é nos lances de ataque, por exemplo, quando há dúvida se a falta aconteceu no interior da grande área ou nas proximidades do risco da cal. Se for fora da área, o auxiliar estanca. Fica parado. Se aconteceu pênalti, ele corre em direção à linha de fundo. Trabalhar com auxiliares competentes é só o que e juiz precisa (risos).

– Vocês têm mais algum sinal particular, Gaciba?

– Sim, o gesto dos cartões é diferente. Quando a confusão começa perto do auxiliar, mais do que nas minhas proximidades, se o assistente levar a mão no peito, é cartão amarelo. Eu vou lá e apresento o cartão. Se ele postar a mão na altura do bolso traseiro do calção, é um sinal que o lance merece o vermelho.

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VÍDEO: Gaciba revela sua preparação rumo ao 10º Gre-Nal da carreira

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Gaciba começou na várzea em Pelotas
no despertar dos anos 1990. Nove anos depois trabalhou no seu primeiro Gre-Nal – Inter 1 a 0, gol de Gonçalves. Onze anos depois, ele enfrenta o décimo desafio, depois de ser eleito, entre 2005 e 2008, o melhor árbitro do Brasileirão – no ano passado ficou em segundo lugar.

– Não mudo mais a minha rotina em Porto Alegre. Já mudei, me preocupei, deixei de fazer muita coisa. Hoje saio antes e depois, vou no súper com a minha mulher e filho. À noite, depois do clássico, janto fora, quase sempre numa galeteria da Zona Norte. O que eu não quero é ser uma marca negativa no Gre-Nal. Tipo o juiz do Grêmio do gol impedido, o do dois pênaltis mal marcados a favor do Inter...

– O torcedor não fica pegando no pé, enchendo o saco, estas coisas... ?

– Ele mudou. Os caras brincam, fazem piadas, pedem pênaltis (risos). A fase de agressividade passou. Alguns dizem que torcem pelo juiz gaúcho nos grandes jogos.

"Gre-Nal não é um recomeço"

Gaciba mandou gravar as partidas de Avaí e Grêmio, quarta e Inter e Quito, quinta. Separou dois DVDs. Seria a sessão de cinema de sábado. É parte da munição para o domingo.

– Tento descobrir antes como os times jogam, o esquema tático, se fazem linha de impedimento, se tem zagueiro na sobra, se os laterais viram ponteiros, se tem jogadas ensaiadas, como se comportam em lances de área. Toda a informação é bem-vinda. Eles sempre mostram algo, exibem o comportamento do time, projetam as jogadas.

Gaciba poderia estar no lugar de Simon no Mundial. Tinha competência para tanto. Não rodou no campo de jogo, mas na pista de atletismo. Não conseguiu superar os pesados testes físicos exigidos pela Fifa, perdeu também o escudo da entidade, que o habilitava a apitar jogos em todo o mundo. Hoje seu brevê atende apenas o Brasil.

– O problema era de cabeça ...

– Falam que foi o cigarro?

– Bobagem, larguei... Este ano, em três meses, fiz três testes. Passei em todos. Resolvi encarar o dia dos testes como se fosse um período normal de exercícios. Acho que superei o problema.

– Você pode recuperar o escudo da Fifa?

– Sim, com boas atuações no Brasileirão. Posso fazer novo teste da Fifa em novembro e me sair bem.

– E a Copa de 2014? – pergunto.

– Ah, é mais dificil. O Héber Roberto Lopes e o Paulo César Oliveira são os dois nomes preferenciais. Não sei...

Ele não vê o Gre-Nal como um recomeço
depois de perder o precioso emblema da Fifa no final de 2009. Acha que o clássico já foi muito mais disputado, pegado, guerreado. Mas ainda exibe a maior rivalidade do país entre os fãs locais.

– A grande maioria dos jogadores chega de fora. Eles se respeitam mais. Hoje jogam com a camisas diferentes. No segundo semestre poderão estar juntos num Santos, Flamengo ou Cruzeiro.

O Gre-Nal mudou.

Gaciba mudou.

Mas uma segunda-feira pós-Gre-Nal nunca muda, nem na academia de Leonardo Gaciba, onde os torcedores dos dois times são sempre bem-vindos e o pequeno Lucas desfila feliz da vida com uma camisa amarela da Seleção.



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Copa 2014 em Porto Alegre a perigo

24 de abril de 2010 47

Porto Alegre corre sério risco de perder a vaga como cidade-sede da Copa do Mundo de 2014.

Não há sinais visíveis da anunciada modernização do Beira-Rio, das novas obras no Aeroporto Internacional Salgado Filho, na melhoria do transporte coletivo, das ruas e das estradas, entre outras.

Porto Alegre não está só, outras capitais também não cumpriram os prazos estipulados pela Fifa. Dia 31 de março, a Fifa fez uma primeira visita as 12 cidades-sede e não encontrou nada de novo. Deve conhecer cenário quase idêntico no dia 3 de maio, data da segunda visita oficial. Será necessário agora um terceiro adiamento.

A Fifa pedia oito cidades-sede. O governo insistiu com 12. Queria todas as regiões do país representadas no Mundial.

As cidades escolhidas foram Cuiabá, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio, Salvador e São Paulo.

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Conheça o lateral que o Grêmio quer

24 de abril de 2010 62

O lateral-direito Coelho, 27 anos, do Atlético-MG, é o novo sonho de consumo do Grêmio. Os dois clubes conversaram, abriram negociações e o jogador aceitou trocar de Estado.

Coelho começou no Corinthians, jogou no Atlético-MG e na Europa. Voltou ao Galo em 2009. Com uma lesão muscular, Coelho ficou de fora das semifinais do Campeonato Mineiro e das oitavas de final da Copa do Brasil. Ele tem quatro títulos na carreira, um deles brasileiro, pelo Corinthians.

E você, leitor do blog, o que acha de Coelho?

Os atleticanos compilaram bons momentos do lateral em vídeo e postaram no YouTube. Confira:



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