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Posts do dia 12 maio 2010

O direito de ser Dunga

12 de maio de 2010 11

Os números do Dunga o sustentam. O grupo dele é vencedor.

Tem bola para erguer a Copa do Mundo da Fifa? Tem.

Copa é torneio. É imprevisível. É mata ou morre.

A França de 98 ganharia 15 vezes do Brasil em 20. A de 2006 perderia 18 em jogos normais. Não há normalidade num Mundial. Só acaso, sorte ou azar, nem sempre o bom futebol é o vencedor.

Ronaldo, Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldinho e etc, quadrados e quintetos mágicos afundaram quatro anos atrás.

Um dia depois da derrota da França, o Brasil inteiro pediu jogadores esforçados, menos festas e mais trabalho, e não mais estrelas milionárias sem um pingo de suor, lágrimas e vergonha.

Dunga foi atrás da ideia. Formou um grupo, fez um time, que não joga como uma Seleção. Os europeus detestaram o futebol pragmático da Seleção. Preferem os bailarinos. Perderam todas, Portugal, Itália (três vezes), Argentina (twice), Inglaterra (twice again)... Ufa!

Eu não aprovo as suas 23 convocações. Queria ver Victor, preferia Ganso, não levaria dois laterais esquerdos, trocaria Josué. Mas no atacado ele foi bem. Não gostei do discurso do Dunga fora do futebol, mas não misturo. O que ele falar sobre qualquer coisa que não seja futebol entra por um ouvido e sai reto pelo outro. Desligo o rádio, fecho a TV, pulo a página do jornal.

Não defendo Dunga, nem ele precisa. Defendo uma Seleção que está ganhando. Só.

O Dunga que interessa é o da bola.

E na bola ele e sua Seleção vão bem, saem do Brasil como favoritos. Como saiu a de Parreira em 2006. Mas agora com muita, mas muita vontade. de jogar futebol, deixar algumas travas de chuteiras nos campos africanos...

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Ganso, Neymar e o drama do Olímpico

12 de maio de 2010 39

O Olímpico será apresentado ao Santos perto das 22 horas desta quarta chuvosa. Os paulistas jogam um futebol que o Brasil não estava mais acostumado a ver, aplaudir, reverenciar: o futebol bonito, vistoso e de toques, de passes perfeitos e dribles de cinema, goleador.

Mas um futebol que não se ancora apenas na beleza plástica, tanto que venceu o Paulistão, o campeonato regional mais duro do país.

O Santos brilhou tanto, mas tanto, nos últimos quatro meses que considerável parte do Brasil do futebol começou a pedir, exigir, Ganso e Neymar na Seleção. Luziu a ponto de fazer o mesmo país esquecer Ronaldinho Gaúcho, a ex-unanimidade nacional.


Porto Alegre não terá o drible fácil e a ousadia de Neymar. Sobrou Ganso, talvez um dos jogadores mais completos do Brasil dos nossos dias, embora ainda sem a experiência necessária. Ganso tem todo o instrumental de craque. Eu o levaria para a Seleção no lugar de Júlio Batista. O Santos tem ainda Robinho, que redescobriu seu futebol depois de um opaco período na Inglaterra.

Robinho joga menos do que todos imaginam, mas com Ganso e um time mais afinado, ele pode se constituir num perigo aos tricolores. Hoje o que salva o Grêmio é a sua força física, a marcação decidida, a ocupação de espaço. Mas não é só a disposição e a determinação. É preciso mais, como uma boa atuação coletiva e ainda o brilho de algumas individualidades.

Se o Santos tem a suas bem definidas, não se esqueça de André, um dos atacantes preferidos de Romário, o Grêmio tem Jonas, Borges, Douglas e Hugo. O quarteto pode fazer o Grêmio sair com uma boa vitória do Olímpico. Eles podem. Sem eles, o Grêmio pode pouco.

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O que esperar dos 23 de Dunga

12 de maio de 2010 10

:: No gol: a experiência
Proprietário do goleiro número 1 do mundo, a Seleção foi atrás de outros dois. Descartou Victor, o melhor do país em duas temporadas consecutivas, chamou Gomes e Doni. Na Inglaterra, Gomes é um dos nomes da temporada. Doni é reserva na Roma. Victor seria a escolha natural. Dunga preferiu agradecer Doni pelos serviços prestados. Mas é possível entender Dunga. Optou pela experiência. Victor não jogou um só segundo no gol da Seleção.

:: Na zaga: a qualificação

Maicon, Lúcio e Juan são os melhores do mundo em suas respectivas posições. Na ausência de laterais-laterais, ele chamou dois alas, que atuam na lateral e na meia. Gosto de Gilberto e de Michel Bastos. A dupla é versátil. Oferece opções. No banco, Daniel Alves joga nas duas laterais e ainda faz bem três funções no meio-campo. Thiago Silva é outra opção qualificada na zaga. Luisão é ok.

:: No meio: as incertezas

Com 88 convocações, Gilberto Silva é o dono do meio-campo. Felipe Melo é seu coadjuvante e fez uma temporada ruim na Juventus. Elano, discreto na Turquia, é homem de confiança de Dunga, assim como Josué. Eu teria chamado Lucas no lugar de Josué. Ramires é um dos nomes do Benfica. Kléberson tem experiência na Seleção, foi campeão mundial em 2002. Júlio Baptista é um mistério. Se ele ficasse na Itália e Dunga chamasse PH Ganso, o Brasil sorriria mais. Ganso é o reserva ideal de Kaká, um meia qualificado como opção. Kaká teve uma temporada irregular, mas é craque.

:: No ataque: os problemas

Dos quatro atacantes chamados, não há um só que possa ser elogiado pela temporada europeia, que se encerra dia 22 com a final da Liga dos Campeões. Luis Fabiano viveu enrolado com lesões, jogou pouco, fez poucos gols. Nilmar sumiu no Villarreal, marcou só 11 gols. Grafite, que não é centroavante como Adriano, mas atacante de movimentação, foi apenas discreto no Campeonato Alemão. Fez 28 gols em 2008/2009 e apenas 11 agora. Robinho, que fracassou na Inglaterra, voltou ao Brasil, melhorou, mas foi ofuscado por Ganso e Neymar. Dunga agiu certo ao evitar Adriano, um jogador inconfiável, uma bomba-relógio na Seleção. Fred, superatacante, está fora de ação.

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