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Histórias de Bebeto, o Canhão da Serra

14 de maio de 2010 13

No texto do jornalista Lucas Scherer, autor de Bebeto, O Canhão da Serra (Passo Grafic, 160 pág, R$ 24,90), que será lançado quarta-feira em Passo Fundo, o goleiro Manga definiu Bebeto (1946-2003) após sofrer três gols num treino no Beira-Rio:

– Acho que esse cara comeu sabiá. Ele chuta a bola de qualquer jeito e quando a gente vê está lá dentro do gol.


Um dos ícones do futebol gaúcho, famoso pela violência do seu chute de pé direito, Bebeto (na foto acima entre Everaldo e Ancheta) jogou em 11 times – Grêmio (1970 e 1971) e Inter (1968, 1976 e 1977) – marcou 395 gols (173 só no Gauchão) em 744 jogos.

Natural de Soledade, Alberto Vilasboas dos Reis é o maior artilheiro da história do Gaúcho, de Passo Fundo, e goleador do Caxias no Campeonato Brasileiro.

O design da capa (à direita) é do colega Gonza Rodriguez.

 

:: Abaixo, algumas histórias de Bebeto, segundo o autor do livro:

Nas fotos acima, Bebeto com as camisas da Dupla e no Gaúcho, cumprimentando Figueroa
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Jogo Gaúcho 2×2 Grêmio, em 25/2/1968:

Este foi o “jogo do pai do Bebeto”. O Gaúcho perdia até os 43 minutos do segundo tempo, quando Meca cruzou da direita para Bebeto empatar. A bola bateu no travessão, na rede e nos ferros de sustentação da trave para finalmente tocar o gramado depois da linha do gol e ser agarrada pelo goleiro gremista Arlindo. O gol legítimo foi confirmado pelo bandeirinha.

Aí começou a confusão.

Arlindo, ainda segurando a bola, e o capitão gremista Sérgio Lopes foram reclamar a validade do gol. O árbitro da partida, prevendo problemas, tentou se proteger na mesa onde estava o delegado da Federação Gaúcha de Futebol. Lá também estava Aparício dos Reis, pai de Bebeto e delegado de polícia, que tinha problemas de visão. Ele cometeu dois erros: primeiro, pensou que o gol havia sido anulado pelo árbitro; segundo, que Arlindo, o goleiro gremista vestido todo de preto, fosse o árbitro. O delegado acertou então um tapa no rosto de Arlindo. Nisso, seu casaco abriu, aparecendo o revólver.

A confusão logo foi controlada, mas a imprensa de Porto Alegre deu uma versão diferente: o pai de Bebeto, de arma em punho, teria invadido o campo e dado um tiro para o alto, forçando o árbitro a validar o gol irregular do time da casa. Já  para a revista Placar não houve tiro, mas seu Aparício teria colocado o revólver na cara de Arlindo para que ele não reclamasse da legitimidade do gol.

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Jogo Gaúcho 7×1 Santa Cruz, em 30/3/1969

A torcida que foi ao estádio Wolmar Salton naquele domingo assistiu àquela que é considerada a melhor atuação de Bebeto pelo Gaúcho: quatro gols na vitória por 7-1 sobre o Santa Cruz.

Os gols do Canhão: aos 16 minutos do primeiro tempo, escanteio para o Gaúcho. Bebeto cabeceou no canto direito do goleiro. Gaúcho 1-0. Aos 28 minutos: Bebeto foi lançado por Zangão às costas do zagueiro Gildo e chutou na saída de Lory. Gaúcho 2-0. Aos 12 minutos do segundo tempo: Honorato matou a bola no peito e lançou para Bebeto, que bateu firme. Gaúcho 4-1. Aos 30 minutos do segundo tempo: Luiz Antônio subiu ao ataque e lançou Meca, que tocou na área; Flávio dominou e fez a assistência para Bebeto chutar forte. Gaúcho 6-1.

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Jogo Gaúcho 2×1 Internacional de São Borja, 13/6/1976 (O FAMOSO JOGO DA REDE FURADA PELO CHUTE DE BEBETO)

O jogo em si não teve muita importância, mas o segundo gol de Bebeto foi um daqueles lances folclóricos.

Pênalti a favor do Gaúcho. Na cobrança, o atacante chutou a bola com tanta violência que furou a rede do gol defendido por Luiz Alberto. A cena do árbitro Rui Cañedo consertando a rede ficou imortalizada e deu ainda mais força à mística do “Canhão da Serra”.

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Jogo Gaúcho 2×3 Grêmio, pelo Gauchão de 1976 (CEJAS NÃO VIU A BOLA…)

Talvez esta tenha sido a melhor apresentação do Gaúcho contra a dupla Gre-Nal. O técnico Adair Bicca montou um bom esquema de marcação, não dando liberdade a nenhum jogador gremista. O Grêmio só conseguiu marcar o gol da vitória aos 44 minutos e meio do segundo tempo.

O gol mais fantástico daquela tarde viria um pouco antes. Pedro atraiu a defesa do Grêmio e lançou Roberto, que chutou. A bola bateu na zaga e subiu. Ao vê-la cair, Bebeto acertou um voleio “com uma violência indescritível”, como lembra a crônica da partida publicada no jornal O Nacional. A bola entrou no ângulo esquerdo de Cejas: Gaúcho 2-1. O goleiro argentino diria:

— ¡Ni vi! ¡Ni vi! (Nem vi! Nem vi!)

Mas a sorte pararia de sorrir para o Gaúcho. Quatro minutos depois, em uma cobrança de escanteio, a bola sobrou para Eurico, que chutou forte de fora da área. A bola bateu no travessão e no rebote tocou nas costas de Ronaldo, entrando no gol: 2-2. Faltando 30 segundos para o fim do jogo, o golpe fatal. Eurico cobrou falta da meia-direita gremista. Alcino ganhou no alto e cabeceou no ângulo esquerdo de Ronaldo.

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Jogo Flamengo 1×1 Caxias, Brasileiro de 1978

As mais de 27 mil pessoas que foram ao Maracanã ver Zico, Carpegiani, Júnior e Adílio assistiram a um show de Bebeto.

O Canhão abriu o placar com um chute de fora da área, depois de receber um passe de Luiz Freire. Zico empatou. Bebeto ainda teve a chance de dar a vitória ao Caxias. Só que a bola acertou o travessão de Cantarelli, aos 38 minutos do segundo tempo.

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Uma história do tempo em que esteve no Inter em 1976-1977

Bebeto foi vendido pelo Caxias ao Inter no final de 1976. Sua contratação, um pedido do técnico Rubens Minelli, foi anunciada no dia da conquista do bicampeonato brasileiro sobre o Corinthians. Bebeto era o primeiro reforço do Inter que tentaria o tri brasileiro e o inédito título da Libertadores da América em 1977.

O sonho de disputar os títulos nacional e da América deu espaço à frustração em poucos dias. Bebeto viu a repetição do que acontecera em 1968. Minelli pediu demissão e foi substituído por Carlos Castilho, que estava no Operário de Campo Grande.

A concorrência no ataque colorado era forte. O titular era Dario, o Dadá Maravilha, artilheiro do campeonato brasileiro de 1976. Bebeto lutou por um lugar. Em um coletivo marcou três gols no empate por 6-6 entre titulares e reservas, deixando o goleiro Manga (que abominava sofrer gol do time reserva) furioso. Inexplicavelmente, Bebeto acabou sendo a quarta opção de Castilho para o ataque, atrás ainda de Pedro, seu ex-companheiro de Gaúcho, e de Joãozinho Paulista.

Novamente pouco aproveitado, e sem jogar nenhuma partida oficial, o Canhão da Serra voltou para o Caxias no final de março de 1977.

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Comentários (13)

  • Gustavo diz: 14 de maio de 2010

    A homenagem a esse monstro do futebol gaúcho e ídolo eterno grená acredito que venha apenas a desfazer alguns equívocos históricos, por exemplo, a máxima de que Pelé foi o melhor de todos os tempos. Apenas quem não viu o Bebeto jogar afirma uma coisa dessas, afinal o Bebeto jogava em um futebol de verdade, não no futebol paulista de toque e marcação à distância.

  • Leandro Caletti diz: 14 de maio de 2010

    Zini, fui colega do filho do Bebeto, aqui na Fac de Direito da UPF. Há também uma história triste do “canhão da serra”, mas que nunca foi bem explicada e anunciada: ele, Bebeto, teria, por engano, atirado em seu outro filho, acreditando se tratar de um assalto. Parece que o filho teria saído e voltado um pouco mais tarde. Segundo contam, esse fato decretou a doença e a morte do ídolo passofundense, que também jogou pelo Santos. Um abraço.

  • Edson Venhofen diz: 14 de maio de 2010

    Bom dia
    Muito bacana a matéria no blog, ainda mais qdo. se é de Passo Fundo e viu o “Canhão da Serra” jogar no estádio do Gaúcho, hoje para nossa tristeza, abandonado e vítima de uma disputa jurídica. Só achei estranho um detalhe nesta história. Se Bebeto era o Canhão da Serra , “-…famoso pela violência do seu chute de pé direito”, porque , na ilustração da capa do livro, o “canhão” aparece na perna esquerda? Quem está certo nesta história? Se a ilustração de uma biografia estiver errada, manda o ilustrador procurar emprego em um banco. Infelizmente não posso tirar esta dúvida eu mesmo, pois tinha 7, 8 anos qdo ia a campo ver os jogos do Gaucho e não lembro se Bebeto era destro ou canhoto.
    Fica a pergunta no ar
    Um abraço

  • alberto jaconi diz: 14 de maio de 2010

    Alguém tem notícia do Marciano (q parece ter encerrado carreira no CE)?

  • Rafael Gossler diz: 14 de maio de 2010

    Se ele chutava com o pé direito, conforme diz o texto, a capa do livro ta equivocada. Aparece um canhão na sua perna esquerda. Fail.

    Rafael, ele tinha o talento do chute forte também no pé esquerdo. No livro, inclusive, diz que ele tinha bomba nos dois pés. A capa do livro está correta. Abraço.

  • luis ernesto barriquel diz: 14 de maio de 2010

    Meus parabens por esta reportagem. vendo esta imagem me veio à lembrança as inesquecíveis tardes de domingo, da minha infancia, no estadio Volmar Saltom. Tardes de pura magia em que o artista, um ser de pernas arqueadas, meio que franzino, era o ator principal de um espetaculo chamado futebol. Belas tardes de domingo, como diz a musica famosa, em que um genio chamado BEBETO, enquadrava o corpo e soltava um petardo, não importando em que lado a bola se apresentava, pois ELE era ambdestro. Mas não era só isso, BEBETO tinha muita habilidade, como um gol que ele fez contra o Santa Cruz em que deu chapeu em tres, um em cada um, depois repetindo mais um chapeu, no que tinha no primeiro lance, antes de marcar o GOOOOOL. Uma pena que naquela epoca não tinha como se fazer imagens, no interior, pois se tivesse sido possivel aquele lance faria parte de qualquer vinheta em homenagem ao futebol. Parabens a quem esta escrevendo a biografia de BEBETO, pois se Garrincha foi o anjo das pernas tortas, BEBETO foi o Balsamo que inebriava as tardes de domingo da grande torcida ALVI-VERDE PERIQUITA.

  • Antonio Carlos diz: 15 de maio de 2010

    Bebeto era canhoto, mas chutava forte, com os dois pés. Ao contrário de todos esse atacantezinhos de hoje que têm “perna ruim”. Me lembro bem dele. Das duas pernas saiam bombas. A capa está perfeita, é a cara dele, e o texto também está certo. Brabo é ver pessoas criticando sem saber. Dá-lhe Canhão da Serra!

  • Gilda Pinheiro diz: 9 de agosto de 2010

    Parabéns Lucas! Estou curiosa para ler seu livro, aonde posso adquirí-lo? Sucesso colega, abraços…

  • Aldo R. Rodrigues diz: 30 de agosto de 2011

    Tive a honra de ver bebeto, o canhao da serra jogar no gaucho e 14 de julho ambos de Passo Fundo. Bebeto chutava
    forte com as duas pernas , era muito rapido e habilidoso . Se jogasse nos dias hoje ,com sua exposiçao na mídiam,valeria no mínimo 20 milhoes de reais .Pois era um centroavante completo .

  • paulo diz: 1 de novembro de 2012

    O grande Bebeto canhao da serra,foi meu professor de educaçao fisica em 1977.
    no colegio Protasio Alves em Passo Fundo.

  • LEO COLORADO diz: 25 de janeiro de 2013

    Uma frase atribuída ao zagueiraço Daison Pontes ficou famosa e marcou época no Rio Grande do Sul na década de 70: “Para ganhar o campeonato Gaúcho tem que entrar na área em Passo Fundo”. Essa frase retratava bem o que era jogar contra o glorioso Gaúcho no Boqueirão. Este livro relata a carreira do “DO “CANHÃO DA SERRA” e também do timaço do Sport Club Gaúcho, o “Periquito do Boqueirão”, que assombrava os adversários dentro do imortal estádio Wolmar Salton. Bebeto foi um dos maiores, senão o maior, centroavante do futebol gaúcho e um dos maiores goleadores do Brasil o que, infelizmente, pouca gente sabe. Hoje não é qualquer jogador tido como craque pela mídia que “amarrava as chuteiras” do Canhão da Serra. Bebeto marcou época no Gáucho de Passo Fundo e também na S.E.R Caxias com um goleador memorável. Quem é fã de futebol deve prestar todas as homenagens a este verdadeiro craque. Queria ver o Barcelona, o Milan e o Chelsea jogarem no nosso inverno gaudério, com chuva, barro, lama e o “bafo na nuca” do Daison e do João Pontes dentro do Wolmar salton em Passo Fundo. Essa eu pagava pra ver. Ha ha ha.

  • Ayrton Luiz Balsemão diz: 3 de março de 2013

    Tive o privilégio de servir no Exército junto com o Bebeto, que tinha o nome de guerra “Vilasboas”. Já com 18 e 19 anos, ele fazia parte de qualquer seleção que se fizesse na 3ª Região Militar, jogando junto com sargentos e oficiais. Naquele ano de 1965, lá na 1ª Cia de Guardas, rua Vieira de Castro, ele deixava todos de boca aberta com o chute potente de pé ESQUERDO, apesar de bater forte também com o direito. Pena ele ter partido tão cedo, senão ele poderia estar apreciando todos estes comentários dos que o conheceram. Saudades, BEBETO!

  • garrincha diz: 11 de janeiro de 2015

    tambem vi muitos gol do bebeto comento com meus amigos que queria ver o bebeto jogar com estes times de hoje ele era diferenciado pela potencia do seu chute que batia com as duas pernas igual pegava a bola como vinha e tinha uma direçao certa descanse em paz bebeto

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