José Luís Runco e Paulo Paixão inauguraram as coletivas da Seleção no CT do Caju, em Curitiba. O médico e o preparador físico falaram sobre exames, testes e as condições físicas gerais dos jogadores.
Pareciam tranquilos quando falaram sobre Kaká e Luís Fabiano. Os dois devem treinar na próxima semana. Não correm o risco de corte. São titulares absolutos de Dunga.
Todos os dias, entre hoje e quarta-feira, haverá uma entrevista coletiva, sempre depois do almoço, por volta de 13h. Dunga quer falar duas vezes.
Amanhã, sábado, todos esperam a presença de um jogador. Todos querem Kaká.
Cerca de uma centena de jornalistas já estão abrigados no toldo de lona que vai servir como palco das entrevistas coletivas da Seleção no interior do CT do Caju, em Curitiba.
A primeira começa em alguns minutos.
A chuva e a longa e confusa fila atrasou o credenciamento da imprensa. Quem gostou foram os vendedores de capas de plástico, R$ 5 a unidade. Venderam dezenas em poucos minutos.
A partir das 13h, a comissão técnica da Seleção concede sua primeira entrevista coletiva no CT do Caju, em Curitiba, no início da preparação da para a Copa da África do Sul.
Acompanhe a movimentação ao vivo, direto da capital paranaense, com os jornalistas Marcos Castiel e Luiz Zini Pires:
Aproximadamente 120 torcedores e 40 jornalistas, que esperavam a chegada da Seleção Brasileira em Curitiba, demonstraram frustração por não poder ver os atletas de Dunga na chegada à capital paranaense.
Humoristas de um programa de TV continuam fazendo gracinhas com a torcida no saguão. A cada holofote aceso para a gravação das brincadeiras, a euforia aumenta entre torcedores e seguranças, na expectativa de que seja algum dos atletas da Seleção.
Tudo em vão. Parece mesmo que os primeiros dribles da turma de Dunga foram aplicados na torcida e imprensa presentes no aeroporto Afonso Pena, na manhã desta sexta-feira.
Os pouco mais de 100 torcedores que esperam a chegada da Seleção Brasileira no aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, não deverão ver os jogadores no saguão. Tudo indica que a Seleção de Dunga sairá direto da pista, para o Ônibus que levará os atletas até o CT do Caju, driblando torcida e imprensa.
O torcedor Eduardo dos Santos, de 17 anos, está no aeroporto esperando os jogadores e conversou com passageiros que informaram a chegada de Robinho, Daniel Alves e Júlio Baptista. A assessoria da CBF não confirma a chegada destes atletas.
De acordo com a CBF, a maioria dos jogadores da Seleção deve chegar em Curitiba, em voo fretado, no final da manhã desta sexta-feira.
A mão enorme se ergue de dentro do apertado posto de segurança:
- Não pode passar.
- Nem jornalista?
- Ninguém, nem funcionário está autorizado a entrar no CT do Atlético. Só com autorização especial.
Olcimar de Souza, 46 anos, é o funcionário encarregado de abrir as duas cancelas eletrônicas que permitem o acesso ao interior do centro de treinamento do Caju, em Curitiba, onde a Seleção vai fazer uma curta pré-temporada a partir de hoje, primeiro com os médicos, depois com os preparadores físicos.
- Só entra o pessoal da cozinha, da lavanderia e da manutenção dos campos. O pessoal do Atlético já saiu. Estão todos treinando no Estádio da Baixada
- Quem deu a ordem?
- A CBF. Os funcionários do Atlético sabem que é preciso respeitar. Fizeram uma reunião e nos comunicaram. É ordem e eu respeito. Não podemos pedir autógrafos, nem tirar fotos com os jogadores. É proibido. 'Deixa o homem (Dunga) trabalhar'.
- O Paulo Baier (melhor jogador do Atlético-PR) pode entrar?
- Não senhor, nem ele.
- E se o senhor pudesse pedir um autógrafo, quem seria o eleito?
- O Nilmar, claro, gosto muito dele, é paranaense que nem eu.
- O senhor vai assistir aos treinos?
- Que nada, preciso trabalhar.
Seu Olcimar encerra o papo ajeitando a camisa com as cores do Atlético-PR e se encolhendo do frio, que o pequeno aquecedor elétrico colocado atrás da sua cadeira tenta espantar sem muito sucesso.
Cerca de 150 metros da Rua Lupinópolis, que dá para os fundos do CT do Atlético-PR, no bairro Sítio Cercado, em Curitiba, está bloqueada por guardas de trânsito, policiais e seguranças. Um largo portão cercado por dois escudos da CBF e de seus patrocinadores deve se abrir em dias de entrevistas
coletivas, talvez em algum treino.
Será o único canal de aproximação entre os jogadores e os jornalistas. Do outro lado, mais de 300 metros de distância, fica a entrada principal do CT, que é exclusiva da CBF.
Os habitantes locais estão impressionados com os 14 caminhões e caminhonetes de equipamentos. Em 24 horas, a rua se transformou na grande atração do bairro.
– Eu quero alugar um quarto, minha vizinha alugou dois. Cobro R$ 50, Você precisa de um? – pergunta a costureira Marli Timbola, 37 anos.
Adriana Pereira, 23, e Aline Ferreira, 17, vão começar a vender pão, bolinhos de queijo e refrigerantes hoje de manhã numa esquina:
– Está tudo encomendado. Volta aqui amanhã. Avisa os teus colegas.
Jean Fontes, 33, trouxe o filho, Jonas, oito. Eles são de Alagoas, o pai torcedor do CRB e do Flamengo, o garoto ainda sem time, e buscam vida nova.
– Queria mostrar o Dunga ao Jean. Dizer que homem bravo ele é. Se o meu filho for como ele, posso morrer feliz – fala o ex-fiscal de barcos em Maceió, agora à procura de emprego.
O vigilante José Benedito, 53 anos, 16 vivendo no bairro, está preocupadocom o acúmulo de pessoas na sua modesta e antes tranquila rua.
– Isto aqui vai virar um formigueiro, mas eu quero ver a Seleção. Já separei a escada, encosto no muro e vejo tudo.
Todos os locais acham que vão poder ver e tocar nos jogadores, ganhar um abraço, pedir um autógrafo, guardar uma foto para a vida inteira. O que a rua não sabe, se sabe não quer admitir, que a possibilidade de se aproximar de qualquer um dos 23 eleitos de Dunga é praticamente nula. A Seleção quer treino, não afago.
A Seleção Brasileira se apresenta hoje, 11h, no Centro de Treinamento do Caju, do Atlético Paranaense, em Curitiba. Durante cinco dias, o grupo passará por testes médicos e físicos.
Kaká chegou ontem ao Paraná, depois de viajar com o médico José Luís Runco desde São Paulo, e encontrou o preparador físico Fábio Mahseredjian, do Inter, dois fisioterapeutas e o roupeiro no CT. Kaká não falou com a imprensa.
Às 13h de hoje haverá uma janela para a imprensa, a primeira desde a definição dos 23 convocados na semana passada.
Nas primeiras 48 horas, os jogadores serão entregues aos médicos da CBF e passarão por uma série de exames. Os dias de treino com bola ainda não foram anunciados.
Os jogadores precisam acordar às 8h, pois os treinos começam às 9h. O almoço está marcado para as 11h30min, antes de outra sessão de treinamento, que começa às 15h30min.
Em dois dias, depois do jantar, 18h30min, o grupo tem duas reuniões agendadas às 19h30min. O toque de recolher está definido para as 22h30min.
Quarta-feira, às 15h30min, a Seleção viaja para a capital federal, onde será recebida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Às 17h, no Aeroporto Internacional de Brasília, a delegação começa a viagem rumo a África do Sul em voo fretado.
Vídeo: Luiz Zini Pires mostra o CT do Caju
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Blog do Zini (ou Bola Dividida) é a coluna do jornalista Luiz Zini Pires. Oferece informações exclusivas, comentários e análises sobre o futebol gaúcho, brasileiro e europeu. Trata dos bastidores do futebol, o que você vê e o que você não vê.
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