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Posts do dia 29 maio 2010

Os unidos pela bola

29 de maio de 2010 1

Luiz Zini Pires

Os pais e avós de Kirten Nana, 23, Paulo Rodrigues, 23, Tsnepo Letsapa, 21, e Shameen Dadamia, 21, nasceram em diferentes lugares do planeta, mas o futebol uniu a nova geração de sul-africanos. A turma, que trabalha em um banco no centro da cidade, é apaixonado por futebol e esperam com ansiedade os jogos decisivos.

Descendente de indianos, Kirten é fã do Liverpool, da Inglaterra, comprou um ticket para Argentina e Coreia do Sul, dia 17 de junho, por R$ 35.

- A Espanha vai vencer. Joga melhor e mais bonito. Gosto do Messi - garante.

Ao seu lado, Paulo, filho de pai portugueses de Coimbra, é fã do Sporting e gastou R$ 800 para ver quatro jogos, dois deles de Portugal, um contra o Brasil, e ainda um da sua África do Sul.

- Vitória portuguesa. Portugal será campeão - anuncia, sério.

Filho de negros africanos, Tsnepo é o único do grupo que não tem ticket. Prefere jogar futebol. É titular no ataque do time amador que leva o nome do seu banco.

- Sou goleador. Será que o Brasil não precisa de um? - diz entre risadas.

Mistura de alemão com indiano, Shameen, investiu R$ 750 no jogo entre Brasil e Portugal, que será disputado em Durban. Comprou um pacote que dá direito de assistir ao encontro e ainda comer e beber algo num lugar especial no estádio.

- Resolvi investir. Viajo de avião até Durban. Será o jogo da minha vida, acho que não verei outro igual - admite, emocionado.

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Na intimidade de Jozi

29 de maio de 2010 0

Espécie de Maracanã da África, o Soccer City abriga 94,7 mil e suas vuvuzelas são ouvidas a 3 km
Alexander Joe, AFP

Fale Joannesburgo, a capital do futebol mundial nos próximas seis semanas, e a cidade de 3,8 milhões de habitantes, o chamará de estrangeiro.  Diga Jo'burg (diminutivo do nome original) e o sul-africano de uma das 40 maiores áreas metropolitanas do planeta, o tratará quase como um local. Pergunte por Jozi, uma união de J'oburg com eGoli (cidade de ouro de antigamente pelas minas encontras na região no final do século 19) e a amizade de 3,8 milhões de sul-africanos será quase instantânea.

Você provavelmente ouvirá muitas vezes:
- Eina (ay-nuh).
Palavra que também pode significar simpatia, ainda mais se o visitante for brasileiro.
- Você veio conhecer a cidade, ay-nuh?

A Seleção é a segunda habitante do quente coração do torcedor sul-africano, logo depois da seleção nacional do país. Portugal, que tem uma grande colônia na África do Sul, também é simpática ao povo, que adora Cristiano Ronaldo. Tanto que os cartolas das duas seleções brigaram para ter como lar africano o luxuoso Fairway Hotel, plantado num exclusivo campo de golfe, como concentração. O Brasil se classificou primeiro e venceu a parada.

Joannesburgo é a única com dois estádios entre as nove sub-sedes do Mundial, o espetacular Soccer City (94.700 lugares), e o reformado Ellis Park (62 mil), onde Nelson Mandela entregou a taça para o campeão mundial de rúgbi em 1995 - saga contada no filme Invictus, de Clint Eastwood, com Morgan Freeman como Mandela.

Jozi receberá 22 das 64 partidas, entre elas a abertura e a final da Copa 2010, além de, no mínimo, dois jogos do Brasil e dois dos rivais argentinos.

O rúgbi é o jogo favorito dos brancos. O soccer é dos negros (73% da população local). No passado, os negros secavam a seleção de rúgbi, os entrocados atletas do Springboks. Sempre torciam para os adversários de outros países e cantavam e dançavam nas derrotas.

O rúgbi do passado estava associado ao racismo. Mandela usou o esporte para tentar unir o país.

Se Joanesburgo estivesse plantado no Brasil, seria São Paulo, assim como a litorânea Cidade do Cabo faria o papel do Rio de Janeiro. Jo'burgo é rica, industrializada e maior centro econômico do país. É lugar dos melhores restaurantes, dos clubes noturnos, dos cassinos, do teatro e dos grandes musicais. É um lugar onde se trabalha muito e se diverte na medida certa. A temperatura encosta nos 35°C no verão, encontra os 7°C mínimos previsto para este final de semana de inverno nos 1.7 mil metros de altitude da cidade.

Todas as grandes empresas têm uma representação em Joannesburgo, dividida em nove distritos, 11 na era do apartheid, que terminou 20 anos atrás com Nelson Mandela definindo os novos tempos. Em Joannesburgo vivem várias cidades misturadas, a rica, como a do bairro de Sandton, com casas de primeiro mundo protegidas por altos muros, cercas elétricas e minada de vigilantes particulares, até carentes e inseguras, às vezes perigosas, towships, como Soweto, que recebeu 68 campos de futebol nos últimos dois anos e famosa por ser local de resistência nos anos mais duros do regime de segregação racial.

A maior cidade sul-africana, talvez a mais importante do continente, é um lugar parecido com muitas cidades brasileiras. Os pobres vendem bugigangas nas esquinas e o desemprego abate as classes mais baixas. Os muito ricos trafegam pelas largas avenidas, mas com os mesmos engarrafamentos que nós conhecemos tão bem, com seus carros impecáveis. Como acontece regularmente no Brasil, bandidos sequestram e torturam. Uma vítima recente foi um executivo brasileiro. No hotel da delegação da Colômbia, duas mulheres foram demitidas depois de roubar dinheiro da delegação.

O Aeroporto OR Tombo, em Joanesburgo, recebe mais de 19 milhões de passageiros por ano. Deve dar boas-vindas para 300 mil fãs de 32 seleções em junho. A violência é real. Mas a grande maioria dos habitantes locais só quer uma gritar uma palavra.
Dizer:
- Laduuuuuma.
É como habitante de Jozi grita goooool ou barulho do trovão em zulu, uma das 11 línguas reconhecidas oficialmente pelo governo da África do Sul, o país da primeira Copa no Terceiro Mundo.

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