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Posts de maio 2010

Polícia aperta segurança na África do Sul

31 de maio de 2010 1

A África do Sul acordou hoje com a revelação que seu polígamo presidente Jacob Zuma aguarda o 21º filho, o segundo com a esposa número dois, MaNtuli.

“Child Nº 21 for Zuma? foi a manchete do The Star, principal jornal de Joannesburgo, cidade-sede da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da África do Sul.

Ao mesmo tempo, um livro espanta os leitores. Chamado Young Mandela, de David James Smith, a obra narra histórias da agitada juventude do ex-presidente Nelson Mandela, seu envolvimento com várias mulheres e uma denúncia séria: que Mandela batia na sua primeira mulher, Evelyn, de quem se divorciou em 1958.

Longe dos escândalos políticos, mas preocupada com a segurança, a Agência de Segurança do Estado, abrigada no guarda chuva do serviço de inteligência do país, está reforçando e apertando a segurança em volta das delegações hospedadas em diferentes regiões e redesenhando o esquema de vigilância das delegações que ainda não desembarcaram no país 10 dias antes do Mundial, que começa com as seleções de África do Sul e México, dia 11, às 11h. Onze é um número considerado mágico, pois a África do Sul fala 11 idiomas.

Os Estados Unidos pediu e o governo da África do Sul liberou, sem grandes discussões prévias. Os próprios americanos vão cuidar da segurança dos seus jogadores em Pretória – onde também está hospedada a seleção da Argentina. Uma lista de 40 possíveis terroristas preocupa a polícia local e os aeroportos e as fronteiras já recebem vigilância dobrada. Não há uma ameaça terrorista concreta, conhecida, na África do Sul envolvendo a Copa do Mundo.

A segurança do Fairway Hotel, com 60 luxuosos apartamentos e onde está concentrada a Seleção, passou por nova e rigorosa inspeção. Empregados, ajudantes temporários, funcionários de empresas que prestam serviço ao hotel e fornecedores foram todos entrevistados e alguns investigados pelas forças de segurança. Foram obrigado a fornecer antecedentes, endereços e receberam credenciais exclusivas para frequentar o Fairway, localizado no interior de um exclusiva campo de golfe. A imprensa, no entanto, circula livre em algumas dependências da área, embora não tenha acesso ao hotel dos jogadores, que tem uma entrada exclusiva e vigiada 24 horas a cada dia.

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Futebol no palco

31 de maio de 2010 0

Joanesburgo divide com a Cidade do Cabo a melhor cena do teatro local. O grande sucesso da temporada é o musical The Boys in The Photograph, do consagrado Andrew Lloyd Webber, em cartaz no Mandela Theatre. O ingresso custa R$ 50.

A história da nova produção do autor britânico, o mesmo de Evita e Cats, trata de um jovem jogador em busca do sucesso no futebol em 1971 numa conflagrada Belfast, capital da Irlanda do Norte. O teatro está sempre lotado, e as apresentações se estendem até o dia da final da Copa do Mundo, 11 de julho.

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Felipe Melo fala do poder da Itália

31 de maio de 2010 0

A Seleção ofereceu as vozes de Felipe Melo, da Juventus, e Ramires, do Benfica, aos mais de 200 jornalistas que ocuparam a sala de imprensa do hotel da delegação em Joannesburgo. A dupla de jogadores de meio-campo, um titular, o outro reserva, dedicaram 48 minutos do seu tempo. A entrevistas começou depois do almoço dos atletas, sempre marcado para às 11h30min. Depois, eles ainda podem descansar mais umas duas horas antes do treino das 15h30min.

Ramires começou. Falou pouco, ainda é meio tímido, inexperiente em Seleção. Pareceu desconfortável ao encarar jornalistas do mundo inteiro. Ele é um reserva e se comportou como tal, medindo as respostas, falando no grupo, elogiando todo o mundo, destacando as disputadas entre os jogadores nos treinos.

Há uma grande preocupação na CBF em evitar polêmicas. Dunga libera apenas dois jogadores por dia para falar com a imprensa. Evita encorajar a zona mista, onde vários jogadores se encontram com jornalistas, circulam pelo local, normalmente organizado no hotel ou nos campos de treino, falam alguns minutos com alguns, individualmente ou em grupo, e respondem diferentes questões. Na coletiva, os temas ficam pasteurizados, são comuns aos que estão na sala. Não se consegue nada exclusivo, nada especial, nada de diferente.

Felipe Melo entrou no jogo das perguntas e respostas muito mais confiante e determinado. Começou criticando a imprensa estrangeira, atacando um jornalistas italiano que teria escrito que ele e Kaká haviam se desentendido num treinamento na África do Sul.

Segundo ele, Kaká encarou a notícia com a seguinte palavra:

- É sacanagem.

Felipe falou sobre titulares e reservas, que não vê apenas 11 jogadores, mas 23 brasileiros que estão dispostos a buscar o título. Ainda destacou que os dois amistosos da Seleção, o primeiro com o Zimbabué, quarta-feira, precisam ser encarados com inteligência para evitar lesões ou outros problemas na véspera do Mundial. Ele que jogar no Zimbabué, diz que vai ser uma prazer porque a Seleção pode levar alegria ao povo carente de um dos países mais pobres do continente africano.

Antes de encerrar, Felipe Melo, ex-volante gremista, classificou a Itália, país onde vive, como um dos favoritos para vencer o Mundial. Disse que a seleção italiana é uma das grandes equipes do torneio e pode levantar a taça, assim como o Brasil.

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Barulho na Copa

31 de maio de 2010 1

Os sul-africanos proibiram o uso de vuvuzelas em aviões. Quem tocar a corneta em voos será preso ao desembarcar e, depois, processado. A pena prevista é de 15 anos de cadeia. Em viagens aéreas, a corneta de plástico precisa ser embarcada no compartimento de bagagens dos jatos.

A vuvuzela é um instrumento da cultura do futebol local. Está em todos os lugares. O barulho é infernal. São esperados mais de 50 mil torcedores locais com vuvuzelas em jogos da seleção da África do Sul.

Seu preço varia muito, entre R$ 10 e R$ 40, tudo depende da qualidade do material. É encontrada nas esquinas das ruas das grandes cidades e nos shoppings centers de classe alta. Decora vitrines de farmácias a butiques de luxo, aparece na porta de restaurantes e bares. Está em quase todos os carros.

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Futebol de madeira

30 de maio de 2010 4

Um dos maiores sucessos de venda nestes dias pré-Copa é um boneco de madeira esculpido à mão. O material é da Indonésia, mas pintado na África, e ainda leva o certificado de produto oficial da Fifa. Cada uma das 32 seleções do Mundial 2010 está representadas nos bonecos. Há três tipos de tamanho, 80cm, 1m35cm e 1m85cm. O preço varia entre R$ 130 e R$ 250.

- Ainda não vendi nenhuma para visitante brasileiro. Mas ainda tem tempo, estou confiante. A Copa só termina dia 11 de julho, e o Brasil vai ser campeão - garante a simpática vendedora Nomfundo Khumalo, 20 anos.

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O fator Kaká

30 de maio de 2010 19

 

Ver Kaká em ação é um grande prazer. Ele é um dos melhores jogadores do mundo, capaz de fazer jogadas que a maioria dos mortais de chuteiras tentam e não consegue.

O ex-jogador do São Paulo, estrela do Real Madrid, é a maior atração do time brasileiro na África do Sul. É a esperança brasileira no Brasil.

Vi Kaká no primeiro coletivo da Seleção, nos 12°C de Joannesburgo, e não gostei do que observei em 48 minutos de ação. Não encontrei o real Kaká. Notei uma cópia.

Kaká está fora de forma. Perdeu o tempo da bola, sua movimentação é mínima, erra passes fáceis, não aparece para as tabelas e também não conclui.

Kaká precisa recuperar urgentemente seu ritmo de joga. Kaká precisa desesperadamente de coletivos e de amistosos.

Ele é decisivo para a Seleção. Além de marcar gols, Kaká é o melhor assistente que Luís Fabiano e Robinho podem pedir ao Criador.

Todos entendem que ele voltou de uma lesão, que ficou mais de 40 dias parado na Espanha, que perdeu a sequência de jogo e que ainda está no meio de uma curta pré-temporada na Seleção. Kaká parece sem confiança, não aposta no drible, na jogada pessoal - talvez seja o efeito de sete dias de intenso trabalho físico com Paulo Paixão, um profissional conhecido (e reconhecido) pela sua exigência. O que se vê, no entanto, é um jogador diferenciado longe da sua melhor condição técnica e física. Dunga sabe e espera. Confia demais no seu meia.

Kaká ainda tem 15 dias para entrar em forma, recuperar o seu melhor jogo. Quando toca no assunto, o professor Paulo Paixão é otimista e garante que ele estará em forma na hora certa e que fará uma boa Copa do Mundo.

Nós não precisamos esperar mais meio mês para saber como Kaká vai estar na estreia contra a Coreia do Norte. Basta observas mais alguns coletivos com atenção e examiná-lo nos dois amistoso marcados para esta semana. Antes do dia 15, antes da Seleção tocar o gramado de cinema do Estádio Ellis Park, todos saberão se o Kaká em campo é o real ou apenas uma cópia do jogador que já foi o melhor do mundo.

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Dunga apresenta time da Copa

30 de maio de 2010 2


Próximo ao Fairway Hotel, a Hoërskool Randesburg recebeu a Seleção em dia de inverno gaúcho na tarde de ontem Joanesburgo. Choveu fino, a sensação térmica rodou os 9°C e o vento soprou cortando quem não se agasalhou direito. A diferença entre a capital financeira da África do Sul e Brasília é de cinco horas.

No campo, na grama macia e bem cuidada, Dunga orientou um coletivo, quase 48 minutos de bola rolando. Apresentou o time que deve estrear na Copa do Mundo em 15 dias. Destinou os coletes alaranjados para Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos: Gilberto Silva, Felipe Mello, Elano e Kaká; Robinho e Luis Fabiano.

Os jogadores estavam como fome de bola, correram muito. Todos encararam um treino como jogo. Josué não perdeu viagem. Luisão pegou firme Luís Fabiano. Thiago Silva não aliviou Robinho.

A decepção foi Kaká, que ainda está longe da sua melhor forma. O jogador do Real Madrid, que deve ser negociado na janela de agosto, ainda sente os efeitos da parada de 42 dias pela lesão muscular. Não se movimenta como o Kaká dos melhores dias, perdeu o tempo da bola, erra passes e vive distante das zonas de definição. Mas é craque. Pode recuperar o seu potencial nos próximos dias.

O melhor setor do time continua sendo a defesa, a grande forma de Júlio César, Maicon, Lúcio e Juan. Eles engoliram a dupla reserva Grafite e Nilmar. Não deram chance.

O novo companheiro da lateral do quarteto defensivo é Michel Bastos, que ainda busca um melhor entrosamento com seus colegas de defesa e também, meio-campo e ataque. Ele precisa treinar mais, acertar a movimentação, especialmente nas jogadas de ataque, as trocas de posição com Robinho e Kaká.

Meia no francês Lyon, o pelotense Michel ainda busca adaptação na lateral. Ele saiu na frente. Gilberto, o outro lateral, precisa buscar a posição nos treinos, talvez nos jogos.

Um dos nomes do primeiro coletivo de Dunga em noves dias de pré-temporada entre Curitiba e a África foi o lateral Maicon. Ele está numa forma espetacular. Foi um dos que mais chutou a gol. Ele carrega o time ao ataque, tabela, entre pelo meio, chega ao fundo. É um jogador completo. Os italianos acham que o lateral da Inter pode ser um dos nomes da Copa do Mundo.

Depois do treino, Elano, o homem das bolas paradas, Robinho e Luís Fabiano treinaram pênaltis em Gomes e Doni, com bom aproveitamento.

Antes, Michel Bastos e Elano arriscaram algumas faltas de fora da área. Os dois marcaram gols. Suas cobranças deixaram os dois goleiros sem ação.

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A trilha sonora

30 de maio de 2010 0

Luiz Zini Pires

Dean Van Zyl, 23, é ligado em cricket e não está nem aí para a o futebol. Se escolhesse dois CDs de música africana ele sugeriria A World Next Door To Yours, do The Parlatones, e Freshly Ground, do Radio Africa.

- É a união do pop, do rock e da música africana. Vende muito, eu gosto. São grupos legais. Eu ouço sempre.

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VÍDEO: Análise do segundo treino da Seleção na África

30 de maio de 2010 3

Luiz Zini Pires, Sérgio Boaz e José Alberto Andrade analisam o segundo treino da Seleção Brasileira na África do Sul. Dunga realizou um trabalho técnico na manhã deste domingo.

Veja o vídeo.

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O brasileiro

30 de maio de 2010 1

Luiz Zini Pires

Master Q, 26 anos, e DJ Kent, 18, ao lado do pequeno, Teboho, três, vivem em Soweto, bairro da maioria negra, toca em festas, casamentos e outras cerimônias. São Djs conhecidos na redondeza, por isso os pseudônimos.
Master Q é fã da Seleção.

- Não posso falar alto. Mas gosto mais do Brasil do que dos Bafana - ele ri.

Ele toca todos os tipos de música, do rock ao rap, mas prefere house. Ganha cerca R$ 380 reais a cada 12 horas de performance. Sexta tocaria num aniversário.

- Será que eu poderia tocar no Brasil? O que você acha - pergunta.

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As estudantes

30 de maio de 2010 2

Luiz Zini Pires

Alunas da Mandecv High Scholl, Hichi Thebehali, 18, e Sihle Radebe, 17, têm ingressos para o jogo de abertura, África do Sul e México, dia 11. Presentes dos pais, fruto das boas notas. Elas estão felizes.

- A Copa do Mundo é uma coisa boa. O mundo vai ver que na África do Sul os leões não andam pela rua - brinca Hichi.

- Na escola os professores disseram que é para distribuir sorrisos para os visitantes, dar boas-vindas. É o que estamos fazendo e, antes de você, encontramos uma casal de canadenses muito legal - informa Sihle.

A dupla gosta de futebol, vê jogos pela tevê, adora os Bafana Bafana.
- Vamos ganhar a Copa - se despedem as duas, rindo muito.

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A ex-jogadora

30 de maio de 2010 0

Luiz Zini Pires

Marie Diederiks, 23 anos, jogava futebol na escola, deixou as chuteiras de lado e gosta de frequentar o estádio em dias de jogo com amigos. Ainda não conseguiu ingressos para o Mundial. Acha caro, e seu salário de vendedora não ajuda muito.

- Gostaria boa parte dele se pudesse assistir uma final entre os Bafana Bafana e o Brasil. Acho que vou me contentar com a tevê na sala de casa - brinca.

Marie entende que a África será bem mais conhecida depois da Copa e que os jogos serão ótimos para melhorar a imagem do país.

- Nas últimas horas encontrei canadenses, brasileiros, e australianos. Nada mal, hein?. O mundo está sintonizado no nosso país. Vamos fazer bonito em campo e fora dele.

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Os fãs de rugby

30 de maio de 2010 0

Luiz Zini Pires

Brad Horviar, 40 anos, e o filho Tirone, 13, não se interessam por futebol. Seu jogo é o rúgbi. A Copa do Mundo será apenas um esporte da TV em 12 dias e sem a atenção deles.

- Meu time é o Bluebulls. Nós gostamos de rúgbi, não oferecemos atenção ao futebol. Nossa Copa será na frente da TV.

Bulls e Stormers disputariam a final neste sábado no Estádio Orlando, em Soweto. Os ingressos foram todos vendidos em apenas 4 horas. Os tickets custavam R$ 75, contra os R$ 5 que os locais gastam para assistir uma partida de futebol envolvendo os times do país.

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O ambulante

30 de maio de 2010 0

Luiz Zini Pires

Seu nome é Brian. Não queria saber de dizer idade ou sobrenome. Só queria vender uma bandeira.

- Entre R$ 2,5 e R$ 17,5. Tenho flâmulas e bandeiras. Qual a sua preferida? Ah, Brasil. Faço R$ 15 a grandona...

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Os unidos pela bola

29 de maio de 2010 1

Luiz Zini Pires

Os pais e avós de Kirten Nana, 23, Paulo Rodrigues, 23, Tsnepo Letsapa, 21, e Shameen Dadamia, 21, nasceram em diferentes lugares do planeta, mas o futebol uniu a nova geração de sul-africanos. A turma, que trabalha em um banco no centro da cidade, é apaixonado por futebol e esperam com ansiedade os jogos decisivos.

Descendente de indianos, Kirten é fã do Liverpool, da Inglaterra, comprou um ticket para Argentina e Coreia do Sul, dia 17 de junho, por R$ 35.

- A Espanha vai vencer. Joga melhor e mais bonito. Gosto do Messi - garante.

Ao seu lado, Paulo, filho de pai portugueses de Coimbra, é fã do Sporting e gastou R$ 800 para ver quatro jogos, dois deles de Portugal, um contra o Brasil, e ainda um da sua África do Sul.

- Vitória portuguesa. Portugal será campeão - anuncia, sério.

Filho de negros africanos, Tsnepo é o único do grupo que não tem ticket. Prefere jogar futebol. É titular no ataque do time amador que leva o nome do seu banco.

- Sou goleador. Será que o Brasil não precisa de um? - diz entre risadas.

Mistura de alemão com indiano, Shameen, investiu R$ 750 no jogo entre Brasil e Portugal, que será disputado em Durban. Comprou um pacote que dá direito de assistir ao encontro e ainda comer e beber algo num lugar especial no estádio.

- Resolvi investir. Viajo de avião até Durban. Será o jogo da minha vida, acho que não verei outro igual - admite, emocionado.

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Na intimidade de Jozi

29 de maio de 2010 0

Espécie de Maracanã da África, o Soccer City abriga 94,7 mil e suas vuvuzelas são ouvidas a 3 km
Alexander Joe, AFP

Fale Joannesburgo, a capital do futebol mundial nos próximas seis semanas, e a cidade de 3,8 milhões de habitantes, o chamará de estrangeiro.  Diga Jo'burg (diminutivo do nome original) e o sul-africano de uma das 40 maiores áreas metropolitanas do planeta, o tratará quase como um local. Pergunte por Jozi, uma união de J'oburg com eGoli (cidade de ouro de antigamente pelas minas encontras na região no final do século 19) e a amizade de 3,8 milhões de sul-africanos será quase instantânea.

Você provavelmente ouvirá muitas vezes:
- Eina (ay-nuh).
Palavra que também pode significar simpatia, ainda mais se o visitante for brasileiro.
- Você veio conhecer a cidade, ay-nuh?

A Seleção é a segunda habitante do quente coração do torcedor sul-africano, logo depois da seleção nacional do país. Portugal, que tem uma grande colônia na África do Sul, também é simpática ao povo, que adora Cristiano Ronaldo. Tanto que os cartolas das duas seleções brigaram para ter como lar africano o luxuoso Fairway Hotel, plantado num exclusivo campo de golfe, como concentração. O Brasil se classificou primeiro e venceu a parada.

Joannesburgo é a única com dois estádios entre as nove sub-sedes do Mundial, o espetacular Soccer City (94.700 lugares), e o reformado Ellis Park (62 mil), onde Nelson Mandela entregou a taça para o campeão mundial de rúgbi em 1995 - saga contada no filme Invictus, de Clint Eastwood, com Morgan Freeman como Mandela.

Jozi receberá 22 das 64 partidas, entre elas a abertura e a final da Copa 2010, além de, no mínimo, dois jogos do Brasil e dois dos rivais argentinos.

O rúgbi é o jogo favorito dos brancos. O soccer é dos negros (73% da população local). No passado, os negros secavam a seleção de rúgbi, os entrocados atletas do Springboks. Sempre torciam para os adversários de outros países e cantavam e dançavam nas derrotas.

O rúgbi do passado estava associado ao racismo. Mandela usou o esporte para tentar unir o país.

Se Joanesburgo estivesse plantado no Brasil, seria São Paulo, assim como a litorânea Cidade do Cabo faria o papel do Rio de Janeiro. Jo'burgo é rica, industrializada e maior centro econômico do país. É lugar dos melhores restaurantes, dos clubes noturnos, dos cassinos, do teatro e dos grandes musicais. É um lugar onde se trabalha muito e se diverte na medida certa. A temperatura encosta nos 35°C no verão, encontra os 7°C mínimos previsto para este final de semana de inverno nos 1.7 mil metros de altitude da cidade.

Todas as grandes empresas têm uma representação em Joannesburgo, dividida em nove distritos, 11 na era do apartheid, que terminou 20 anos atrás com Nelson Mandela definindo os novos tempos. Em Joannesburgo vivem várias cidades misturadas, a rica, como a do bairro de Sandton, com casas de primeiro mundo protegidas por altos muros, cercas elétricas e minada de vigilantes particulares, até carentes e inseguras, às vezes perigosas, towships, como Soweto, que recebeu 68 campos de futebol nos últimos dois anos e famosa por ser local de resistência nos anos mais duros do regime de segregação racial.

A maior cidade sul-africana, talvez a mais importante do continente, é um lugar parecido com muitas cidades brasileiras. Os pobres vendem bugigangas nas esquinas e o desemprego abate as classes mais baixas. Os muito ricos trafegam pelas largas avenidas, mas com os mesmos engarrafamentos que nós conhecemos tão bem, com seus carros impecáveis. Como acontece regularmente no Brasil, bandidos sequestram e torturam. Uma vítima recente foi um executivo brasileiro. No hotel da delegação da Colômbia, duas mulheres foram demitidas depois de roubar dinheiro da delegação.

O Aeroporto OR Tombo, em Joanesburgo, recebe mais de 19 milhões de passageiros por ano. Deve dar boas-vindas para 300 mil fãs de 32 seleções em junho. A violência é real. Mas a grande maioria dos habitantes locais só quer uma gritar uma palavra.
Dizer:
- Laduuuuuma.
É como habitante de Jozi grita goooool ou barulho do trovão em zulu, uma das 11 línguas reconhecidas oficialmente pelo governo da África do Sul, o país da primeira Copa no Terceiro Mundo.

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África está vestida para a Copa

28 de maio de 2010 1

Ainda serão feitas muitas comparações entre África do Sul e Brasil, sede da próxima Copa e também um “país em desenvolvimento”.

Pois na primeira delas, e justamente no calcanhar de aquiles brasileiro em termos de infraestrutura, a África vence de goleada. Não há no Brasil aeroporto mais moderno do que o Aeroporto Internacional Oliver Tambo (foto), que recebe 19 milhões de pessoas a cada ano.


Maior cidade da África do Sul, 3,8 milhões de habitantes, Joanesburgo está vestida para a Copa, colorida, decorada, cheia de cartazes e bandeiras, mas ainda não chegou a hora do desembarque dos turistas usando camisas das suas seleções. Eles devem começar a chegar depois do dia 10 de junho. A Copa da África começa dia 11.

Joanesburgo não lembra uma África pobre e carente. Certas partes da cidade, especialmente a região onde o Brasil está concentrado, parecem mais com as partes mais ricas das cidades brasileiras. Casas cercadas por altos muros, grades e até arame farpado protegem as residências. Os sistemas de vigilância particulares estão por todos os lados. A sensação, ao menos durante o dia, é de segurança, talvez a realidade mude depois que a luz vai embora.


O que chama atenção são as bandeiras da África do Sul espalhadas por toda cidade, que amanheceu com sol e uma temperatura de 12°C. São milhares e de todos os tamanhos, da flâmula ao bandeirão com mastro. Ao melhor estilo Brasil, são vendidas em esquinas e sinaleiras. Estão nas casas, nos bares, e no topo dos carros. Uma das modas locais é envolver parte do espelho retrovisor lateral do carro com uma bandeira, sem prejudicar a visão do motorista.

A estrela da Copa, a vuvuzela, está em todos os lugares. O governo teve de proibir o uso das cornetas de plástico nas cabines de aviões. Quem soprar a vuvuzela num voo será preso e processado. As vuvuzelas só podem ser embarcadas em avião no compartimento de bagagem dos jatos.

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Repouso no campo de golfe

28 de maio de 2010 3


Para quem deseja isolamento e tranquilidade, deve haver poucos lugares tão adequados quanto o Fairway Hotel. As acomodações de luxo ficam cercadas no interior do Randpark Golf Club, um nome bonito para nada mais do que um extenso campo de golfe privativo, no distrito de Randburg.

De um lado do muro verde em torno do hotel, as estrelas de até R$ 180 milhões correm pelo gramado para “tirar o avião do corpo”. Do outro, as aulas de golfe continuam ocorrendo normalmente.


A entrada do hotel ainda está em reforma, mas o espaço único da Seleção está pronto e brilhando de novo. Os recepcionistas já circulam com botons do Brasil na lapela. A segurança foi colocada de prontidão ontem cedo, antes da chegada da delegação. A segurança do ontem é reforçada pela política local. Perto, vigilantes particulares guardam as ruas do bairro – como se fosse uma via de classe média alta de um bairro de qualquer cidade brasileira.

Assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva reclamou que há câmeras de TV postadas em lugares elevados que podem roubar a privacidade dos jogadores em seus quartos. As fotos de treinos do primeiro dia também são “roubadas” de lugares altos que cerca o hotel.
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:: Saiba mais sobre a casa da Seleção clicando na figura abaixo:


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Carteira aberta

27 de maio de 2010 29


Uma visita rápida ao supermercado mostra o preço de alguns itens de consumo em Joannesburgo. É preciso R$ 1 para comprar 4 rands, a moeda local, mas nem tente fazer o câmbio.

Os locais querem mesmo é o dólar.

Margarina (500g) – R$ 2

Seis ovos – R$ 1,5

Maça (1kg) – R$ 2,5

Óleo de cozinha (2 litros) – R$ 4,5

Coca Cola (2 litros) – R$ 3

Cerveja Castle – R$ 2

Carne de porco ( 1kg) – R$ 7

Galinha (1kg) – R$ 6,7

Camisetas da Copa – R$ 39

Boné da Copa – R$ 29

DVD original de Avatar – R$ 44

Laptop 2.2GHZ - R$ 1,8 mil

Máquina de lavar – R$ 500

TV Full LED 42” - R$ 2.850

Blackberry – R$ 600

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Os 19 dias decisivos de Kaká

27 de maio de 2010 2

Nos treinos da Seleção em Curitiba, durante cinco dias, os fãs tinha um grito ensaiado.

- Kaká.

Na saída da delegação no aeroporto da cidade, quarta-feira, as adolescentes curitibanas se desmanchavam no saguão.

- Kakááá.

Em Joannesburgo, ontem, o senhor de cabelos brancos que arrumava uma cerca ao lado do hotel da Seleção perguntou aos jornalistas:

- Kaká veio?

Um motorista de sotaque inglês engraçado que se diz chamar Big Boy e é torcedor do Arsenal inglês já sabe o futuro do meia da Seleção:

- Kaká será o melhor do mundo depois da Copa.

O talentoso jogador do Real Madrid, ex-número 1 do mundo, é o atleta mais popular e admirado da Seleção. Ele é o craque, o jogador que pode fazer a diferença.

Ele está nos cartazes do Aeroporto Internacional OR Tambo, em Joannesburgo, nos outdoors das principais avenidas da maior cidade da África do Sul, nas camisetas coloridas dos adolescentes, nas capas de revistas, nas primeiras páginas dos jornais. Só não está em plena forma física, como o seu rival e atual número 1 do mundo, o argentino Lio Messi.

Kaká luta contra o tempo, seus dias estão se esgotando. Depois de driblar uma lesão muscular e um problema no pubis precisa entrar em forma. Faltam 19 dias para a estreia do Brasil.

O professor Paulo Paixão cuida de Kaká como se estivesse polindo uma pedra preciosa. Dunga disse que não está preocupada com a lesão muscular do jogador. Garante que o meia vai jogar a Copa. Paixão vai alem, afirma que Kaká fará um grande Mundial.

A curiosidade geral é se Kaká participará do primeiro coletivo da Seleção. Em Curitiba, terça-feira, ele correu e suou muito. Parecia curado, pronto para a ação. Mas é só um coletivo que pode dizer se ele vai jogar ou não. É a bola rolando que vai mostrar quem é o real Kaká dos nosso dias.

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Dunga quer ajustar coletivo da Seleção

27 de maio de 2010 0

Jornalistas brasileiros, franceses, japoneses, italianos e alemães e até brasileiros que trabalham no Exterior ocuparam mais de 200 cadeiras na apertada sala de entrevistas na concentração da Seleção, em Joanesburgo. Dunga chegou com o rosto fechado, sorriu minimante durante toda o encontro e só recuperou o bom humor no final quando a Argentina e Maradona entraram na discussão.


Na sua primeira entrevista depois da escolha dos seus 23 jogadores, em maio, Dunga defendeu os dois amistosos contra Zimbábue e Tanzânia nas próximas duas semanas. O Brasil estreia no Mundial dia 15 do mês que vem contra a Coreia do Norte. Mostrou igualmente certo desconforto com a equipe.

Dunga está preocupado com a parte coletiva da Seleção, que perdeu ritmo de jogo pela falta de sequência de jogos. Ele pensou em outros adversários, mas nem todos tem disponibilidade para enfrentar o Brasil. Escolheu os dois africanos, mesmo sem grande representatividade no cenário da bola, porque fazem parte da escola africana e Costa do Marfim, talvez a melhor equipe do continente, é adversário do Grupo G dia 20 de junho, às 15h30min.

O técnico da Seleção, 44 meses no cargo, quer ver a Seleção jogando e recuperando o ritmo de jogo, exercitado diferentes posicionamentos, as ações defensivas e ofensivas, talvez com Kaká, certamente com Luís Fabiano, dois jogadores recém recuperados de lesões musculares.

Ele não tocou no assunto na entrevista de ontem à tarde, mas a Seleção deve começar hoje, no máximo amanhã, a intensificar os treinos coletivos. A minitemporada começou sexta-feira passada e o trabalho com bola foi mínimo.
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:: Saiba mais sobre a coletiva de Dunga

:: Veja como foi a coletiva

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Ao Vivo: Entrevista coletiva da Seleção Brasileira

27 de maio de 2010 3

Acompanhe a coletiva desta quinta da Seleção Brasileira, que já está em Joanesburgo. Luiz Zini Pires manda informações diretamente da África do Sul.

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Vuvuzelas, bandeiras e seguranças

27 de maio de 2010 3

O Aeroporto Internacional Oliver Tambo, que acolheu sem festa a Seleção Brasileira hoje cedo, recebe 19 milhões de pessoas a cada ano e é o maior e mais moderno da África - não há sequer um igual no Brasil.

Maior cidade da África do Sul, 3,5 milhões de habitantes, Joannesburgo está vestida para a Copa, colorida, decorada, cheia de cartazes e bandeiras, mas ainda não chegou a hora do desembarque dos barulhentos turistas usando camisas das suas seleções. Eles devem começar a chegar depois do dia 10 de junho. A primeira Copa do Mundo da África começa dia 11.

Quem está chegando, em peso, é a imprensa brasileira. Dois voos, um de São Paulo e outro do Rio, desembarcaram dezenas de jornalistas que vão ficar acomodados na cidade onde o Brasil faz a sua estreia na Copa da África do Sul, dia 15 do mês que vem, contra a Coréia do Norte.

Joannesburgo não lembra uma África pobre e carente. Certas partes da cidade, especialmente a região onde o Brasil está concentrado, parecem mais com as partes mais ricas das cidades brasileiras. Casas cercadas por altos muros, grades e até arame farpado protegem as residências. Os sistemas de vigilância particulares estão por todos os lados e funcionam 24 horas. A sensação, ao menos com a luz do dia, é de segurança, talvez a realidade mude depois que a luz do dia vá embora.

O Brasil está concentrado num hotel de luxo, o Fairway, que fica no meio de um campo de golfe. Todas as entradas do complexo estão lotadas de segurança. Basta dizer a palavra “press” para que os guardas se coloquem de prontidão. Imprensa não é bem-vida na concentração da Seleção, exceto em dias de coletivas, como a que Dunga ofereceu hoje.

O que chama atenção são as bandeiras da África do Sul espalhadas por toda Joannesburgo, que amanheceu com sol e uma temperatura de 12°C. São milhares e de todos os tamanhos, da flâmula o bandeirão com mastro. Ao melhor estilo Brasil, são vendidas em esquinas e sinaleiras. Estão nas casas, nos bares, nos mercados, nos hotéis e no topo dos carros. Uma das modas locais é envolver parte do espelho retrovisor lateral do carro com uma bandeira, sem prejudicar a visão do motorista.

A estrela da Copa, a vuvuzela, está em todos os lugares, em diferentes formatos, de menor ou maior qualidade. O governo proibiu o uso das cornetas de plástico nas cabines de aviões. Quem soprar a vuvuzela num vôo será preso e processado. As vuvuzelas só podem ser embarcadas em avião no compartimento de bagagem dos jatos.

O fuso horário da África do Sul está cinco horas adiante do Brasil.

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VÍDEO: Os dias da Seleção em Curitiba

26 de maio de 2010 1

Luiz Zini Pires, Marcos Castiel e Edmilson Ortiz comentam os dias em que a Seleção Brasileira esteve concentrada no CT do Atlético Paranaense, em Curitiba, e o que esperar da Seleção na Copa do Mundo, na África do Sul.

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VÍDEO: Festa no embarque da Seleção

26 de maio de 2010 1

No último dia da Seleção Brasileira no país, torcedores fizeram festa no aeroporto de Curitiba aguardando os jogadores antes do embarque. A Seleção viajou para Brasília, onde se encontrou com o presidente Lula, e há pouco embarcou para a África do Sul.

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